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Esta fotografia captura um momento significativo da vida cívica e social de Juiz de Fora na década de 1920, unindo a representação política à tradição do escotismo no Parque Halfeld, o coração histórico da cidade.
Em 1927, o Doutor Procópio Ferreira ocupava o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora (posição que, na estrutura administrativa da época, equivalia às funções do que hoje entendemos por prefeito).
Sua presença no evento reforça a importância que as autoridades locais davam aos movimentos de formação da juventude, como os Escoteiros.
O ato de entrega de ornamentos (medalhas, distintivos ou insígnias) era um rito de passagem e reconhecimento, simbolizando a disciplina e os valores cívicos que o movimento escoteiro buscava implantar, muitas vezes com apoio direto do poder público.
O Parque Halfeld, nesta época, já era o principal ponto de encontro da elite e da população juiz-forana.
Na imagem, podemos observar: Vegetação e Paisagismo: O parque mantinha uma configuração densa, com palmeiras e árvores que ofereciam a moldura ideal para cerimônias ao ar livre.
Nota-se a presença de civis com chapéus (estilo boater ou palheta) e ternos claros, típicos da moda masculina dos anos 20 para eventos diurnos, contrastando com o uniforme caqui dos escoteiros.
Em destaque, a bandeira do movimento escoteiro (com a flor-de-lis visível na restauração) sendo segurada por um jovem em primeiro plano, simbolizando a solenidade do evento.
A preservação deste registro deve-se ao acervo de Elton Belo Reis, uma das fontes mais importantes para a memória visual de Juiz de Fora.
O trabalho de colecionadores e pesquisadores como ele permite que cenas do cotidiano político e social, que de outra forma seriam perdidas, permaneçam acessíveis para o estudo da evolução urbana e cultural da "Manchester Mineira".
Eventos como este eram comuns no "pátio" do parque, transformando o espaço público em um palco de celebração da identidade local e dos valores da época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis

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Esta nota de jornal é um testemunho precioso da história da educação feminina em Juiz de Fora.
O registro das formandas do curso "Normal" (magistério) do Colégio Stella Matutina na década de 1930 reflete um período em que a instituição já era um dos pilares educacionais e religiosos mais prestigiados de Minas Gerais.
A Carreira de Normalista: Na década de 1930, o curso Normal era a principal via de profissionalização para mulheres de classe média e alta.
Ser uma "normalista" do Stella Matutina conferia não apenas um diploma, mas um status social e intelectual elevado.
As jovens eram preparadas sob uma rígida disciplina alemã (pelas Irmãs Servas do Espírito Santo), focando em pedagogia, artes, música e valores católicos, destinadas a alfabetizar e moldar as próximas gerações da elite e da sociedade local.
Fundado em 1902, o colégio era um centro de irradiação cultural.
Na década de 1930, a escola já ocupava suas imponentes instalações e era conhecida pela excelência no ensino de línguas e humanidades.
A fotografia mostra o rigor e a padronização da época. O uniforme, saias escuras, blusas brancas de gola colarinho e a gravata escura, era um símbolo de identidade e orgulho para as alunas, denotando ordem e seriedade.
A frase "Pela última vez o 3º A se reúne para deixar ao Stella uma recordação" carrega a melancolia típica das formaturas de época.
Esses recortes eram comuns em jornais, que dedicavam colunas inteiras à vida social e acadêmica da cidade.
Para a história de Juiz de Fora, imagens como esta são fundamentais para identificar as linhagens familiares da cidade, já que muitas dessas jovens viriam a se tornar figuras centrais na sociedade, educadoras renomadas ou mães de famílias influentes.
O Stella Matutina, junto com o Colégio Academia e o Granbery, formava o triângulo educacional que deu a Juiz de Fora a fama de "Atenas Mineira".
Esta foto é o registro exato do momento em que essas mulheres deixavam o ambiente protegido da escola para enfrentar um mundo que estava prestes a passar por grandes transformações políticas e sociais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

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Esta nota de jornal é um testemunho precioso da história da educação feminina em Juiz de Fora.
O registro das formandas do curso "Normal" (magistério) do Colégio Stella Matutina na década de 1930 reflete um período em que a instituição já era um dos pilares educacionais e religiosos mais prestigiados de Minas Gerais.
A Carreira de Normalista: Na década de 1930, o curso Normal era a principal via de profissionalização para mulheres de classe média e alta.
Ser uma "normalista" do Stella Matutina conferia não apenas um diploma, mas um status social e intelectual elevado.
As jovens eram preparadas sob uma rígida disciplina alemã (pelas Irmãs Servas do Espírito Santo), focando em pedagogia, artes, música e valores católicos, destinadas a alfabetizar e moldar as próximas gerações da elite e da sociedade local.
Fundado em 1902, o colégio era um centro de irradiação cultural.
Na década de 1930, a escola já ocupava suas imponentes instalações e era conhecida pela excelência no ensino de línguas e humanidades.
A fotografia mostra o rigor e a padronização da época. O uniforme, saias escuras, blusas brancas de gola colarinho e a gravata escura, era um símbolo de identidade e orgulho para as alunas, denotando ordem e seriedade.
A frase "Pela última vez o 3º A se reúne para deixar ao Stella uma recordação" carrega a melancolia típica das formaturas de época.
Esses recortes eram comuns em jornais, que dedicavam colunas inteiras à vida social e acadêmica da cidade.
Para a história de Juiz de Fora, imagens como esta são fundamentais para identificar as linhagens familiares da cidade, já que muitas dessas jovens viriam a se tornar figuras centrais na sociedade, educadoras renomadas ou mães de famílias influentes.
O Stella Matutina, junto com o Colégio Academia e o Granbery, formava o triângulo educacional que deu a Juiz de Fora a fama de "Atenas Mineira".
Esta foto é o registro exato do momento em que essas mulheres deixavam o ambiente protegido da escola para enfrentar um mundo que estava prestes a passar por grandes transformações políticas e sociais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
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Esta fotografia captura um momento fundamental na consolidação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
A visita do Deputado José Bonifácio Lafayette de Andrada (Zezinho Bonifácio), então Presidente da Câmara dos Deputados, ao lado do reitor Gilson Salomão, em 1969, simboliza o apoio político necessário para a execução de um dos maiores projetos urbanísticos e educacionais da região.
Na década de 1960, a UFJF funcionava de forma fragmentada, com faculdades espalhadas pelo centro de Juiz de Fora.
A construção do campus centralizado no Bairro São Pedro foi uma resposta à necessidade de modernização e integração acadêmica.
O Reitor Gilson Salomão: Considerado um dos grandes articuladores da universidade, Salomão foi o reitor que impulsionou a construção do campus. Sua gestão focou em transformar a UFJF em uma instituição de referência nacional, o que exigia uma infraestrutura de ponta para a época.
A imagem revela os métodos construtivos de 1969, com o uso extensivo de escoramentos de madeira e tijolos aparentes.
É o "esqueleto" do que viria a ser o centro de convivência e as primeiras unidades acadêmicas.
A presença de José Bonifácio, figura de enorme peso político e membro de uma das famílias mais tradicionais da política mineira (os Andrada), reforça a importância que o governo federal dava à expansão do ensino superior naquele momento.
Além do ensino, o campus se tornou o principal parque de lazer da cidade, com o seu anel viário utilizado diariamente por milhares de pessoas para atividades físicas.
O projeto arquitetônico original, embora tenha sofrido alterações e expansões ao longo das décadas, ainda mantém traços daquele modernismo funcional que buscava integrar a natureza do entorno com os blocos de ensino.
Essa Fotografia é um registro valioso da transição entre o sonho da "cidade universitária" e a realidade física da UFJF, marcando o início da era moderna da educação em Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis

09
Esta cena captura um momento icônico do urbanismo de Juiz de Fora na década de 1980, onde o desenvolvimento rodoviário se encontrava com a ferrovia, moldando a paisagem central da cidade.
A imagem registra o Mergulhão da Avenida Barão do Rio Branco, uma das obras de engenharia mais significativas para a mobilidade urbana de Juiz de Fora na época.
O objetivo principal era eliminar os conflitos constantes de tráfego causados pela passagem de nível da MRS Logística (anteriormente Rede Ferroviária Federal), que frequentemente interrompia o fluxo da principal artéria da cidade. A conclusão dessa obra permitiu uma transição mais fluida entre o centro e os Bairros adjacentes, transformando a dinâmica da região.
À esquerda, destaca-se a imponente estrutura do Estádio Doutor José Procópio Teixeira, a casa do Sport Club Juiz de Fora.
Na década de 1980, o estádio ainda mantinha sua configuração clássica de concreto armado, exibindo aquela estética robusta típica das construções esportivas brasileiras do período.
A presença do estádio ao lado do mergulhão cria um contraste interessante entre o espaço de lazer e a infraestrutura pesada de transporte, sendo um ponto de referência visual inconfundível para quem circulava pela região na época.
A fotografia nos permite observar uma Juiz de Fora em pleno processo de verticalização. O cenário é caracterizado por:
O mergulhão simbolizava o esforço da cidade em se adaptar ao crescimento da frota de veículos, consolidando a Rio Branco como o eixo viário prioritário.
A iluminação urbana, as características dos veículos que circulam pelo túnel e a arquitetura dos edifícios ao fundo compõem o retrato de uma década marcada por grandes transformações no planejamento urbano.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
08
Esta fotografia da Secretaria do Hospital Militar de Juiz de Fora (HMJF) em 1971 é um mergulho na rotina administrativa que sustentava a excelência da instituição no Bairro Fábrica.
Neste período, o HMJF era o coração da assistência médica militar na Zona da Mata mineira.
A secretaria funcionava como o centro de processamento de toda a vida hospitalar: As máquinas de escrever, os carimbos e as pastas de prontuários visíveis nas mesas eram os instrumentos de trabalho sargentos e cabos. Cada registro, de uma consulta obstétrica a uma internação cirúrgica, passava por este setor.
O piso em padrão xadrez e as janelas com persianas metálicas garantiam um ambiente fresco e organizado. Note o detalhe do calendário de parede e o relógio antigo, que ditavam o ritmo rigoroso da administração militar.
Situada no auge da gestão do Doutor Dalmo de Oliveira Motta, esta secretaria era o braço direito de sua diretoria.
Como médico obstetra e Tenente-Coronel, o Doutor Dalmo dependia da eficiência destes homens uniformizados para: Garantir que o atendimento às famílias dos militares fosse ágil e documentado.
Manter o hospital como uma unidade de referência, onde a disciplina militar se unia ao cuidado médico.
O Hospital Militar, inserido no Bairro Fábrica, trazia para a região uma movimentação constante de oficiais, praças e civis.
A secretaria era o primeiro ponto de contato de muitos que chegavam à unidade. Este registro personifica a era de ouro do hospital, mostrando que por trás de cada procedimento médico havia um esforço administrativo coordenado.
O depoimento de Simone Motta ajuda a fechar este ciclo: em 1971, seu pai estava no centro dessa engrenagem, liderando uma equipe que, como vemos na fotografia, trabalhava com foco e dedicação para servir à comunidade Militar de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta

07
Esta fotografia traz um registro de uma área técnica e essencial, porém raramente fotografada, do Hospital Militar de Juiz de Fora (HMJF) no Bairro Fábrica: o antigo necrotério (ou necrocômio), datado de 1966.
A imagem, revela uma arquitetura que equilibra a funcionalidade médica com a estética moderna da época, marcada pelas linhas triangulares e o uso de tijolos aparentes.
Na década de 60, o HMJF consolidava-se como uma das principais instituições de saúde da Zona Norte.
O necrocômio, embora tenha uma função solene, era uma instalação vital para os protocolos médicos e de perícia do Exército.
O design da fachada, com o portal em arco ogival simplificado e a cruz no topo, mostra uma preocupação em conferir dignidade ao local, integrando elementos religiosos a uma estrutura de saúde.
O entorno verde visível ao fundo reforça como o Bairro ainda possuía áreas de vegetação densa e terrenos menos ocupados, característicos das franjas da cidade naquele período.
A presença do Volkswagen Fusca estacionado ao lado, um dos veículos mais populares do Brasil em 1966, ajuda a datar a cena e dá uma escala humana e cotidiana à fotografia.
O depoimento de Simone Motta é fundamental para entender quem zelava por essas instalações.
O Doutor Dalmo de Oliveira Motta, como médico obstetra e diretor, geria um hospital que acompanhava todo o ciclo da vida.
Como diretor por muitos anos até 1976, o Doutor Dalmo foi responsável pela manutenção e modernização de todos os setores do hospital, desde a maternidade (sua especialidade) até as áreas de apoio técnico como esta.
Sob a direção de um médico com sua patente e formação, o hospital militar mantinha padrões rigorosos de organização.
A limpeza da fachada e a ordem visível na foto de 1966 refletem essa disciplina administrativa.
Para a história de Juiz de Fora, registros de áreas técnicas como o necrocômio são raros e preciosos.
Eles mostram o "backstage" do funcionamento de uma grande instituição de saúde.
Saber, através de Simone, que o Doutor Dalmo esteve à frente desse complexo por tanto tempo, humaniza a estrutura de tijolos e concreto, ligando-a diretamente ao serviço prestado à família militar juiz-forana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta

06
Hospital Militar de Juiz de Fora (HMJF) em 1973 é um registro técnico fascinante que complementa a visão humanitária e administrativa do período em que o Tenente-Coronel Dalmo de Oliveira Motta dirigia a instituição.
Localizado no Bairro Fábrica, essa garagem não era apenas um depósito de veículos, mas o núcleo de mobilidade de uma unidade de saúde estratégica para o Exército na região.
A restauração agora exibe o tom correto das viaturas do Exército Brasileiro. Diferente do brilho civil, o acabamento fosco (ou acetinado) era funcional, evitando reflexos e mantendo a sobriedade militar.
A caminhonete Chevrolet "Brasil" em primeiro plano é um ícone desse período.
Ao lado da Chevrolet, vemos um utilitário (provavelmente um Rural ou Toyota Bandeirante adaptado) em branco, possivelmente uma ambulância ou veículo de uso administrativo imediato do hospital, identificado pela sigla MGJF.
Ter uma frota eficiente era vital para um diretor como o Doutor Dalmo.
Em 1973, o hospital atendia uma vasta guarnição, e esses veículos garantiam desde o transporte de suprimentos médicos até a remoção de pacientes em uma Juiz de Fora que ainda via o bairro Fábrica como uma zona industrial pulsante.
O comentário de Simone Motta situa a foto no auge da gestão de seu pai.
Como diretor e médico obstetra, o Tenente-Coronel Dalmo tinha sob sua responsabilidade não apenas a infraestrutura física, mas a prontidão dessas viaturas.
A saída do Doutor Dalmo em 1976 marca a conclusão de uma era de estabilidade no HMJF.
Sob sua liderança, o hospital consolidou sua presença no Bairro Fábrica, sendo um porto seguro para as famílias militares.
O Bairro Fábrica, com suas vilas operárias e grandes galpões, encontrava no Hospital Militar um contraponto de ordem e serviço público.
A garagem, com seus portões abertos e veículos alinhados, simboliza a eficiência que o Doutor Dalmo imprimiu na instituição por tantos anos.
Este registro, agora sem as interferências das escritas originais e com a cor historicamente correta, permite visualizar exatamente o que o Doutor Dalmo via ao inspecionar as instalações do hospital que ajudou a construir e gerir com tanta dedicação.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta

05
O Hospital Militar de Juiz de Fora (HMJF), localizado no coração do Bairro Fábrica, é um marco arquitetônico e social que conta muito sobre a história da cidade e sua relação com o Exército Brasileiro.
O Bairro Fábrica tem sua identidade profundamente ligada à industrialização e à presença militar.
O hospital está inserido em uma região que outrora pulsava com a Companhia de Fiação e Tecelagem Industrial Mineira.
A fachada revela os detalhes das varandas de madeira e o estilo eclético que remete ao início do século XX.
Essa estrutura de dois pavimentos com amplos balcões era ideal para a circulação de ar, uma característica funcional importante para hospitais daquela época.
O Hospital Militar sempre foi reconhecido pela excelência, atendendo não apenas os militares da guarnição de Juiz de Fora, mas sendo um ponto de referência em saúde para toda a região.
O comentário de Simone Motta adiciona uma camada humana e profissional essencial a este registro. O Doutor Dalmo de Oliveira Motta representa a era de ouro da medicina militar na cidade.
Como médico obstetra, o Doutor Dalmo foi responsável por trazer ao mundo gerações de juiz-foranos de famílias militares.
O fato de ele ter sido diretor por muitos anos e alcançado a patente de Tenente-Coronel demonstra uma carreira de grande prestígio.
A diretoria de um hospital militar exige um equilíbrio raro entre a disciplina da caserna e o humanismo da medicina.
A data de sua saída marca o fim de um ciclo importante na administração do HMJF, coincidindo com o período em que o bairro Fábrica começava a ver a transição de seu perfil puramente fabril para um centro de serviços e residências mais denso.
Ver essa fachada nos ajuda a entender a imponência do hospital na paisagem urbana.
Nos anos 60 e 70, o HMJF era um dos edifícios mais modernos e bem cuidados da região, destacando-se pela elegância de suas linhas e pela importância de sua missão.
Este relato de Simone é um "tesouro oral", pois personifica a instituição na figura de seu pai, o Doutor Dalmo, transformando o prédio de tijolos e varandas em um lugar de memórias vivas de cuidado e serviço à Pátria e à cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta

04
O anverso desta fotografia de Alberto Cohen é um exemplar clássico da retratística de estúdio da virada do século XIX para o XX, carregando marcas visuais que ajudam a datar e contextualizar a imagem.
A marca no rodapé do passe-partout identifica o autor.
Alberto Cohen foi um fotógrafo de renome com atuação marcante no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Ter um retrato assinado por Cohen indicava que a família buscava um profissional estabelecido, conhecido pela qualidade técnica e pela composição artística.
O uso de letras em caixa alta, gravadas diretamente no cartão, era a "marca registrada" dos grandes estúdios para garantir que a autoria fosse preservada ao longo das décadas.
A fotografia está montada em um cartão rígido com bordas arredondadas, uma técnica utilizada para proteger a emulsão fotográfica (geralmente albumina ou colódio) contra o enrolamento e danos físicos.
A moldura interna com cantos arredondados é uma característica estética comum entre 1890 e 1910, servindo para suavizar a transição entre a imagem e a borda do papel.
O uso de uma cadeira ou suporte revestido com tecido floral (ou tapeçaria) servia para elevar a criança menor, mantendo todos os sujeitos no plano focal. O tecido ajudava a difundir a luz e esconder as pernas dos suportes metálicos que muitas vezes eram usados para manter as crianças imóveis durante a longa exposição.
As crianças vestem trajes formais da época, como as golas largas (estilo marinheiro ou Lord Fauntleroy) e botas de cano alto com botões, o que reforça a natureza cerimonial da ida ao fotógrafo.
No anverso original, notam-se pequenos pontos brancos (oxidação ou perda de emulsão) e manchas de umidade.
Isso é esperado em fotos desse período, causadas muitas vezes pela reação química dos componentes da foto com a acidez do cartão ou a umidade do ar ao longo de mais de 100 anos.
Este anverso é um testemunho da transição da fotografia de um artigo de luxo extremo para uma forma de registro familiar mais acessível, mas que ainda mantinha um alto padrão de elegância e formalidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

03
O Legado da Photo-Santos e o Retrato de 1919
A fotografia que você preserva é um registro valioso não apenas da história familiar, mas também do desenvolvimento urbano e social de Juiz de Fora no início do século XX.
Localizado no coração da cidade, na Rua Halfeld, 300, o estúdio Photo-Santos foi um dos pontos de referência para a elite e as famílias tradicionais da época.
A Rua Halfeld, já naquela época, era o principal eixo comercial e social de Juiz de Fora.
Estar no número 300 significava ocupar uma posição de prestígio, próxima ao movimento dos cafés e das grandes confeitarias.
Pelo estilo do cartão (o passe-partout decorado), o estúdio seguia o padrão europeu de retratos de gabinete, utilizando iluminação controlada para destacar a fisionomia e a vestimenta, conferindo um ar de sobriedade e importância aos retratados.
O Retrato do Casal Sá Moreira (1919)
O ano de 1919 é particularmente interessante. O mundo e o Brasil estavam saindo do impacto da Gripe Espanhola (1918) e vivendo a euforia do pós-Primeira Guerra Mundial.
No retrato, o figurino reflete a transição da Belle Époque para a modernidade dos anos 20. O cuidado com o traje do Sr. Sá Moreira (o terno impecável e o bigode bem aparado) e a elegância austera da Sra. Sá Moreira indicam uma posição social estabelecida.
A pose, com ela em pé e ele sentado, era comum na época, simbolizando o apoio familiar e a estrutura da união.
O mobiliário de vime (a cadeira) era um elemento de cena popular em estúdios brasileiros para dar um toque de leveza e "brasilidade" aos retratos formais.
Registros como este são fundamentais para entender a Juiz de Fora antiga.
O acervo da Photo-Santos ajuda a mapear quem eram as famílias que moldaram a cidade no período de sua industrialização e auge cultural.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

02
O Edifício Rio de Janeiro, localizado na emblemática esquina da Rua Halfeld com a Rua Doutor Paulo Frontin, é um marco arquitetônico que simboliza a transição estética e o crescimento urbano do centro de Juiz de Fora.
O prédio é um exemplo clássico da arquitetura Protomodernista ou de transição. Enquanto o edifício vizinho (à esquerda) exibe uma fachada carregada de adornos e colunas do estilo eclético, o Edifício Rio de Janeiro destaca-se pela sobriedade e funcionalidade:
A quina arredondada é uma característica marcante, projetada para suavizar a transição entre as duas ruas e melhorar o fluxo visual e de pedestres na esquina.
Diferente das construções do início do século XX, ele apresenta janelas retangulares simples com venezianas de madeira e uma fachada limpa, sem os ornamentos rebuscados da Belle Époque.
Na década de 1960, essa região era o coração pulsante da atividade comercial da cidade.
Como é visível, o andar térreo abrigava lojas de variedades.
É possível notar a exposição de mercadorias que vão desde utensílios domésticos até itens de armarinho, atraindo os passantes que transitavam entre a parte alta e baixa do centro.
À esquerda, a banca de jornais repleta de cartazes e publicações ilustra a importância da mídia impressa na época, servindo como ponto de informação e encontro.
A densa rede de fios elétricos e de telefonia, além dos trilhos e da fiação aérea remanescente (ou adaptada) para o transporte público, mostra a complexidade técnica da área central.
O caminhão de carga estacionado e a bicicleta encostada no meio-fio demonstram a coexistência de diferentes ritmos de logística e transporte pessoal.
As figuras humanas, agora colorizadas, revelam a moda da época: homens com calças de corte reto e camisas sociais, e mulheres com saias ou vestidos de comprimento médio, mantendo o tom formal exigido para "ir ao centro".
Este local é um dos pontos mais fotografados por pesquisadores e entusiastas da história local, sendo peça fundamental em acervos que documentam a evolução urbana da cidade.
Atualmente, o edifício permanece preservado, mantendo sua função comercial no térreo e residencial/escritórios nos andares superiores, servindo como testemunha ocular das transformações de Juiz de Fora ao longo das décadas.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo

01
Esta fotografia restaurada é uma verdadeira viagem no tempo para o Bairro São Mateus, em um período em que a dinâmica de Juiz de Fora era muito mais cadenciada.
O Edifício Amazonas, situado na esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Oswaldo Aranha, é um exemplar clássico da arquitetura funcional e elegante que começou a ocupar os bairros adjacentes ao centro na metade do século XX.
O Edifício Amazonas destaca-se pela sua esquina arredondada, uma característica marcante do estilo Art Déco tardio ou do início do Modernismo. Essa curvatura não apenas suaviza a transição entre as ruas, mas também oferece uma vista privilegiada para quem morava nos apartamentos superiores.
Diferente dos prédios ultramodernos de hoje, ele possuía uma estética sóbria, com janelas de madeira (que a colorização resgatou muito bem) e um térreo comercial integrado à calçada.
Como bem lembrou a Andréa Miranda, a vida no São Mateus daquela época orbitava em torno desses armazéns.
O comércio no térreo do Edifício Amazonas, com frutas penduradas e balcões abertos, exemplifica uma era em que as compras eram diárias e personalizadas.
Situado na esquina oposta, era o "hipermercado" da época para os moradores.
A lembrança dos "suspiros cor de rosa" evoca a nostalgia das antigas bombonieres e vendas de secos e molhados, onde as crianças da vizinhança passavam as tardes.
Os trilhos que aparecem no asfalto são a prova material do sistema de Bondes elétricos que serviu Juiz de Fora por décadas.
Esse ramal era vital para a integração do Bairro.
Ver os trilhos e a fiação aérea (catenária) na foto nos remete ao barulho característico do Bonde subindo a ladeira da Oswaldo Aranha ou seguindo pela Rio Branco.
Vale lembrar que os Bondes deixaram de circular definitivamente na cidade em 10 de Abril de 1969, o que situa esta fotografia perfeitamente no final de uma era.
Na década de 1960, o São Mateus ainda era um Bairro predominantemente residencial, com muitas casas de estilo eclético (como a que se vê à esquerda do edifício).
O Edifício Amazonas era um dos "gigantes" que começavam a mudar o perfil da região.
A bicicleta encostada no poste reforça o ritmo tranquilo da época, sendo um meio de transporte comum para entregas e deslocamentos curtos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo


