sábado, 28 de fevereiro de 2026

Curiosidades ll Com 164 Fotografias

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O Passeio Imperial no Lago e no Paraibuna
A imagem captura a atmosfera descrita em crônicas da época sobre as visitas de Dom Pedro II à cidade: O imperador e sua comitiva realizavam passeios de barco pelo lago da Quinta dos Lage.
Conexão com o Rio: O percurso estendia-se até o rio Paraibuna, utilizando um canal que contornava a colina onde se localiza a "Vila" (atual palacete do Museu Mariano Procópio).
A Celebração Noturna: Segundo o Jornal do Comércio de 27 de junho de 1869, durante um desses passeios, imigrantes alemães da colônia da Companhia União e Indústria cercavam o lago com archotes, criando um efeito visual onde o fogo refletia nas águas sob o luar.
O barco em primeiro plano apresenta uma roda de pás lateral, sugerindo um sistema de propulsão mecânica ou manual sofisticado para a época, transportando várias pessoas vestidas com trajes formais do século XIX.
Vestuário: As figuras masculinas utilizam chapéus e camisas claras, enquanto as femininas portam vestidos e coberturas de cabeça típicas da década de 1860.
Arquitetura ao Fundo: É possível ver edificações de estilo colonial/imperial com telhados de barro, reforçando o cenário da Juiz de Fora oitocentista.
Contexto de Fim de uma Era
A tranquilidade da cena, contrasta com o destino da monarquia anos depois:
Exatamente vinte anos após o relato do passeio (15 de novembro de 1889), a República foi proclamada no Brasil.
Dois dias após a proclamação, a família imperial embarcou sigilosamente para Portugal, encerrando 67 anos de regime monárquico.
O monarca, que tanto apreciara as paisagens de Juiz de Fora, faleceu no exílio em Paris, no dia 5 de dezembro de 1891.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
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Museu Mariano Procópio na Época do Império (O Palacete e o Parque)
Na época do Império, o prédio principal visível no alto da colina, conhecido como Villa Ferreira Lage ou "Castelinho", não funcionava como um museu público.
Concluído em 1863, o palacete de estilo neorrenascentista era a residência de campo da família do comendador Mariano Procópio Ferreira Lage, o idealizador da Companhia União e Indústria.
Sua importância era tamanha que o imperador Dom Pedro II e a família imperial se hospedaram na Villa em diversas ocasiões, especialmente durante as viagens para Juiz de Fora.
O vasto jardim ao redor, projetado pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou (o mesmo da Quinta da Boa Vista), valorizava a flora tropical e exótica, criando o ambiente que o naturalista Jean Louis Rodolphe Agassiz descreveu como o "Paraíso dos Trópicos".
O museu particular foi aberto por Alfredo Ferreira Lage (filho de Mariano Procópio) apenas em 1915, e doado ao município em 1936.
Antiga Entrada da Villa Ferreira Lage.
No centro, destaca-se um grande pórtico ornamental de madeira, com uma estrutura arqueada decorativa. 
O primeiro plano mostra uma estrada de terra batida e cercas de postes de madeira brutos, típicas de propriedades rurais da época, antes da pavimentação e do paisagismo mais formal que o parque viria a ter.
A partir deste pórtico, iniciavam-se os caminhos que serpentavam a colina até chegar à Villa Ferreira Lage e ao prédio anexo ao lado (provavelmente uma galeria ou dependência da chácara).
Esta fotografia provavelmente foi tirada por volta de 1861 a 1870.
Aqui estão os pontos que sustentam essa datação:
Finalização da Villa Ferreira Lage: O palacete neorrenascentista no topo da colina foi concluído em 1863 para servir de residência ao comendador Mariano Procópio.
A marca no canto inferior direito indica que o autor é Revert Henrique Klumb, o fotógrafo oficial da Família Imperial. 
Klumb esteve muito ativo na região documentando a Estrada União e Indústria e as propriedades de Mariano Procópio justamente na década de 1860.
O parque ainda apresenta uma vegetação jovem e em formação, e o pórtico de madeira na entrada principal é uma estrutura característica do período imperial, antes das reformas de urbanização mais modernas que ocorreriam na virada do século.
Essa imagem é, portanto, um dos registros mais antigos da chácara, capturando o local exatamente como era quando recebia as visitas frequentes de Dom Pedro II.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Museu Mariano Procópio  
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Esta edificação original era situada em uma posição estratégica, localizada em frente ao atual Museu Mariano Procópio.
Antes da chegada definitiva dos trilhos, o local servia como uma importante estação de diligências, sendo um ponto de conexão vital para viajantes e mercadorias.
Transição Ferroviária: Em 1877, essa estrutura de diligências deu lugar à modernidade da Estrada de Ferro D. Pedro II (que mais tarde se tornaria a Estrada de Ferro Central do Brasil).
Influência de Mariano Procópio: A localização da estação naquele ponto específico deveu-se à influência de Mariano Procópio Ferreira Lage, que buscava integrar a rodovia União e Indústria com a malha ferroviária que avançava pelo interior de Minas Gerais.
Arquitetura: O prédio apresenta um estilo eclético com arcos frontais detalhados, típicos das construções institucionais do Império.
No pátio frontal, é possível observar diversas carroças de carga cobertas, demonstrando como o transporte por tração animal ainda trabalhava em conjunto com a logística da estação.
Ao fundo, o relevo montanhoso característico da região, onde hoje se situam Bairros como o Mariano Procópio e áreas adjacentes ao Morro do Imperador.
Este registro é um testemunho visual do período em que Juiz de Fora se consolidava como a "Manchester Mineira", impulsionada pela chegada do café e pela revolução nos transportes.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Público Mineiro
161
Bairro Poço Rico
A fotografia captura uma fase de transição urbana significativa para Juiz de Fora, marcada por mudanças geográficas e sociais profundas.
Naquela época, o Rio Paraibuna ainda seguia seu leito original, serpenteando de forma natural e margeando o Bairro. Como observado no comentário de Edson Luiz Ribeiro, o rio corria "serenamente" antes das grandes intervenções de engenharia.
Por volta de 1940, devido às constantes enchentes que afetavam a cidade, o leito do rio foi retificado.
O curso foi desviado para o lado do campo do Tupynambás, aproximando-se do Bairro de Lourdes. 
O processo de modernização e controle das águas teve impactos diretos na população local:
Para viabilizar as obras de retificação, o governo removeu residentes do antigo Bairro Fantasma, que consistia em habitações precárias feitas de lona.
Essas famílias foram transferidas para áreas de propriedade do município. 
Um exemplo citado é a transferência de moradores para as proximidades de onde hoje funciona o Demlurb, em antigas instalações que anteriormente serviam à prefeitura.
É visível uma estrutura metálica sobre o rio, identificada como a ponte próxima ao atual Demlurb. 
Ao fundo, observa-se o conjunto habitacional com casas dispostas em fileiras organizadas subindo a colina, contrastando com as casas coloniais mais antigas situadas próximas à margem do rio no primeiro plano.
A restauração colorizada, ajuda a distinguir a vegetação densa que cercava o Bairro, reforçando a descrição de "pequeno paraíso" feita por antigos moradores que viveram sua infância naquela região.
Década de 1940. 
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ramon Brandão 
160
As obras de construção do Cine-Theatro Central representam um marco monumental para a arquitetura e a cultura de Juiz de Fora. 
Sob a responsabilidade do arquiteto Raphael Arcuri, o projeto trouxe para a cidade uma sofisticação técnica e estética sem precedentes na época.
É possível observar com maior clareza os detalhes do canteiro de obras, o trabalho manual dos operários e a utilização de tração animal para o transporte de materiais, evidenciando o esforço humano por trás dessa grandeza.
O projeto nasceu em junho de 1927, com a criação da "Companhia Central de Diversões", idealizada por Químico Correia, Francisco Campos Valadares, Diogo Rocha e Gomes Nogueira.
Para erguer o novo gigante, foi necessária a demolição do antigo Teatro Polytheama, situado entre as ruas São João e a então Rua Califórnia (atual Rua Halfeld).
A construção foi concluída em apenas um ano e quatro meses, um feito notável dada a magnitude da obra.
O Cine-Theatro Central abriu suas portas oficialmente em 30 de março de 1929, consolidando-se como um dos mais importantes teatros do Brasil.
Este registro visual é fundamental para a preservação da memória urbana de Juiz de Fora, permitindo que as futuras gerações compreendam a evolução do espaço físico e social da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
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A Fachada do Posto Zootechnico, conforme retratada no histórico Álbum do Município de Juiz de Fora (1915) de Albino Esteves, representa um período de intensa modernização e investimento na infraestrutura agroindustrial da cidade. O edifício não era apenas um ponto de serviços veterinários, mas um complexo arquitetônico de grande porte e funcionalidade.
O Dístico "Mercado": Situado sob as estatuetas, o termo indicava a função comercial e de troca que o local também desempenhava, servindo como ponto de convergência para produtores.
O elemento vertical (torreão) conferia autoridade visual ao edifício, funcionando como um marco na paisagem urbana da Rua Santo Antônio.
A descrição revela a força da indústria local de Juiz de Fora na época:
As ferragens foram preparadas nas oficinas de Luiz Perry, um dos nomes mais importantes da metalurgia mineira, reforçando que Juiz de Fora possuía tecnologia própria para grandes obras.
O uso de telhas francesas e o ladrilhamento de varandas e torreões demonstram o desejo de alinhar as construções utilitárias aos padrões estéticos internacionais.
O uso de trilhos para o assentamento de estruturas pesadas e a rapidez da obra (16 meses com 80 operários) mostram uma organização de canteiro de obras muito avançada para 1915.
A localização era estratégica e aproveitava os recursos naturais do terreno:
Alinhados à Rua Santo Antônio, os ranchos facilitavam o acesso de tropeiros que cruzavam a região, servindo como um porto seco para o transporte de mercadorias.
A existência de três nascentes de água no pasto superior de mil metros garantia a autonomia do posto para o cuidado com os animais e a manutenção das instalações.
A preservação desta imagem através do álbum de 1915 é vital. 
Albino de Oliveira Esteves documentou o auge do desenvolvimento urbano e rural de Juiz de Fora, permitindo que hoje possamos compreender como a cidade se organizava para ser o principal polo econômico de Minas Gerais naquela década.
A restauração da imagem ajuda a visualizar a textura dos tijolos e a imponência dessa estrutura que, embora funcional, possuía um refinamento arquitetônico digno dos grandes centros.
Foto Extraída do Álbum do Município de Juiz de Fora de Albino de Oliveira Esteves de 1915.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
158
O Salão Cavallieri é outro exemplo fascinante da sofisticação e do rigor sanitário que as barbearias de elite de Juiz de Fora ostentavam na década de 1920. 
Situado na icônica Rua Halfeld, o coração comercial e social da cidade, o salão era o destino preferencial da burguesia e dos intelectuais que frequentavam o "Calçadão" (antes mesmo de ser calçadão como conhecemos hoje).
Diferente de hoje, onde a higiene é um requisito básico e silencioso, em 1926 ela era um argumento de venda central. 
O anúncio e a fotografia enfatizam que o Salão Cavallieri era "installado com todos os requisitos de hygiene". 
Isso refletia o medo das epidemias da época e posicionava o estabelecimento como um local seguro e moderno.
A Escarradeira Hygéa: Tecnologia Hydro-Automática
A fotografia mostra claramente a Escarradeira Hygéa, o grande luxo era a limpeza hydro-automatica.
Sem Intervenção Manual: Esse era o "high-tech" de 1926. 
O fato de o detrito ser levado pela água corrente sem que o barbeiro ou o cliente precisassem tocar no aparelho era um símbolo de status e cuidado médico-sanitário.
Notem como ela é instalada diretamente na parede, com tubulação visível, conectada ao sistema de água e esgoto do prédio, algo que ainda não era universal em todas as edificações.
Estética e Ambientação
A restauração revela um ambiente ricamente detalhado:
Cadeiras de ferro fundido com padrões rendilhados e estofamento em couro.
Vejam que tanto o cliente quanto o homem que aguarda estão impecavelmente trajados de terno e gravata, reforçando o Salão Cavallieri como um espaço de etiqueta social.
No vidro da porta, lê-se claramente "CABELLEIREIRO", com a grafia da época, e ao lado, um cabideiro de madeira (bentwood) com chapéus, acessório indispensável para o homem daquele tempo.
Este registro, preservado pelo Acervo Elton Belo Reis, é uma peça fundamental para entender a história dos costumes em Juiz de Fora. A fotografia de M. Santos (assinada na base) não apenas documenta um negócio local, mas captura o orgulho de uma cidade que se via na vanguarda da modernidade brasileira.
É interessante notar como a Rua Halfeld, já naquela época, concentrava o que havia de melhor em termos de serviços e inovações tecnológicas para o cotidiano.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
157
O Salão Jahu, registrado nesta magnífica fotografia de 1927, era o ápice da sofisticação e da higiene masculina na Juiz de Fora da década de 1920. Localizado na Praça João Penido (popularmente conhecida como Praça da Estação), o salão não era apenas uma barbearia, mas um ponto de encontro da elite política e comercial que circulava pelo coração ferroviário da cidade.
O Salão Jahu destacava-se pelo luxo europeu transportado para a "Manchester Mineira". 
A disposição das cadeiras de barbeiro, com suas estruturas metálicas trabalhadas e estofamento fino, aliada aos grandes espelhos e prateleiras de vidro repletas de tônicos e perfumes importados, criava um ambiente de extremo prestígio.
A Tecnologia da Higiene: Escarradeiras Hygéa
O grande diferencial tecnológico do salão, e um detalhe curioso para os padrões modernos, eram as escarradeiras semiautomáticas da marca Hygéa.
Naquela época, a preocupação com a saúde pública (especialmente o combate à tuberculose) era altíssima.
Como se nota na fotografia, a escarradeira ficava fixada ao lado de cada posto de atendimento. 
O modelo Hygéa era considerado o que havia de mais avançado em termos sanitários: possuía um sistema de descarga de água que limpava o recipiente instantaneamente, evitando odores e a proliferação de germes. 
Era o símbolo máximo de um estabelecimento que prezava pela limpeza absoluta.
Estar na Praça João Penido em 1927 significava estar no centro das atenções. A praça era a porta de entrada da cidade para quem chegava pela Estrada de Ferro Central do Brasil. 
O Salão Jahu atendia tanto os viajantes ilustres quanto os coronéis e empresários locais que ditavam o ritmo da economia mineira.
Esta imagem é um documento histórico valioso que nos permite observar não apenas a moda da época (os barbeiros impecavelmente trajados de branco, com gravatas borboleta), mas também o avanço dos costumes e da infraestrutura urbana de Juiz de Fora.
É um retrato de um tempo em que o cuidado com a aparência era um ritual cercado de tecnologia e requinte.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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O Grande Armazém Santos Carvalho & Cia. é um dos marcos arquitetônicos e comerciais mais emblemáticos da fase áurea de Juiz de Fora. 
Localizado em um ponto estratégico do centro da cidade, o edifício simbolizava a modernidade e a pujança econômica do início do século XX, quando o município era conhecido como a "Manchester Mineira".
O edifício, como registrado em 1919, apresentava um estilo eclético, muito comum na época. Suas características marcantes incluíam: Ornamentos detalhados em massa, colunas trabalhadas e grandes janelas que permitiam a entrada de luz natural.
Situado geralmente em esquinas, o prédio utilizava o chanfro (a quina cortada) para destacar a entrada principal e os letreiros da firma.
O termo "Luxuoso" não era exagero; o acabamento interno e a variedade de mercadorias importadas atendiam à elite cafeicultora e industrial da região.
O armazém operava no sistema de "secas e molhados", mas em uma escala monumental. 
Era possível encontrar desde gêneros alimentícios finos e tecidos até ferramentas e itens de armarinho (como indicado nos letreiros laterais de fotos da época: "Armarinho e Perfumarias"). 
A firma Santos Carvalho & Cia. era um nome de peso no comércio atacadista e varejista, sendo um ponto de referência para quem circulava pelo coração da cidade.
A preservação da memória visual deste prédio deve-se em grande parte ao trabalho de colecionadores e pesquisadores como Elton Belo Reis.
Elton é um dos grandes guardiões da memória fotográfica de Juiz de Fora. Através de seu acervo, fotos raras (como a que serviu de base para nossa restauração) foram catalogadas e preservadas.
Sem esses registros, detalhes como a fiação aérea antiga, o calçamento de pedras e a vestimenta das pessoas que posavam à frente do comércio teriam se perdido no tempo.
O prédio do Grande Armazém é um testemunho de uma época em que a arquitetura urbana de Juiz de Fora buscava espelhar o progresso europeu, transformando o cotidiano do comércio em um espetáculo visual de sofisticação.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Este é um registro histórico de imenso valor sentimental para Juiz de Fora, retratando o que muitos consideravam o "coração elegante" da cidade no início do século XX. 
O Edifício Clube Juiz de Fora, situado na icônica esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld, era o ponto de encontro da elite e o marco da arquitetura eclética local.
Em 1919, o prédio vivia seu apogeu. 
Com suas sacadas arredondadas, colunas ornamentadas e grandes vitrines no térreo, ele representava o desejo de Juiz de Fora de se espelhar nos boulevards europeus.
No pavimento superior, funcionava o prestigiado Clube Juiz de Fora, palco de grandes bailes e decisões políticas.
No térreo, a filial do Armazém Santos Carvalho & Cia. era o endereço da sofisticação. 
Ali, os moradores encontravam produtos importados, finos gêneros alimentícios e artigos de luxo, consolidando aquela esquina como o principal polo comercial da época.
O destino deste edifício foi selado por uma tragédia que ainda é lembrada na cronologia urbana da cidade.
No terceiro dia de Carnaval de 1950, um incêndio de grandes proporções iniciou-se no prédio. Devido à estrutura interna de madeira (comum nas construções daquela época) e à dificuldade de combate às chamas na época, o edifício foi completamente destruído.
A perda não foi apenas material, mas cultural. 
O evento marcou o fim de uma era arquitetônica naquela esquina. 
No lugar das ruínas, anos depois, foi erguido o atual Edifício Clube Juiz de Fora, com uma estética moderna e funcionalista, totalmente diferente do original.
A fotografia pertencente ao acervo de Elton Belo Reis é uma peça fundamental para o resgate da memória visual da cidade. 
Ela permite observar detalhes que o fogo apagou, como os trilhos do bonde que passavam à porta e o mobiliário urbano (como os postes de iluminação e a fiação aérea) que caracterizava a paisagem de 1919.
Este edifício era o símbolo de uma Juiz de Fora que se orgulhava de ser a "Manchester Mineira", unindo a força do comércio à sofisticação social em seu cruzamento mais famoso.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Essa é uma das imagens mais icônicas da pujança industrial de Juiz de Fora no início do século XX. 
A Fábrica de Carros, Carroças e Arreios de Henrique Surerus & Irmão não era apenas uma oficina, mas um símbolo da transição tecnológica e logística da época.
Fundada por imigrantes alemães, a fábrica da família Surerus era uma referência em veículos de tração animal. 
Ela ficava estrategicamente na Rua Batista de Oliveira, 208, facilitando o escoamento da produção e o atendimento aos grandes fazendeiros e comerciantes da região.
O prédio imponente com tijolos aparentes e grandes janelas em arco, típicas das construções industriais da época em Juiz de Fora.
A inscrição "SURERUS" e as estátuas no topo da fachada conferiam um ar de "templo do trabalho".
Na calçada, vemos o alinhamento de carroças e rodas de madeira maciça com aros de ferro, demonstrando a escala de produção seriada.
Antes da popularização dos automóveis a motor, a Surerus & Irmão era quem "fazia a cidade andar", produzindo desde carruagens de luxo até carroças robustas para o transporte de café e mercadorias.
A fotografia revela um grande contingente de operários. 
A fábrica era conhecida por empregar artesãos qualificados, carpinteiros, ferreiros e seleiros.
O Álbum do Município de Juiz de Fora, organizado por Albino de Oliveira Esteves, foi uma obra monumental encomendada para mostrar ao Brasil e ao mundo que a "Manchester Mineira" era o maior centro industrial do estado. Ter uma página dedicada à Fábrica Surerus era um atestado de prestígio e qualidade.
O trabalho de preservação é fundamental para entender como Juiz de Fora se tornou um polo de desenvolvimento. 
Sem o esforço de digitalização e organização desse material, detalhes sobre a estética urbana e a rotina laboral daquela década teriam se perdido.
É um registro que mostra o orgulho do operariado e a força da imigração alemã na construção da identidade da cidade.
Foto Extraída do Álbum do Município de Juiz de Fora de Albino de Oliveira Esteves de 1915.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
153
A Orquestra TIM era sinônimo de elegância e musicalidade refinada. 
O grupo era presença constante nos auditórios da lendária Rádio PRB-3 (Rádio Sociedade de Juiz de Fora) e nos salões dos clubes mais prestigiados da cidade. 
A sigla nos púlpitos — as iniciais "T", "I", "M" — servia como moldura para os talentosos músicos de sopro, percussão e cordas que compunham o conjunto.
Icléia Porto: A "Princesinha da PRB-3"
Conforme destacado por Luizana Pinheiro, a figura central no palco é Icléia Porto.
Conhecida carinhosamente como a "Princesinha da PRB-3", Icléia era uma das vozes mais queridas da radiodifusão local.
Na imagem, ela aparece radiante, personificando o glamour das cantoras de rádio da época, que transitavam com naturalidade entre as transmissões ao vivo e as apresentações em grandes palcos.
O palco apresenta um painel artístico pintado ao fundo, representando uma paisagem arborizada, algo muito comum em clubes e teatros da época para criar uma atmosfera bucólica e sofisticada.
Os músicos aparecem com o uniforme clássico (camisas claras e calças sociais), mantendo o padrão visual das grandes orquestras. 
A presença de instrumentos como o saxofone e o trompete reforça o repertório focado em jazz, bossa nova e ritmos de baile que ditavam a moda nos anos 60.
Na parte inferior da fotografia, é possível ver a plateia atenta, com os penteados e trajes típicos da juventude juiz-forana daquele período, evidenciando que as apresentações da Orquestra TIM eram eventos sociais de grande relevância.
Este registro é um testemunho da efervescência cultural de Juiz de Fora, quando a cidade era um polo irradiador de talentos musicais e a Rádio PRB-3 o centro das atenções de toda a região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
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Este registro fotográfico, preservado no acervo de Antônio José Apolinário, é um documento raro da infraestrutura de saúde e da arquitetura hospitalar de Juiz de Fora em meados do século XX.
A Casa de Saúde Esperança foi uma instituição psiquiátrica fundamental para a cidade, fundada pelo Doutor Guilherme de Souza. O Doutor Guilherme foi uma figura de destaque na sociedade local, atuando não apenas como médico psiquiatra, mas também na vida política como vereador em Juiz de Fora durante a década de 1950.
Bairro Boa Vista: A fotografia mostra a fachada principal do hospital em sua localização original, na Rua Demétrio Francisco. 
Conforme o relato de Antônio José, o edifício original não existe mais, restando apenas ruínas após a venda do terreno por herdeiros.
Em um período posterior de sua história, a firma mudou de proprietário e as atividades foram transferidas para o bairro Vila Ideal, onde a instituição continuou operando sob nova gestão.
Datada provavelmente da década de 1940, revela características marcantes:
Estilo Arquitetônico: O prédio possui linhas sóbrias, típicas das construções institucionais da época, com janelas simétricas e detalhes ornamentais discretos nos frontões acima das janelas laterais.
Na restauração, é possível ver funcionários vestidos com uniformes brancos impecáveis, o que remete ao rigor e à organização do hospital naqueles anos. Entre eles, estaria o pai do Sr. Antônio José, que dedicou muitos anos de trabalho à instituição sob o comando do Doutor Guilherme.
Nota-se o terreno ainda com caminhos de terra e vegetação cuidadosa na frente, refletindo o caráter mais reservado e tranquilo que o Bairro Boa Vista possuía naquela década.
Este é um resgate importante para a memória da psiquiatria mineira e para a história familiar e profissional daqueles que ajudaram a construir a saúde em Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Antônio Jose Apolinário Apolinário
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Manoel Honório: O Coração da Zona Leste em Transformação
Esta fotografia do acervo de Humberto Ferreira é um registro histórico precioso que captura a transição urbana de Juiz de Fora. 
Ela mostra o exato ponto onde a Avenida Barão do Rio Branco se encontra com a Rua Américo Lobo, consolidando o Bairro Manoel Honório como o principal portal da Zona Leste.
À esquerda, destaca-se o posto de gasolina da Bandeira Atlantic. 
Este local era um ponto de referência vital, intimamente ligado à logística da Empresa Unida Mansur & Filhos, cujas garagens e movimentação de ônibus definiram a identidade comercial do Bairro por décadas.
Ao fundo, vemos uma imagem raríssima da Garganta do Dilermando ainda "fechada". O corte rochoso que hoje liga o Manoel Honório, ainda não havia sido totalmente urbanizado, apresentando-se apenas como uma trilha ou caminho de terra ascendente. 
A abertura definitiva desse acesso foi um marco para a mobilidade da região.
O trecho ainda exibe o charme dos paralelepípedos e a fiação aérea característica da época. 
Nota-se a presença de um veículo clássico (estilo DKW) e a arquitetura das residências laterais, típicas das primeiras décadas de expansão do bairro.
Embora sem data oficial, os elementos urbanos e o modelo do veículo sugerem que o registro pertença ao período entre o final da década de 1940 e meados dos anos 50, momento em que a vocação comercial da Zona Leste começava a se intensificar.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
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Esta fotografia registra um momento de extrema tensão e importância histórica nacional, capturado no coração de Juiz de Fora durante a Revolução de 1930.
Bairro Mariano Procópio
O Bairro Mariano Procópio sempre foi um ponto estratégico de Juiz de Fora devido à sua proximidade com a linha férrea e o acesso para a capital, Rio de Janeiro.
A Avenida Coronel Vidal, mencionada no registro, é uma via fundamental que conecta a região norte ao centro, margeando o Rio Paraibuna.
O prédio que aparece ao fundo é o imponente Grupo Escolar Antônio Carlos. Durante os levantes militares de 1930, edifícios públicos de grande porte como este eram frequentemente requisitados para servirem de quartéis-generais provisórios, centros de logística ou pontos de observação estratégica.
Os Personagens e o Batalhão Siqueira Campos
A imagem mostra oficiais e soldados em um momento de concentração:
A presença de Haroldo Pereira e outros oficiais reforça o papel de Juiz de Fora como o "quartel-general" da revolução em Minas Gerais.
Batalhão Siqueira Campos: Esta unidade militar teve papel ativo nos movimentos que levaram Getúlio Vargas ao poder. 
O nome do batalhão é uma homenagem a um dos heróis do Tenentismo, morto pouco antes da revolução.
Na versão colorizada, é possível observar o padrão dos uniformes da época, com o uso de culotes, botas de couro e o chapéu de campanha que caracterizava a infantaria brasileira naquele período de transição.
Contexto Histórico: A Revolução de 1930
Juiz de Fora foi o ponto de partida das tropas mineiras que marcharam em direção ao Rio de Janeiro. A cidade viveu dias de intensa movimentação militar, com trincheiras montadas em diversos pontos.
A escolha do Grupo Escolar Antônio Carlos para abrigar as tropas não foi aleatória; sua localização na Avenida Coronel Vidal permitia o controle visual de quem entrava ou saía da cidade pela antiga estrada união e indústria.
O fato de esta imagem pertencer ao acervo da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC) atesta sua relevância como documento oficial da história do Brasil. 
O CPDOC é o principal guardião da memória do período varguista, preservando registros que ajudam a entender como as alianças regionais (como as de Minas Gerais) foram decisivas para o fim da República Velha.
Este é um registro raro que mostra como a arquitetura escolar e a vida militar se cruzaram em um dos momentos mais definitivos da nossa política.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fonte: Fundação Getúlio Vargas
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O Bairro Fábrica possui uma importância histórica profunda para Juiz de Fora, sendo um dos berços da industrialização da cidade. 
O nome do Bairro deriva da proximidade com grandes unidades fabris, mas sua identidade também foi fortemente moldada pela presença militar.
A área onde se localiza o quartel é um ponto estratégico que conectava a zona industrial ao centro da cidade.
A fotografia traz a inscrição "12º R.I.", o que indica um momento de transição ou uma designação específica da época.
O 12º Regimento de Infantaria teve passagens marcantes por Juiz de Fora antes de sua sede definitiva ser consolidada em Belo Horizonte.
Na fotografia, vemos os militares em uniformes de gala da época (provavelmente o cáqui oliva), prestando continência em frente ao pavilhão de comando. O destaque central é o escudo heráldico feito no jardim, uma tradição de zelo e estética das unidades de infantaria daquele período.
Do 12º R.I. ao Atual 10º BIL Mth
A evolução da unidade é parte fundamental da história militar de Minas Gerais:
10º Batalhão de Infantaria Leve de Montanha (10º BIL Mth): Conhecido como o "Batalhão Marechal Guilherme Xavier de Souza", é o herdeiro das tradições militares nesta região de Juiz de Fora.
Hoje, a unidade é referência no Exército Brasileiro por sua especialização em Montanhismo, sendo capaz de operar nos terrenos acidentados da Serra da Mantiqueira.
Início da década de 1950. É possível notar isso pelo corte dos uniformes, o modelo dos postes de iluminação e a arquitetura preservada do pavilhão principal com suas varandas de madeira e colunas finas, típicas das construções militares da primeira metade do século XX.
Esta imagem é um documento valioso que registra não apenas a disciplina militar, mas o urbanismo de um Juiz de Fora que ainda via o Bairro Fábrica como uma fronteira entre o progresso industrial e a vida comunitária.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Eduardo Silva Gonçalves
148
Esta fotografia é um documento histórico de valor inestimável, pois retrata o primeiro prédio da Casa Barateza, ainda sob a razão social de Ribeiro de Oliveira & Companhia. 
Comparada à imagem anterior da reinauguração em 1954, esta fotografia nos transporta para as origens do comércio de Juiz de Fora no final do século XIX.
Fundada em 1882 por Francisco Baptista de Oliveira, a Casa Barateza ocupou este casarão de arquitetura colonial/eclética na antiga Rua Direita (hoje Avenida Barão do Rio Branco). 
Naquela época, a rua era o eixo principal de uma Juiz de Fora que começava a sentir os efeitos da industrialização e do ciclo do café.
A fachada revela elementos típicos do comércio de luxo da virada do século:
As Vitrines e Portais: Note as janelas em arco com vitrines repletas de mercadorias. O comércio da época não era apenas de transação, mas de exposição; as pessoas passeavam pela Rua Direita para ver as novidades que chegavam, muitas vezes, diretamente da Europa pelo Porto do Rio de Janeiro.
O Toldo de Lona: O grande toldo com a inscrição "Ribeiro de Oliveira & Companhia" servia não apenas para proteção solar das mercadorias (como tecidos e artigos finos), mas como um importante recurso publicitário.
Platibanda: No topo da fachada, a inscrição "CASA DA BARATEZA" já consolidava o nome fantasia que se tornaria uma marca de confiança para a população mineira.
Através dos vãos das portas, a restauração permite observar o interior da loja, com balcões de madeira e prateleiras que iam até o teto, carregadas de rolos de tecidos e caixas de armarinho. 
Era o modelo clássico de "casa de fazendas e armarinho", onde o atendimento era personalizado e o balcão servia como o ponto de encontro da sociedade.
Preservada no acervo de Humberto Ferreira, esta imagem é o "ponto zero" de uma história comercial que atravessou o século XX. 
Enquanto a foto de 1954 mostra a modernização e o sucesso, esta imagem de data não informada (provavelmente do final do XIX ou início do XX) mostra a fundação e o esforço de Francisco Baptista de Oliveira em estabelecer um nome que se tornaria sinônimo de tradição na cidade.
É fascinante observar como o prédio original, apesar de mais baixo que os edifícios modernos que viriam depois, já possuía uma imponência que definia o caráter urbano da atual Avenida Barão do Rio Branco.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
147
Esta fotografia captura um momento de renovação de um dos pilares do comércio histórico de Juiz de Fora: a Casa Barateza. 
O registro da reinauguração em 1954 é um testemunho da longevidade e da resiliência de um estabelecimento que atravessou décadas no coração da cidade.
A Casa Barateza foi fundada por Francisco Baptista de Oliveira em 1882, na então Rua Direita (hoje Avenida Barão do Rio Branco). Inaugurar um comércio naquele período significava apostar no crescimento da "Manchester Mineira". O nome "Barateza" tornou-se uma marca forte, sobrevivendo às mudanças urbanas e econômicas por mais de meio século até chegar a este momento de reinauguração nos anos 50.
A fotografia mostra a loja com uma estética moderna para a época, refletindo a prosperidade do pós-guerra em Juiz de Fora. 
Graças ao comentário de César Travassos (In Memoriam), podemos identificar as figuras centrais que conduziam o negócio naquele período:
Os Sócios: No lado esquerdo, vemos o sócio Sylvio Mazini Netto acompanhado de sua esposa. À direita, junto ao balcão, está o outro sócio, Cleveland Duarte Braga.
O Contexto Religioso: A presença do padre realizando a benção das instalações era uma tradição fortíssima na sociedade juiz-forana, simbolizando o desejo de prosperidade e a ligação entre a vida comercial e os valores comunitários.
O fato de o informante ter trabalhado na loja entre 1956 e 1960 traz uma camada de autenticidade humana ao registro. 
É a memória de quem vivenciou o cotidiano do balcão, o atendimento ao público e a dinâmica da Avenida Rio Branco em seu auge clássico.
O acervo de Humberto Ferreira preserva não apenas o prédio, mas os rostos e os nomes que fizeram da Casa Barateza uma referência para gerações de consumidores que buscavam qualidade e, como o nome sugere, preços justos.
Na imagem permite observar detalhes interessantes, como o mobiliário de madeira trabalhada (com puxadores de metal que parecem de bronze) e as escadas caracol ao fundo, típicas das lojas de departamentos e tecidos que ocupavam os casarões da Rio Branco.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
146
Esta fotografia é um registro precioso do vigor industrial e comercial de Juiz de Fora no início do século XX. 
A Marcenaria e Carpintaria de Paulo Modenesi (conhecida também como Fábrica de Móveis) exemplifica o trabalho dos imigrantes que ajudaram a transformar a cidade em um dos maiores polos produtores de Minas Gerais.
A imagem faz parte do monumental trabalho de Albino de Oliveira Esteves, publicado em 1915. 
Esse álbum é considerado a maior radiografia socioeconômica de Juiz de Fora daquele período, documentando o auge da produção industrial e a arquitetura que conferia à cidade o status de metrópole regional.
Localizada no centro comercial da época, a fábrica de Paulo Modenesi era reconhecida pela qualidade da mobília fina. 
Na fotografia, podemos observar: Era comum que os estabelecimentos expusessem peças prontas (como cadeiras e cristaleiras que vemos à esquerda) para atrair os passantes no calçamento de pedras (pé-de-moleque).
O prédio possui as características platibandas da época, que escondiam o telhado colonial, e grandes portas que facilitavam a entrada de madeira bruta e a saída de móveis volumosos.
A composição da fotografia é muito rica em informações sobre a sociedade de 1915:
A presença de um militar fardado (provavelmente da Força Pública ou do Exército) em destaque à porta sugere a importância do estabelecimento ou apenas o cotidiano da rua na época.
Os homens posicionados ao lado das peças representam a força de trabalho especializada, marceneiros e carpinteiros, que operavam com ferramentas manuais e maquinários movidos, muitas vezes, por energia elétrica, que já era uma realidade consolidada na cidade.
A preservação deste registro no acervo é fundamental para manter viva a memória visual da Juiz de Fora antiga. 
Esse tipo de documento permite que historiadores e moradores reconheçam a evolução do comércio local e a contribuição da família Modenesi para o setor moveleiro, que foi muito forte na cidade por décadas.
É interessante notar como a restauração realça o contraste entre o tom da madeira dos móveis expostos e a sobriedade da fachada, transportando-nos diretamente para o cotidiano da rua há mais de um século.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
145
Esta é uma peça riquíssima da história de Juiz de Fora, conectando uma das famílias mais influentes da indústria têxtil Brasileira ao cotidiano da elite da época.
Trata-se de um Ford Modelo A (o sucessor do icônico Modelo T), provavelmente fabricado entre 1928 e 1930. O detalhe da placa (S-28-30) reforça essa datação.
A identificação de Juiz de Fora na placa é um registro valioso, pois, na década de 1920, os sistemas de emplacamento eram muito mais descentralizados e simples do que os atuais.
Este trecho da Rio Branco, no Bairro Passos, era (e ainda é) uma área de residências imponentes.
A Residência: O número 3029 remete à tradicional vizinhança da família Mascarenhas. 
Vale lembrar que a proximidade com a fábrica e o centro de poder da cidade fazia desta avenida o local de moradia por excelência da burguesia industrial mineira.
Doutor Ulysses Guimarães Mascarenhas: O menino na foto, que mais tarde se tornaria um respeitado médico, carrega o sobrenome que transformou Juiz de Fora na "Manchester Mineira".
Bernardo Mascarenhas: O pai de Ulysses foi o visionário responsável pela construção da Usina de Marmelos (a primeira hidrelétrica da América do Sul) e da Fábrica de Tecidos Bernardo Mascarenhas.
O comentário de Humberto Ferreira revela a intrincada rede social da época, unindo os Mascarenhas aos Villela de Andrade, outra família de grande prestígio.
Fotografias como esta, preservadas em acervos como o de Humberto Ferreira, são fundamentais para entender a evolução urbana de Juiz de Fora. 
Elas mostram a transição para a modernidade, onde o cavalo e a carroça começavam a ceder espaço definitivamente para o motor a combustão, simbolizando o progresso que a família Mascarenhas tanto promoveu.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
144
Esta fotografia, datada de 10 de outubro de 1963, captura um momento de profunda relevância social e educacional em Juiz de Fora. 
O registro do "Grupo de Estudos da Segunda Semana do Menor", realizado no SENAI, reflete a mobilização de diferentes setores da sociedade para debater o futuro da juventude em um período de grandes transformações no Brasil.
Na década de 1960, havia uma crescente preocupação com a formação profissional e a assistência social ao menor. A realização de uma "Segunda Semana" indica que existia um esforço contínuo e organizado para estruturar políticas de amparo e educação.
O Papel do SENAI: Como sede do evento, o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) já se consolidava como o braço fundamental para a profissionalização. O grupo de estudos provavelmente debatia como integrar esses jovens ao mercado de trabalho industrial que se expandia na cidade.
A imagem é notável pela presença predominante de mulheres, incluindo uma religiosa (freira), o que sublinha o papel das instituições de caridade e das educadoras na assistência social da época.
A sobriedade das roupas, os óculos de armação clássica e a postura atenta das participantes demonstram o caráter formal e técnico do grupo de estudos. Não era apenas um encontro social, mas uma mesa de trabalho com cadernos e anotações em mãos.
A freira à esquerda simboliza a forte influência da Igreja Católica na gestão de orfanatos, escolas e projetos sociais em Juiz de Fora durante meados do século XX.
O ambiente interno apresenta janelas amplas (estilo basculante) e paredes claras, típicas das construções institucionais modernas daquele período. O mobiliário de madeira e o piso frio reforçam a estética funcional das salas de aula e reunião do SENAI de então.
Acervo Humberto Ferreira: A fonte original que guardou o suporte físico da memória.
O uso da Inteligência Artificial para restaurar e colorir esta imagem não apenas recupera a nitidez, mas "humaniza" o registro, permitindo-nos perceber detalhes como os tons dos tecidos e as expressões faciais com uma clareza que o preto e branco original muitas vezes oculta.
Em outubro de 1963, o Brasil vivia meses de intensa efervescência política antes dos eventos de 1964. Ver um grupo focado no "bem-estar do menor" mostra que, para além da alta política, a sociedade civil de Juiz de Fora estava preocupada com as bases da formação social e profissional da próxima geração.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
143
Esta imagem é um registro fascinante da vida social e religiosa que orbitava o cenário militar e industrial de Juiz de Fora no início da década de 1960. 
A combinação da fé com a disciplina militar era um traço marcante daquela época, e os comentários de José Eduardo Araújo e Milton Macedo ajudam a situar o evento com precisão geográfica e emocional.
A identificação da Praça Santos Dumont, fica na Avenida Juscelino Kubitscheck, próximo à entrada do Bairro Araújo, também em Benfica. faz todo o sentido histórico. A praça era (e é) o coração do bairro, situada estrategicamente em frente à antiga FEEA (Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia), hoje IMBEL.
Como notado por Milton Macedo, a presença da ferrovia ao fundo e a casa à direita são marcos típicos daquela região. 
A linha férrea sempre foi o "cordão umbilical" que ligava as fábricas de Juiz de Fora ao restante do país, e a passagem de nível era um ponto de referência cotidiano para os moradores e operários da FEEA.
As missas campais eram eventos de grande importância cívica. Realizadas ao ar livre, permitiam a participação maciça tanto dos militares quanto da comunidade civil local.
O registro do Capitão e Capelão Padre Wilson em plena pregação é precioso. Como Capelão do Exército, ele exercia um papel de liderança espiritual e moral dentro da caserna. 
A capelania militar em Juiz de Fora sempre foi muito ativa, especialmente em uma cidade que sediava o comando de uma Região Militar (a 4ª RM).
No início dos anos 60, essas celebrações serviam para reforçar os laços entre a instituição militar e as famílias do Bairro, composto em grande parte por operários e sargentos.
Oficiais sentados em destaque, usando seus fardamentos de gala ou passeio da época.
Mulheres com vestidos de corte clássico e chapéus/véus, além de crianças vestidas com rigor (como o menino de paletó ao fundo), evidenciando o respeito e a solenidade que o momento exigia.
O tapete sobre a terra batida e o altar simples montado sob as árvores da praça conferem à cena um tom de "sacralização do espaço público".
Documentos como este, preservados por Simón Eugénio, são essenciais para entender a ocupação do espaço urbano em Juiz de Fora. 
Eles mostram que a Praça Santos Dumont não era apenas um local de passagem, mas um palco de eventos significativos que uniam a fé, a indústria e o exército.
É uma imagem que transborda a "mineiridade" de Juiz de Fora: solene, comunitária e profundamente ligada às suas raízes institucionais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
142
Essa imagem é um registro histórico valioso, especialmente por estar conectada à memória afetiva e profissional de figuras importantes da saúde de Juiz de Fora. 
O Bairro Fábrica e o Hospital Militar compõem um capítulo fundamental da urbanização e da assistência médica na cidade.
O Bairro recebeu esse nome devido à proximidade com a antiga Companhia de Fiação e Tecelagem Industrial Mineira, mas consolidou-se como um polo de serviços públicos e militares. 
Localizado em uma área estratégica, ele abriga instituições que serviram de base para o crescimento da região norte de Juiz de Fora.
O Hospital Militar (historicamente ligado à 4ª Região Militar) sempre foi uma referência de organização e atendimento. 
Em 1970, ano registrado na foto original, o hospital vivia um período de intensa atividade, atendendo não apenas os militares e seus dependentes, mas sendo parte integrante da rede hospitalar que sustentava a cidade.
A fotografia revela o padrão da época: grandes salões (enfermarias coletivas), pé-direito alto para circulação de ar e o característico piso de ladrilho hidráulico em padrão geométrico, muito comum em construções oficiais de meados do século XX.
A menção ao Doutor Dalmo de Oliveira Motta traz o elemento humano a essa estrutura de pedra e cal.
Como médico obstetra e diretor por muitos anos, ele foi responsável por gerenciar a transição do hospital durante décadas de mudanças técnicas na medicina brasileira.
O posto de Tenente-Coronel indica uma trajetória de alta responsabilidade, unindo a disciplina militar à ética médica.
O fato de ele ter deixado a direção em 1976 significa que ele viveu o cotidiano de enfermarias como esta da fotografia, possivelmente implementando melhorias e coordenando as equipes que cuidavam dos pacientes nesses mesmos leitos.
A preservação dessas fotos por parte da família (neste caso, Simone Motta) é o que permite que a história de Juiz de Fora não se perca. 
Esse tipo de registro transforma uma imagem técnica de uma enfermaria em um testemunho de vida e serviço público.
Juiz de Fora, na década de 70, consolidava-se como um centro médico regional, e o Hospital Militar era peça-chave nessa engrenagem, mantendo padrões de higiene e atendimento que eram referência para a época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta 
141
Esta fotografia, captura a Avenida barão do Rio Branco em um momento de transição e elegância, consolidando-se como a "espinha dorsal" de Juiz de Fora. 
Em 1925, a avenida ainda preservava muito da estética do início do século, mas já pulsava com a modernidade dos transportes elétricos.
O padrão verde e amarelo identificava o sistema de transporte da cidade. 
O verde mais escuro na base com os detalhes em amarelo (ou creme amarelado) nas molduras das janelas e frisos era a identidade visual da frota que circulava pela cidade.
A placa no topo do bonde indica o destino "Santa Terezinha", uma das linhas mais tradicionais que atravessava a Rio Branco, conectando o centro aos Bairros que começavam a se expandir para além do núcleo histórico.
A Rio Branco de 1925 era famosa por sua arborização e pelo calçamento característico:
Pé de Moleque: O leito da avenida era pavimentado com pedras irregulares, o que conferia uma sonoridade única à passagem das carroças e dos primeiros automóveis.
Arborização: Nota-se o cuidado com as árvores enfileiradas e os canteiros centrais baixos. 
Naquela época, a avenida era um espaço de passeio público, onde as famílias caminhavam e os pedestres cruzavam a via com tranquilidade, dividindo o espaço harmonicamente com os Bondes.
Iluminação Pública: Os postes de ferro fundido com luminárias em arco (estilo "pescoço de ganso") são exemplares da infraestrutura de ponta que a Companhia Mineira de Eletricidade implementou na cidade, tornando Juiz de Fora uma das pioneiras em iluminação pública no Brasil.
As Construções: Ao lado direito da foto, vemos casas de estilo eclético, típicas da elite cafeeira e industrial da época. 
Eram residências com recuos laterais ou frontais, adornadas com platibandas e ornamentos em massa, que hoje, em sua maioria, foram substituídas por edifícios.
As figuras humanas na imagem, o homem de terno e a mulher com trajes da década de 1920, reforçam o caráter formal da Avenida Barão do Rio Branco, que funcionava como o "cartão de visitas" social da Manchester Mineira.
O registro de Elton Belo Reis é fundamental para a memória da cidade. 
Ele nos permite visualizar não apenas a geografia urbana, mas a organização da Companhia Força e Luz, revelando como o investimento em energia e transporte moldou o prestígio de Juiz de Fora no cenário nacional durante a década de 1920.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
140
Armazéns da Estrada de Ferro Central do Brasil na Praça João Penido (popularmente conhecida como Praça da Estação).
O edifício longo e imaculadamente branco à direita era a modernidade da época. 
Projetado para suportar o volume crescente de mercadorias que entravam e saíam da cidade, o armazém consolidou a Praça da Estação como o coração econômico da região.
Notem as diversas portas de acesso ao longo da plataforma, desenhadas para agilizar o carregamento dos vagões que encostavam diretamente no prédio.
Em 1923, a inauguração de uma estrutura desse porte pela Central do Brasil era um selo de garantia de que Juiz de Fora continuaria a ser o principal entreposto comercial entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro.
No primeiro plano, vemos carroças tracionadas por cavalos, que eram os principais responsáveis pela distribuição local das mercadorias que chegavam pelos trens. 
A textura dos paralelepípedos e a presença de operários e transeuntes com chapéus típicos da era conferem uma escala humana à fotografia.
A fiação aérea visível indica que a cidade já estava plenamente integrada à rede elétrica e de telégrafos, essencial para a operação ferroviária e para as empresas do entorno.
À esquerda, destaca-se a fachada de estabelecimentos tradicionais,
Esses comércios aproveitavam o fluxo constante de viajantes, ferroviários e negociantes que orbitavam a estação. 
Esta fotografia dialoga diretamente com a imagem do Ministro Francisco Sá chegando à cidade no mesmo ano. 
É muito provável que esta inauguração tenha sido um dos motivos oficiais de sua comitiva. 
Enquanto a fotografia do vagão foca nas autoridades, esta "Vista Parcial" foca na infraestrutura que elas vieram entregar à população.
A Praça João Penido é um dos espaços que mais sofreu transformações em Juiz de Fora. 
Ver esta imagem de 1923, com o armazém recém-inaugurado e as carroças no pátio, é resgatar a origem da agitação urbana que ainda hoje caracteriza o centro da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
139
Esta fotografia, extraordinariamente preservada, captura um momento de suma importância para a história da infraestrutura e da política mineira: a chegada do Senhor Francisco Sá e de Carvalho Araújo a Juiz de Fora em 1923.
Em 1923, o Brasil vivia o auge da República Velha, e as ferrovias eram o principal motor de integração nacional.
Francisco Sá: Importante político e engenheiro, que ocupou cargos de relevo como Ministro da Viação e Obras Públicas. 
Sua presença em Juiz de Fora geralmente estava atrelada a inspeções técnicas ou inaugurações de melhorias na malha ferroviária da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Carvalho Araújo: Figura também central no cenário político e administrativo da época, acompanhando as comitivas que decidiam o futuro do transporte em Minas Gerais.
O Vagão "Wagon" e a Tecnologia Ferroviária
O grupo posa na plataforma de observação de um vagão especial, conhecido como Vagão de Administração ou de inspeção.
Notem o refinamento das grades de ferro fundido e os grandes faróis de latão na frente do vagão, características de veículos destinados a autoridades.
Através das janelas, percebe-se o acabamento luxuoso em madeira e cortinas de veludo, típicos dos carros de passageiros de primeira classe da década de 1920.
O uso onipresente de chapéus (estilos Fedora e Palheta), ternos de três peças com coletes e gravatas borboleta.
As convidadas exibem o estilo garçonne da década de 20, com vestidos de corte reto, colares de pérolas e os característicos chapéus cloche, que emolduravam o rosto.
Juiz de Fora, sendo a "Manchester Mineira", era um ponto de parada obrigatório para qualquer autoridade que tratasse de viação e progresso. A chegada dessa comitiva na estação ferroviária da cidade representava não apenas um evento social, mas a reafirmação da importância industrial e política de Juiz de Fora no cenário estadual.
Este registro do acervo de Elton Belo Reis é fundamental por humanizar as figuras que planejaram o desenvolvimento de Minas Gerais. 
Através do trabalho de restauração, as texturas do metal da locomotiva e os detalhes dos tecidos da época permitem uma imersão direta no ambiente de progresso e sofisticação de 1923.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
138
A Rua Santo Antônio é uma das vias mais emblemáticas de Juiz de Fora, carregando em suas calçadas uma dualidade profunda: o rigor da formação cívica e a mão estendida da caridade. 
Como bem observou Rogério de Campos Teixeira, a Sociedade Beneficente Sopa dos Pobres (fundada em 1931) é uma instituição que desafia o tempo.
O fato de a instituição operar ininterruptamente por quase um século no mesmo local é um testemunho da desigualdade social persistente, mas também da solidariedade organizada na cidade.
O Edifício, mantém sua arquitetura sóbria, servindo como um marco visual na Rua Santo Antônio para gerações de juiz-foranos que ali buscam ou oferecem auxílio.
A memória de que o prédio abrigou um Tiro de Guerra (TG) revela uma faceta importante da formação dos jovens da época. 
A explicação técnica, esclarece por que esses locais são tão respeitados: Ao contrário do quartel convencional, o TG permite que o jovem preste o serviço militar sem se desligar de suas raízes locais, de seu trabalho ou de seus estudos.
O Tiro de Guerra ao início do século XX, época em que essas "Sociedades de Tiro" eram fundamentais para a reserva estratégica do Exército e para o orgulho cívico das famílias brasileiras.
Na década de 1960, período provável da fotografia, a Rua Santo Antônio era um centro pulsante. 
A convivência entre os jovens "Atiradores" que frequentavam o TG e os assistidos pela Sopa dos Pobres criava um ecossistema social único:
Os homens com sacos de mantimentos à porta simbolizam o esforço logístico da caridade. 
A restauração traz à tona a dignidade do trabalho braçal e o papel vital que a instituição desempenhava (e desempenha) na segurança alimentar da população vulnerável.
A imagem mostra uma rua ainda com paralelepípedos e uma iluminação pública incipiente, características que definiam o charme e as dificuldades da Juiz de Fora antiga.
Este registro é um dos mais sensíveis do acervo de Simón Eugénio Sáenz Arévalo, pois não foca em grandes monumentos ou acidentes, mas na essência humana da cidade: o dever para com a pátria e o dever para com o próximo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
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Bairro Mariano Procópio
Rua Mariano Procópio esquina com a Avenida dos Andradas em 1958
Acidente com ônibus da Viação Cometa
Bar Mariano Procópio
Atualmente Bar Procopão
João Vianey Belgo Comentou: Essa foto com certeza é de onde hoje é o Procopão
Os galpões são da Industrial Mineira
Reconheço pelo muro e pela guarita da Rede Ferroviária
À direita é o caminho vai dar no Borboleta
Vicente De Paulo Clemente comentou: O João Vianey Belgomatou a charada
Realmente procede
O Guarda-cancela, ao ouvir o barulho do trem vindo, corria a empurrar duas cancelas sobre os trilhos, fechando a passagem dos carros e pessoas
Não existia a cancela e sinal elétricos
Ali perto da casinha dele, havia um laranjeiro, Senhor Geraldo, que descascava diligentemente suculentas laranjas campistas e serra-d'água e vendia no ponto do ônibus da Borboleta, ali defronte esses galpões.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
136
A Avenida Barão do Rio Branco, em 1959, representava o auge de uma era de transição urbana em Juiz de Fora. 
A imagem do acervo de Soraya Fassheber é um registro precioso dessa dinâmica, onde a "viga mestra" da cidade ainda não sofria com o estrangulamento do tráfego moderno.
Diferente do cenário atual, onde o automóvel é protagonista, em 1959 a Rio Branco era um exemplo vivo de compartilhamento de espaço:
Os Bondes: Eram o coração do transporte público. 
Movidos a eletricidade, seguiam seus trilhos centrais com previsibilidade. 
Os modelos verdes e creme da época são ícones da memória afetiva da cidade.
Os Ônibus "Nariz de Ferro": Começavam a ganhar força, dividindo as faixas com os bondes. Eram veículos robustos, muitas vezes com chassis de caminhão adaptados, que traziam a modernidade mecânica para a avenida.
Era comum ver trabalhadores em suas bicicletas e até veículos de tração animal integrados ao fluxo, movendo-se em uma velocidade que permitia a convivência segura.
Nesse período, a avenida ainda preservava muitos palacetes e sobrados ecléticos, que começavam a dar lugar aos primeiros grandes edifícios de apartamentos e escritórios (como se vê ao fundo na foto, com prédios em construção).
A arborização era generosa, e as calçadas eram espaços sociais vibrantes, onde o "footing" (o passeio a pé para ver e ser visto) ainda era uma prática cultural forte.
A sensação de falta de problemas no trânsito, deve-se a um fator técnico e social:
O número de carros particulares era reduzido, limitando-se à elite e aos profissionais liberais.
Sem a pressa dos motores de alta performance, o ritmo da via era ditado pela cadência do Bonde e do pedestre.
Respeito às Regras Não Escritas: Havia uma etiqueta de convivência no asfalto que se perdeu com a saturação urbana das décadas seguintes.
Registros como os de Soraya Fassheber são fundamentais para a historiografia de Juiz de Fora. 
Eles documentam não apenas a estética da cidade, mas o comportamento social. 
Ver a Avenida Barão do Rio Branco sem o atual "rush", com os Bondes em plena atividade, nos faz refletir sobre como o planejamento urbano daquela época priorizava o fluxo contínuo e humano.
É um retrato de uma Juiz de Fora que crescia com elegância, antes das grandes intervenções que priorizaram o asfalto em detrimento dos trilhos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Soraya Fassheber
135
Esta fotografia colorizada do acervo de Ítalo Cigani Luiz é um registro histórico inestimável do esporte e da sociedade em Juiz de Fora. 
Ela imortaliza uma pirâmide acrobática complexa realizada por uma equipe de elite do Clube Ginástico em 1948, sob a orientação do lendário Professor Ítalo Paschoal.
O Professor Ítalo Paschoal e o Legado de Excelência
A formação apresentada não é um simples exercício físico; é uma demonstração de técnica, confiança e força bruta.
O Professor Ítalo Paschoal foi o grande expoente da ginástica em Juiz de Fora nas décadas de 1940, 50 e 60. 
Ele implementou um rigor técnico baseado em escolas europeias (provavelmente a tradição alemã do Turnverein), que exigia não apenas força, mas uma coordenação milimétrica.
Vemos cinco homens perfeitamente coordenados. 
Os dois na base sustentam a maior carga em uma posição de agachamento profundo. Os dois intermediários usam uma escada de madeira como ponto de ancoragem, enquanto o quinto atleta realiza o equilíbrio final no topo. O controle dos músculos abdominais e posturais de todos os envolvidos é impressionante para a época, sugerindo um treinamento contínuo e intenso.
Os atletas vestem o uniforme oficial da época: regatas e calças de ginástica largas (pantalonas) em branco puro, que realçam a estética dos movimentos.
No centro de cada regata, vê-se claramente o brasão do Clube Ginástico. 
A colorização preservou esse detalhe, que no contexto de Juiz de Fora seria, provavelmente, nas cores verde e branco, alternadas em faixas com um emblema específico (cruzes ou símbolos de força). Este escudo era um símbolo de honra e pertencimento.
A Avenida Barão do Rio Branco, 1318, era a sede dessa instituição.
Situado na principal avenida da cidade, o Clube Ginástico era o ponto de encontro da juventude que buscava a formação clássica da educação física. A localização estratégica facilitava o acesso e a integração com a comunidade local.
A imagem captura um pátio interno ou ginásio de treinamento. 
A colorização trouxe à vida elementos como o telhado de metal galvanizado e madeira, a cesta de basquete com tabela de madeira ao fundo e, crucialmente, uma placa comercial.
A Placa da "Perfumaria Rosita": Este é um "easter egg" histórico incrível. A placa visível ao fundo diz "PERFUMARIA ROSITA - AQUÍ ESTÁ O SEU PERFUME". A colorização preservou o texto, que ajuda a datar o contexto urbano da Barão do Rio Branco, mostrando como as empresas locais se anunciavam e como o clube estava inserido no tecido comercial da cidade.
Esta fotografia não apenas documenta um momento esportivo, mas também a arquitetura comercial, a publicidade local e a identidade cultural de Juiz de Fora no final da década de 1940. 
É um testemunho visual de uma instituição que moldou o caráter e o corpo de gerações de juiz-foranos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Italo Cigani Luiz
134
Esta fotografia é um registro extraordinário da era de ouro da educação física e do desporto em Juiz de Fora. 
Ela imortaliza o rigor técnico e a disciplina que definiram o Clube Ginástico sob a orientação de mestres lendários.
Situado na Avenida Barão do Rio Branco, 1318, o Clube Ginástico era mais do que um espaço esportivo; era um centro de excelência física. 
A localização era privilegiada, no coração da principal artéria da cidade, facilitando o acesso da juventude juiz-forana que buscava a formação clássica da ginástica de aparelhos.
A menção ao Professor Ítalo Paschoal em 1961 é fundamental. 
Ele foi um dos grandes nomes da ginástica no Brasil, reconhecido por sua competência técnica e pelo alto nível de exigência.
A imagem mostra as Barras Paralelas, onde os atletas demonstram um controle corporal impressionante (equilíbrios e suspensões).
Sob sua batuta, o Clube Ginástico formou gerações de atletas que levavam o nome de Juiz de Fora a competições estaduais e nacionais, mantendo viva a tradição alemã do Turnverein adaptada à realidade brasileira.
A bandeira ao fundo, com suas listras horizontais e o brasão central, era o símbolo máximo da honra dos atletas. 
No Clube Ginástico, o esporte era visto como uma ferramenta de formação de caráter, e a bandeira representava esse compromisso com a instituição e com a cidade.
A preservação deste registro pelo acervo de Ítalo Cigani Luiz é de um valor histórico inestimável. Fotografias de ginástica de aparelhos dessa época são raras devido à dificuldade técnica de capturar movimentos em ambientes internos com a iluminação de 1961.
Este registro é uma prova visual da "Escola de Campeões" que funcionava no número 1318 da Rio Branco, um tempo em que a precisão milimétrica e a força bruta se uniam em harmonia perfeita sob o comando do Prof. Ítalo Paschoal.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Italo Cigani Luiz
133
Casa Christovam de Andrade, um dos pilares do comércio atacadista e da indústria alimentícia de Juiz de Fora na virada do século XIX para o XX. 
O prédio, que se localizava na Avenida Barão do Rio Branco, nº 2056, era o símbolo de um império comercial fundado em 1884.
O Senhor Christovam de Andrade foi um dos empreendedores mais influentes da "Manchester Mineira". 
Sua empresa não era apenas um ponto de venda, mas um complexo industrial e comercial:
Foi uma das maiores e mais modernas torrefações da região, processando o "ouro verde" que movia a economia mineira e brasileira.
Além do café, o estabelecimento operava com a moagem de sal e a fabricação de fubá, além de ser um robusto armazém de secos e molhados, atendendo tanto no varejo quanto no atacado.
A restauração digital realça a sofisticação do edifício: O prédio possuía dois pavimentos com ornamentação rica, balcões com balaustradas e frontão decorado com um brasão central, características da prosperidade econômica do período.
A presença do poste de iluminação/energia com transformador e isoladores de louça à frente, assim como a árvore protegida por um gradil de madeira, mostram a modernização urbana da Avenida Rio Branco naquela época.
Na porta, vemos funcionários em seus uniformes brancos (típicos de quem lidava com gêneros alimentícios) e cavalheiros em trajes formais, evidenciando o status do local como um centro de negócios.
Empresas como a de Christovam de Andrade foram fundamentais para consolidar Juiz de Fora como o principal centro distribuidor do interior de Minas Gerais. 
A localização na Avenida Rio Branco facilitava a logística e o contato com os grandes produtores e comitivas.
A assinatura "M. Santos - Phot" no rodapé indica o fotógrafo original, cujo trabalho sobreviveu através do Acervo de Elton Belo Reis. 
A restauração devolve a volumetria e a dignidade visual a este prédio que, embora demolido, faz parte da base do desenvolvimento industrial da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis 
132
Este registro é um documento fascinante da história comercial e da comunicação em Juiz de Fora no início da década de 1920. 
A Agencia de Revistas e Jornaes, situada na Rua Halfeld, era o principal ponto de conexão da cidade com as notícias do Brasil e do mundo.
Pertencente à firma M. Campos & Cia, a agência e charutaria funcionava em um dos endereços mais valorizados da Rua Halfeld. 
Naquele período, a rua já se consolidava como o centro nervoso da economia mineira, sendo o local onde as novidades chegavam primeiro. 
A numeração "286" visível na restauração ajuda a situar o prédio no trecho mais movimentado da via.
Em uma época sem rádio (que só chegaria ao Brasil em 1922) ou televisão, locais como este eram vitais. 
Notem os cartazes afixados nos batentes das portas anunciando grandes periódicos da época:
Gazeta de Notícias e O Paiz: Importantes jornais do Rio de Janeiro (então capital federal).
Jornal do Brasil: Um dos mais tradicionais do país.
Correio da Manhã: Conhecido por sua postura combativa e política.
Juiz de Fora, sendo a "Manchester Mineira", consumia vorazmente as notícias da capital e as cotações de café.
O prédio apresenta uma arquitetura com arcos de volta inteira e bandeiras envidraçadas, típicas das construções comerciais do início do século. A tipografia da testeira, com a grafia da época ("Jornaes"), foi preservada com precisão na restauração.
A fotografia captura a diversidade social da Rua Halfeld. Vemos desde cavalheiros com chapéus de coco e ternos formais até os "gazeteiros" — os jovens que vendiam jornais nas ruas. A presença dessas crianças e adolescentes na porta da agência era comum, pois ali eles retiravam os exemplares para a venda avulsa.
Era comum que agências de notícias também fossem charutarias e artigos para fumantes, funcionando como um espaço de convivência masculina onde se discutia política e negócios enquanto se comprava o jornal e o fumo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
131
Vista Frontal do Theatro Polytheama (Cine Arte) em 1925
O Theatro Polytheama foi um dos marcos mais significativos da vida cultural de Juiz de Fora nas primeiras décadas do século XX. 
Localizado na emblemática Praça João Pessoa, no cruzamento com a Rua Halfeld, o edifício personificava a elegância da "Belle Époque" mineira.
Neste registro de 1925, vemos a fachada do teatro em sua fase áurea como cinema. 
O banner da revista "Cine arte" e o cartaz do filme "O Ladrão de Bagdá" (The Thief of Bagdad), estrelado por Douglas Fairbanks, confirmam o efervescente cenário cinematográfico da época. A arquitetura eclética, rica em detalhes ornamentais e carrancas, conferia uma identidade única ao coração da cidade.
Em 1927, o Polytheama foi demolido para dar lugar a um projeto de escala monumental e modernista. 
No mesmo terreno, em frente à Praça João Pessoa, foi erguido o atual Cine-Theatro Central, inaugurado em 1929, que herdou o protagonismo cultural daquela esquina histórica.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
130
Vista Panorâmica
Esse trecho é um registro histórico fascinante sobre a Villa Ferreira Lage, o coração arquitetônico do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. 
Ele captura a transição da propriedade de uma residência aristocrática para um dos marcos culturais mais importantes do Brasil.
A Villa Ferreira Lage e o Estilo "Renaissance"
O texto descreve o edifício como uma amostra do estilo renascentista italiano. Construída em 1861 por Mariano Procópio Ferreira Lage, a Villa foi projetada pelo arquiteto alemão Carlos Augusto Gambs.
A estrutura foi pensada para ser o centro da Quinta do Mariano, um refúgio que combinava a sofisticação europeia com a exuberância da Mata Atlântica. 
O uso do termo "castelinho" reflete como a construção era vista pela população e pelos visitantes da época: um palacete imponente e refinado no alto de uma colina.
A descrição dos jardins, com cisnes, ilhas de bambus e plantas raras, não é exagero. 
Mariano Procópio era um entusiasta da botânica. 
Ele contou com a colaboração do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou (o mesmo que projetou a Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro) para criar um parque que integrasse espécies exóticas e nativas.
Os "tanques de água límpida" mencionados referem-se ao grande lago artificial, que ainda hoje é um dos pontos mais icônicos do museu, mantendo a atmosfera de tranquilidade descrita no texto.
A citação de Sir Richard Francis Burton, o famoso explorador e diplomata inglês, é um dos depoimentos históricos mais valiosos sobre o local. Burton visitou Juiz de Fora em 1867 e ficou impressionado com a "extravagância" do lugar.
Para um inglês do século XIX, ver uma vila de estilo clássico italiano brotando no meio do que ele chamou de "floresta virgem" era um choque estético. 
Esse contraste entre a civilização europeia e a natureza indomada Brasileira era exatamente o que Mariano Procópio desejava projetar: o progresso chegando ao interior do país.
O texto observa que o castelinho "já não se destaca altaneiro da paisagem como nos velhos tempos". 
Isso se deve ao crescimento urbano de Juiz de Fora e ao desenvolvimento das árvores do próprio parque, que acabaram por emoldurar a construção, tornando-a parte da mata, em vez de uma figura isolada no topo do morro.
Em 1915, o filho de Mariano, Alfredo Ferreira Lage, começou a organizar o acervo que transformaria a casa de sua família no primeiro museu de Minas Gerais, inaugurado oficialmente em 1921.
Esse texto é um testemunho da época em que Juiz de Fora se consolidava como a "Manchester Mineira", unindo o poder econômico da elite do café com um refinamento cultural que atraía os olhares de viajantes internacionais e da própria Família Imperial Brasileira.
Texto Original do Álbum da Estrada União Indústria
Texto adaptado de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa 
129
O Bairro Mariano Procópio, em Juiz de Fora, é um dos marcos mais significativos do desenvolvimento urbano e arquitetônico do Brasil no século XIX. 
Como descrevem as passagens citadas, a região foi concebida para ser o coração operacional da Companhia União e Indústria, a primeira estrada de rodagem pavimentada da América Latina, inaugurada por Mariano Procópio Ferreira Lage em 1861.
O texto descreve uma estrutura que funcionava como uma "cidade tecnológica" para a época. 
O conjunto reunia diferentes funções: A estação de diligências, armazéns e cavalariças eram essenciais para as viagens que ligavam Petrópolis a Juiz de Fora.
Oficinas: Situadas nas elevações, eram responsáveis pela manutenção das carruagens e maquinários, representando um polo industrial precoce na cidade.
Hospedagem de Luxo: O "edifício de balcão" ou chalé mencionado servia para receber a elite e convidados ilustres, evidenciando que a área era um ponto de prestígio social e político.
A Transição para a Ferrovia
Um ponto crucial da história do Bairro é a transição tecnológica mencionada: em 1877, a estação de diligências (transporte traçado por animais) deu lugar à Estrada de Ferro D. Pedro II. 
Isso consolidou Juiz de Fora como um entreposto comercial vital, conectando o interior de Minas Gerais ao Rio de Janeiro de forma muito mais rápida, impulsionando o ciclo do café e a industrialização.
A Influência Europeia e o "Castelo"
A citação de Richard Burton sobre a vila que parecia "trazida de Hammersmith" (Londres) refere-se à forte influência arquitetônica europeia que Mariano Procópio trouxe para a região. O "Castelo" mencionado é o atual Museu Mariano Procópio, a primeira instituição do gênero em Minas Gerais. Construído para hospedar a Família Imperial, o palacete e seu entorno (o Parque Mariano Procópio) foram projetados seguindo tendências internacionais de paisagismo e arquitetura.
A observação de que a estação ficava a dois quilômetros do "mato cerrado" que rodeava a cidade mostra como o Bairro nasceu como um núcleo isolado e planejado, que posteriormente foi alcançado pela expansão urbana de Juiz de Fora. 
Hoje, o Bairro é um centro cultural e histórico, onde o passado da engenharia brasileira e a memória da monarquia se preservam através do acervo e das edificações remanescentes.
Este conjunto, documentado por registros como os do Álbum da Estrada União e Indústria, é um testemunho da visão empreendedora do século XIX e da transformação da pacata Vila de Santo Antônio do Paraibuna na moderna "Manchester Mineira".
Obs: Aquela queda d'água ao fundo da fotografia é a Cachoeira do Vale do Ipê (ou, como era conhecida na época, a cachoeira do Córrego São Pedro).
Na perspectiva da imagem, capturada do complexo da Companhia União e Indústria (provavelmente das imediações de onde hoje é o Museu Mariano Procópio), vemos a encosta do morro que hoje compõe o Bairro Vale do Ipê.
Essa cachoeira é um elemento geográfico tão marcante que o seu "espelho d'água" é tombado pelo patrimônio municipal (COMPPAC), reconhecendo sua importância histórica e paisagística para Juiz de Fora.
A fotografia revela o relevo original antes da intensa urbanização do Bairro. 
O curso d'água descia livremente pela encosta em direção ao vale, onde se encontrava com a estrutura logística de Mariano Procópio.
Nota-se que, embora houvesse atividade agrícola e de construção, a mata de encosta ainda era bastante densa, o que Richard Burton descreveu como o "mato cerrado" que rodeava a estação.
É um registro fascinante, pois mostra como o Bairro Vale do Ipê, hoje uma área residencial consolidada, era parte integrante do cenário bucólico e funcional que cercava o nascimento da nossa "Manchester Mineira"
Texto Original do Álbum da Estrada União Indústria
Texto adaptado de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa 
128
A Confeitaria Christiano Horn foi um dos estabelecimentos comerciais mais emblemáticos da parte baixa da Rua Halfeld no início do século XX. 
O registro presente no Álbum do Município de Juiz de Fora (1915), de Albino de Oliveira Esteves, imortaliza o local como um símbolo da pujança econômica e do refinamento da "Manchester Mineira".
Situada na Rua Halfeld, na parte baixa (trecho entre a Avenida Getúlio Vargas e a Praça da Estação), a confeitaria beneficiava-se do intenso fluxo de viajantes, comerciantes e da elite local que circulava pela Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil. 
Naquela época, a parte baixa era o centro nervoso do comércio atacadista e de serviços de luxo.
Diferente de uma padaria comum, a Christiano Horn era uma Fábrica de Amêndoas, Balas e Confeitos. Conforme as inscrições em sua fachada: Depósito e Fábrica: Funcionava tanto como ponto de venda direta ao consumidor quanto como unidade produtiva.
Era famosa pela produção de doces finos, confeitos para festas e amêndoas confeitadas, que eram itens de prestígio na sociedade da época.
Para os padrões de 1915, o estabelecimento era destacado pela organização e pela limpeza, características muito valorizadas no álbum de Albino Esteves para demonstrar o progresso da cidade.
Christiano Horn faz parte da leva de imigrantes (frequentemente de ascendência germânica, muito comum em Juiz de Fora) que empreenderam no setor de alimentos e bebidas. 
Sua presença no Álbum de 1915 indica que ele era um comerciante de prestígio, cujas instalações eram motivo de orgulho para o município.
Apresentava um estilo eclético, com portas em arco pleno e vitrines que exibiam as latas e caixas de doces empilhadas, um marketing visual clássico do início do século.
O uso de letreiros pintados diretamente na alvenaria detalhava todas as atividades da casa: "Depósito", "Fábrica de Balas" e "Confeitos".
O Álbum do Município de Juiz de Fora foi organizado por Albino de Oliveira Esteves para celebrar o centenário da Independência (embora lançado em 1915) e mostrar ao Brasil e ao mundo que Juiz de Fora era uma cidade moderna. 
A inclusão da Confeitaria Christiano Horn servia para mostrar que a cidade possuía indústrias de alimentos sofisticadas, capazes de produzir iguarias que nada deviam aos centros europeus.
Hoje, o prédio original e o estabelecimento não existem mais da forma como foram registrados, mas a memória da Confeitaria Christiano Horn permanece como um dos pilares da história gastronômica e comercial da Rua Halfeld.
Fotografia do Álbum do Município de Juiz de Fora de Albino de Oliveira Esteves de 1915.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa 
127
A esquina da Rua Halfeld com a Avenida Barão do Rio Branco é, historicamente, o "coração" de Juiz de Fora. 
Na década de 1910, esse cruzamento representava o auge da sofisticação urbana e do desenvolvimento econômico da Manchester Mineira.
Nesta década, a arquitetura era predominantemente eclética, com forte influência europeia. 
Os edifícios apresentavam adornos detalhados, frontões trabalhados e balcões de ferro forjado.
A via já contava com paralelepípedos e os trilhos dos bondes elétricos, que eram o principal meio de transporte público e conectavam o centro aos Bairros industriais e residenciais.
A fiação aérea era densa, sustentada por postes de madeira ou ferro fundido que também serviam de suporte para a iluminação pública, conferindo um ar moderno para a época.
A esquina era o ponto de encontro da elite e dos trabalhadores.
Era comum encontrar confeitarias, farmácias e lojas de tecidos finos. 
O nome "Photo Paris" (visível em registros da época) remete à presença de estúdios fotográficos que documentavam a sociedade local.
A Rua Halfeld era o palco do tradicional footing, onde as pessoas passeavam para ver e ser vistas, especialmente no trecho entre a Avenida e o Parque Halfeld.
Os anos 20 marcaram a transição definitiva das charretes para os veículos motorizados. 
Modelos como o Ford Bigode (Model T) e outros carros de luxo importados começaram a ocupar as ruas, compartilhando o espaço com pedestres e Bondes. 
A presença desses automóveis na esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Halfeld era um símbolo claro de status e progresso tecnológico.
Lado de Baixo vs. Lado de Cima: A esquina divide a Rua Halfeld. 
O "lado de baixo" seguia em direção à Praça da Estação, enquanto o "lado de cima" subia em direção à Prefeitura e à Catedral.
Este cruzamento é, sem dúvida, o registro mais fiel da transformação de Juiz de Fora em uma metrópole regional, mantendo até hoje a sua importância como o principal marco referencial da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
126
Esta belíssima imagem, pertencente ao histórico Álbum do Município de Juiz de Fora, organizado por Albino de Oliveira Esteves em 1915, é um dos registros mais elegantes da belle époque juiz-forana. 
Ela retrata a Rua Marechal Deodoro (a antiga Rua da Imperatriz) em sua "parte baixa", um setor que pulsava modernidade e cosmopolitismo no início do século XX.
O Bonde elétrico, que vemos descendo em direção à Rua Paulo de Frontin, era o símbolo máximo da "Manchester Mineira". 
Em 1915, o sistema ainda era relativamente novo (inaugurado em 1906) e representava o auge da tecnologia de transporte. 
Notem que ele divide a via com uma carroça de tração animal à direita, evidenciando o contraste entre o antigo e o novo que definiu aquele período de transição.
Hotel Renascença: Imponente à esquerda, este edifício era uma referência em hospitalidade. Sua arquitetura eclética, com balcões trabalhados e amplas janelas, abrigava a elite e os viajantes de negócios que chegavam à cidade atraídos pela indústria têxtil e pelo café.
Comércio de Esquina: À direita, vemos um prédio de arquitetura refinada com o letreiro "CASA", indicando os estabelecimentos comerciais de alto padrão que ocupavam os térreos desses edifícios.
Ao fundo, ergue-se majestoso o Morro do Imperador, carinhosamente chamado de Morro do Cristo. 
Na época deste registro (1915), o monumento ao Cristo Redentor já estava lá, tendo sido inaugurado em 1906 (o primeiro do Brasil), reforçando a identidade espiritual e geográfica da cidade. 
A perspectiva da rua parece conduzir o olhar diretamente para a montanha, criando um enquadramento perfeito.
A rua apresenta um calçamento cuidadoso e a presença de postes de iluminação e fiação elétrica para os Bondes, o que conferia a Juiz de Fora um aspecto de metrópole europeia. 
O detalhe dos transeuntes, homens de chapéu e paletó, completa a atmosfera de uma cidade que era, naquele momento, um dos principais motores econômicos do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
125
Este registro, extraído do Guia Ilustrado de Juiz de Fora de 1967, é um testemunho da efervescência econômica e administrativa da Rua Marechal Deodoro, consolidada como a grande artéria comercial e de serviços da "Manchester Mineira" na década de 1960.
A Fotografia captura a transição de uma cidade que crescia verticalmente, misturando o funcionalismo público com o vigor do comércio varejista:
O Edifício do IAPI / INAMPS: Em primeiro plano à esquerda, vemos o prédio que abrigou o IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários). Como bem observado, esta estrutura foi um pilar da assistência social na época, tornando-se posteriormente o INAMPS. 
Sua arquitetura moderna e sóbria contrastava com os casarões antigos da via, simbolizando a modernização dos serviços públicos federais no município.
Agência dos Correios: Localizada estrategicamente nesta área central, a agência era o ponto nevrálgico de comunicação da cidade, essencial para o fechamento de negócios e o contato das famílias juiz-foranas com o restante do país.
Casas Regente: Ao fundo, o icônico letreiro vertical das Casas Regente marca a presença de uma das maiores redes de móveis e eletrodomésticos do período. Sua localização na Marechal Deodoro confirma a importância da rua como o destino preferencial para o consumo das famílias de toda a Zona da Mata.
A fotografia exibe o tráfego misto característico da época, com o calçamento de paralelepípedos ainda impecável e uma frota variada de veículos que inclui Fuscas, Kombis e picapes Ford, ícones da indústria automobilística nacional daquele tempo.
Ao fundo, os edifícios de apartamentos mostram que o centro de Juiz de Fora já passava por um processo acelerado de densidade urbana, substituindo as residências unifamiliares por prédios multifamiliares.
Este trabalho de preservação digital é fundamental para que as novas gerações compreendam a evolução do traçado urbano de Juiz de Fora e a importância histórica da Marechal Deodoro como eixo de progresso da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Adão Lúcio  
124
Esta fotografia registra um dos momentos mais dramáticos da história urbana de Juiz de Fora: a grande enchente de 24 de dezembro de 1940. 
Enquanto a cidade se preparava para o Natal, o transbordamento do Rio Paraibuna e de seus afluentes causou uma inundação sem precedentes no núcleo central.
A Fotografia mostra a intersecção da Rua Marechal Deodoro com a Rua Batista de Oliveira, nas proximidades do antigo Largo 13 de Maio.
Ao fundo, o Morro do Imperador domina a paisagem, confirmando a perspectiva da Marechal Deodoro em direção à parte baixa da cidade.
À direita, vemos o detalhe das janelas em ogiva de uma construção imponente, característica da arquitetura eclética e neogótica que marcava os casarões da época.
Esta inundação é lembrada por ter atingido níveis alarmantes em áreas que, teoricamente, eram protegidas pela topografia.
O centro comercial foi duramente atingido. O "Depósito" e os armazéns que abasteciam a cidade para as festas de fim de ano perderam estoques inteiros.
Na imagem, é possível notar que a água atinge quase a metade da altura das portas e janelas do primeiro pavimento, impossibilitando o tráfego de Bondes e veículos motorizados.
Nota-se uma pessoa sentada no batente de uma porta à esquerda, observando a inundação, uma imagem que sintetiza a resignação e o espanto da população diante da força da natureza.
Na época, Juiz de Fora já enfrentava desafios com o sistema de galerias pluviais. 
A enchente de 1940 serviu como um divisor de águas para as discussões sobre o retificamento do Rio Paraibuna, obra que só seria concluída décadas depois para tentar mitigar esses desastres sazonais.
Observem o poste de iluminação e fiação no centro da via; o isolamento da rede elétrica era uma preocupação constante nessas ocasiões para evitar acidentes fatais em meio à água.
Este registro é um testemunho da vulnerabilidade da "Manchester Mineira" perante o rio que lhe deu origem e prosperidade, mas que também impôs grandes desafios aos seus habitantes.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Xixa Carelli  
123
Revolução Constitucionalista de 1932, capturando um dos famosos "Tanques de Guerra" improvisados (ou carros blindados) que circularam pelas ruas de Juiz de Fora e de outras cidades da região durante o conflito.
Graças ao comentário do Jansen Santos Costa, sabemos que a imagem foi preservada em painéis públicos próximos ao Parque Halfeld, o que reforça o papel de Juiz de Fora como um ponto estratégico crucial naquele ano.
Juiz de Fora foi o quartel-general das forças mineiras e federais que lutavam contra os insurgentes paulistas. 
A cidade era o portão de entrada para o Rio de Janeiro e um centro logístico fundamental.
Como o exército brasileiro não possuía uma frota de tanques moderna, oficinas ferroviárias e mecânicas locais (como as da Central do Brasil) foram usadas para blindar caminhões e automóveis comuns.
O carro blindado que aparece na imagem, com suas chapas de aço rebitadas e uma pequena torre, é um exemplo típico da inventividade da época. 
Esses veículos eram apelidados de "fura-fila" ou "tatús" e, embora rústicos, impunham respeito psicológico nas frentes de batalha.
Apesar de o local ser citado como "não identificado" no acervo, o letreiro ao fundo revela uma pista definitiva: "T. CIAMPI & FILHO - CHEVROLET".
A Concessionária: A Tomaso Ciampi & Filho foi uma das primeiras e mais importantes agências Chevrolet de Juiz de Fora, localizada na Avenida Rio Branco, no trecho central.
A arquitetura do edifício, com suas sacadas trabalhadas em ferro e molduras neoclássicas, é característica das grandes construções da Rio Branco nas primeiras décadas do século XX.
Notem a diversidade de chapéus (muitos do modelo boater ou palheta) usados pelos homens que observam o veículo, um marcador social claro da década de 1930.
As marcas de solda e os rebites nas placas de metal mostram a urgência com que esses carros eram montados.
A Placa: No canto inferior, a inscrição "Carro de Combate da Revolução de 1932" confirma o propósito do registro.
Este é um dos registros mais emblemáticos da participação civil e industrial de Juiz de Fora no esforço de guerra de 1932, mostrando como a rotina da principal avenida da cidade foi interrompida pelo maior conflito civil da história Brasileira.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Jansen Santos Costa 
122
Casa Maternal Maria Helena, uma instituição que faz parte da memória afetiva de muitos juiz-foranos. 
A cena mostra o momento da alimentação ou do lanche, evidenciando o cuidado e a organização da entidade.
Graças aos comentários da Uilmara, do Gilson, do Expedito e de outros colaboradores, podemos reconstruir o contexto deste local:
A Casa Maternal situava-se no andar superior do casarão na esquina da Avenida dos Andradas com a Rua Barão de Cataguases.
No andar térreo do mesmo prédio, funcionava a tradicional Farmácia Vera Cruz, de propriedade do Senhor Felício Pífano, um ponto de referência marcante para quem passava por aquela região do Centro.
Ao lado da Casa Maternal ficava o Instituto Virgem Poderosa. 
Como mencionado pelos comentários, as duas instituições eram geridas por irmãs religiosas (Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo), que dedicavam suas vidas ao amparo de crianças e famílias carentes.
Notem o uniforme impecável das religiosas e das cuidadoras, reforçando o ambiente de disciplina e higiene. 
O hábito das irmãs (as "cornetas" brancas) é um ícone visual da época, indicando que o registro possivelmente data de meados do século XX, antes das reformas nas vestimentas religiosas.
A imagem de dezenas de bebês e crianças pequenas sendo atendidas simultaneamente destaca a importância social da Casa Maternal, que funcionava como um suporte essencial para mães que trabalhavam.
Com o tempo, como apontou Rodolfo Jacomedes, o espaço passou a abrigar também a Escolinha Virgem Poderosa, fundindo a assistência social com a educação infantil.
Embora as funções tenham mudado ou se mudado do local original, registros como este mantêm viva a gratidão àquelas que, com "mãos de fada", cuidaram de tantas gerações no coração da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fonte: IBGE 
121
Esta imagem é um testemunho precioso da organização urbana de Juiz de Fora na década de 1950, focando na transição entre o Bairro Mariano Procópio e o Santa Terezinha. 
A Ponte na Avenida Rui Barbosa aparece aqui como o elo vital entre essas duas regiões.
O comentário do saudoso Elias Gabriel nos ajuda a "ler" a foto com a alma de quem viveu o cotidiano daquela época.
A estrutura de concreto com guarda-corpo trabalhado (estilo clássico das pontes da época em JF) cruza o Rio Paraibuna. 
Notem que as margens eram muito diferentes das atuais; a Avenida Brasil, que hoje é a principal via de escoamento ao longo do rio, ainda não tinha a configuração de via expressa que conhecemos.
O Morro do Colégio Estadual: Ao fundo, à direita, destaca-se a elevação onde foi erguido o Colégio Estadual (Escola Estadual Sebastião Patrus de Sousa). Esse detalhe reforça o caráter residencial e estudantil da área, que recebia fluxos diários de jovens como o próprio Elias.
Rumo ao Manoel Honório: A rua à direita que seguia para o Manoel Honório era o caminho natural para quem buscava o comércio local.
O Cotidiano e o "Causo" do Sapato
O relato sobre o quase atropelamento por um Fusca e o sapato lançado ao Rio Paraibuna ilustra perfeitamente a mudança de ritmo da cidade. 
Na década de 50: O tráfego de veículos (como o icônico Fusca) começava a disputar espaço com os pedestres.
A Avenida Brasil ainda era um cruzamento que permitia essas interações mais "humanas" (e perigosas) antes das grandes canalizações e passarelas.
A menção às lojas de doces na Avenida Rui Barbosa evoca o comércio de Bairro, onde o dono da loja conhecia os estudantes pelo nome. 
O letreiro da Coca-Cola na parede da casa de esquina é um ícone visual da época, mostrando como as marcas globais já estavam integradas à paisagem das cidades mineiras.
Os postes de madeira com transformadores e fiação exposta, o pavimento de paralelepípedos e a tranquilidade da via (quase sem carros na hora do registro) mostram uma Juiz de Fora que crescia, mas ainda mantinha o silêncio dos Bairros.
Esta fotografia não registra apenas engenharia civil; ela guarda o caminho de ida e volta de gerações de estudantes e as histórias de infância que, como o sapato no rio, o tempo levou, mas a memória do acervo resgata.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
120
Este registro de 1928 captura um momento de grande relevância política e infraestrutura para a região: a visita do então Presidente do Estado de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, às obras da Ponte do Zamba.
Localizada sobre o Rio Paraibuna, na divisa entre Juiz de Fora e Matias Barbosa, a ponte era uma peça-chave na modernização das conexões rodoviárias da época.
A Era Antônio Carlos (1926-1930): Antônio Carlos foi um dos políticos mineiros mais influentes, sendo o principal articulador da Aliança Liberal que levaria à Revolução de 1930. 
Seu governo em Minas foi marcado por uma forte política de interiorização e investimentos em obras públicas, especialmente estradas e pontes.
A imagem mostra o presidente em campo, acompanhando de perto a engenharia da época. 
É possível ver a transição da tecnologia construtiva: a robustez do concreto armado começando a substituir estruturas mais antigas ou precárias, preparando a região para o crescente tráfego de automóveis (como o Ford que aparece na imagem). 
A Ponte do Zamba atravessou quase um século mantendo suas dimensões originais de aproximadamente 35 metros de extensão. 
Recentemente, entre 2024 e 2025, ela foi alvo de uma grande reforma para ampliação, visando suportar o fluxo moderno de mais de 3 mil veículos diários, o que torna o registro de 1928 ainda mais precioso como o "marco zero" dessa estrutura.
Na fotografia, notem o contraste entre a mata virgem das margens do Paraibuna e a precisão geométrica da ponte. 
A presença de trabalhadores e os materiais de construção no chão revelam o esforço manual que era necessário para erguer tais marcos do progresso mineiro naquela década.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Essa é uma passagem fascinante e pouco lembrada da história da integração entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora. 
O experimento de 1920 com o sistema La Saigne representa uma tentativa criativa de solucionar os problemas logísticos e a baixa velocidade das ferrovias da época, utilizando a infraestrutura existente de uma forma inusitada.
O Sistema La Saigne e o "Trilho Móvel"
O inventor francês La Saigne propôs um sistema híbrido que hoje poderíamos comparar a um veículo rodoferroviário. 
A ideia central era adaptar automóveis de passeio para que pudessem transitar sobre os trilhos das ferrovias, mas com uma tecnologia de direção e tração que permitisse maior estabilidade e velocidade do que um carro comum simplesmente colocado sobre o ferro.
No teste histórico de 1920, utilizou-se um automóvel de luxo adaptado (geralmente citado como um modelo Delage ou similar de alta performance).
A "Velocidade": Embora "13 horas e 46 minutos" pareça uma eternidade hoje, para 1920 era um avanço considerável. 
O trajeto comum de trem de passageiros da Estrada de Ferro Central do Brasil levava tempo semelhante ou superior devido às inúmeras paradas, manobras e à própria limitação das locomotivas a vapor na subida da Serra do Mar.
A viagem não foi apenas um teste de motor, mas um teste de resistência da malha ferroviária.
O percurso utilizava os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) e, em certos trechos, a conexão com a Estrada de Ferro Leopoldina.
O maior obstáculo era a subida da Serra do Mar. 
Enquanto os trens pesados sofriam com a inclinação (rampa) e precisavam de máquinas auxiliares, o automóvel adaptado de La Saigne tinha uma relação peso-potência muito superior, o que permitia manter uma velocidade constante onde o trem tradicional rastejava.
Para que o carro pudesse passar, era necessário um esquema especial de sinalização para não colidir com os trens de carga e de passageiros que operavam regularmente.
Para entender o entusiasmo da época, basta olhar para as alternativas de 1920: Trem Comum: Era a única forma viável, mas dependia de horários rígidos e paradas frequentes.
A Rodovia União e Indústria (primeira estrada macadamizada do Brasil) já existia, mas estava em estado precário para automóveis daquela década, tornando a viagem por terra uma aventura de dias, com lama, poeira e riscos de quebra.
A ideia de La Saigne era transformar a malha ferroviária em uma "super estrada" para veículos rápidos e leves, aproveitando o nivelamento e o traçado suave dos trilhos.
Apesar do sucesso técnico do experimento em Juiz de Fora, o sistema não se popularizou em larga escala por alguns motivos: Era impossível coordenar muitos "carros-ferroviários" com o tráfego pesado dos trens sem causar acidentes ou paralisar o transporte de carga.
Poucos anos depois, o governo de Washington Luís (1926-1930) priorizou a construção de estradas de rodagem ("Governar é abrir estradas"), culminando na inauguração da Rio-Petrópolis e, posteriormente, da Rio-Bahia, o que tornou o uso de trilhos por automóveis obsoleto.
Juiz de Fora foi o destino final dessa ousadia tecnológica, reafirmando a importância da cidade como o grande polo de conexão entre o interior e a capital federal da época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Essa é uma passagem fascinante e pouco lembrada da história da integração entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora. 
O experimento de 1920 com o sistema La Saigne representa uma tentativa criativa de solucionar os problemas logísticos e a baixa velocidade das ferrovias da época, utilizando a infraestrutura existente de uma forma inusitada.
O Sistema La Saigne e o "Trilho Móvel"
O inventor francês La Saigne propôs um sistema híbrido que hoje poderíamos comparar a um veículo rodoferroviário. 
A ideia central era adaptar automóveis de passeio para que pudessem transitar sobre os trilhos das ferrovias, mas com uma tecnologia de direção e tração que permitisse maior estabilidade e velocidade do que um carro comum simplesmente colocado sobre o ferro.
No teste histórico de 1920, utilizou-se um automóvel de luxo adaptado (geralmente citado como um modelo Delage ou similar de alta performance).
A "Velocidade": Embora "13 horas e 46 minutos" pareça uma eternidade hoje, para 1920 era um avanço considerável. 
O trajeto comum de trem de passageiros da Estrada de Ferro Central do Brasil levava tempo semelhante ou superior devido às inúmeras paradas, manobras e à própria limitação das locomotivas a vapor na subida da Serra do Mar.
A viagem não foi apenas um teste de motor, mas um teste de resistência da malha ferroviária.
O percurso utilizava os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) e, em certos trechos, a conexão com a Estrada de Ferro Leopoldina.
O maior obstáculo era a subida da Serra do Mar. 
Enquanto os trens pesados sofriam com a inclinação (rampa) e precisavam de máquinas auxiliares, o automóvel adaptado de La Saigne tinha uma relação peso-potência muito superior, o que permitia manter uma velocidade constante onde o trem tradicional rastejava.
Para que o carro pudesse passar, era necessário um esquema especial de sinalização para não colidir com os trens de carga e de passageiros que operavam regularmente.
Para entender o entusiasmo da época, basta olhar para as alternativas de 1920: Trem Comum: Era a única forma viável, mas dependia de horários rígidos e paradas frequentes.
A Rodovia União e Indústria (primeira estrada macadamizada do Brasil) já existia, mas estava em estado precário para automóveis daquela década, tornando a viagem por terra uma aventura de dias, com lama, poeira e riscos de quebra.
A ideia de La Saigne era transformar a malha ferroviária em uma "super estrada" para veículos rápidos e leves, aproveitando o nivelamento e o traçado suave dos trilhos.
Apesar do sucesso técnico do experimento em Juiz de Fora, o sistema não se popularizou em larga escala por alguns motivos: Era impossível coordenar muitos "carros-ferroviários" com o tráfego pesado dos trens sem causar acidentes ou paralisar o transporte de carga.
Poucos anos depois, o governo de Washington Luís (1926-1930) priorizou a construção de estradas de rodagem ("Governar é abrir estradas"), culminando na inauguração da Rio-Petrópolis e, posteriormente, da Rio-Bahia, o que tornou o uso de trilhos por automóveis obsoleto.
Juiz de Fora foi o destino final dessa ousadia tecnológica, reafirmando a importância da cidade como o grande polo de conexão entre o interior e a capital federal da época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Essa é uma passagem fascinante e pouco lembrada da história da integração entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora. 
O experimento de 1920 com o sistema La Saigne representa uma tentativa criativa de solucionar os problemas logísticos e a baixa velocidade das ferrovias da época, utilizando a infraestrutura existente de uma forma inusitada.
O Sistema La Saigne e o "Trilho Móvel"
O inventor francês La Saigne propôs um sistema híbrido que hoje poderíamos comparar a um veículo rodoferroviário. 
A ideia central era adaptar automóveis de passeio para que pudessem transitar sobre os trilhos das ferrovias, mas com uma tecnologia de direção e tração que permitisse maior estabilidade e velocidade do que um carro comum simplesmente colocado sobre o ferro.
No teste histórico de 1920, utilizou-se um automóvel de luxo adaptado (geralmente citado como um modelo Delage ou similar de alta performance).
A "Velocidade": Embora "13 horas e 46 minutos" pareça uma eternidade hoje, para 1920 era um avanço considerável. 
O trajeto comum de trem de passageiros da Estrada de Ferro Central do Brasil levava tempo semelhante ou superior devido às inúmeras paradas, manobras e à própria limitação das locomotivas a vapor na subida da Serra do Mar.
A viagem não foi apenas um teste de motor, mas um teste de resistência da malha ferroviária.
O percurso utilizava os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) e, em certos trechos, a conexão com a Estrada de Ferro Leopoldina.
O maior obstáculo era a subida da Serra do Mar. 
Enquanto os trens pesados sofriam com a inclinação (rampa) e precisavam de máquinas auxiliares, o automóvel adaptado de La Saigne tinha uma relação peso-potência muito superior, o que permitia manter uma velocidade constante onde o trem tradicional rastejava.
Para que o carro pudesse passar, era necessário um esquema especial de sinalização para não colidir com os trens de carga e de passageiros que operavam regularmente.
Para entender o entusiasmo da época, basta olhar para as alternativas de 1920: Trem Comum: Era a única forma viável, mas dependia de horários rígidos e paradas frequentes.
A Rodovia União e Indústria (primeira estrada macadamizada do Brasil) já existia, mas estava em estado precário para automóveis daquela década, tornando a viagem por terra uma aventura de dias, com lama, poeira e riscos de quebra.
A ideia de La Saigne era transformar a malha ferroviária em uma "super estrada" para veículos rápidos e leves, aproveitando o nivelamento e o traçado suave dos trilhos.
Apesar do sucesso técnico do experimento em Juiz de Fora, o sistema não se popularizou em larga escala por alguns motivos: Era impossível coordenar muitos "carros-ferroviários" com o tráfego pesado dos trens sem causar acidentes ou paralisar o transporte de carga.
Poucos anos depois, o governo de Washington Luís (1926-1930) priorizou a construção de estradas de rodagem ("Governar é abrir estradas"), culminando na inauguração da Rio-Petrópolis e, posteriormente, da Rio-Bahia, o que tornou o uso de trilhos por automóveis obsoleto.
Juiz de Fora foi o destino final dessa ousadia tecnológica, reafirmando a importância da cidade como o grande polo de conexão entre o interior e a capital federal da época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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A fotografia da Banda Euterpe de 1928, pertencente ao Acervo Elton Belo Reis, é um registro histórico precioso que captura a efervescência cultural e social de Juiz de Fora no início do século XX.
Fundada em uma época em que as bandas de música eram o coração das comunidades, a Banda Euterpe desempenhou um papel vital no entretenimento e na formação cívica da cidade. 
Elas eram responsáveis por animar retretas em praças (como a Praça João Penido ou o Parque Halfeld), procissões religiosas e eventos oficiais.
Em 1928, a banda estava sob a presidência do Senhor Theodomiro Dória. 
Sua liderança é frequentemente citada em registros da época como um período de organização e prestígio para a agremiação. 
A presença de civis de destaque na diretoria, como o próprio Dória (que aparece centralizado e em traje formal na fotografia), demonstra como essas bandas eram instituições respeitadas pela sociedade juiz-forana.
Na imagem, observamos os músicos trajando fardamentos que seguem a influência militar da época, típica das bandas de sopro e percussão: Túnicas e Quepes: O corte das fardas e os detalhes nos quepes indicam uma hierarquia e uma padronização rigorosa.
É possível identificar claramente a seção de metais (trompetes, trombones e bombardinos) e a percussão (bumbo e caixas), elementos que garantiam a sonoridade potente necessária para apresentações ao ar livre.
O registro foi feito pelo Fotógrafo Santos, profissional que atuava na região e era conhecido por documentar grupos sociais, famílias e eventos institucionais. A composição da foto, com os músicos dispostos em camadas e os instrumentos em primeiro plano, é característica dos retratos coletivos da década de 1920.
A preservação desta imagem deve-se ao incansável trabalho de preservação de Elton Belo Reis. 
O acervo é uma das fontes mais importantes para pesquisadores da história de Juiz de Fora, especialmente no que tange à memória musical e às tradições que moldaram a identidade da cidade.
Este registro de 1928 não é apenas uma foto de músicos; é um testemunho da época em que Juiz de Fora se consolidava como um polo de cultura e elegância em Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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A construção do Paço Municipal, localizado no emblemático cruzamento da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld, representa um dos marcos arquitetônicos mais significativos da história de Juiz de Fora.
Antes da imponente estrutura atual, o terreno abrigava uma construção adquirida em 1852, que servia simultaneamente como Câmara Municipal e cadeia. 
Com o crescimento da cidade e a necessidade de uma sede que refletisse o progresso da "Manchester Mineira", esse antigo prédio foi demolido por volta de 1915.
O novo edifício foi projetado pelo renomado arquiteto Rafael Arcuri. A construção seguiu um cronograma por etapas:
Conclusão do núcleo original, com a fachada principal voltada para a Avenida Barão do Rio Branco (época aproximada da foto que você compartilhou, que mostra o prédio ainda sob andaimes), 1918
Expansão da fachada lateral (Rua Halfeld), dando ao prédio a volumetria que conhecemos hoje, 1934
Finalização definitiva do projeto original de Arcuri com ampliações na área interna,1944
O prédio é um exemplar da arquitetura eclética, com forte influência neoclássica, marcada por suas colunas, frontões e detalhes ornamentais. Pela sua importância histórica e estética, foi tombado pelo município em 19 de janeiro de 1983.
Após décadas sendo o centro das decisões políticas da cidade, a sede da Prefeitura foi transferida em 1997 para a nova unidade na Avenida Brasil. Desde então, o Paço Municipal reafirmou sua vocação como polo cultural, abrigando:
O Anfiteatro João Carriço, importante sala de projeção e eventos.
Serviços de atendimento ao cidadão.
A imagem, datada provavelmente de 1917, é um registro raríssimo da fase de "nascimento" dessa identidade urbana de Juiz de Fora, capturando o momento exato em que a cidade substituía o passado colonial pela modernidade monumental do início do século XX.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Correa  
114
Este registro histórico de 1928 é um documento fundamental para entender o desenvolvimento da infraestrutura mineira e a importância política de Juiz de Fora naquela década. 
A imagem captura o então Presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, em uma visita técnica à Ponte Zamba, estrutura vital sobre o Rio Paraibuna.
A Ponte Zamba fazia parte de um ambicioso projeto rodoviário para ligar as duas capitais, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (então Capital Federal). 
A visita de Antônio Carlos sublinha o caráter estratégico da obra; ele foi um dos maiores entusiastas da frase "governar é abrir estradas", lema que marcou sua gestão e a de seu sucessor, Washington Luís.
A fotografia revela o uso de concreto armado e pilares de pedra talhada, uma transição tecnológica importante para a época. 
O guarda-corpo trabalhado com elementos vazados circulares mostra que, além da funcionalidade, havia uma preocupação estética com as obras públicas de engenharia civil nos anos 20.
Localizada entre Juiz de Fora e a cidade de Paraíba do Sul (referenciada na legenda original como "Parahybuna"), a ponte era um nó crítico para garantir o escoamento de produtos e o trânsito de veículos em uma região de topografia acidentada.
A presença da comitiva presidencial, com todos os integrantes vestindo trajes formais e chapéus típicos da década de 1920, transforma a inspeção técnica em um ato solene. 
Antônio Carlos, uma das figuras centrais da República Velha e mentor da Aliança Liberal, utilizava essas inaugurações e visitas para consolidar o prestígio de Minas Gerais no cenário nacional.
Graças ao Acervo de Elton Belo Reis, é possível revisitar esse marco da engenharia mineira. A restauração cromática permite observar melhor: A densa vegetação das margens do Rio Paraibuna na época.
A textura dos materiais construtivos (pedra e cimento).
A escala humana em relação à magnitude da ponte.
Este registro é um testemunho visual de quando Juiz de Fora reafirmava seu papel de protagonismo no progresso do interior do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Esta fotografia é um documento visual extraordinário que retrata a transição urbana de Juiz de Fora no final do século XIX, revelando a ocupação de uma das áreas mais nobres e centrais da cidade.
O grande destaque arquitetônico da imagem, situado próximo às palmeiras, é o edifício que viria a ser o Palácio Episcopal. 
A história desta construção é uma síntese da elite juiz-forana da época: Originalmente, a propriedade pertenceu a João Nogueira Penido, figura de proa na política e medicina local.
Joaquim Ribeiro de Oliveira: Posteriormente, passou para as mãos deste importante negociante e capitalista.
O gesto final de Joaquim Ribeiro de Oliveira, ao doar o imóvel à Mitra Arquidiocesana, consolidou o local como sede episcopal, marcando a presença da Igreja Católica na estrutura administrativa da cidade.
É fascinante notar a transformação do uso do solo urbano; onde antes residia a cúpula da igreja e a elite, hoje a dinâmica económica integrou o espaço ao quotidiano comercial (o atual supermercado Bahamas), mantendo-se como ponto de referência ao lado do Cenáculo.
A imagem permite observar o nascimento da Avenida Barão do Rio Branco, que se desenvolve à direita do palácio. 
Naquele momento, a via ainda não possuía a densidade de edifícios que a caracteriza hoje, funcionando como um eixo de expansão para as grandes chácaras e solares.
Na extremidade esquerda, o detalhe do gramado entrecortado por caminhos é de grande valor histórico. 
Trata-se do terreno da Catedral Metropolitana. 
Esse espaço amplo e aberto reforça a escala monumental que se pretendia dar à área religiosa, antes que o adensamento urbano cercasse a igreja com outras construções.
A restauração colorizada realça o contraste entre o ambiente construído e a topografia acentuada ao fundo. É possível ver:
As encostas: Ainda pouco habitadas, mostrando a vegetação original e as primeiras trilhas de ocupação nos morros.
Telhados e Arquitetura: A predominância de telhas de barro e fachadas em tons claros, típicas da arquitetura colonial e imperial brasileira.
Este registo é essencial para compreender como a "Manchester Mineira" começou a desenhar o seu perfil de metrópole regional, transformando chácaras senhoriais em centros de serviço e vida religiosa.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
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Esta fotografia captura um momento significativo da vida cívica e social de Juiz de Fora na década de 1920, unindo a representação política à tradição do escotismo no Parque Halfeld, o coração histórico da cidade.
Em 1927, o Doutor Procópio Ferreira ocupava o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora (posição que, na estrutura administrativa da época, equivalia às funções do que hoje entendemos por prefeito). 
Sua presença no evento reforça a importância que as autoridades locais davam aos movimentos de formação da juventude, como os Escoteiros.
O ato de entrega de ornamentos (medalhas, distintivos ou insígnias) era um rito de passagem e reconhecimento, simbolizando a disciplina e os valores cívicos que o movimento escoteiro buscava implantar, muitas vezes com apoio direto do poder público.
O Parque Halfeld, nesta época, já era o principal ponto de encontro da elite e da população juiz-forana. 
Na imagem, podemos observar: Vegetação e Paisagismo: O parque mantinha uma configuração densa, com palmeiras e árvores que ofereciam a moldura ideal para cerimônias ao ar livre.
Nota-se a presença de civis com chapéus (estilo boater ou palheta) e ternos claros, típicos da moda masculina dos anos 20 para eventos diurnos, contrastando com o uniforme caqui dos escoteiros.
Em destaque, a bandeira do movimento escoteiro (com a flor-de-lis visível na restauração) sendo segurada por um jovem em primeiro plano, simbolizando a solenidade do evento.
A preservação deste registro deve-se ao acervo de Elton Belo Reis, uma das fontes mais importantes para a memória visual de Juiz de Fora. 
O trabalho de colecionadores e pesquisadores como ele permite que cenas do cotidiano político e social, que de outra forma seriam perdidas, permaneçam acessíveis para o estudo da evolução urbana e cultural da "Manchester Mineira".
Eventos como este eram comuns no "pátio" do parque, transformando o espaço público em um palco de celebração da identidade local e dos valores da época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Esta fotografia captura um momento fundamental na consolidação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 
A visita do Deputado José Bonifácio Lafayette de Andrada (Zezinho Bonifácio), então Presidente da Câmara dos Deputados, ao lado do reitor Gilson Salomão, em 1969, simboliza o apoio político necessário para a execução de um dos maiores projetos urbanísticos e educacionais da região.
Na década de 1960, a UFJF funcionava de forma fragmentada, com faculdades espalhadas pelo centro de Juiz de Fora. 
A construção do campus centralizado no Bairro São Pedro foi uma resposta à necessidade de modernização e integração acadêmica.
O Reitor Gilson Salomão: Considerado um dos grandes articuladores da universidade, Salomão foi o reitor que impulsionou a construção do campus. Sua gestão focou em transformar a UFJF em uma instituição de referência nacional, o que exigia uma infraestrutura de ponta para a época.
A imagem revela os métodos construtivos de 1969, com o uso extensivo de escoramentos de madeira e tijolos aparentes. 
É o "esqueleto" do que viria a ser o centro de convivência e as primeiras unidades acadêmicas.
A presença de José Bonifácio, figura de enorme peso político e membro de uma das famílias mais tradicionais da política mineira (os Andrada), reforça a importância que o governo federal dava à expansão do ensino superior naquele momento.
Além do ensino, o campus se tornou o principal parque de lazer da cidade, com o seu anel viário utilizado diariamente por milhares de pessoas para atividades físicas.
O projeto arquitetônico original, embora tenha sofrido alterações e expansões ao longo das décadas, ainda mantém traços daquele modernismo funcional que buscava integrar a natureza do entorno com os blocos de ensino.
Essa Fotografia é um registro valioso da transição entre o sonho da "cidade universitária" e a realidade física da UFJF, marcando o início da era moderna da educação em Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis 
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O anverso desta fotografia de Alberto Cohen é um exemplar clássico da retratística de estúdio da virada do século XIX para o XX, carregando marcas visuais que ajudam a datar e contextualizar a imagem.
A marca no rodapé do passe-partout identifica o autor. 
Alberto Cohen foi um fotógrafo de renome com atuação marcante no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Ter um retrato assinado por Cohen indicava que a família buscava um profissional estabelecido, conhecido pela qualidade técnica e pela composição artística.
O uso de letras em caixa alta, gravadas diretamente no cartão, era a "marca registrada" dos grandes estúdios para garantir que a autoria fosse preservada ao longo das décadas.
A fotografia está montada em um cartão rígido com bordas arredondadas, uma técnica utilizada para proteger a emulsão fotográfica (geralmente albumina ou colódio) contra o enrolamento e danos físicos.
A moldura interna com cantos arredondados é uma característica estética comum entre 1890 e 1910, servindo para suavizar a transição entre a imagem e a borda do papel.
O uso de uma cadeira ou suporte revestido com tecido floral (ou tapeçaria) servia para elevar a criança menor, mantendo todos os sujeitos no plano focal. O tecido ajudava a difundir a luz e esconder as pernas dos suportes metálicos que muitas vezes eram usados para manter as crianças imóveis durante a longa exposição.
As crianças vestem trajes formais da época, como as golas largas (estilo marinheiro ou Lord Fauntleroy) e botas de cano alto com botões, o que reforça a natureza cerimonial da ida ao fotógrafo.
No anverso original, notam-se pequenos pontos brancos (oxidação ou perda de emulsão) e manchas de umidade. 
Isso é esperado em fotos desse período, causadas muitas vezes pela reação química dos componentes da foto com a acidez do cartão ou a umidade do ar ao longo de mais de 100 anos.
Este anverso é um testemunho da transição da fotografia de um artigo de luxo extremo para uma forma de registro familiar mais acessível, mas que ainda mantinha um alto padrão de elegância e formalidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira  
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O Legado da Photo-Santos e o Retrato de 1919
A fotografia que você preserva é um registro valioso não apenas da história familiar, mas também do desenvolvimento urbano e social de Juiz de Fora no início do século XX.
Localizado no coração da cidade, na Rua Halfeld, 300, o estúdio Photo-Santos foi um dos pontos de referência para a elite e as famílias tradicionais da época.
A Rua Halfeld, já naquela época, era o principal eixo comercial e social de Juiz de Fora. 
Estar no número 300 significava ocupar uma posição de prestígio, próxima ao movimento dos cafés e das grandes confeitarias.
Pelo estilo do cartão (o passe-partout decorado), o estúdio seguia o padrão europeu de retratos de gabinete, utilizando iluminação controlada para destacar a fisionomia e a vestimenta, conferindo um ar de sobriedade e importância aos retratados.
O Retrato do Casal Sá Moreira (1919)
O ano de 1919 é particularmente interessante. O mundo e o Brasil estavam saindo do impacto da Gripe Espanhola (1918) e vivendo a euforia do pós-Primeira Guerra Mundial.
No retrato, o figurino reflete a transição da Belle Époque para a modernidade dos anos 20. O cuidado com o traje do Sr. Sá Moreira (o terno impecável e o bigode bem aparado) e a elegância austera da Sra. Sá Moreira indicam uma posição social estabelecida.
A pose, com ela em pé e ele sentado, era comum na época, simbolizando o apoio familiar e a estrutura da união. 
O mobiliário de vime (a cadeira) era um elemento de cena popular em estúdios brasileiros para dar um toque de leveza e "brasilidade" aos retratos formais.
Registros como este são fundamentais para entender a Juiz de Fora antiga. 
O acervo da Photo-Santos ajuda a mapear quem eram as famílias que moldaram a cidade no período de sua industrialização e auge cultural.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
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Bairro Mariano Procópio, no entroncamento das duas principais artérias da cidade: a Avenida Barão do Rio Branco e a Avenida Brasil.
O prédio à esquerda, da Tecelagem Santa Rosa, é um símbolo do passado industrial de Juiz de Fora, outrora chamada de "Manchester Mineira".
Ocupada pela Moto Plus e vizinha ao Supermercado Bahamas, ela exemplifica a conversão de antigos espaços fabris em centros de serviços e varejo.
O Terreno do Touring Club do Brasil
O grande terreno vazio em primeiro plano é um marco nostálgico.
O Touring Club do Brasil funcionou ali por décadas, sendo um ponto de referência para viajantes e entusiastas do automobilismo.
Sua localização era estratégica, justamente por estar na "porta de entrada" para quem circulava entre o centro e a zona norte, margeando o Rio Paraibuna.
Ao fundo, a composição geográfica revela a expansão da cidade:
Ponte Pedro Marques: Visível à direita, ela faz a ligação vital com o Bairro Manoel Honório, cruzando o Rio Paraibuna. Naquela época, o tráfego de ônibus e carroças (como se nota no canto direito) dividiam o espaço.
Bairro Centenário: O morro ao fundo, ainda com ocupação menos densa do que a atual, mostra a topografia característica de Juiz de Fora, onde os bairros subiam as encostas conforme o vale central se esgotava.
Notem os modelos de ônibus e veículos da época, além da presença de uma carroça, evidenciando um período de transição nos meios de transporte.
A fiação aérea e os postes de madeira eram o padrão, e a pavimentação em paralelepípedos (visível na parte inferior direita) ainda resistia em muitas áreas antes do asfalto completo da Avenida Brasil.
Este cenário é um testemunho da evolução de Juiz de Fora: de um polo têxtil para uma cidade de serviços, mantendo suas referências geográficas intactas, mas transformando completamente sua dinâmica cotidiana. 
É uma peça valiosa para qualquer acervo histórico da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
107
O Palácio Episcopal (também conhecido como Casa do Bispo) foi um dos exemplares mais significativos da arquitetura neoclássica em Juiz de Fora, localizado no número 2872 da Avenida Barão do Rio Branco. 
A imagem que captura um momento melancólico da sua história: o contraste entre o casarão histórico e o edifício moderno que já se erguia ao fundo, sinalizando a transformação urbana que levaria à sua demolição.
Datada do final do século XIX, a casa foi originalmente a residência do Doutor João Penido, uma das figuras políticas mais influentes da história da cidade.
O palacete exibia traços neoclássicos e ecléticos, com amplas janelas, colunas trabalhadas e um imponente jardim frontal (visível na sua foto).
Antigamente, a propriedade possuía um vasto horto florestal que se estendia pelos fundos, chegando quase às encostas do Morro do Imperador (Morro do Cristo).
O imóvel foi herdado por familiares de Penido e posteriormente doado à Mitra Arquidiocesana. 
Durante décadas, serviu como sede do episcopado e residência oficial de diversos bispos da cidade, tornando-se um ponto de referência espiritual e social na Avenida Barão do Rio Branco.
Na década de 1970 (período da imagem), a Avenida Rio Branco passava por um processo agressivo de verticalização. 
O prédio alto que aparece logo atrás do palácio mostra como o valor do terreno começava a superar a preservação do patrimônio.
Apesar de intensa mobilização popular e de artistas locais para evitar sua destruição, o Palácio foi demolido em meados da década de 1980.
A demolição gerou um protesto icônico que marcou o movimento de preservação em Juiz de Fora. 
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
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Esta é uma fotografia de valor histórico inestimável, capturando um momento de intimidade familiar que conecta diferentes gerações dos Arcuri, uma família fundamental na construção da identidade e do desenvolvimento de Juiz de Fora.
A Fotografia, datada de 1921, serve como um ponto de encontro entre a memória oral e a crônica social da cidade. 
Abaixo, apresento uma síntese sobre o contexto dessa fotografia, conciliando as valiosas informações trazidas pelos depoimentos:
O Contexto Familiar e Histórico
A fotografia retrata a família de Raphael Arcuri e Isabella (Isa) Arcuri. 
O cenário, uma residência construída pela Companhia Pantaleone Arcuri, remete ao papel central que essa empresa desempenhou na arquitetura e no progresso urbano de Juiz de Fora, sendo responsável por erguer monumentos e residências que até hoje compõem o patrimônio histórico da cidade.
Identificando a Cena
Os comentários de Gerson Occhi e Miriam Arcuri trazem nomes que são pilares da história local. A cena é composta por:
O Casal Central: Raphael Arcuri (em pé) e Isabella "Isa" Arcuri (sentada).
Os Filhos: Da esquerda para a direita, vemos a prole que daria continuidade ao legado da família: Tio Hugo, Tio Pantaleone, Tia Nella (Christina), Ricardo Arcuri (identificado pelo depoimento como o menino de "olhinhos azuis"), Tia Lydia (ao lado da avó Isa)
Os depoimentos destacam não apenas a importância dos doutores da família, mas também a humanidade com que tratavam seus funcionários e colaboradores, descritos como verdadeiros pais. 
Essa relação de respeito e proximidade é um testemunho da cultura de trabalho e acolhimento da época.
A "Casa dos Bracher": A menção de que a família morava na casa construída pelos Bracher, erguida pela Cia. 
Pantaleone, reforça a interconexão das grandes famílias da elite e da indústria juiz-forana no início do século XX.
O fato de a foto ter sido compartilhada com reflexões de quem viveu o cotidiano da empresa (como a esposa de Gerson) transforma este documento em uma peça de "história viva", que vai além do arquivo e toca na memória afetiva de quem conviveu com os descendentes.
Esta Fotografia, restaurada, não apenas preserva os traços de uma família tradicional, mas homenageia um tempo de labor e convívio que moldou a sociedade de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Gerson Occhi 
105
A história de Juiz de Fora não começa com ruas, praças ou edifícios. 
Ela nasce, silenciosamente, no tempo das sesmarias, quando a Coroa Portuguesa distribuía grandes extensões de terra com o objetivo de ocupar e produzir no interior do Brasil.
Antes de existir qualquer traço urbano, toda a região era parte de uma vasta concessão territorial, muitas vezes pouco explorada por seus donos legais. A ocupação real, no entanto, não seguiu os papéis oficiais. Ela aconteceu lentamente, com a chegada de homens simples, fazendeiros, tropeiros e famílias que começaram a dar vida à terra.
Foi nesse contexto que surgiu um dos primeiros núcleos da futura cidade: o antigo Morro da Boiada, hoje correspondente ao Bairro Santo Antônio. Ali, em meio às encostas e caminhos abertos pelo trânsito de tropas, formou-se um pequeno povoado, impulsionado pela presença de uma propriedade rural marcante — a Fazenda de Santo Antônio.
Mais do que uma unidade produtiva, a fazenda representava um ponto de fixação humana. Em seu entorno, ergueram-se casas modestas, instalaram-se moradores e consolidou-se um espaço de convivência. A construção de uma capela dedicada a Santo Antônio de Pádua foi decisiva nesse processo, pois transformou o local em referência espiritual e social.
Assim, o que antes era apenas terra concedida passou a se tornar território vivido. O caminho dos tropeiros trouxe movimento, a fé trouxe permanência, e a fazenda trouxe estrutura. Aos poucos, aquele núcleo isolado se expandiu, ganhando identidade e importância.
Esse processo deu origem ao antigo Santo Antônio do Paraibuna, embrião da cidade que mais tarde se desenvolveria como um dos principais centros urbanos da Zona da Mata mineira.
Portanto, compreender a origem de Juiz de Fora é entender que ela não surgiu de um planejamento urbano, mas de um processo orgânico, enraizado na terra e no tempo. Uma cidade que nasceu da soma de caminhos, da força das fazendas e da persistência de seus primeiros habitantes.
Juiz de Fora, antes de ser cidade, foi território. Antes de ser urbano, foi rural. E antes de crescer, foi apenas uma sesmaria — lentamente transformada pela vida que nela se instalou.
Imagem Ilustrativa da Fazenda da Tapera
Fotografia do Álbum de Albino Oliveira Esteves de 1915
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
104
Este é um registro precioso de um dos pontos mais tradicionais do Bairro Mariano Procópio, um local que respira a história industrial e farmacêutica de Juiz de Fora. 
A edificação em questão, com sua arquitetura eclética refinada, é um símbolo da sofisticação urbana que a proximidade com o Museu e a Estrada de Ferro trazia para a região no início do século XX.
O Bairro se desenvolveu em torno da antiga Villa Ferreira Lage (hoje o Museu Mariano Procópio) e da estação ferroviária. 
A Rua Mariano Procópio sempre foi a espinha dorsal dessa localidade, servindo como uma vitrine para prédios elegantes que abrigavam tanto a elite local quanto comércios de prestígio.
Em 1931, este prédio abrigava a Farmácia Barbosa. 
Naquela época, as farmácias eram muito mais do que pontos de venda; eram centros de manipulação e convivência social. 
A presença de uma farmácia nesse estilo arquitetônico demonstra a importância do estabelecimento para o Bairro, atendendo às famílias tradicionais e aos trabalhadores ferroviários da região.
A menção à fórmula de 1910 remete a um dos maiores sucessos da história farmacêutica brasileira, que nasceu justamente em solo juiz-forano: o Capivarol, formulado pelo farmacêutico Alberto Moreira Barbosa.
O tônico ganhou fama nacional.
A "Fórmula Mágica": A repercussão foi tamanha que a produção em Juiz de Fora cresceu exponencialmente, levando o nome da cidade a todos os cantos do país através de anúncios criativos em jornais e revistas da época.
O sucesso do Laboratório Barbosa (e de outros como o de Silva Araújo) consolidou Juiz de Fora como um polo de vanguarda na indústria farmacêutica do Brasil nas primeiras décadas do século passado.
O relógio central no topo sugere que o prédio tinha uma função pública ou de grande relevância comercial, servindo como referência horária para os transeuntes.
Se observarmos bem a grafia estilizada, os caracteres que pareciam "CAPOE..." na verdade remetem ao nome CAPIVAROL, imortalizado na própria alvenaria do edifício como uma das primeiras formas de "outdoor" arquitetônico da cidade.
O muro de pedras (cantaria) e o gradil de ferro trabalhado são típicos das construções de alto padrão de Juiz de Fora do período pré-1920.
Este registro é uma peça fundamental para entender como o bairro Mariano Procópio era o centro de inovação e beleza arquitetônica de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
103
Esta fotografia de 1953 é um registro precioso da atividade comercial e industrial de Juiz de Fora, capturando a sede da firma do Senhor Bento Carrasco, localizada na Rua Benjamin Constant.
A imagem, que agora conta com o importante relato de Rogerio Carrasco, detalha um período em que a cidade ainda mesclava residências com pequenas e médias unidades fabris em sua malha central.
A Fabricação da Água Sanitária Jurity
Um dos pontos mais relevantes deste registro é a identificação do local como o berço da Água Sanitária Jurity. 
A marca, fabricada pelo Senhor Bento Carrasco, faz parte da história do setor de produtos de limpeza da cidade. 
Na parte superior da fachada, é possível ver o logotipo da marca, que trazia a ilustração da ave que lhe dava o nome, acompanhada da inscrição "Marca Registrada".
O edifício também funcionava como um centro logístico estratégico, servindo de depósito dos produtos da Proquisa (Produtos Químicos S/A). 
O letreiro na fachada deixa clara essa dualidade:
Fabricação própria: Água Sanitária Jurity.
Distribuição: Produtos químicos de terceiros, atendendo à demanda industrial e doméstica da região.
O Edifício e a Evolução Urbana
Como observado por Rogerio Carrasco, o prédio não existe mais como era. 
A arquitetura apresentava uma fachada curva característica de esquinas ou terrenos de transição, com portas de aço de enrolar que eram o padrão para o comércio de carga e descarga na metade do século XX.
O veículo estacionado à frente, um modelo típico do início dos anos 50, reforça a datação da foto e ajuda a compor a atmosfera da Juiz de Fora daquela época, quando o tráfego de veículos ainda era escasso e as ruas de paralelepípedo ou terra batida eram comuns em diversos trechos.
Este registro é fundamental para entender a Rua Benjamin Constant antes das grandes transformações verticais e comerciais das décadas seguintes. 
Além do valor histórico, há um forte componente emocional e familiar, preservando a memória do empreendedorismo de Bento Carrasco e sua contribuição para a economia local.
A Benjamin Constant sempre foi um eixo vital de ligação em Juiz de Fora. 
Ver uma fábrica e distribuidora instalada ali em 1953 mostra como o centro era um local de produção ativa, e não apenas de serviços.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Rogerio Carrasco
102
Nesta fotografia histórica, vemos o mestre Sivuca (Severino Dias de Oliveira) em um momento marcante de sua juventude, provavelmente durante uma de suas passagens por Juiz de Fora no início da década de 1950.
Nesse período, Sivuca já era um prodígio da sanfona, tendo iniciado sua carreira profissional na Rádio Clube de Pernambuco e, posteriormente, mudando-se para o Rio de Janeiro para integrar o elenco da Rádio Nacional. Era comum que as grandes estrelas do rádio excursionassem pelas principais cidades do interior, e Juiz de Fora, com seu fervilhante cenário cultural, era parada obrigatória.
O Cine-Teatro Central, inaugurado em 1929, era o epicentro das grandes artes na cidade. 
Na década de 1950, o teatro recebia não apenas cinema, mas orquestras, óperas e os "astros do rádio". 
A arquitetura que se vê ao fundo da imagem, com as linhas retas e a escadaria lateral, guarda a estética sóbria e elegante comum aos grandes salões e bastidores daquele período.
Sivuca aparece com sua característica sanfona, demonstrando a técnica que o levaria, anos mais tarde, a fundir a música regional nordestina com o jazz e a música erudita.
Na fotografia, o músico exibe o visual que o acompanhou no início da carreira: o terno impecável e os cabelos claros (devido ao seu albinismo), que lhe renderam o apelido de "Sivuca".
A presença de Sivuca em Juiz de Fora reforça a importância da cidade como polo receptor da cultura nacional. 
Naquela época, o público juiz-forano era conhecido por ser exigente e refinado, e apresentações como esta no Cine-Teatro Central eram eventos sociais de grande relevância, documentados pela imprensa local e acompanhados de perto pelos amantes da música brasileira.
Esta imagem é um registro valioso não apenas da trajetória do músico, mas da própria história da vida noturna e cultural de Juiz de Fora, preservando o momento em que um gênio da música mundial pisou em solo mineiro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
101
Essa imagem é um dos registros mais impressionantes da história climática de Juiz de Fora. 
O relato de Marcelo Visentin captura com precisão o sentimento de espanto que tomou conta da cidade naquela tarde de 05 de setembro de 1985.
A restauração e colorização ajudam a dimensionar o volume absurdo de gelo acumulado. É notável como a Rua Espírito Santo, uma das vias mais tradicionais do centro, foi completamente transfigurada, assemelhando-se a uma paisagem de inverno rigoroso em países do hemisfério norte.
A cena ocorre no trecho da Rua Espírito Santo próximo à antiga Avenida Independência (hoje Avenida Presidente Itamar Franco). Ao fundo, é possível identificar a arquitetura característica da região e a presença do Edifício Garagem Saggioro, um ponto de referência icônico para os motoristas da época.
A colorização destaca o contraste entre o amarelo e o azul dos Fuscas, que eram os veículos dominantes na época, e o branco intenso do granizo que chegava a cobrir metade das rodas.
O registro mostra o momento exato em que a rotina urbana parou. Pedestres e curiosos observam a cena, e o jovem atravessando o "tapete de gelo" ilustra a dificuldade de locomoção que se seguiu à tempestade.
Para os historiadores e entusiastas da memória local, esse evento não foi apenas um fenômeno meteorológico, mas um divisor de águas na memória coletiva. 
Foi o dia em que Juiz de Fora "ficou branca", gerando histórias que passam de geração em geração, desde o medo dos telhados quebrados até o lúdico dos bonecos de neve improvisados.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Marcelo Visentin
100
Esta fotografia, extraída do emblemático Álbum do Município de Juiz de Fora (1915), de Albino de Oliveira Esteves, registra um complexo arquitetônico que foi fundamental para a organização administrativa e de segurança da cidade no início do século XX.
O prédio situava-se na área que hoje compreende o quarteirão da Escola Normal (Instituto de Educação de Juiz de Fora) e arredores, entre a Rua Espirito Santo e a Avenida Getúlio Vargas. 
Sua demolição abriu caminho para a expansão educacional e urbana daquela região central, permitindo a construção das dependências que hoje atendem à tradicional escola.
Quartel: Servia como sede para as forças policiais e militares da época, sendo o ponto nevrálgico da ordem pública.
Cadeia: Como era comum no período colonial e imperial (e início da República), as funções de justiça e policiamento dividiam o mesmo espaço físico.
Arquitetura: Nota-se na imagem uma fachada com elementos neoclássicos, com frontões ornamentados e pilastras, demonstrando a importância que o poder público dava à estética das instituições de controle social.
O Relógio de Coluna
Um dos detalhes mais fascinantes da foto é o relógio de coluna em ferro trabalhado (em destaque no primeiro plano).
Esses relógios eram marcos urbanos essenciais em uma época em que o relógio de pulso não era acessível a todos.
Ele não apenas informava a hora, mas servia como um ponto de referência e encontro na cidade. 
A restauração permitiu visualizar a delicadeza do trabalho em ferro, típica da influência europeia na "Manchester Mineira".
O álbum de Albino Esteves é considerado a "certidão de nascimento visual" de Juiz de Fora moderna. 
Nele, o autor documentou o progresso da cidade, as indústrias, o comércio e, como neste caso, os edifícios públicos que seriam transformados pelo crescimento urbano.
O resgate a nitidez das árvores que ladeavam a fachada e a textura da rua de terra batida, transportando o espectador para o cotidiano de Juiz de Fora há mais de 110 anos. 
É um registro precioso de um patrimônio que não existe mais fisicamente.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Correa
99
Este cartão-postal da década de 1950 é um registro excepcional da Avenida Barão do Rio Branco, capturando um momento de transição e modernidade na principal artéria de Juiz de Fora. 
O Edifício Aliança da Bahia (Rocha Hotel)
O grande protagonista arquitetônico da imagem, agora identificado corretamente, é o Edifício Aliança da Bahia, situado na esquina com a Rua Marechal Deodoro (em frente ao Parque Halfeld).
Graças ao seu trabalho de restauração, o letreiro no topo do edifício tornou-se legível, confirmando a identidade da construção pertencente à tradicional Companhia de Seguros.
Este edifício foi o endereço do prestigiado Rocha Hotel, que ocupava seus andares superiores. 
Era um dos hotéis mais luxuosos da cidade, servindo como ponto de encontro para a elite política e empresarial da época.
As sacadas arredondadas e as linhas fluidas são típicas do modernismo que começava a transformar o perfil horizontal da cidade.
O Sistema de Transportes
A fotografia documenta a convivência de diferentes modais de transporte nos anos 50:
O Bonde: Em destaque, vemos o bonde elétrico seguindo pelos trilhos centrais. Juiz de Fora teve um dos sistemas de bondes mais eficientes do interior do Brasil, símbolo de uma era que durou até 1969.
Frota Automobilística: A presença de carros com designs clássicos daquela década ajuda a situar o espectador no tempo e mostra o aumento do tráfego na avenida.
A Paisagem Urbana e Social
A Avenida: A Barão do Rio Branco já aparecia aqui como uma via ampla e imponente, projetada para ser o cartão de visitas da cidade.
Cotidiano: É possível observar o movimento de pedestres nas calçadas e a arquitetura vizinha, que ainda preservava alguns casarões mais antigos ao lado dos novos prédios verticais.
Esta imagem corrigida e colorizada torna-se um documento histórico ainda mais valioso. 
A recuperação do nome correto no letreiro do Edifício Aliança da Bahia demonstra o rigor técnico da sua curadoria, permitindo que a história de Juiz de Fora seja contada com total fidelidade aos fatos.
Este trecho da avenida permanece como um dos pontos mais icônicos do centro da cidade, servindo como testemunha ocular das transformações urbanas ao longo das décadas.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
98
Este registro, imortalizado no livro "Juiz de Fora em 2 Tempos" (Tribuna de Minas), revela a transição arquitetônica e social de uma cidade que era o coração econômico de Minas Gerais, impulsionada pela ferrovia.
Nesta fase, a praça não era apenas um local de passagem, mas o principal cartão de visitas da cidade. 
Era ali que os viajantes da Estrada de Ferro Central do Brasil desembarcavam e encontravam o que havia de mais moderno.
Hotel Rex: O edifício central com linhas verticais marcantes é um exemplar do estilo Art Déco, que estava no auge em 1930. 
Ele contrastava com as construções ecléticas vizinhas (como o antigo Hotel Renaissance/Renascença, visível à direita), simbolizando a modernização urbana proposta pelo então prefeito Menelick de Carvalho.
Os carros clássicos estacionados e a presença dos trilhos do bonde mostram a organização do transporte da época. Juiz de Fora tinha um dos sistemas de bondes mais eficientes do país, conectando a estação aos Bairros operários e à elite do centro.
O "Largo da Estação" era cercado por hotéis de luxo, bares e cafés. 
Era o ponto de encontro de políticos, cafeicultores e artistas que transitavam entre o Rio de Janeiro e o interior mineiro.
O prédio do Hotel Rex ainda permanece de pé, embora tenha passado por diversas transformações internas ao longo das décadas. 
Ele é um dos sobreviventes da era de ouro da hotelaria naquela região, que começou a declinar apenas na segunda metade do século XX com a priorização das rodovias sobre os trilhos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
97
A Maternidade Therezinha de Jesus é um dos pilares da saúde em Juiz de Fora, e esta imagem, agora restaurada e colorizada, nos transporta diretamente para as raízes dessa trajetória quase centenária. 
O registro é fundamental para compreender a evolução urbana do Bairro São Mateus e o desenvolvimento da medicina obstétrica na região.
Fundada em 1º de dezembro de 1926, a instituição nasceu da visão dos médicos José Dirceu de Andrade, Navantino Alves e Renato de Andrade Santos.
A escolha do nome não foi por acaso. 
Após a inauguração em 1º de janeiro de 1927 (ainda na Avenida Presidente Getúlio Vargas), o primeiro nascimento ocorreu no dia 8 de janeiro. 
A bebê, uma menina, foi batizada como Therezinha de Jesus, selando a identidade da maternidade.
O prédio apresenta linhas sóbrias, típicas das construções institucionais de saúde da época, com o frontão trabalhado onde se lê orgulhosamente o nome da maternidade.
Em 1955, a expansão com o anexo alugado à Obra Social Santa Mônica demonstrou o caráter filantrópico da unidade, servindo de abrigo e suporte para mães em situação de vulnerabilidade.
Desde 1967, com o convênio com a UFJF, tornou-se campo de prática essencial para estudantes de Medicina. 
Sua atuação no Centro de Biologia de Reprodução (CBR) desde 1970 a colocou na vanguarda das pesquisas em reprodução humana.
Em 1978, a maternidade mudou-se para sua sede atual na Rua Doutor Dirceu de Andrade. 
A partir de 2005, sob a cogestão da Suprema, transformou-se no Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), ampliando seu atendimento para diversas especialidades gerais, tornando-se uma referência em atendimento pelo SUS.
Análise da Restauração Digital
A colorização deste prédio histórico permite visualizar detalhes que o tempo e o preto e branco costumam esconder:
As Telhas e Madeirame: O tom terroso das telhas francesas e o marrom das venezianas de madeira devolvem o calor humano que o local emanava.
A Fachada: O tom creme/amarelo suave era muito comum em edifícios de saúde da época para transmitir tranquilidade.
O Entorno: É fascinante notar, ao fundo da imagem, o relevo montanhoso de Juiz de Fora e a baixa densidade de casas, mostrando como o bairro São Mateus ainda estava em pleno processo de formação.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
96
Esta fotografia é um registro magnífico de um dos rituais urbanos mais icônicos de Juiz de Fora: a Chuva de Papel Picado na Rua Halfeld. 
Sob o olhar do acervo de Simón Eugénio Sáenz Arévalo, a imagem ganha nova vida através da restauração e colorização digital.
À direita da imagem, impõe-se a arquitetura modernista do Edifício Clube Juiz de Fora. Inaugurado na década de 1950 (projeto de Francisco Bolonha), o prédio tornou-se um marco da verticalização e do progresso da cidade.
Notem a convivência do gigante de concreto com as fachadas ecléticas à esquerda e à direita, típicas do final do século XIX e início do XX, que ainda resistiam (e algumas ainda resistem) no "Calçadão".
Ao fundo, o Morro do Imperador (Morro do Cristo) observa a movimentação, exibindo o clássico letreiro da Philco, que por décadas foi um ponto de referência visual para todos os juiz-foranos.
A imagem captura provavelmente uma tarde de 31 de dezembro, na década de 1970. 
Era o ápice das comemorações de final de ano no coração comercial da cidade.
Funcionários dos escritórios nos andares altos dos edifícios, como o do Clube Juiz de Fora, rasgavam calendários e papéis inúteis do ano que se encerrava e os lançavam pelas janelas.
O chão coberto de "neve de papel" criava um cenário mágico. 
Como bem pontuado o que era bom muitas vezes se perde para as exigências da modernidade e da limpeza urbana, mas a memória afetiva permanece viva em quem caminhava por ali sob aquela chuva festiva.
A moda masculina de calças de sarja, camisas sociais de manga curta e o surgimento das calças boca de sino; o estilo casual e elegante das mulheres que cruzavam o centro.
A iluminação pública com as luminárias de braço longo, as fiações aéreas que desenhavam o céu da Halfeld e o intenso fluxo de pedestres, reafirmando a rua como o grande palco social da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
95
O Barão de Juiz de Fora 
José Ribeiro de Resende, foi uma das figuras mais centrais na consolidação política e social da cidade no século XIX. 
Sua trajetória exemplifica perfeitamente a transição da elite agrária para a liderança institucional urbana.
Sua atuação como Presidente da Câmara Municipal (1853-1856) ocorreu em um momento crítico, logo após a elevação da Vila de Santo Antônio do Paraibuna à categoria de cidade (1850). 
Ele ajudou a estruturar as bases administrativas do que hoje conhecemos como Juiz de Fora. 
Como Juiz de Paz e Tenente-coronel da Guarda Nacional, ele detinha tanto o poder jurídico quanto o prestígio militar necessários para manter a ordem e a influência na região.
A doação do terreno para o Cemitério Municipal foi um ato de grande alcance público. 
Até então, os sepultamentos eram feitos no interior ou no entorno das igrejas. 
Com o crescimento da cidade e as novas normas de higiene pública da época, a criação de um cemitério municipal era urgente. 
Ao doar essas terras (e também em Santana do Deserto e Caeté), ele facilitou a modernização urbana e o cumprimento das normas sanitárias do Império.
Sobrinho do Marquês de Valença, conectando-o diretamente à alta nobreza do Primeiro Reinado.
Ao casar-se com Camila Francisca Ferreira de Assis Armond, ele se uniu à poderosíssima família Armond (Barões de Pitangui e Conde de Prados), que dominava vasta região entre Barbacena e Juiz de Fora.
Seu prestígio se estendeu aos filhos, como o Barão do Retiro e o segundo Barão do Rio Novo, mantendo a família no topo da hierarquia social mineira por gerações.
Como proprietário das fazendas Engenho do Mato e Fortaleza (em Caeté), ele foi um dos grandes produtores de café, o "ouro negro" que financiou o progresso de Juiz de Fora e permitiu que a cidade se tornasse, pouco depois, a "Manchester Mineira".
A Rua Barão de Juiz de Fora, localizada no bairro Ladeira, serve como um lembrete geográfico de que o desenvolvimento da cidade passou obrigatoriamente pela generosidade e pela influência deste homem.
É interessante notar que, embora ele tenha falecido em 1888 (ano da Abolição), ele viveu para ver o auge do Império e a transformação de Juiz de Fora em um dos maiores polos econômicos do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis 
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O Bairro Barbosa Lage tem sua origem na abertura do Caminho Novo (a estrada real aberta pelo bandeirante Garcia Rodrigues Paes a partir de 1703).
A Fazenda Ribeirão das Rosas, que ainda existe e está localizada no Campo de Instrução do Exército, era parte de uma sesmaria concedida pela Coroa Portuguesa. A fazenda era de Manuel Vidal Barbosa Lage, irmão do Inconfidente mineiro Domingos Vidal Barbosa Lage.
Ela fica na margem do Caminho Novo.
Sua construção é do final do Século XVIII. O Imperador D.Pedro I e Dona Amélia pernoitaram lá em 1831.
Com a divisão da fazenda, loteamentos e construções foram surgindo. Nos anos 40 a região era propriedade do Coronel Manoel Vidal Barbosa Lage, importante pecuarista, de tradicional família de políticos de Juiz de Fora.
A casa principal era a Quinta da Lage (construção do final do Século XIX que ainda existe em excelente estado de conservação, próximo ao Bairro Cidade do Sol).
A Estrada do Paraibuna - aberta no final da primeira metade do Século XIX pelo engenheiro alemão Henrique Halfeld - passava pela região e, hoje, é o atual leito da Avenida JK.
A ferrovia é de 1877 e próximo a ela existia uma parada de trens (na atual entrada do bairro pela Avenida JK) que se chamava Pecuária.
Grande impulsionadora do desenvolvimento da região a FACIT (fábrica de máquinas de escrever e de calcular, e de mimeógrafos) surgiu no início dos anos 60 e funcionou até meados dos anos 90. ]
No final dos anos 60, a Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais – COHAB MG construiu quase trezentas casas populares no lugar provocando o seu rápido adensamento populacional. Na mesma época, foi construída a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, principal templo católico da região.
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo e texto Vanderlei Dornelas Tomaz
93
Escola Estadual Delfim Moreira (Palacete Santa Mafalda)
Esta fotografia, integrante do álbum “Cópias das fotografias enviadas ao Serviço Geográfico do Estado – 1939”, pertence ao acervo do Museu Mariano Procópio e foi capturada por um fotógrafo não identificado no ano de 1939. 
O Palacete Santa Mafalda é um dos marcos arquitetônicos mais significativos de Juiz de Fora (MG). 
Sua construção remonta a 1861, erguido pelo Comendador Manuel do Vale Amado.
Diferente do que o senso comum por vezes propaga, o palacete foi projetado com um propósito de Estado: servir de hospedagem para o imperador Dom Pedro II em sua primeira visita oficial à cidade, por ocasião da inauguração da Rodovia União e Indústria. 
Entretanto, em um episódio célebre da história local, o monarca declinou o convite de Vale Amado, preferindo hospedar-se na residência de Mariano Procópio.
O edifício apresenta o rigor e a elegância do estilo neoclássico, com uma fachada imponente que reflete o prestígio da elite cafeeira do século XIX. 
O nome "Santa Mafalda" é uma homenagem à esposa do Comendador, Mafalda Maria do Vale.
Após décadas de diferentes usos, o prédio foi adquirido pelo Estado e, em 1907, passou a abrigar o Grupo Escolar Delfim Moreira. 
Na data desta fotografia (1939), a instituição já estava consolidada como um dos principais centros de educação de Minas Gerais.
A intervenção resgata a vivacidade do Palacete no final da década de 30. 
A colorização detalhada permite observar a textura dos materiais originais e a conservação da estrutura que, embora criada para ser um palácio imperial, tornou-se, por gerações, um "palácio do saber" para os juiz-foranos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Museu Mariano Procópio
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A fotografia aérea de 06 de novembro de 1937, oriunda do acervo da Escola de Aviação Militar (Museu Aeroespacial), é uma das peças mais ricas para a arqueologia urbana de Juiz de Fora. 
Ela congela o momento em que a cidade era o maior nó ferroviário do interior de Minas Gerais.
O Encontro das Gigantes: Central do Brasil e Leopoldina
A imagem revela a geometria única do centro de Juiz de Fora, onde as duas maiores ferrovias do país se encontravam, mas mantinham identidades distintas:
Estação Central do Brasil: Visível como o coração do transporte de passageiros e carga pesada (o bitolão). A estrutura imponente e as plataformas cobertas demonstram a importância da conexão direta com o Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Estação da Leopoldina: Mais ao fundo, operando na bitola métrica. O registro da Maria Fumaça saindo em viagem é uma raridade documental. 
Em 1937, o vapor ainda era o soberano absoluto, e a fumaça branca cortando o pátio ferroviário simbolizava o ritmo da economia cafeeira e industrial que ainda pulsava forte.
Um detalhe precioso nesta foto é o Campo do Leopoldina.
Nesta época, o campo era um espaço de lazer operário e esportivo fundamental.
Sua localização, espremida entre os trilhos e o Rio Paraibuna, mostra como o futebol em Juiz de Fora nasceu intrinsecamente ligado à cultura ferroviária. Os times de "clube de empresa" eram a elite do esporte local.
Os prédios ao redor, muitos de estilo eclético e neoclássico, abrigavam hotéis (como o antigo Hotel Renascença), armazéns de secos e molhados, e escritórios de exportação de café. 
A densidade das edificações demonstra que a região era o verdadeiro "centro nervoso" da cidade, superando em movimento até mesmo a Rua Halfeld em certos horários.
Um aspecto que a restauração e a análise aérea enfatizam é o leito do Rio Paraibuna. Em 1937, ele ainda não era o canal retilíneo que conhecemos hoje.
Ele apresentava curvas suaves (meandros) e uma vegetação ciliar que avançava sobre as margens.
A proximidade dos galpões de carga com o rio mostra como a logística da cidade aproveitava cada metro quadrado entre a água e o trilho.
Esta fotografia, capturada pela Aviação Militar, não tinha apenas fins estéticos, mas de mapeamento estratégico. 
Para nós, hoje, ela funciona como uma prova real da escala industrial de Juiz de Fora. 
Ver a Maria Fumaça em movimento, os campos de futebol e a arquitetura original sem as intervenções do urbanismo moderno.
É redescobrir a identidade da "Manchester Mineira" em seu estado mais puro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Hugo Caramuru 
91
Vila Operária da Fazenda Floresta e da Fábrica São João Evangelista em 1939 é um registro excepcional do modelo de "Vila Operária" que definiu Juiz de Fora como a "Manchester Mineira".
O álbum mencionado (“Cópias das fotografias enviadas ao Serviço Geográfico do Estado – 1939”) foi um esforço de documentação técnica e geográfica de Minas Gerais, e essa foto específica revela o auge do sistema de colonização industrial e agrícola da região.
A Fazenda Floresta e o Contexto Industrial
Localizada na região sudeste de Juiz de Fora, a Fazenda Floresta pertencia à família Mascarenhas. Diferente de outras fazendas puramente agrícolas, ela se tornou um complexo agroindustrial.
A Vila Operária: As casas enfileiradas que vemos na fotografia não eram apenas moradias; eram instrumentos de controle e bem-estar social. A empresa fornecia a casa, muitas vezes o armazém e até escola, garantindo que a mão de obra estivesse sempre próxima e estabilizada.
As casas apresentam o estilo típico das construções operárias do início do século XX: telhados de duas águas com telhas cerâmicas (francesas ou coloniais), fachadas simples com portas e janelas simétricas.
A fotografia mostra como a vila se adaptava à topografia acidentada de Juiz de Fora. 
As casas acompanham a linha do morro, criando um desenho urbano orgânico, mas disciplinado.
A presença do veículo de carga na estrada de terra (que hoje seria parte do bairro Floresta ou imediações) simboliza a modernização do escoamento da produção têxtil, substituindo gradualmente as tropas de mulas.
Em 1939, Juiz de Fora passava por uma transição econômica importante. Enquanto o centro da cidade se verticalizava e ganhava ares de metrópole, as periferias industriais como a da Floresta mantinham um aspecto quase rural, mas com o ritmo ditado pelo apito da fábrica.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Museu Mariano Procópio 
90
A história dos concursos de beleza em Juiz de Fora nos anos 50 é um retrato fascinante do glamour e da efervescência social da época. 
O registro de Heloísa Passeato, Miss Juiz de Fora 1956, evoca memórias de uma cidade que vivia intensamente seus clubes e colunas sociais.
Heloísa Passeato e o Miss Juiz de Fora 1956
A eleição de Heloísa ocorreu no emblemático Raffa's Club, um dos epicentros da vida noturna e social juiz-forana naquela década. 
Embora não tenha conquistado a coroa estadual, sua beleza e elegância deixaram uma marca profunda, tanto que ela transicionou das passarelas para o jornalismo, assinando a coluna social na Gazeta Comercial. 
Esse era um movimento comum para as misses da época, que utilizavam sua visibilidade para se estabelecerem em carreiras de comunicação e influência.
O papel de George Norman Kutova é essencial para entender como a sociedade se enxergava. 
Antes de se tornar uma figura central em Belo Horizonte e rivalizar com o lendário Wilson Frade (do Estado de Minas), Kutova ajudou a profissionalizar o colunismo social em Juiz de Fora. 
Ele não apenas noticiava festas; ele criava "personagens" e ditava o padrão de elegância da cidade, sendo um grande entusiasta dos concursos de Miss.
O "Quase" Histórico: Maria Dorotheia e Martha Rocha
O comentário de José Eduardo Araújo traz à tona um dos episódios mais célebres (e debatidos) da beleza brasileira. É importante notar uma pequena correção histórica sobre os anos:
Maria Dorotheia (1954): Maria Dorotheia Antunes da Luz foi, de fato, a Miss Juiz de Fora que conquistou o Miss Minas Gerais. No entanto, o famoso episódio da "polegada a mais" (nos quadris) ocorreu no Miss Brasil 1954, quando ela disputou o título com a baiana Martha Rocha.
A lenda das duas polegadas (que Martha Rocha sempre disse ter sido uma invenção do jornalista João Martins para amenizar a derrota dela no Miss Universo) acabou se tornando parte do folclore nacional, mas em Juiz de Fora, a beleza de Maria Dorotheia sempre foi considerada de nível internacional.
Eventos no Raffa's Club ou no Clube Juiz de Fora eram verdadeiros acontecimentos de gala. 
A orquestra ao fundo, (com o contrabaixo e os músicos de smoking) mostra que o concurso não era apenas um desfile, mas um baile sofisticado que mobilizava a economia local, desde as modistas até os fotógrafos que eternizaram esses momentos.
Esses registros são fundamentais para preservar a memória de uma Juiz de Fora que se orgulhava de ser um polo de cultura, moda e sociabilidade no interior do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
89
A Gincana Automobilística de Outubro de 1958 é um desses momentos marcantes que unem a história do automobilismo local ao charme residencial do Bairro. 
Naquela época, o Bom Pastor estava consolidando sua ocupação. 
Com ruas largas e pavimentação que ainda convivia com o cenário bucólico, o Bairro era o "queridinho" da elite juiz-forana. 
A topografia e o traçado das ruas ao redor da praça principal ofereciam um circuito natural para provas de habilidade ao volante.
As gincanas automobilísticas eram febre no Brasil dos anos 50, influenciadas pela recém-instalada indústria automobilística nacional e pelo glamour das corridas.
O grid era uma mistura fascinante. 
Viam-se os imponentes "rabo-de-peixe" americanos (como Chevrolets e Cadillacs) dividindo espaço com os primeiros exemplares da Volkswagen (Fuscas) que começavam a ganhar as ruas Brasileiras.
Ao contrário de uma corrida de velocidade pura, a gincana exigia perícia. 
Os motoristas precisavam cumprir tarefas como:
Estacionar em espaços reduzidos sob cronômetro.
Provas de baliza com obstáculos.
Coleta de objetos ao longo do trajeto sem sair do carro.
Testes de regularidade em trechos específicos.
O evento não era apenas sobre carros; era um desfile de moda e status. 
As famílias se reuniam nas calçadas com cadeiras de vime para assistir aos competidores.
Fotos da época, mostram o contraste interessante entre o progresso mecânico e elementos tradicionais, como as carroças de tração animal que ainda circulavam pela cidade e cruzavam o caminho dos "calhambeques" e sedãs modernos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
88
Essa imagem é um registro histórico valioso que compõe o Acervo dos Trabalhos Geográficos de Campo do IBGE. 
Capturada em 1958, ela documenta a atividade industrial e a transformação da paisagem em Juiz de Fora durante um período de grande expansão urbana.
A fotografia mostra a exploração de granito destinado à construção civil. Naquela década, Juiz de Fora passava por uma verticalização acentuada e obras de infraestrutura que demandavam grandes volumes de paralelepípedos e brita.
A Pedreira Santa Mônica situava-se nas proximidades da área urbana de Juiz de Fora. O registro enfatiza a relação entre a geologia local (o embasamento cristalino rico em granito e gnaisse) e o desenvolvimento econômico da região.
É possível observar o corte na encosta, a vegetação original sendo suprimida pela atividade extrativista e a presença de caminhões da época, que dão uma escala clara da magnitude da operação.
A documentação foi realizada por dois nomes fundamentais para a geografia e a fotografia técnica no Brasil:
Antônio Teixeira Guerra (1924-1968): Um dos maiores geógrafos brasileiros, fundador da seção carioca da Associação dos Geógrafos Brasileiros. 
Sua passagem por Juiz de Fora em 1958 fazia parte de um esforço do IBGE para mapear e entender as dinâmicas regionais do Brasil.
Tibor Jablonsky: Renomado fotógrafo húngaro radicado no Brasil, que trabalhou por décadas no IBGE. 
Ele foi responsável por registrar, com um olhar artístico e técnico, as transformações geográficas, sociais e econômicas do país entre as décadas de 50 e 70.
Este negativo (número 6771 no catálogo do IBGE) não é apenas um registro técnico, mas uma peça de memória social. 
Ele ilustra o "ciclo do granito" na cidade, que moldou não apenas a economia, mas também a topografia de Bairros que hoje ocupam áreas que antigamente eram zonas de extração.
É interessante notar que, embora a empresa "Pedreira Santa Mônica Ltda." tenha sido formalmente registrada anos depois (1978), a atividade extrativista no local já era consolidada e de interesse científico federal desde o final dos anos 50.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
87
Cartão Postal 
Rua Halfeld no início do século XX, um período em que ela se consolidava como o coração comercial e social de Juiz de Fora. 
A Fotografia captura a transição da vila para a metrópole regional, marcada por uma estética que mistura a simplicidade colonial com as primeiras aspirações modernas da "Manchester Mineira".
A fotografia foi tirada em direção à parte Alta da rua, tendo ao fundo a silhueta imponente do Morro do Imperador (ou Morro do Cristo). 
Naquela época, a rua era pavimentada com paralelepípedos ou pés-de-moleque, e o alinhamento das calçadas era estreito, refletindo uma cidade feita para pedestres e veículos de tração animal.
À direita, destaca-se a fachada de um estabelecimento com o letreiro "Casa Especial de Sabina". 
Esse tipo de comércio era comum no início do século: lojas de secos e molhados, armarinhos ou farmácias que serviam à elite e aos trabalhadores da cidade. Note o uso de toldos de lona (visíveis também à esquerda), essenciais para proteger as mercadorias e os clientes do sol forte de Minas.
As edificações são majoritariamente de um ou dois pavimentos, com telhados de barro aparentes.
Vê-se um prédio com o letreiro "Comércio", apresentando vãos em arco que sugerem uma influência mais trabalhada, típica das reformas urbanas que começavam a trazer o ecletismo para a rua principal.
É possível notar figuras masculinas usando chapéus e coletes, o traje padrão da época, reforçando o caráter formal do centro urbano.
Notem a fiação aérea e o poste de madeira ao centro da calçada direita. 
Juiz de Fora foi pioneira na América Latina com a Usina de Marmelos (1889), e a presença de luz elétrica na Rua Halfeld no início do século XX era um símbolo de extremo progresso, diferenciando-a de quase todas as outras cidades brasileiras do período.
O morro aparece ainda muito desnudado, sem a densa vegetação ou as antenas que vemos hoje. 
Ele servia como bússola visual para quem subia ou descia a Halfeld, reforçando a topografia acidentada que moldou o crescimento da cidade.
Este cartão-postal, muitas vezes circulado por viajantes e imigrantes europeus que trabalhavam nas fábricas locais, ajudou a construir a fama de Juiz de Fora como uma cidade moderna, organizada e próspera no interior do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
86
Catedral Metropolitana de Santo Antônio, em Juiz de Fora, provavelmente entre o final da década de 1950 e os anos 1960. 
A composição destaca três elementos fundamentais que compunham o cenário da época:
A Catedral Metropolitana
O edifício que vemos é o resultado de diversas reformas que transformaram a antiga matriz. 
Na década de 1960, a catedral já exibia sua imponente arquitetura eclética, com forte influência neoclássica. As torres sineiras com suas agulhas piramidais e o grande vitral central em arco são marcos visuais da cidade.
O Monumento a Dom Justino José de Santana
No centro da imagem, em destaque sobre a estrutura da gruta, está a estátua de Dom Justino José de Santana, o primeiro Bispo de Juiz de Fora (nomeado em 1924). 
O monumento é uma homenagem ao líder religioso que foi fundamental para a organização da diocese e para a própria história social da cidade. 
A estátua o representa com as vestes episcopais e o báculo, reforçando sua autoridade e legado espiritual.
A Gruta de Nossa Senhora Aparecida
Abaixo do monumento a Dom Justino, nota-se a estrutura em arco que abrigava a Gruta de Nossa Senhora Aparecida. 
Construída na encosta em frente à Catedral, a gruta era um ponto de intensa devoção popular. 
Na fotografia, a área em frente à gruta aparece como um espaço de convivência, onde se vê pessoas sentadas e descansando, integrando a fé ao cotidiano urbano da época.
A presença do automóvel clássico à direita (com suas linhas arredondadas e detalhes cromados) e os antigos postes de iluminação pública ajudam a datar a cena. 
Esse conjunto — a Catedral, o Monumento e a Gruta — formava um dos cartões-postais mais emblemáticos do centro de Juiz de Fora, representando a centralidade da Igreja e de seus líderes na vida da comunidade mineira naquela metade de século.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
85
O Parque Halfeld 
Na década de 1920, o Parque Halfeld já havia passado pela grande reforma inspirada no paisagismo europeu (iniciada no final do século XIX). 
Ele não era apenas um jardim, mas um símbolo de status e modernidade para Juiz de Fora.
O Quiosque: Diferente dos coretos de metal mais comuns na época, este quiosque apresentava um estilo rústico e pitoresco, integrado à vegetação. Era um ponto de contemplação e, frequentemente, um local de repouso para quem frequentava os famosos "frontins" do parque.
Notem os bancos de madeira com estrutura de ferro e o poste de iluminação ornamental. 
Esses elementos eram importados ou fabricados seguindo padrões estéticos que buscavam equiparar Juiz de Fora às grandes capitais mundiais.
Os personagens sentados nos bancos, um homem de terno claro e chapéu e outro em traje mais simples. mostram a diversidade do uso do espaço público, mas sempre sob o rigor da indumentária da década de 1920. 
Até o cachorro em primeiro plano compõe a cena de serenidade do cotidiano.
A preservação deste cartão-postal pelo colecionador Elton Belo Reis é fundamental para entendermos a evolução da mancha urbana. 
Pouco tempo depois deste registro, os arredores do parque começariam a ganhar prédios mais altos e a Biblioteca Municipal, passaria a ser uma vizinha icônica deste cenário.
Na versão colorizada, buscamos respeitar:
A Vegetação: O Parque Halfeld sempre foi conhecido pela densidade de suas árvores e palmeiras imperiais.
O Quiosque: Mantendo os tons de madeira e telhado que remetem às estruturas de lazer dos parques da Belle Époque mineira.
A técnica busca simular a luz do dia filtrada pelas copas das árvores, característica marcante do microclima do parque.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
84
Esta fotografia é um documento raríssimo e valioso, pois captura a Estação Ferroviária de Juiz de Fora em sua configuração primitiva, antes da grande reforma que lhe deu a aparência que conhecemos hoje.
A icônica torre do relógio só foi incorporada em 1906; o que vemos aqui é o prédio original, inaugurado em 1877.
Arquitetura Original: Notem que, sem o torreão lateral de três pavimentos, o edifício apresenta uma simetria muito mais horizontal e contida. 
Ele reflete o projeto original da época da Estrada de Ferro Dom Pedro II. 
A estrutura era mais funcional e menos "monumental" do que a versão posterior, seguindo os padrões das estações de primeira classe da ferrovia.
A fotografia revela uma intensa atividade no pátio ferroviário. 
É possível ver uma grande quantidade de objetos e equipamentos ao ar livre, possivelmente peças de reposição para as locomotivas ou mercadorias aguardando despacho. 
Isso reforça o papel da estação como o centro logístico vital para o escoamento do café e a chegada de manufaturados.
A relação entre a estação e o rio Paraibuna (que ficava logo à frente) era o eixo principal de crescimento da cidade.
A Plataforma Coberta: Vemos a extensa cobertura de madeira e telhas de barro onde os passageiros aguardavam. O detalhamento das colunas de sustentação ficou muito mais nítido.
No centro da Fotografia, sob a plataforma, nota-se uma aglomeração de pessoas. 
Dada a época, as vestimentas escuras e os chapéus indicam tanto viajantes quanto funcionários da ferrovia em atividade.
À esquerda e no centro do pátio, a restauração definiu formas que parecem ser chassis de vagões ou peças de engenharia pesada, o que faz sentido dado que a estação também funcionava como um centro de manutenção.
A coloração buscou manter a sobriedade dos materiais da época: a alvenaria em tons pastéis ou ocre, a madeira escura das estruturas e o verde denso das montanhas mineiras, conferindo uma atmosfera de "dia de trabalho" na Manchester Mineira.
Este registro é uma prova visual da evolução urbana. 
Ver a estação sem a torre é como ver uma fotografia da infância da cidade antes de ela se tornar a potência industrial que marcaria o início do século XX. O ano de 1906 não apenas trouxe a torre, mas simbolizou a maturidade econômica de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
83
Estação Central de Juiz de Fora é, sem dúvida, o símbolo máximo da transição da "Vila" para a "Manchester Mineira". 
A configuração atual de 1902 rompeu com a rigidez colonial ou puramente neoclássica. O uso do ecletismo permitiu essa liberdade de volumes:
O Torreão (A Torre do Relógio): É o elemento mais icônico. Ao ser deslocado para a lateral (conferindo a assimetria), ele quebra a monotonia da fachada horizontal e cria um ponto de referência visual que podia ser visto de longe, simbolizando a pontualidade e o rigor da era industrial.
Esse "jogo de sobreposição de planos" (avanços e recuos) que você mencionou era uma técnica para criar sombras e profundidade, dando ao prédio uma imponência que uma fachada plana não teria.
O Simbolismo da "E.F.C.B. - 1906"
A inscrição na platibanda é um registro de poder. A mudança de nome de Estrada de Ferro Dom Pedro II para Estrada de Ferro Central do Brasil (após a Proclamação da República) precisava ser consolidada na pedra. O ano de 1906 marca o ápice dessa reforma que deu ao prédio o ar cosmopolita que vemos nas fotos da época, com o frontão ornado em folhas de acanto (um elemento clássico grego que simboliza imortalidade e autoridade).
A Estrela na Bandeira: É um detalhe que muitos passam sem notar. Ela remete tanto ao simbolismo republicano quanto à própria identidade visual da ferrovia na época.
Escadaria de Cantaria: O uso da pedra trabalhada (cantaria) no acesso principal não era apenas estética; era uma demonstração de durabilidade. Por ali passavam desde imigrantes europeus até grandes comitivas políticas e sacos de café.
É interessante notar que a inauguração em 1877 conectou Juiz de Fora definitivamente ao Rio de Janeiro, mas a reforma de 1902 (concluída em 1906) é a que definiu a "cara" da cidade para o século XX. 
O prédio conseguiu sobreviver ao tempo, mantendo-se como o coração geográfico e afetivo de Juiz de Fora, mesmo após a desativação do transporte de passageiros.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Correa  
82
Acampamento do Vau, um local que carrega grande peso histórico para Juiz de Fora, especialmente por sua ligação com o desenvolvimento da região e com as grandes obras de infraestrutura da época, como a Estrada de Ferro Dom Pedro II e a própria Estrada União e Indústria.
O termo "Vau" refere-se historicamente a um ponto do rio onde a profundidade permite a travessia a pé ou a cavalo. 
Em Juiz de Fora, essa área estava intimamente ligada ao Rio Paraibuna, servindo como ponto logístico estratégico para trabalhadores e tropeiros.
Os Retratistas (Hygino e Paschoal): A dupla foi responsável por documentar diversas paisagens de Minas Gerais. 
O estilo de composição é típico da época: uma mistura de registro documental com uma certa "encenação" para a câmera, onde os personagens posam com seus instrumentos de trabalho para demonstrar sua função social.
A Coleção Nelson Coelho de Senna: Nelson de Senna foi um importante intelectual, historiador e político mineiro. 
Sua coleção no Arquivo Público Mineiro é uma das fontes mais ricas para entender a geografia humana de Minas entre 1880 e 1920.
A imagem revela uma arquitetura de subsistência e técnicas de trabalho que hoje são raras: O Rancho de Palha (Primeiro Plano): À direita, vemos uma estrutura rústica coberta com palha (provavelmente sapê), sustentada por troncos brutos. Esses "ranchos" eram comuns em acampamentos de trabalhadores de estradas de ferro ou grandes fazendas, servindo como abrigo temporário para ferramentas ou descanso.
A Casa de Taipa (Fundo): A construção ao fundo apresenta características da arquitetura vernacular mineira, com telhas de barro e paredes que parecem ser de terra (pau-a-pique ou taipa de pilão), indicando uma ocupação mais permanente que a do rancho.
Personagens e Ferramentas:
À esquerda, um homem segura uma foice de cabo longo (ou alfanje), usada para ceifar o mato.
Ao lado dele, um homem segura um serrote de traçador (ou serra de arco), indicando atividades de carpintaria ou extração de madeira no acampamento.
A presença do cavalo e do cavaleiro reforça o "vau" como ponto de trânsito.
As colinas ao fundo mostram uma vegetação densa, característica da Mata Atlântica que cercava Juiz de Fora antes da expansão urbana e industrial mais agressiva do século XX.
Fotografias como esta são fundamentais para entender o cotidiano das classes trabalhadoras. 
Enquanto muitos retratos da época focavam na elite urbana ou nos barões do café, a obra de Hygino e Paschoal no Acampamento do Vau nos dá um vislumbre real das mãos que construíram a base econômica de Juiz de Fora.
Data provável 1880-1900
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
81
O Coração do Setor Público e Jurídico
Antes de se tornar um polo puramente comercial e de serviços, a galeria (na parte com entrada pela Rua São João) abrigou o poder institucional. 
A presença da Justiça Eleitoral e de outras repartições públicas trazia um fluxo constante de advogados, funcionários e cidadãos, o que naturalmente impulsionou a abertura de comércios no térreo.
O prédio onde hoje se encontra a Drogaria Pacheco marca a consolidação dessa passagem. 
A transição da Drogafar (na Praça João Pessoa) para os novos empreendimentos mostra como o eixo comercial se deslocou e se valorizou. 
A Loja Miana, que depois deu lugar ao Bar Real e ao icônico Bar Salvaterra, ocupava uma posição estratégica para o "footing" da Rua Halfeld, sendo o ponto de encontro preferido antes ou depois das sessões no Central.
O Lado Boêmio
Bar Tropical: O famoso Bife a Cavalo é lembrado até hoje como um padrão de qualidade que poucos lugares conseguiram repetir.
Ministrinho: A presença do conjunto do Ministrinho aos sábados à noite transformava a galeria em um anexo cultural do teatro, onde o som ecoava pelo corredor, atraindo quem passava pela Halfeld ou pela Rua São João.
Faisão Dourado e Bar Curtição: Eram os pontos de resistência e celebração, mantendo a galeria viva mesmo após o horário comercial.
A Engenharia das Galerias: O "Labirinto" Central
A abertura da Galeria General Roberto Neves conectando-se à João Beraldo criou um sistema de circulação que antecipou o conceito de shopping centers, mas com o charme da rua.
Galeria Azarias Vilela: O alargamento mencionado foi um passo crucial de urbanismo para integrar o fluxo que vinha da Rua São João, permitindo que a galeria deixasse de ser um beco de serviço para se tornar um corredor de prestígio.
Enquanto um lado era dominado pelo Cartório Medeiros e repartições, o outro pulsava com o comércio e a residência, criando um ecossistema completo dentro do mesmo bloco.
Ao lado da Galeria Pio X, este complexo definiu a modernidade de Juiz de Fora nos anos 50. 
Embora o perfil do público tenha mudado. 
O fato de a galeria "abraçar" o Cine-Theatro Central faz dela um monumento vivo, onde a história da justiça, do comércio e da música mineira se encontravam.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
80
Bairro São Mateus e Rua Monsenhor Gustavo Freire
Neste período, o São Mateus estava consolidando sua transição de uma área de chácaras e fazendas para um Bairro residencial e comercial vibrante. 
A Igreja de São Mateus já era um ponto de referência central. 
A urbanização avançava, mas ainda conviviam ruas pavimentadas com áreas de terra, especialmente nas partes mais altas.
Rua Monsenhor Gustavo Freire: Esta rua é uma das principais artérias do bairro São Mateus. Na década de 1950, seu traçado e importância estavam sendo definidos junto com o crescimento do Bairro.
Monsenhor Gustavo Freire foi uma figura eclesiástica de grande destaque em Juiz de Fora, conhecido por seu trabalho pastoral e social, especialmente junto à Paróquia de São Mateus. Sua influência na comunidade justifica a homenagem com o nome da rua.
A menção a um "Abrigo de Bondes" neste contexto específico (Rua Monsenhor Gustavo Freire no São Mateus) é crucial e pode gerar uma pequena confusão histórica que vale a pena esclarecer, baseada em registros da época.
A Confusão Comum: Muitas pessoas associam abrigos ou garagens de Bondes a locais centrais ou terminais de linha.
A Localização Correta na Década de 1950: Registros fotográficos datados de 1954 mostram o cruzamento da Rua Monsenhor Gustavo Freire com a Rua 05 de Julho (que é a atual Avenida Itamar Franco/Independência).
Nesta foto, vê-se ao fundo um abrigo para bondes, localizado no terreno onde hoje funciona a CESAMA (Companhia de Saneamento Municipal).
Este local não era apenas um ponto de parada com cobertura, mas uma instalação estrutural para o sistema de bondes.
Na mesma imagem, é possível avistar a Igreja de São Mateus ao fundo, confirmando a perspectiva geográfica.
O Fim de uma Era: É importante lembrar que, embora os Bondes fossem fundamentais até os anos 60, o sistema foi municipalizado em 1954 e começou a enfrentar dificuldades com a concorrência dos ônibus e a deterioração da rede, até ser extinto em 10 de Abril de 1969.
A Rua Monsenhor Gustavo Freire como um eixo de urbanização, nomeada em honra a um líder comunitário querido.
Uma infraestrutura de Bondes (o abrigo) localizada estrategicamente nas proximidades, no cruzamento com o que hoje é a Avenida Itamar Franco, servindo como testemunha de um sistema de transporte que definiu a mobilidade da cidade por décadas antes de dar lugar ao modal rodoviário.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
79
Localizado no Bairro Santa Catarina, é um símbolo da transição entre a era industrial e a consolidação acadêmica da cidade.
A Sociedade Recreativa Industrial Mineira
Fundada por operários e proprietários das fábricas têxteis que impulsionavam a economia local (conhecida na época como a "Manchester Mineira"), a Sociedade Recreativa era o epicentro da vida social do Bairro Santa Catarina.
Servia como espaço de lazer, bailes e reuniões para a classe trabalhadora e as famílias ligadas ao setor industrial.
O prédio, inaugurado oficialmente em 1923 (conforme a inscrição visível na fachada da foto original), apresenta um estilo eclético com forte influência europeia, característica das construções institucionais de Juiz de Fora naquele período.
Na década de 1920, o cenário educacional de Juiz de Fora começou a se expandir drasticamente. 
O prédio da Sociedade Recreativa acabou se tornando a primeira sede da Faculdade de Medicina de Juiz de Fora, fundada em 1925.
A instalação da faculdade no Bairro Santa Catarina foi um marco, pois descentralizou a educação superior do eixo central da cidade.
A estrutura ampla e os pés-direitos altos do prédio industrial facilitaram a adaptação para salas de aula e laboratórios iniciais, antes da construção de sedes maiores e da posterior integração à UFJF.
A fotografia retrata exatamente esse momento de orgulho cívico. Observe alguns detalhes históricos: A presença de homens de terno e chapéu e crianças em trajes de gala indica uma cerimônia oficial, possivelmente uma inauguração ou celebração de fundação acadêmica.
Naquela época, o Bairro Santa Catarina era uma área em plena expansão, cercada por morros ainda pouco povoados, mas já conectada pelo progresso industrial.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Marcio Leal
78
Grave descarrilamento ocorrido na Estrada de Ferro Central do Brasil em 1961, no quilômetro 312 da Linha Auxiliar, próximo à estação de Retiro, em Minas Gerais.
O acidente envolveu o Trem N-2 noturno, que fazia o trajeto entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro. 
A imagem ilustra a destruição com impressionante detalhe:
O primeiro vagão de passageiros, de cor verde com detalhes em vermelho, está inclinado e amassado sobre os destroços da linha. 
É possível ver o número 812 pintado na lateral.
O vagão de carga que vinha logo atrás, com a inscrição "RMC" e de cor marrom-escura, colidiu contra o vagão de passageiros e está parcialmente tombado, com sua estrutura amassada.
A linha férrea está completamente destruída, com trilhos e dormentes de madeira quebrados e espalhados pelo chão, que está coberto de lama e destroços.
Um poste de energia com fios elétricos ainda está em pé no local do acidente.
Pessoas podem ser vistas observando o local do acidente, algumas delas parecem ser funcionários da ferrovia, enquanto outras podem ser passageiros ou moradores locais. 
O homem de terno azul e calça bege no centro da imagem está caminhando entre os destroços, com uma expressão séria.
A paisagem ao redor é composta por colinas verdes cobertas por vegetação densa e um rio que corre ao lado da ferrovia.
Como comentado por Paulo Roberto, o acidente foi causado pela abertura da linha férrea, o que levou ao descarrilamento do trem. 
Felizmente, não houve vítimas fatais.
Esta fotografia é um importante registro histórico de um acidente ferroviário no Brasil, mostrando a força e a destruição que podem ser causadas por falhas na infraestrutura ferroviária.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
77
Avenida Barão do Rio Branco, em Juiz de Fora, durante a devastadora enchente de julho de 1969. 
Esta imagem não é apenas um registro de um desastre natural, mas um documento visual de um período de transição urbana e desafios infraestruturas da cidade.
O que vemos é a principal via da cidade, a Avenida Barão do Rio Branco, completamente submersa por águas turvas. 
O nível da água é impressionante, chegando a cobrir metade das rodas do automóvel em primeiro plano, o que sugere uma profundidade de pelo menos 50 a 70 centímetros em alguns pontos.
O veículo de luxo, de cor verde azulado, parece estar parado ou abandonado, talvez com o motor danificado pela água. 
Ele serve como uma régua visual para a escala da inundação. 
Ao redor dele, destroços de madeira flutuam, evidenciando a força e o caos trazidos pela enchente.
A enchente de julho de 1969 foi uma das mais severas da história da cidade. Juiz de Fora, cortada pelo Rio Paraibuna e seus afluentes, sempre conviveu com o risco de inundações. 
No entanto, esta ocorrência específica, em pleno inverno (julho), foi particularmente traumática devido à sua magnitude e ao impacto súbito na área central. 
O transbordamento dos rios e córregos canalizados não suportou o volume de chuvas, transformando a avenida em um braço de rio.
Ao fundo, no canto superior direito, vislumbramos um edifício de arquitetura moderna e imponente para a época, com múltiplas janelas e uma estrutura horizontal marcante. 
Este era o terminal da Rodoviária Régis Bittencourt, também conhecida popularmente como a "rodoviária antiga" ou o "terminal da Avenida".
Inaugurada em meados dos anos 60, a rodoviária Régis Bittencourt era um símbolo da modernização de Juiz de Fora e de sua importância como polo logístico. 
O nome homenageava o engenheiro e político que impulsionou a construção da rodovia BR-116 (Rio-Bahia), que passava pela região.
A localização da rodoviária, em uma área baixa próxima ao Rio Paraibuna, tornava-a vulnerável. 
Ver o terminal rodoviário ao fundo, em meio à inundação, sublinha o quanto a infraestrutura essencial da cidade foi afetada. 
O transporte de passageiros foi paralisado, e a operação do terminal, sem dúvida, foi comprometida, isolando a cidade.
À esquerda, vemos a lateral de um edifício com fachada de madeira, exibindo um aviso escrito à mão, "PROIBIDO" (possivelmente "PROIBIDO COLAR CARTAZES" ou algo relacionado à obra). Isso mostra o aspecto mais comercial e informal da avenida na época.
O céu está nublado e sombrio, típico de um dia de chuva intensa e persistente. Os postes de iluminação pública estão com as luzes acesas, indicando que a visibilidade estava reduzida e o clima, pesado.
A fotografia é tirada quase ao nível da água, o que acentua a sensação de imersão e perigo.
Esta imagem de 1969 na Avenida Barão do Rio Branco é um poderoso lembrete da vulnerabilidade urbana diante da natureza e da história de resiliência de Juiz de Fora. 
Ela imortaliza o contraste entre o desenvolvimento simbolizado pela rodoviária moderna e a força bruta das águas, marcando um capítulo significativo na memória coletiva da cidade sobre os desafios da convivência com o Rio Paraibuna.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
76
Em 1965, o cenário que a fotografia captura é um registro vibrante da modernização e do cotidiano de Juiz de Fora. 
Esse trecho da Avenida dos Andradas, na subida em direção ao Morro da Glória, era (e continua sendo) um dos eixos mais emblemáticos da cidade, unindo a tradição religiosa e educacional ao movimento comercial.
Avenida dos Andradas e o Colégio Santa Catarina
Naquela época, a Avenida dos Andradas ainda conservava o calçamento de paralelepípedos e uma arborização que emoldurava o imponente complexo do Colégio Santa Catarina.
O colégio era uma referência de ensino e arquitetura. 
Na fotografia, é possível ver o muro baixo e o portal neoclássico, onde as alunas, trajando o clássico uniforme de saias plissadas e camisas brancas, interromperam suas atividades para assistir à passagem da carreata.
O movimento era composto por pedestres, estudantes e trabalhadores, refletindo a transição de uma Juiz de Fora ainda bucólica para a "Manchester Mineira" que se consolidava como polo industrial e de serviços.
A Grapette, famosa pelo slogan "Quem bebe Grapette, repete", era um fenômeno de vendas nos anos 60.
A carreata que aparece na imagem fazia parte da campanha "Milhares de Microcarros", uma promoção nacional que sorteava miniaturas de carros (ou brindes similares) para quem colecionasse tampinhas.
Os caminhões Chevrolet (estilo "Boca de Sapo" ou "Marta Rocha", dependendo do modelo exato) eram decorados com as cores da marca — o roxo e o branco, e desfilavam carregados de engradados de madeira, repletos de garrafas de vidro. 
A Grapette era engarrafada localmente por indústrias da região, o que criava uma conexão direta com o público mineiro.
O ponto onde a foto foi tirada marca o início da descida do Morro da Glória em direção ao Centro.
O Morro da Glória era o portão de entrada para quem vinha dos bairros da zona norte e do complexo da Igreja da Glória. 
Ver uma carreata descendo esse trecho significava que o evento culminaria no coração da cidade (Parque Halfeld e Rua Halfeld), onde a multidão se reunia para os sorteios e apresentações.
Para o observador da época, esse era um momento de lazer e curiosidade. 
O uso de caminhões como "outdoors móveis" era a forma mais eficaz de atingir as famílias que viviam ao longo da principal via da cidade.
Este registro é precioso porque documenta não apenas um evento publicitário, mas a moda, os veículos de carga e a organização urbana de Juiz de Fora em meados da década de 60, preservando a memória de um tempo em que as carreatas de refrigerantes eram eventos sociais aguardados.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Paulo Sérgio Ferreira Reis
75
A Fazenda Fortaleza de Santana, localizada no município de Goianá (MG), é um dos pilares da história da Zona da Mata mineira. 
Sua trajetória está profundamente ligada à elite agrária do Império, tendo pertencido a Maria José de Santana (a Baronesa de Santana), mãe de Mariano Procópio Ferreira Lage.
Como bem destacado por Douglas Fasolato, a fazenda detém alguns dos registros fotográficos mais antigos do Brasil rural. 
As fotos de 1865, atribuídas a Manoel Machado Coelho Júnior (cunhado de Mariano Procópio), são documentos raros que mostram a grandiosidade da sede em seu auge. 
Esses registros foram citados por Louis Agassiz em "Viagem ao Brasil", reforçando que a propriedade era uma parada obrigatória para cientistas e cronistas que percorriam a Estrada União e Indústria.
A essência da fazenda sempre foi marcada pela religiosidade e pelo convívio familiar, como recorda Denise Pessoa. 
A Festa de Santana, celebrada em 26 de julho, transformava a rotina da região: A logística envolvia viagens de trem dias antes da celebração, um detalhe que marca a memória afetiva de quem viveu os preparativos coordenados pelas matriarcas da família.
A fotografia de 26 de julho de 1990 é um testemunho visual dessa continuidade, mostrando a família reunida em frente à histórica varanda da sede em Goianá, celebrando a padroeira.
Embora sua extensão original de mais de 4.000 hectares tenha abrangido áreas de Coronel Pacheco e Chácara, sua alma e sede pertencem a Goianá. 
Hoje, o local não apenas preserva a arquitetura colonial, mas também guarda segredos arqueológicos na Serra da Babilônia, além de ser um símbolo da transição do ciclo do café para os novos arranjos sociais da região.
O Achado na Serra da Babilônia
Diferente das múmias egípcias, as encontradas em Goianá foram preservadas por processos naturais de dessecação devido às condições climáticas específicas da gruta.
As Três Múmias: Foram encontrados corpos de indivíduos que pertenciam a povos indígenas que habitavam a região muito antes da colonização. 
Estavam em posição fetal, envolvidos em redes de fibras vegetais e tecidos, o que indicava um rito funerário complexo.
Embora chamadas de "pré-colombianas" por serem anteriores à chegada de Colombo à América, elas representavam grupos ancestrais do tronco Macro-Jê que dominavam o interior de Minas Gerais.
O Destino: Museu Nacional do Rio de Janeiro
Dada a raridade do achado (corpos preservados são raríssimos no clima úmido do Brasil), as peças foram enviadas para o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista.
Elas faziam parte de um dos acervos de antropologia biológica mais importantes das Américas.
As múmias da Gruta da Babilônia eram estudadas para entender a dieta, as doenças e os costumes desses povos originários da Zona da Mata mineira.
Esse patrimônio inestimável foi vítima do grande incêndio no Museu Nacional em 02 de setembro de 2018.
A destruição foi praticamente total para materiais orgânicos como tecidos, fibras e remanescentes humanos que não estavam protegidos em cofres especiais.
Com isso, perdeu-se o elo físico direto que Goianá tinha com esse passado milenar, restando hoje apenas os registros fotográficos, desenhos e as descrições científicas feitas antes do desastre.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Sergio Barone
74
Praça do Riachuelo em meados da década de 1960. 
A imagem não apenas ilustra o comércio popular, mas também a arquitetura e a dinâmica social de uma era em que a praça era um dos principais eixos de circulação da cidade.
O comentário de Adriano José é cirúrgico. 
Naquela época, era muito comum a figura dos vendedores ambulantes que utilizavam o "marketing do espanto" para atrair multidões.
Podemos ver a maleta aberta sobre um suporte articulado, expondo os produtos. 
O uso de animais exóticos (como as mencionadas cobras e lagartos) servia para hipnotizar os passantes, garantindo uma plateia atenta para o discurso do vendedor sobre pomadas, elixires e remédios "milagrosos".
Notem o alto-falante no chão, essencial para que a voz do vendedor superasse o barulho do trânsito intenso da região.
Vemos parte da sede da rodoviária na Avenida Presidente Getúlio Vargas. 
Esse prédio foi um marco da modernização da cidade, concentrando o fluxo de viajantes antes da transferência para a localização atual na Avenida Brasil.
É possível notar a presença de modelos de carros clássicos da época, como o Simca Chambord e o Volkswagen Fusca, além de ônibus de carroceria antiga. Os cartazes e fachadas das lojas ao fundo também ajudam a datar a imagem com precisão. 
A maioria homens vestindo camisas de botão e calças sociais ou jeans — mostra como a Praça do Riachuelo funcionava como um "termômetro" da cidade. 
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
73
O Ambulatório da Glória é um dos pilares de assistência social e caridade mais tradicionais de Juiz de Fora. 
Sua fundação está profundamente ligada à visão dos Padres Redentoristas, especialmente à figura do Padre Jaime Snoek, cuja sensibilidade social trouxe da Europa o modelo de auxílio direto à comunidade que ainda hoje define a instituição.
Recém-chegado de Roma na década de 1950, Padre Jaime percebeu a necessidade de oferecer dignidade médica e social para a população. 
O uso de recursos holandeses para a compra da sede no bairro Mariano Procópio foi um marco, mostrando como a cooperação internacional, articulada pela Igreja, pôde transformar a realidade local.
O que começou como um modesto dispensário (o Dispensário Nossa Senhora da Glória) evoluiu para uma estrutura complexa que oferecia: Atendimento em diversas especialidades, suprindo lacunas onde o sistema público muitas vezes enfrenta sobrecarga.
Espaços que reforçam a identidade redentorista de acolhimento espiritual, integrando a saúde do corpo à da alma.
A parceria inicial com o Círculo Operário demonstra que a instituição nasceu do movimento dos trabalhadores, e sua continuidade após o desligamento deste mostra a força própria que a Assistência Nossa Senhora da Glória adquiriu. 
O espaço não era apenas um local de cura, mas um centro de voluntariado onde profissionais de diversas áreas doam seu tempo.
É fascinante como uma casa adquirida no Mariano Procópio se tornou esse "Novo Tempo" de solidariedade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa 
72
Primeira Equipe Profissional do Esporte Clube Juiz de Fora, registrada em 1964, é um marco fundamental para o futebol da nossa "Manchester Mineira". 
Ela simboliza a transição do clube para o profissionalismo, um passo audacioso que buscava elevar o patamar do "Periquito" no cenário esportivo do estado.
A Formação de 1964
O time escalado na imagem traz nomes que se tornaram eternos na memória dos torcedores e historiadores locais:
Em pé: Eli (o goleiro, com a camisa cinza), Edson, Betinho, Zé Carlos, Zeucks e Bico.
Agachados: Milton, Plínio, Chiquinho, Isaias e China.
Muitos desses jogos e treinamentos ocorriam no lendário Estádio Procópio Teixeira. 
A década de 1960 foi um período de grande efervescência para o futebol local, com o Sport buscando rivalizar com as grandes potências mineiras.
As cores verde e branco são a identidade máxima do clube. O detalhe dos calções brancos e a camisa com o escudo clássico (o "C" entrelaçado com o "S") representavam a elegância e a tradição da agremiação na época.
Em 1964, o futebol ainda tinha um caráter muito próximo da comunidade. 
Ver o Sport ingressar no profissionalismo era motivo de orgulho para os moradores do entorno da Avenida Rio Branco.
O Goleiro Eli: Diferente dos jogadores de linha, o goleiro frequentemente utilizava uniformes em tons de cinza ou preto, feitos de tecidos mais grossos para proteção contra o impacto no solo, como vimos na imagem.
O escudo no lado esquerdo do peito, que conseguimos restaurar na imagem, é o símbolo da resistência e da paixão esportiva que o clube carrega até hoje.
Esta imagem não é apenas um registro de um time de futebol; é o retrato de um sonho de profissionalização que moldou a identidade esportiva de Juiz de Fora naquela década.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Antônio Alves Neto
71
Avenida dos Andradas, focando na imponente construção da Igreja Nossa Senhora da Glória.
A datação sugerida de 1924 é historicamente coerente. 
Os registros indicam que a construção do atual templo religioso, projetado em estilo gótico germânico, ocorreu entre 1921 e 1924. 
O templo foi solenemente inaugurado e consagrado em agosto de 1924, marcando o centenário que a paróquia celebra este ano.
A fotografia extraída do acervo de Edith Vaz de Araújo no Facebook oferece uma perspectiva rica em detalhes da época: No alto do morro, a estrutura da igreja está envolta em andaimes de madeira, evidenciando a complexidade da obra arquitetônica capitaneada pelos Missionários Redentoristas holandeses, que se estabeleceram na região no final do século XIX para atender, inicialmente, à comunidade de imigrantes alemães.
Avenida dos Andradas: No primeiro plano, a avenida aparece com seu calçamento de pedras e terra. 
Nota-se a presença de um automóvel antigo de modelo clássico da década de 1920 e, curiosamente, uma pessoa caminhando com uma carga equilibrada na cabeça, retratando o cotidiano do trabalho e transporte da época.
À direita, destaca-se um poste de madeira com uma complexa rede de isoladores de vidro verde e fios elétricos ou telefônicos, um símbolo da modernização tecnológica que chegava à cidade.
Esta imagem serve como um poderoso "cartão postal" do passado, permitindo aos moradores de Juiz de Fora e historiadores visualizar a evolução de um dos eixos mais importantes da cidade e a consolidação de um dos seus mais belos patrimônios religiosos e arquitetônicos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fotografia Extraída do Facebook de Edith Vaz de Araujo
70
Restaurante e Posto Elefantinho
Naquele período, o Posto Elefantinho (integrado ao restaurante homônimo) era um marco de referência para quem viajava pela Avenida Brasil, que funcionava como o principal corredor de escoamento para veículos pesados.
Antes da consolidação da BR-040 moderna, a Avenida Brasil absorvia muito do tráfego que cruzava a cidade. 
O Elefantinho não era apenas um posto de combustível; era uma paragem de descanso estratégica, um ponto de encontro e uma referência geográfica para motoristas de fora.
O totem da Shell é visível em primeiro plano. 
Na versão original em preto e branco (e preservada na colorizada), logo abaixo da "concha" da Shell, há uma placa menor com um texto legível: "MMG". 
Estas iniciais referem-se, provavelmente, à distribuidora ou ao grupo proprietário que operava o posto naquele local específico, o que é um dado raro e valioso para a pesquisa histórica.
O local exato onde hoje se encontra o Batalhão do Corpo de Bombeiros fica um pouco mais adiante na avenida, fora do enquadramento, mas a foto mostra o trecho imediatamente anterior, com os terrenos ainda pouco densos da várzea do rio.
Ao fundo, na "dobra" do relevo, vemos os primeiros edifícios altos que marcaram a modernização da Rua Halfeld e da região central. 
Os prédios mais distantes no "valado" correspondem perfeitamente à visão que se tinha do Centro a partir da Avenida Brasil. 
O morro que sobe à direita é, de fato, a encosta que separa a região do Granbery do Bom Pastor, que nos anos 70 ainda não estava totalmente ocupada por construções altas como hoje.
A imagem revela a Avenida Brasil ainda sem a contenção de concreto no rio e com muitas áreas verdes (canteiros centrais largos e vegetação rasteira) que seriam suprimidas ao longo das décadas para o alargamento das pistas. 
Este registro é um documento valioso de uma Juiz de Fora que apostava no modal rodoviário para conectar suas zonas e crescer, uma aposta que reconfigurou todo o seu planejamento urbano.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
69
O Coração Militar: 4º GAC L Mth
A foto centraliza o então 1/4 R.O. 105 (Regimento de Obuses). 
É possível observar a organização impecável do quartel, com seus pavilhões alinhados e a ampla área de pátio. 
O local, que hoje é o 4º Grupo de Artilharia de Campanha Leve de Montanha, mantém-se como um dos marcos históricos e operacionais mais importantes da região, preservando a tradição da artilharia na cidade.
Malharia Saturno: Na parte inferior da imagem, as instalações industriais representam o auge do setor têxtil que impulsionou o crescimento de Juiz de Fora. 
Onde funcionava a Saturno, hoje temos um prédio desativado, mostrando a mudança de perfil da região de industrial para residencial/comercial.
Antiga BR-3: A estrada que corta a imagem horizontalmente era a principal ligação rodoviária da época. Hoje, esse trecho corresponde à Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, a espinha dorsal que conecta o centro à Zona Norte e aos distritos.
Ferrovia: Paralela à rodovia, a linha férrea reforça o papel logístico da região para o escoamento de produção e transporte de passageiros naquele período.
O Surgimento do Bairro Nova Era
A Frente das instalações, vemos algumas Residências começando a serem erguidas, com pouquíssimas edificações residenciais. 
Esse é o Bairro Nova Era em seus "primeiros passos". 
É interessante notar como o relevo ao fundo, próximo ao leito do Rio Paraibuna, estava e está praticamente intocado. 
À esquerda, a área que pertencia ao Aero Clube de Juiz de Fora. 
Décadas depois, essa região daria lugar ao Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF), mantendo a destinação da área vinculada à União e ao Exército Brasileiro, mas mudando o foco do ar para a educação.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
68
Colégio Stella Matutina em sua fase de maior imponência arquitetônica na Avenida Barão do Rio Branco (antiga Rua Direita). 
A imagem é um testemunho visual valioso, pois mostra o conjunto antes das transformações urbanas que alterariam drasticamente a paisagem da região.
O prédio apresentava linhas neoclássicas com toques góticos, visíveis especialmente nos arcos ogivais das janelas e no detalhamento da capela anexa.
Notem a presença dos trilhos dos Bondes e a fiação aérea, elementos típicos da Juiz de Fora da era pré-industrialização acelerada. 
As árvores de copa densa (comumente figueiras ou oitizeiros na época) emolduravam a fachada, oferecendo um aspecto de jardim que hoje é raro na avenida.
O carro estacionado à esquerda ajuda a datar a cena e reforça o status da instituição, que atendia às famílias mais tradicionais da elite mineira e carioca.
A história sobre a década de 70 é um dos episódios mais marcantes do urbanismo local. 
A abertura da Avenida Independência (atual Avenida Itamar Franco) foi um marco de progresso, mas gerou um trauma arquitetônico: A avenida literalmente "atropelou" a topografia do colégio. 
O que antes era um campus unificado foi fragmentado, levando à demolição progressiva das estruturas antigas voltadas para a Rio Branco para dar lugar ao traçado viário e a novos empreendimentos comerciais.
Apesar da perda do prédio histórico, a transferência das atividades para a estrutura moderna permitiu que a Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo mantivesse a continuidade pedagógica que já ultrapassa 120 anos na cidade.
Em 1939, ano desta foto, o Stella Matutina já era um centro de referência não apenas pelo ensino, mas pela Escola Normal. 
Muitas das professoras que alfabetizaram as gerações seguintes em Minas Gerais e no Rio de Janeiro foram formadas exatamente sob esses telhados que vemos na imagem.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
67
10º Regimento de Infantaria (10º RI) em uma fase de consolidação urbana de Juiz de Fora. 
A restauração colorida ajuda a perceber como a arquitetura militar se destacava na encosta, cercada por uma vegetação que ainda hoje é marca registrada daquela região do Bairro Fábrica.
Os prédios que vemos na imagem seguem o estilo pavillonar, típico das construções militares do início do século XX no Brasil.
Notem as duas palmeiras centrais na foto; elas eram símbolos de distinção e presença do Estado.
A fotografia mostra o quartel encravado na subida do morro. 
A mudança de nome para 10º Batalhão de Infantaria Leve de Montanha (10º BIL Mth) não foi apenas burocrática.
Após a Segunda Guerra Mundial, onde militares de Juiz de Fora lutaram na Itália, o Exército percebeu a necessidade de tropas especializadas em terrenos difíceis.
O 10º BIL Mth herdou as tradições do 10º RI, tornando-se o "Guardião do Pico das Agulhas Negras" e mantendo o Bairro Fábrica como uma das áreas militares mais tradicionais de Minas Gerais.
Enquanto os soldados treinavam nesses pavilhões, o entorno era dominado pelo apito das fábricas.
Era um bairro de contrastes: o rigor da farda de um lado e o suor dos operários de outro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
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O Interior do Bonde 
Um Espaço de Convivência e Mídia
Na década de 1960, os bondes ainda eram o principal meio de transporte em Juiz de Fora. 
O ambiente capturado na foto mostra detalhes arquitetônicos interessantes:  O teto rebaixado e os frisos em madeira envernizada conferem um tom acolhedor e clássico ao veículo.
No topo, vê-se a barra de metal polido para os passageiros que viajavam de pé.
Logo abaixo do teto, havia um painel corrido dedicado às propagandas. 
Essa era a "timeline" do passageiro da época; enquanto esperava chegar ao destino, ele lia sobre produtos, serviços e novidades da cidade.
A Propaganda do "Rhum Creosotado"
O grande protagonista desta imagem é o cartaz do Rhum Creosotado, um medicamento icónico da história farmacêutica brasileira, fabricado pelo Laboratório Raul Leite. 
O anúncio começa com um chamativo "Veja,", seguido de uma frase curiosa e galanteadora: "ilustre passageiro, o belo tipo fagueiro que o senhor tem ao seu lado". Isso criava uma conexão imediata e bem-humorada com quem estava a ler.
A propaganda narra uma breve história de superação: o tal "tipo fagueiro" (saudável, alegre) "no entanto, acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o 'Rhum Creosotado'". 
Era a prova social e a promessa de cura em poucas linhas.
Do lado direito, com tipografia em negrito, o cartaz lista as indicações: GRIPES, TOSSES, ROUQUIDÕES. Eram os males comuns das estações frias em Juiz de Fora.
O nome RHUM CREOSOTADO aparece grande, em vermelho e dourado, sobre uma fita. O slogan final, "A vida dos pulmões", consolidava o posicionamento do produto como um tónico essencial para a saúde respiratória.
O "creosoto" é um composto derivado do alcatrão, historicamente usado como antisséptico e expectorante. 
O termo "Rhum" (Rum) sugere a base alcoólica do xarope, o que era comum em medicamentos dessa era.
À direita, vê-se parte de outra propaganda com a marca OREJEIRS (Provavelmente uma marca local ou nacional de alimentos ou bebidas).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
65
O Clube Ginástico de Juiz de Fora é uma peça fundamental no quebra-cabeça da identidade urbana e esportiva da cidade, especialmente pela sua forte ligação com a colônia alemã. 
Na década de 1950, o clube vivia um período de consolidação como um dos espaços sociais e atléticos mais respeitados da região.
O endereço na Avenida Barão do Rio Branco, 1318, era estratégico. 
Na metade do século XX, o prédio — como visto na imagem que, destacava-se pela elegância clássica. 
Suas linhas arquitetônicas, com estátuas no topo e frontão decorado, refletiam a importância da ginástica (a Turnkunst alemã) não apenas como exercício, mas como disciplina moral e estética.
A chegada de Ítalo Paschoal Luiz ao clube em 1955 marcou uma transição importante. 
Embora o clube tivesse raízes alemãs profundas, a atuação de Ítalo ajudou a modernizar e profissionalizar a Educação Física em Juiz de Fora.
Ele trouxe métodos que iam além da ginástica calistênica tradicional, influenciando gerações de atletas.
O clube não era apenas um local de lazer, mas um centro de excelência física que serviu de base para o desenvolvimento do esporte escolar e competitivo na cidade.
Em 1950, o Clube Ginástico funcionava como um ponto de resistência e celebração da cultura dos imigrantes e seus descendentes.
Após o período conturbado da Segunda Guerra Mundial (onde muitas instituições germânicas no Brasil sofreram restrições), os anos 50 foram de reafirmação da comunidade alemã através do esporte e de eventos sociais.
Estar na Avenida Barão do Rio Branco significava estar no coração dos desfiles e da vida pública juiz-forana, onde o clube exibia orgulhosamente sua disciplina e organização.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
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Enchente no Natal de 1940
O Encontro das Ferrovias
A foto mostra o exato ponto de integração entre as duas gigantes do transporte da época: À Esquerda (Plataforma Coberta): É a plataforma da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB). Notem os passageiros e ferroviários observando a água que já cobre os trilhos e chega ao nível da plataforma.
Ao Fundo (Prédio em Destaque): O edifício imponente com o letreiro "LEOPOLDINA RAILWAY" é a estação da Estrada de Ferro Leopoldina.
Juiz de Fora era um dos poucos lugares onde as duas ferrovias "se abraçavam". A Leopoldina chegava com sua bitola métrica para buscar o café e levar passageiros para o interior e para o Rio, enquanto a Central operava a bitola larga.
A Atual Praça da Estação
O que vemos submerso é o coração da atual Praça da Estação.
Na restauração, é possível ver a locomotiva a vapor (Maria Fumaça) parada entre as águas. 
O reflexo da máquina na inundação demonstra que a água estava calma, mas profunda o suficiente para interromper o tráfego ferroviário.
Esta cheia foi particularmente cruel por ter ocorrido no dia 24 de dezembro.
Muitas pessoas ficaram retidas nas estações, sem conseguir chegar às suas casas para a ceia de Natal. 
O transporte de malas e encomendas natalinas foi paralisado.
Observe que a água atingiu a base das colunas da plataforma da Central. 
Na Leopoldina (ao fundo), as pessoas estão aglomeradas na varanda superior e nas escadarias, o único lugar seco para observar a inundação.
Esta imagem é vital porque mostra a estação da Leopoldina em detalhes (hoje transformada no Museu Ferroviário). 
A nitidez da colorização permite ver até as pessoas nas janelas do prédio da Leopoldina, registrando a apreensão daquele feriado interrompido.
Foi nesta Década de 1940 que a cidade percebeu que as enchentes eram um problema estrutural que exigia obras pesadas de engenharia no Rio Paraibuna, que passava logo atrás desses prédios.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
63
A enchente de 5 de julho de 1919 é um dos episódios mais dramáticos da história urbana de Juiz de Fora. 
Naquela data, o Rio Paraibuna atingiu níveis extraordinários, transformando completamente a paisagem do centro da cidade e deixando marcas profundas na memória coletiva da região.
A imagem das águas cobrindo a Ponte da Rua Halfeld é icônica porque simboliza o momento em que a principal artéria da cidade foi "cortada".
A inundação da ponte impediu o trânsito entre o Centro e os Bairros do outro lado do rio, como o Mariano Procópio e o Tapera (atual Santa Terezinha).
Na época, a ponte era uma estrutura de ferro e madeira, muito mais baixa e vulnerável do que a atual. 
O volume de detritos e a força da correnteza colocaram a estabilidade da travessia em xeque.
Como se nota em registros fotográficos da época, as margens do rio eram ocupadas por armazéns de mantimentos e indústrias têxteis. 
A "Baixada", como era chamada, sofreu prejuízos imensos com a perda de estoques de café, grãos e tecidos.
Relatos de jornais da época, como o O Pharol, descreviam ruas transformadas em canais, onde a população utilizava botes e improvisava jangadas para se locomover e resgatar pertences.
O inverno de 1919 foi atípico, com chuvas pesadas e persistentes nas cabeceiras do rio, algo que pegou a população de surpresa para o mês de julho.
O Paraibuna ainda possuía muitas curvas e áreas de várzea natural que foram sendo ocupadas sem o devido planejamento de drenagem, o que potencializou o transbordamento.
Essa enchente, junto com a de 1940, foi um dos grandes motores para as futuras obras de retificação e canalização do rio, que alteraram definitivamente o curso do Paraibuna para evitar que o centro voltasse a ser submerso daquela forma.
É fascinante observar como a fotografia atua como um documento histórico essencial para entendermos a evolução de Juiz de Fora e a nossa relação com o rio.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fotografia: Emanuel Santos.
Fonte: Fundação Casa Rui Barbosa
Acervo: Daniel Moratori
62
O Largo do Riachuelo Sob as Águas: 16 de Janeiro de 1906
Esta imagem, agora restaurada e colorizada, é um dos registros mais emblemáticos da grande enchente que paralisou Juiz de Fora no início do século XX. 
O cenário é o Largo do Riachuelo, ponto nevrálgico da "Manchester Mineira", onde o progresso industrial e a força da natureza se encontraram de forma dramática.
Com sua arquitetura industrial característica, era ali que funcionava um dos principais centros de suporte técnico e comercial da cidade. 
A restauração destaca os letreiros e a robustez das portas, que naquele dia enfrentavam a invasão das águas do Rio Paraibuna.
As gigantescas estruturas de madeira sobre o telhado da Mecânica Mineira eram "castelos" de fiação. 
Elas sustentavam as linhas de telégrafo e energia, evidenciando como a empresa era o centro de conexões tecnológicas da região.
À esquerda, vemos um bote transportando pessoas. 
Durante a cheia, o Largo do Riachuelo transformou-se em um canal navegável. Era a única forma de transitar entre a parte alta da cidade e a zona industrial/ferroviária.
A água atingiu marcas severas nas fachadas. 
Para a Mecânica Mineira, isso significou máquinas, ferramentas e estoques de ferro submersos pela lama, representando um prejuízo colossal para a engrenagem industrial mineira.
A enchente de 1906 foi um divisor de águas para o urbanismo de Juiz de Fora. Ela expôs a fragilidade das várzeas do Paraibuna diante do crescimento acelerado da cidade. 
Registros como este, preservados, são fundamentais para entender por que a geografia do centro da cidade precisou ser tão modificada nas décadas seguintes, com a retificação do rio e a criação das avenidas marginais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
61
A C.C.P.L. e o "A Manteiga Estrela Branca"
A Cooperativa Central dos Produtores de Leite (C.C.P.L.) era uma potência no setor. 
O uso de carroças de tração animal para a entrega de leite engarrafado era a norma, garantindo que o produto chegasse fresco às portas dos moradores todas as manhãs.
Notem o detalhe das garrafas de vidro organizadas em engradados metálicos na parte superior da carroça e o logotipo clássico da "Estrela Branca", que é uma memória afetiva fortíssima para quem viveu esse período em Juiz de Fora.
Avenida Barão do Rio Branco, 2046
É fascinante notar que onde antes funcionavam lojas de rua (como a visível "Real Lojas"), hoje temos o Cartório Vianna Júnior. 
Isso reflete como o centro da cidade deixou de ser apenas comercial para se tornar um polo de serviços jurídicos e administrativos.
A menção de que o Fórum ainda estava em construção na esquina ajuda a datar a foto com precisão. A inauguração do Fórum naquela área consolidou a região como o coração do poder judiciário local, alterando definitivamente o perfil do entorno.
A figura do policial fardado interagindo com o carroceiro sugere uma fiscalização de trânsito ou posturas municipais. 
Naquela época, o controle sobre os animais na via principal da cidade (a Barão) começava a ficar mais rigoroso à medida que o tráfego de automóveis aumentava.
O calçamento de paralelepípedos e a placa de "Proibido Estacionar" com o design antigo reforçam a atmosfera dos meados dos anos 60.
Essa fotografia é uma peça fundamental para entender como Juiz de Fora se transformou. Onde hoje passam ônibus articulados e o trânsito é intenso, o silêncio da manhã era quebrado apenas pelo som das ferraduras e pelo tilintar das garrafas de leite.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
60
A Antiga Rodoviária e a Memória de Juiz de Fora (1983)
Esta fotografia é um registro precioso da organização urbana de Juiz de Fora na década de 80, capturando um local de grande movimento e uma das figuras mais emblemáticas da cidade.
Em 1983, a rodoviária da cidade funcionava na Avenida Brasil, exatamente onde hoje está instalado o 4º Batalhão de Bombeiros Militar. 
Na época, o local era o ponto nevrálgico do transporte mineiro, com o característico calçamento de paralelepípedos e a proximidade com a margem do Rio Paraibuna. 
O espaço serviu à população até a transferência para o atual Terminal Miguel Mansur, no final da década.
O senhor que aparece na foto, já falecido, era um morador querido do Bairro Santa Luzia. Conhecido popularmente como Senhor João (ou pelo vulgo "Vinte e Oito"), ele era uma figura constante e indispensável na rotina do terminal.
Como carregador de bagagens, o Senhor João utilizava um triciclo adaptado e muito bem cuidado. 
Um detalhe marcante que atravessou décadas na memória dos juiz-foranos era a frase estampada em seu veículo: "Quando Maria reza, a Mercedes benze". Sempre de quepe e com uma postura zelosa, ele personificava a dedicação ao trabalho e o carisma que definiam os personagens populares daquela Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Foto enviada pelo amigo Letinho Souza
Acervo: Wilson Ribeiro vulgo (Tuquinha). 
59
Esta fotografia registra um dos momentos mais significativos da história tecnológica e industrial de Juiz de Fora: a consolidação da Companhia Mineira de Eletricidade (CME) não apenas como fornecedora de energia, mas como um centro de engenharia de ponta para a época.
Embora os primeiros bondes elétricos da cidade (inaugurados em 1906) fossem importados dos Estados Unidos ou da Europa, a CME, sob a liderança visionária de Bernardo Mascarenhas e seus sucessores, desenvolveu a capacidade de montar e reformar seus próprios veículos.
As Oficinas: Localizadas estrategicamente na região da atual Rua Espirito Santo, as oficinas eram equipadas com o que havia de melhor em marcenaria e mecânica industrial, permitindo que a cidade não dependesse totalmente de importações caras.
O Bonde de 1920, que vemos na foto, montado em solo juiz-forano, simbolizava a autossuficiência da cidade.
Notem a elegância do acabamento em madeira, característica dos bondes "abertos" que circulavam por aqui. 
Eles eram ideais para o clima tropical e permitiam o embarque e desembarque rápido, algo essencial para o dinamismo do Centro.
Os homens perfilados na foto representam a hierarquia da CME — desde os engenheiros e diretores de terno e gravata até os mestres de oficina e mecânicos. 
A presença deles denota o orgulho pela entrega de uma máquina produzida pela mão de obra local.
Em 1920, Juiz de Fora era a "Manchester Mineira". A eletricidade e o transporte sobre trilhos eram o motor do progresso que conectava as fábricas de tecido aos bairros operários.
Este bonde faz parte da fase de expansão das linhas, que logo alcançariam bairros como São Mateus, Benfica e o Manoel Honório, moldando a geografia urbana que conhecemos hoje.
A Companhia Mineira de Eletricidade foi a primeira da América do Sul a operar uma usina hidrelétrica (Marmelos), e a montagem desses bondes reafirmava a vanguarda da empresa. 
O transporte por Bonde durou em Juiz de Fora até o final de 1969, deixando uma marca profunda na memória dos moradores.
Colorizada por Mauricio Lima Corrêa
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
58
O Bairro Linhares, localizado na Zona Leste de Juiz de Fora, possui uma história profundamente ligada ao desenvolvimento social e institucional da cidade, especialmente no que diz respeito ao amparo e à formação de jovens em meados do século XX.
Em 1955, a região que hoje compreende o bairro era marcada por grandes extensões de terra e chácaras. 
A Chácara de Menores era uma instituição de assistência que buscava oferecer um ambiente de semi-internato ou internato para jovens em situação de vulnerabilidade ou abandono.
Na década de 50, essas instituições tinham um caráter educativo e agrícola. 
Os jovens aprendiam ofícios e trabalhavam na terra, com o objetivo de profissionalização e reintegração social.
O isolamento relativo da Zona Leste naquela época favorecia a instalação dessas unidades, que demandavam grandes áreas para plantio e oficinas.
FEBEM (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor)
Com o passar das décadas, as políticas de assistência ao menor no Brasil mudaram. 
A estrutura da antiga Chácara de Menores acabou sendo absorvida pelo modelo da FEBEM (e posteriormente pelas fundações estaduais que a sucederam).
O que começou como uma iniciativa de assistência social e ensino de ofícios em 1955 passou a integrar o sistema estadual de atendimento ao menor, refletindo as mudanças nas leis de proteção à infância e juventude no país.
A presença dessa instituição foi um dos marcos de referência para o crescimento do Bairro Linhares, sendo muitas vezes o ponto central de referência geográfica para os moradores da região leste.
Hoje, o Linhares é um Bairro residencial vibrante, mas que mantém na memória coletiva o período em que era conhecido por suas áreas rurais e pelas instituições de ensino e assistência.
O Bairro cresceu em torno dessas áreas institucionais, e muitos dos antigos terrenos das chácaras foram loteados para dar lugar às residências atuais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
57
A Usina de Marmelos, localizada em Juiz de Fora (MG), é um dos maiores marcos da engenharia e do pioneirismo industrial do Brasil e da América Latina. 
Sua importância histórica é tão vasta que ela é frequentemente citada como o símbolo do nascimento da modernidade elétrica no continente.
A inauguração em 5 de setembro de 1889 colocou Juiz de Fora na vanguarda mundial. 
Naquela época, grandes metrópoles europeias, como Paris, ainda dependiam predominantemente da iluminação a gás. 
Marmelos foi a primeira usina hidrelétrica da América Latina destinada ao serviço público, quebrando o paradigma de que a eletricidade era algo restrito a pequenas experiências ou uso industrial privado isolado.
O idealizador do projeto foi o industrial Bernardo Mascarenhas. 
Ele precisava de energia para sua fábrica de tecidos e percebeu que o Rio Paraibuna oferecia o potencial necessário. 
Ao fundar a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas, ele não apenas resolveu o problema de sua fábrica, mas transformou Juiz de Fora na "Manchester Mineira", atraindo diversas outras indústrias e modernizando a cidade.
Dois grupos geradores monofásicos de 125 kW cada (totalizando 250 kW).
A tecnologia era de ponta para a época, com máquinas importadas da empresa americana Westinghouse.
A energia era transmitida por uma linha de cerca de 7 km até o centro da cidade, uma distância considerável para os padrões técnicos de 1889.
Com a usina, Juiz de Fora tornou-se a primeira cidade do Brasil a ter iluminação pública residencial e comercial alimentada por energia hidrelétrica. Isso mudou completamente a dinâmica da cidade:
Permitiu a expansão dos bondes elétricos.
Prolongou as atividades comerciais e sociais no período noturno.
Consolidou a vocação industrial da região por décadas.
Hoje, a edificação da Usina de Marmelos Zero é um bem tombado e funciona como um museu (Museu Marmelos Zero), sob a guarda da CEMIG e da UFJF. 
O prédio que aparece na foto é um testemunho arquitetônico dessa época, mantendo o estilo industrial do final do século XIX.
É fascinante notar que, enquanto o Brasil ainda era um Império (faltavam apenas dois meses para a Proclamação da República), Juiz de Fora já "iluminava" o futuro do continente. 
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
56
Sede do Colégio Machado Sobrinho
Década de 1940
Histórico da Fundação Educacional Machado Sobrinho 109 Anos
Em 1909, quando o Emérito Educador, Antônio Vieira de Araújo Machado Sobrinho, lançou os fundamentos do Externato Lucindo Filho, ministrando os cursos primário, preparatório e comercial, dava início a uma grandiosa obra educacional, legada à juventude juiz-forana, que é, hoje, o COLÉGIO MACHADO SOBRINHO.
Em 1912, fundou, também, o Instituto Comercial Mineiro, anexo ao Colégio Lucindo Filho. Sua obra visava, especialmente, os jovens carentes e sequiosos por aprender. Filantropo, o mestre Machado Sobrinho dedicou a sua vida a fazer o bem e a criar oportunidades para a juventude menos abastada.
Até meados de 1938, a Instituição esteve sob a direção de seu fundador, cujo falecimento ocorrera naquele ano. Passou, então, a ser dirigida pelo seu filho mais velho, o Deputado Federal Luiz de Gonzaga Machado Sobrinho, que exerceu suas funções até 1942 quando, por motivo de saúde, passou a direção do educandário ao Professor Fernando de Paiva Mattos.
No ano seguinte, em 1943, o Instituto Comercial Mineiro passou a denominar-se Escola Técnica de Comércio Machado Sobrinho, mantendo os cursos comercial, básico e técnico em contabilidade. Mais tarde, verificando-se a necessidade de ampliar os serviços educacionais, o Diretor resolveu restabelecer o curso primário, o curso ginasial e o colegial.
No início de 1961, reuniram-se, sob a presidência do Professor Píndaro José Alves Machado Sobrinho, os descendentes do saudoso educador Antônio Vieira Araújo Machado Sobrinho, ocasião em que a Escola Técnica de Comércio, por decisão unânime dos sócios, foi transformada em Fundação, objetivando perpetuar o nome do Fundador, difundindo e aperfeiçoando seus ensinamentos.
A Fundação Educacional Machado Sobrinho, entidade sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, sucessora do Colégio Lucindo Filho e do Instituto Comercial Mineiro, sob a dinâmica e atuante direção do Prof. Fernando de Paiva Mattos, prosperou. Além dos cursos em funcionamento, a partir de 1969, foram criadas Faculdades de Administração e de Ciências Contábeis.
A melhoria do processo educacional – do Colégio e da Faculdade – estava ligada, diretamente, à formação e valorização do corpo docente, principal responsável pela qualidade e preparo da juventude para os embates da vida social e profissional. Consequência natural desse aprimoramento foi o a organização do Centro de Pós-graduação da Faculdade Machado Sobrinho, em 1982, lançando diversos cursos de especialização lato-sensu.
Em 1989, com a instalação das faculdades em seu campus, surgiram novas perspectivas aos planos de expansão e desenvolvimento, transformando a Fundação numa das mais promissoras e respeitadas Instituições de Ensino da Cidade e da região.
Com o passar dos anos, na busca incessante por um patamar superior de qualidade em todos os seus cursos, nos diversos segmentos em que atua, houve a necessidade de imprimir-se novo ritmo de crescimento e modernização da estrutura física e do quadro de colaboradores.
Com o afastamento do Prof. Fernando de Paiva Mattos, em 1997, assumiu a Direção Executiva da Fundação, o então assistente do diretor, Miguel Luiz Detsi Neto. Desde o início, sua gestão priorizou o desenvolvimento organizado da Fundação, sobretudo investindo no crescimento da Faculdade e na ampliação do Colégio, consolidando os segmentos da Educação Básica e implantando a educação infantil, o curso pré-vestibular, o curso técnico em Administração/Formação Gerencial, novos cursos de pós-graduação, além de prospectar novos cursos de graduação bacharelado e tecnológica.
Visando ao pleno funcionamento da Instituição foi necessário reorganizar a parte administrativa e pedagógica, criando-se as Diretorias Acadêmicas e as Coordenações específicas por segmentos e/ou centros, assegurando-se, assim, os melhores níveis de qualidade propostos para a Instituição.
Já em 2008, sob a presidência atuante do Dr. Paulo Cezar Castro Gonçalves, a Instituição foi autorizada a funcionar com os novos cursos de graduação bacharelado – Psicologia, Pedagogia e Engenharia de produção – e, também, com seis cursos de graduação tecnológica – Marketing, Eventos, Sistema para Internet, Gestão Ambiental, Gestão Comercial e Gestão Financeira.
Com o passar dos anos, a Fundação Educacional Machado Sobrinho, através da união e do equilíbrio de sua estrutura de gestão superior e administrativa, aliada ao trabalho eficiente dos seus colaboradores docentes e auxiliares de administração escolar, vem se firmando como uma das maiores e mais destacadas Instituições de Ensino do estado de Minas Gerais.
Os próximos anos serão, sem dúvida, de muito trabalho e investimentos consideráveis na estrutura física e de pessoal para o constante aprimoramento dos processos de formação dos jovens, em todos os níveis educacionais.
Agora que você conheceu um pouco mais da história do Colégio Machado Sobrinho, orgulhe-se: você é um MACHADENSE !!!
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Coordenador: Helio Noronha Filho
Acervo: Memorial Machadense
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O Chalé e a "Casa da Noiva"
O prédio que hoje abriga o Privilège é uma das construções mais icônicas da Cidade Alta. 
Recebeu o apelido de "Casa da Noiva" devido à sua arquitetura romântica, com detalhes em madeira e tijolos aparentes que remetiam aos chalés europeus.
Situado no topo da subida da Gentil Forn, ele servia como um marco visual para quem deixava o centro em direção ao "longínquo" (na época) Bairro São Pedro.
Antes de se tornar uma casa de eventos noturnos de renome nacional, o espaço teve diversas funções, inclusive servindo como residência e local de lazer, como comprovado pela presença das Bandeirantes.
Esta Fotografia um registro valioso do Movimento Bandeirante. 
Ver as jovens uniformizadas no pátio dos fundos do chalé mostra como a região de São Pedro era vista na década de 60: Naquela época, o São Pedro era predominantemente rural e repleto de granjas. 
Era o local ideal para acampamentos e atividades ao ar livre, longe do movimento urbano da Rua Halfeld.
O movimento tinha forte presença na cidade, focado na formação ética e social das jovens, muitas delas vindas de famílias tradicionais ou de colégios religiosos da região central.
O Bairro passou por uma das maiores transformações de Juiz de Fora:
O nome remete à Colônia de São Pedro, formada por imigrantes alemães e italianos, que transformaram a área em um cinturão agrícola.
O "Boom" da UFJF: A proximidade com a Universidade Federal de Juiz de Fora (instalada nos anos 60/70) mudou completamente o perfil do Bairro, que deixou de ser um local de "retiro" e acampamentos para se tornar o coração estudantil e boêmio da cidade.
Hoje, a Gentil Forn é uma via expressa vital, e o local onde as Bandeirantes acampavam em 1967 é cercado por condomínios de luxo e intensa atividade comercial.
Os tubos de concreto que aparecem empilhados em primeiro plano na imagem sugerem que, mesmo em 1967, o local já passava por obras de infraestrutura (provavelmente saneamento ou drenagem), sinalizando o início da urbanização acelerada da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Celia Lazzari  
54
O Chalé e a "Casa da Noiva"
O prédio que hoje abriga o Privilège é uma das construções mais icônicas da Cidade Alta. 
Recebeu o apelido de "Casa da Noiva" devido à sua arquitetura romântica, com detalhes em madeira e tijolos aparentes que remetiam aos chalés europeus.
Situado no topo da subida da Gentil Forn, ele servia como um marco visual para quem deixava o centro em direção ao "longínquo" (na época) Bairro São Pedro.
Antes de se tornar uma casa de eventos noturnos de renome nacional, o espaço teve diversas funções, inclusive servindo como residência e local de lazer, como comprovado pela presença das Bandeirantes.
Esta Fotografia um registro valioso do Movimento Bandeirante. 
Ver as jovens uniformizadas no pátio dos fundos do chalé mostra como a região de São Pedro era vista na década de 60: Naquela época, o São Pedro era predominantemente rural e repleto de granjas. 
Era o local ideal para acampamentos e atividades ao ar livre, longe do movimento urbano da Rua Halfeld.
O movimento tinha forte presença na cidade, focado na formação ética e social das jovens, muitas delas vindas de famílias tradicionais ou de colégios religiosos da região central.
O Bairro passou por uma das maiores transformações de Juiz de Fora:
O nome remete à Colônia de São Pedro, formada por imigrantes alemães e italianos, que transformaram a área em um cinturão agrícola.
O "Boom" da UFJF: A proximidade com a Universidade Federal de Juiz de Fora (instalada nos anos 60/70) mudou completamente o perfil do Bairro, que deixou de ser um local de "retiro" e acampamentos para se tornar o coração estudantil e boêmio da cidade.
Hoje, a Gentil Forn é uma via expressa vital, e o local onde as Bandeirantes acampavam em 1967 é cercado por condomínios de luxo e intensa atividade comercial.
Os tubos de concreto que aparecem empilhados em primeiro plano na imagem sugerem que, mesmo em 1967, o local já passava por obras de infraestrutura (provavelmente saneamento ou drenagem), sinalizando o início da urbanização acelerada da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Celia Lazzari  
53
O Parque Halfeld e o Coreto
No coração da imagem, o Parque Halfeld aparece com seu paisagismo clássico e o icônico coreto. 
Naquela época, o parque não era apenas um espaço de passagem, mas o principal ponto de encontro social da elite e da população local, sendo palco de retretas musicais e manifestações culturais que definiam o ritmo da cidade.
A Biblioteca Municipal (Estilo Manuelino)
O detalhe mais nostálgico e historicamente relevante ao fundo é a Biblioteca Municipal. 
Construída em estilo manuelino (uma derivação ornamental do gótico português), ela era uma joia arquitetônica rara na região.
Sua substituição por construções modernas é frequentemente citada como uma das grandes perdas para o patrimônio histórico de Juiz de Fora. 
A avenida já se apresentava como a espinha dorsal da cidade. 
O que chama a atenção na restauração são: Os carros de passeio da década de 30, com seus estribos e linhas quadradas, reforçam o clima de "Belle Époque" tardia da Manchester Mineira.
As palmeiras imperiais, que ainda hoje são símbolos da via, já aparecem imponentes, emoldurando a transição entre o parque e o leito da avenida.
Nesta década, Juiz de Fora passava por uma transição econômica e urbana. Enquanto o café perdia espaço, a indústria e os serviços ganhavam força, refletindo-se em um mobiliário urbano mais sofisticado e no cuidado com os jardins públicos, como se vê no detalhamento dos canteiros do parque.
Década de 1930
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
52
O Hospital Militar e o Bairro Fábrica
Localizado em uma área estratégica de Juiz de Fora, o Bairro Fábrica, o Hospital Militar sempre foi uma referência na assistência à saúde dos militares e seus dependentes.
O Bairro Fábrica tem uma forte identidade ligada ao desenvolvimento industrial e militar da cidade. 
A presença do hospital e das unidades do Exército moldou a rotina das ruas ao entorno
A fachada preserva o estilo sóbrio e imponente das construções militares de meados do século XX, com janelas simétricas e a sacada central sobre a entrada principal, onde a bandeira do Brasil é orgulhosamente hasteada.
O depoimento de Simone Motta adiciona o fator humano que as estatísticas não mostram.
O Tenente-Coronel Dalmo de Oliveira Motta não foi apenas um diretor; ele foi o gestor que atravessou os anos 60 e 70 à frente da instituição, período em que a fotografia foi tirada.
Ser médico obstetra em um ambiente militar exige uma dedicação dupla. 
O Doutor Dalmo foi responsável por trazer ao mundo muitos filhos de militares da região, tornando-se uma figura central na comunidade. 
Sua saída em 1976 marca o fim de um ciclo de gestão duradoura e respeitada.
A imagem revela elementos que confirmam o período citado: O Automóvel: À esquerda, vemos um carro que remete às linhas dos veículos da época (como o Fusca ou um Opala), típicos do cenário urbano de Juiz de Fora naquela transição de décadas.
As pessoas na calçada, com vestidos e trajes sociais, refletem o rigor e a elegância que as visitas ao hospital militar exigiam naqueles tempos.
Notem a placa ao lado da porta principal; ela identificava a unidade para quem chegava pela rampa de acesso.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta 
51
Museu Mariano Procópio e o Bairro ao seu redor nas primeiras décadas do século XX.
O Bairro se desenvolveu em torno da antiga Villa Ferreira Lage. 
Em 1929, o Museu já estava consolidado como o primeiro museu histórico e artístico de Minas Gerais (fundado em 1915).
A proximidade com a Estrada de Ferro Central do Brasil e a influência da família Ferreira Lage trouxeram uma urbanização elegante, com casarões e uma arborização densa que se integrava ao parque do museu.
A vista parcial do lago em 1929 revela o conceito de "jardim inglês" ou pitoresco:
O detalhe em primeiro plano mostra a mureta ou ponte com acabamento rústico, imitando troncos ou pedras naturais. 
Esse estilo era muito comum no paisagismo da época para criar uma conexão orgânica com a natureza.
Ao fundo, no meio do lago, nota-se a pequena construção de madeira que servia de abrigo para as aves aquáticas e macacos que ali habitavam. 
Este é um elemento clássico que atravessou décadas no imaginário dos juiz-foranos.
As palmeiras imperiais ao fundo e a vegetação aquática (como as vitórias-régias e ninféias que eram famosas no local) reforçam a ideia de um santuário botânico no coração da cidade.
O Álbum de Juiz de Fora (1929)
Este álbum foi uma das publicações mais importantes da época para promover a "Manchester Mineira".
Juiz de Fora vivia o auge de sua potência industrial e cultural. 
O álbum servia para mostrar ao Brasil uma cidade moderna, limpa e com espaços de lazer de nível europeu.
As fotos originais deste álbum possuem uma composição artística muito apurada, focando em luz e sombra, o que permitiu que a nossa restauração trouxesse de volta as texturas das folhas e o reflexo límpido da água.
Em 1929, o Brasil estava às vésperas da Revolução de 30, e Juiz de Fora era um centro político efervescente. 
Enquanto a política fervia nas ruas, o Lago do Museu Mariano Procópio permanecia como um refúgio de contemplação e silêncio.
A colorização buscou resgatar o verde profundo da mata do entorno e o tom terroso característico das estruturas rústicas do parque, mantendo a atmosfera serena que o acervo do Museu sempre proporcionou.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
50
Abrigo de Passageiros da Avenida Rio Branco.
O Abrigo de Concreto (Arquitetura Modernista)
Diferente dos abrigos de ferro fundido do início do século, estas estruturas de concreto armado, com suas linhas curvas e "vão livre", foram instaladas para dar um ar de modernidade à cidade.
Eles serviam como pontos centrais de transbordo. 
Na fotografia, vemos o bonde parado exatamente sob a cobertura, protegendo os passageiros do sol e da chuva enquanto aguardavam a subida para bairros como o Alto dos Passos.
Situados no canteiro central da Rio Branco, esses abrigos organizavam o fluxo intenso de pedestres no coração da "Manchester Mineira".
Na década de 60, os bondes de Juiz de Fora já viviam seus últimos anos de glória antes da desativação em 10 de Abril de 1969.
Eram veículos robustos, muitas vezes operados com as laterais abertas (os famosos "estribos"), onde era comum ver passageiros viajando pendurados nos horários de pico.
Vemos o trilho do bonde dividindo o espaço com ícones da indústria automobilística brasileira, como o Fusca. Kombi e outros.
Nos anos 60, o crescimento da frota de carros e ônibus começou a tornar os bondes "obstáculos" ao trânsito rápido, o que levou à polêmica decisão de retirá-los das ruas no final daquela década.
Ao fundo, a silhueta dos prédios e as montanhas de Juiz de Fora mostram uma cidade que já verticalizava seu centro, mas ainda mantinha o charme dos paralelepípedos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Josete Masini Sampaio.
49
A Avenida Raul Soares é um dos capítulos mais fascinantes e, ao mesmo tempo, melancólicos da história urbana de Juiz de Fora. 
Ela representou o auge de uma estética europeizada e de um planejamento que buscava colocar a "Manchester Mineira" no mesmo patamar de modernidade que o Rio de Janeiro.
Inaugurada na década de 1920 e consolidada nos anos 30, a Raul Soares não era apenas uma rua de passagem, mas um cartão-postal arquitetônico.
Como você pode ver na imagem que restauramos, os prédios possuíam fachadas ornamentadas, sacadas trabalhadas e uma harmonia visual que hoje é rara.
Ela abrigava estabelecimentos como o Grande Armazém de Tecidos e Modas e farmácias tradicionais, atendendo à elite e à classe média da época.
A avenida contava com arborização planejada e uma iluminação pública que realçava a beleza dos casarões à noite.
A mudança não foi apenas de nome, mas de função. Com o crescimento industrial e a necessidade de escoamento de tráfego, o perfil da cidade mudou drasticamente:
A Raul Soares foi absorvida pelo traçado da Avenida Brasil, que priorizou o fluxo de veículos e a conexão entre zonas da cidade, em detrimento do passeio público e da preservação arquitetônica.
Para alargar as vias e construir o novo eixo viário, a grande maioria dos casarões ecléticos mostrados na foto foi demolida ou teve suas fachadas simplificadas ao extremo.
Dizer que ela "não existe mais" é correto do ponto de vista estético e sentimental. 
Hoje, quem passa pela Avenida Brasil dificilmente consegue imaginar que ali existiu um corredor de prédios tão refinados.
A preservação de registros fotográficos, como este, é o que mantém viva a compreensão de que Juiz de Fora já teve uma identidade visual muito próxima das grandes capitais europeias.
A transformação da Raul Soares na atual Brasil também marcou a separação mais brusca entre o centro e a margem do rio, que antes tinham uma relação mais integrada e harmoniosa.
É um exercício de "arqueologia urbana" observar essas fotos e notar como a modernidade do asfalto, muitas vezes, apaga a beleza da pedra e do ornamento.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
48
A antiga Igreja da Glória antes do fatídico evento de 1923. 
O relato de Uilmara Machado de Melo é preciso e ajuda a contextualizar a importância dessa imagem para a memória da cidade.
A construção que vemos ao fundo era a igreja original dos missionários Redentoristas. 
Com um estilo arquitetônico mais simples e rústico se comparado à majestosa igreja atual, ela era o coração da comunidade na região da Rua Padre Mathias e arredores do Morro da Glória.
A imagem revela muito sobre a Juiz de Fora do início do século XX:
A Rua Padre Mathias: Ainda em terra batida, com cavalos e mulas estacionados, mostrando que o transporte animal era a força motriz da época.
As Crianças e o Religioso: A presença do padre junto às crianças sugere o papel central da igreja na educação e na vida social do bairro.
A Cervejaria Americana: O fato de o alarme do incêndio ter sido dado por um rondante da cervejaria (que ficava nas proximidades) reforça o caráter industrial que a região da Glória e de Mariano Procópio já possuía.
O Incêndio de 12 de Abril de 1923
Como bem mencionado, o incêndio foi um choque para a cidade. 
O detalhe de que a nova igreja já estava quase pronta foi o que permitiu que o culto continuasse e que a Paróquia da Glória se tornasse o complexo arquitetônico que conhecemos hoje. A destruição foi total, mas o salvamento das imagens permitiu que um pedaço daquela igreja antiga continuasse presente na nova construção.
A presença do prefeito Doutor José Mariano Procópio no local do incêndio demonstra a relevância do templo para a cidade. 
Juiz de Fora vivia seu auge como a "Manchester Mineira", e a perda de um patrimônio como esse era uma questão de estado.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Arquivo da Biblioteca Redentorista
47
Essa imagem é um registro histórico fascinante de um dos cartões-postais mais emblemáticos de Minas Gerais. 
A fotografia captura um momento de transição arquitetônica e tecnológica no Morro do Imperador, em Juiz de Fora, provavelmente em meados da década de 1960.
O que mais chama a atenção na foto é o diálogo visual entre duas eras: A Capela e o Cristo (1906): À direita, vemos o monumento ao Cristo Redentor, inaugurado décadas antes do famoso Cristo do Rio de Janeiro. 
Ele representa a fé e a tradição da virada do século, erguido em um ponto que já era histórico pela visita de D. Pedro II.
A Torre Helicoidal: À esquerda, a estrutura metálica em ascensão (ainda com andaimes ou em fase de finalização na foto original) representa a vanguarda técnica. 
Essa torre, com seu design em hélice, não foi apenas um marco visual, mas o motor da TV Industrial, permitindo que a cidade fosse pioneira na transmissão televisiva no interior do estado.
Situado a 923 metros de altitude, o local oferece o que muitos consideram a "moldura oficial" de Juiz de Fora. 
O Mirante Salles de Oliveira, consolidou o morro como o principal ponto de observação do crescimento urbano da Manchester Mineira ao longo do século XX.
A denominação "Morro do Imperador" é uma homenagem direta à hospitalidade juiz-forana e ao interesse de D. Pedro II pelas belezas naturais e pelo progresso da região, já que ele subiu a elevação para vislumbrar o traçado da cidade que florescia com a Estrada União e Indústria.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
46
Esta imagem é um documento histórico precioso para a memória de Juiz de Fora, carregada de um valor sentimental que transcende o registro comercial. Com as informações detalhadas por José Eduardo Araújo, o contexto da fotografia se torna muito mais rico e humano.
A presença do Senhor João Evangelista de Araújo na foto não é apenas a de um expositor, mas a de um elo comercial importante para a época. 
Como representante regional das Rações Santista (fabricadas em São Paulo), ele personifica o momento em que a agropecuária de Juiz de Fora começava a adotar insumos tecnológicos e industriais para aumentar a produtividade. 
A história de sua última propriedade rural, no final da Rua São Geraldo (onde hoje é o Bairro Araci), conecta a expansão urbana da cidade com o seu passado rural.
O cenário é o Pavilhão dos Expositores da Indústria e do Comércio, dentro do Parque de Exposições localizado no Bairro Jockey Club.
Nas décadas de 1940 e 1950, a "Exposição de Juiz de Fora" era um dos eventos mais importantes de Minas Gerais. 
Era o local onde o prestígio da elite agrária se encontrava com a modernidade industrial.
O teto alto, as janelas de ferro e o piso geométrico que vemos na foto são característicos da arquitetura funcional desses pavilhões, projetados para receber grandes multidões e exibir o que havia de mais moderno na economia local e nacional. 
As ilustrações ampliadas da cabeça do galo e do boi serviam para identificar rapidamente o público-alvo (avicultores e pecuaristas) em um ambiente de feira barulhento e movimentado.
Os sacos de juta abertos, exibindo a textura da ração, permitiam que o produtor rural tocasse e avaliasse a qualidade do produto, uma prática de venda essencial no período.
É possível notar ao fundo referências a Santos Dumont, cidade vizinha que mantinha fortes laços comerciais e agropecuários com Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
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O Salão de Festas do Sport Club
Nas décadas de 60 e 70, o salão do Sport (localizado na Avenida Barão do Rio Branco) era o "coração" dos grandes eventos sociais.
O espaço era conhecido por sua elegância, com lustres imponentes e um piso de madeira que recebia desde os famosos bailes de Carnaval e Réveillon até apresentações culturais refinadas.
Era onde a sociedade juiz-forana se reunia para ver e ser vista. 
Apresentações de orquestras de acordeom, como a da Professora Mary Bragagnolo, eram eventos de prestígio, unindo a disciplina técnica musical ao charme dos vestidos de gala.
O depoimento de Maria Luiza destaca a importância da Professora Mary Bragagnolo para a música local.
Naquela época, o acordeom era um instrumento extremamente popular e estudado por jovens de famílias tradicionais.
Notem a padronização e o capricho: os vestidos rodados (estilo "debutante") e a postura das musicistas refletem o rigor e a elegância que as apresentações exigiam.
A menção à apresentação em São João Nepomuceno mostra como esses grupos culturais de Juiz de Fora eram requisitados em toda a região da Zona da Mata, funcionando como verdadeiros embaixadores culturais da "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Maria Luiza Oliveira Moraes  
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O Carro Ferroviário de Luxo (O "Carro Imperial")
O veículo onde os personagens estão sentados é um exemplar raríssimo de carro de passageiros de luxo, fabricado para servir à alta cúpula do Império ou a diretoria das grandes ferrovias (como a Estrada de Ferro Dom Pedro II, posteriormente Central do Brasil).
Observem o refinamento dos detalhes que a restauração ajudou a destacar: as poltronas em veludo (frequentemente em tons de bordô ou carmim), as cortinas pesadas com franjas e os painéis de madeira nobre esculpida. 
Esses carros eram verdadeiros salões de gala sobre trilhos.
A cidade, sendo um dos maiores entroncamentos ferroviários do país, abrigou diversas dessas relíquias em suas oficinas (como as da antiga EFCB). 
A presença do Doutor Vicente Vani Nardelli ao fundo confere à foto um enorme valor biográfico.
Ele foi uma figura proeminente em Juiz de Fora, com forte atuação na medicina e na vida social e cultural da cidade.
Nas décadas de 1950 e 1960, era comum que personalidades da cidade realizassem visitas técnicas ou sociais a locais de preservação histórica, como o Museu Mariano Procópio ou as instalações ferroviárias, para registrar a memória local.
Neste período, o Brasil vivia o início do declínio do transporte ferroviário de passageiros em favor das rodovias. 
Fotografia como esta eram registros de um passado de "ouro" que já estava se tornando nostálgico. 
A postura dos retratados, o cigarro na mão, as vestimentas formais e o ambiente clássico, reflete a elegância social da época em Juiz de Fora.
É provável que esta foto tenha sido tirada durante um evento ou visita a um dos vagões que hoje compõem o acervo histórico, talvez o próprio "Vagão de Dom Pedro II" ou um similar da presidência da ferrovia.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
43
A Represa Doutor João Penido foi um divisor de águas para o desenvolvimento da cidade na primeira metade do século XX.
Em 1936, a represa ainda era uma obra relativamente recente e um símbolo de modernidade tecnológica. 
Inaugurada oficialmente em 1934 (embora o projeto e a construção tenham atravessado o início da década de 30), ela foi projetada para resolver o crônico problema de abastecimento de água que a "Manchester Mineira" enfrentava devido ao seu rápido crescimento industrial.
O nome homenageia o médico e político João Penido, figura central na história da saúde pública e da política local.
A fotografia destaca a imponente barragem de terra e concreto. 
Na época, foi considerada uma das maiores obras de engenharia sanitária do estado de Minas Gerais.
É possível ver na imagem a torre de captação original, que se tornou o elemento visual mais icônico dos cartões-postais da região.
Projetada para garantir décadas de autonomia, ela represou as águas do Ribeirão do Meio, criando um espelho d'água que mudou a geografia do bairro Remonta e arredores.
Cartões-postais como este eram comuns na época para exaltar o progresso urbano. Eles mostravam que Juiz de Fora não era apenas uma potência fabril, mas também uma cidade que investia em saneamento e planejamento de longo prazo.
Hoje, a Represa João Penido continua sendo o principal manancial de abastecimento da cidade, sendo responsável por cerca de 50% da água consumida pelos juiz-foranos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
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Estádio Doutor José Procópio Teixeira, popularmente conhecido como o Estádio do Sport, localizado na Avenida Barão do Rio Branco, em Juiz de Fora.
A fotografia destaca a imponente arquibancada coberta, um marco da arquitetura esportiva mineira. 
Abaixo, detalho os pontos históricos mais relevantes sobre este local e o cenário que vemos na foto:
O Sport Club Juiz de Fora foi o primeiro clube de Minas Gerais a possuir uma arquibancada coberta. 
A estrutura original foi inaugurada ainda em 1916, mas a versão monumental que vemos na foto, com sua cobertura em balanço (sem pilares frontais para não obstruir a visão), foi um projeto arrojado do renomado arquiteto Arthur Arcuri.
Devido ao seu valor histórico e técnico, a arquibancada e a sede social (estilo Art Déco) são tombadas pelo patrimônio municipal. 
Elas representam a era de ouro da "Manchester Mineira".
O Estádio José Procópio Teixeira
Embora atualmente tenha capacidade para cerca de 6.500 pessoas, nos anos 40 e 50 houve um projeto ambicioso para transformá-lo em um estádio para 50 mil torcedores, o que o tornaria o maior do Brasil na época (antes da construção do Maracanã).
O "Gigante da Avenida": O estádio recebeu esse apelido por sua localização privilegiada no coração da cidade. Durante décadas, foi o principal palco dos clássicos "Tu-Tu" (Tupi vs. Tupynambás) e dos jogos do próprio Sport (o "Verdão da Avenida").
Embora a data exata da foto não tenha sido informada, o estilo do veículo (uma Kombi ou furgão de transmissão/serviço) e o vestuário do público sugerem que a imagem pertença ao período entre as décadas de 1950 e 1970.
O estádio costumava lotar em finais de campeonatos citadinos e em jogos contra grandes equipes de Belo Horizonte ou do Rio de Janeiro.
Por estar no centro, o estádio também era palco de desfiles cívicos, missas campais e comemorações importantes, como o Centenário de Juiz de Fora em 1950. 
Observe que, além da arquibancada, há pessoas ocupando cada espaço disponível até o alambrado, o que indica um evento de enorme apelo popular.
O nome do estádio homenageia o ex-presidente do clube, José Procópio Teixeira Filho, que foi uma figura fundamental na expansão patrimonial do Sport.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
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2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) conhecido como o "Dois de Ouro"
A Hospedaria de Imigrantes (Horto Barbosa)
Antes de se tornar um quartel, o local funcionava como a Hospedaria de Imigrantes, sob a administração do antigo Horto Barbosa.
Construída no final do século XIX/ início do XX, servia como ponto de recepção e triagem para imigrantes (principalmente italianos) que chegavam para trabalhar nas lavouras de café e nas indústrias têxteis de Juiz de Fora.
O prédio imponente, que você vê na sua foto original, segue um estilo eclético típico das construções oficiais da época, com pé-direito alto e janelas simétricas que facilitavam a ventilação de grandes grupos de pessoas.
A ocupação militar do espaço consolidou a segurança na região leste da cidade. 
O 2º BPM é uma das unidades mais tradicionais de Minas Gerais.
Esse período marca uma fase de transição e modernização do policiamento em Minas. Como você notou na foto das Chevrolet Veraneio, a identidade visual cinza e branca era o padrão da época.
A escolha do local foi estratégica, permitindo o rápido deslocamento para o centro e para as saídas da cidade, além de ocupar um espaço físico que já possuía infraestrutura de alojamento e grandes pátios (herança da hospedaria).
Historicamente operário e militar, o bairro se desenvolveu muito devido à proximidade com a linha férrea e o Rio Paraibuna.
Na fotografia de 1988, é comum ver essas Veraneios com o prefixo "RP" (Rádio Patrulha) nos para-choques, simbolizando a agilidade que a corporação buscava implementar naquele final de década.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Foto doada ao Blog Mauricio Resgatando o Passado a Historia de Juiz de Fora pelo 2º Batalhão de Polícia Militar Dois de Ouro
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Menelick de Carvalho foi uma figura central na modernização administrativa e cultural de Juiz de Fora durante a década de 1930. 
O evento, em 3 de outubro de 1934, marca um momento significativo de sua gestão: a valorização do patrimônio intelectual da Cidade.
A Biblioteca Municipal de Juiz de Fora (que hoje leva o nome de Murilo Mendes em sua fundação atual, mas que teve diversas sedes) funcionou por um período em um prédio de estilo eclético localizado no Parque Halfeld.
A Reinauguração: Naquela data, Menelick de Carvalho entregava à população um espaço renovado. O discurso de um prefeito com formação em Direito e trânsito na elite intelectual mineira costumava enfatizar o progresso, a educação e a "civilidade" da Manchester Mineira.
Como notamos na imagem, a presença daquele suporte circular (um microfone de suspensão elástica da época) sugere que o discurso foi transmitido ou registrado, possivelmente pela PRB-3 Rádio Sociedade de Juiz de Fora, que já operava na década de 30 e cobria os grandes atos da prefeitura.
Menelick de Carvalho como Gestor
Ele assumiu a prefeitura em um período de transição após a Revolução de 1930. Sua trajetória revela um perfil de "técnico-político":
Prefeito Construtor: Além da área cultural, sua gestão foi marcada por obras de infraestrutura e pelo saneamento das contas públicas.
Como diretor da Companhia Mineira de Eletricidade, ele compreendia a importância da tecnologia e da energia para o desenvolvimento urbano, o que se refletia na modernização dos próprios prédios públicos.
Menelick era conhecido por sua oratória articulada. 
Em 1934, o Brasil vivia o processo de redemocratização após a Assembleia Constituinte, e as prefeituras buscavam reafirmar sua autonomia e importância cultural. 
Reinaugurar uma biblioteca no coração geográfico e social da cidade (o Parque Halfeld) era um gesto político poderoso para mostrar que a cidade estava na vanguarda de Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
39
Esta fotografia do interior do Museu Mariano Procópio em 1920 revela a riqueza do primeiro museu surgido em Minas Gerais, fundado por Alfredo Ferreira Lage. 
A imagem captura uma das salas da Villa Ferreira Lage, o prédio histórico que constitui o coração do museu.
O prédio foi projetado e construído pelo engenheiro alemão Carlos Augusto Gambs em 1861.
A arquitetura segue o estilo renascimento italiano, caracterizado pela elegância das proporções e pelo uso de elementos clássicos.
Antes de se tornar museu, a Villa foi a residência de Mariano Procópio Ferreira Lage, o idealizador da Estrada União e Indústria.
A imagem de 1920 mostra a sala preparada para a função museológica, destacando-se:
Acervo Imperial: É possível notar quadros e bustos que remetem à história do Império do Brasil, uma vez que o museu possui uma das mais importantes coleções desse período no país.
Mobiliário e Decoração: O mobiliário refinado e os detalhes no teto e nas molduras dos espelhos reforçam o ambiente luxuoso da elite brasileira do século XIX.
No centro, a bandeira imperial ou estandartes reforçam a conexão da família Ferreira Lage com a monarquia, especialmente considerando as visitas da Família Imperial à residência.
O museu dá nome ao Bairro, que se desenvolveu ao redor da antiga propriedade da família Lage.
O Bairro foi o ponto de partida para a modernização da cidade com a Estrada União e Indústria e, posteriormente, com a chegada da ferrovia.
Além do museu e seu parque, o Bairro preserva a memória da transição entre o período colonial e a industrialização de Juiz de Fora.
Esta sala, restaurada e colorizada, permite visualizar a opulência e o cuidado com a preservação histórica que Alfredo Ferreira Lage dedicou ao criar este espaço de memória em 1915 (aberto ao público oficialmente em 1921).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Esta fotografia é um registro excepcional da verticalização e da modernização do Centro de Juiz de Fora, capturada de um dos pontos de observação mais privilegiados da época.
O Edifício Banco Mineiro da Produção (O Ponto de Observação)
Como bem observado por Fransérgio Delgado, a fotografia foi tirada do topo deste edifício, localizado na Rua Halfeld, 414.
O edifício é um marco do estilo moderno na cidade, com suas linhas sóbrias.
Estar posicionado na Rua Halfeld permitia essa visão panorâmica voltada para o Parque Halfeld e para a região da Rua Marechal Deodoro. 
Abaixo dele, como mencionado, fica o icônico Banco de Crédito Real, outro baluarte da história bancária mineira.
À direita da imagem, destaca-se a estrutura em concreto armado do que viria a ser o Fórum Benjamin Colucci.
A construção do Fórum começou em meados da década de 1950 e ele foi inaugurado em 1963. 
Ver o prédio ainda "no esqueleto" confirma que a foto é, de fato, do final dos anos 50.
Na época, ele se destacava como uma das maiores estruturas da região, alterando definitivamente a silhueta do entorno do Parque Halfeld.
A foto funciona como um mapa tridimensional da cidade naquele período:
A Igreja Metodista, Visível à direita (Rua Marechal Deodoro), com sua arquitetura característica que permanece preservada até hoje.
Cine Teatro Central: Aparece à esquerda.
Final da Década de 1950
Este foi um período de grande efervescência para Juiz de Fora. 
A cidade deixava para trás a predominância dos casarões baixos do século XIX e início do XX para abraçar os prédios de escritórios e residenciais multifamiliares. 
O grupo de senhores em trajes formais (terno e gravata) no parapeito sugere uma visita técnica ou uma inauguração, prática comum para celebrar o progresso da "Manchester Mineira".
Essa imagem é um documento precioso para entender como o centro que conhecemos hoje foi moldado há cerca de 70 anos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
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Título de eleitor de Hugo de Andrade Santos, datado de 4 de dezembro de 1933 (conforme o registro de expedição), representa o início de uma nova era na democracia brasileira.
Embora o documento mencione a inscrição iniciada em 1930, o modelo que vemos na imagem é fruto do Código Eleitoral de 1932, criado após a Revolução de 1930.
Foi este modelo que introduziu o voto secreto e o voto feminino no Brasil.
Notem a assinatura de "Juiz Eleitoral" no documento. 
A própria Justiça Eleitoral foi criada em 1932 para garantir a lisura do processo, combatendo as fraudes da República Velha.
O Titular: Doutor Hugo de Andrade Santos
O documento traz detalhes biográficos preciosos:
Naturalidade: Juiz-forano, nascido em 9 de abril de 1883.
Atuar como Juiz de Direito em sua própria terra natal reforça sua relevância na estrutura social e jurídica da cidade na época.
Como mencionado por Beatriz Paiva, ele viveu em um casarão histórico na Avenida Barão do Rio Branco, 1883. 
A localização, ao lado do antigo Cine Excelsior, coloca sua moradia no coração do desenvolvimento urbano da Juiz de Fora antiga.
Zona Eleitoral: 57ª Zona de Juiz de Fora.
O número "1" no campo de ordem da inscrição sugere que ele foi um dos primeiros (ou o primeiro daquela série/seção) a se regularizar sob as novas leis da época.
A presença da fotografia, da impressão digital ("Polegar direito") e da "Fórmula dactiloscópica" eram inovações para evitar que uma pessoa votasse no lugar de outra, um problema comum no período anterior.
Este registro é um elo entre a história pública de Juiz de Fora e a história privada de uma das famílias ilustres. 
É fascinante notar que ele nasceu em 1883 e o número de sua residência na Avenida também era 1883 — uma coincidência numérica curiosa.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Beatriz Paiva 
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O Dia em que as Águas Pararam Juiz de Fora 
A Enchente de 1906
A história de Juiz de Fora é marcada por ciclos de progresso, mas também por desafios impostos pela natureza. 
Um dos registros mais impactantes da nossa memória visual é a enchente de 16 de janeiro de 1906. 
Esta fotografia, extraída da obra Industrialização de Juiz de Fora 1850/1930, revela a força das águas em um dos pontos neurálgicos da cidade na época.
No centro da imagem, vemos a imponente estrutura da Tecelagem Bernardo Mascarenhas, símbolo da vanguarda industrial mineira. 
Inaugurada no final do século XIX, a fábrica não era apenas um centro de produção têxtil, mas o coração de uma região que começava a ditar o ritmo econômico do estado. 
Naquele janeiro de 1906, porém, o cenário de produtividade deu lugar ao isolamento provocado pelo transbordamento das águas.
O que hoje conhecemos como a movimentada Avenida Presidente Getúlio Vargas, na época chamava-se Avenida Quinze de Novembro. 
A fotografia original captura com precisão o estado da via: a rua não estava completamente submersa, mas apresentava-se parcialmente alagada e tomada por muita lama, dificultando o trânsito de pessoas, carroças e o escoamento da produção.
Imagens como esta são fundamentais para compreendermos a evolução urbana de Juiz de Fora. 
Elas nos mostram que, por trás do asfalto e dos prédios modernos, reside uma história de resiliência. 
Através de processos de restauração e colorização, conseguimos dar nova vida a esses momentos, permitindo que as gerações atuais visualizem com nitidez os detalhes da arquitetura e o impacto desses eventos climáticos no passado.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Domingos Giroletti
35
Um momento crucial da vida democrática de Juiz de Fora
Avenida Barão do Rio Branco
A "espinha dorsal" de Juiz de Fora. 
Em 1958, a avenida já era o centro nervoso da cidade, mas com uma estética bem diferente da atual: Era marcada por casarões históricos e os icônicos oitis (árvores) que formavam um túnel verde.
O tráfego era compartilhado entre os primeiros automóveis modernos da indústria nacional e os bondes, que ainda eram um símbolo do transporte público local.
Era o local do " footing", onde as famílias e jovens passeavam entre o Parque Halfeld e a Catedral.
O coração social e político da cidade. No contexto da sua foto: O parque não era apenas um jardim, mas a "ágora" juiz-forana. 
Era onde as discussões políticas aconteciam fervorosamente.
O Placar Eleitoral no Parque Halfeld 
Antes da era digital, a apuração era um evento social.
A estrutura de madeira que vemos na foto servia para exibir a contagem dos votos em tempo real (ou conforme os boletins de urna chegavam).
Note o nome de Olavo Costa em destaque. 
Ele foi uma figura central na política local. 
Também aparecem referências ao Diário Mercantil e à Rádio PRB-3, que eram os grandes veículos de comunicação responsáveis por atualizar esses placares.
É possível ver siglas como PSD, UDN e PTB, os pilares do sistema partidário brasileiro antes do bipartidarismo de 1964.
Aquelas foram eleições gerais para renovação do Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Governos Estaduais.
O Brasil vivia os "anos de ouro" do governo Juscelino Kubitschek.
Em Juiz de Fora, a briga era acirrada entre as frentes lideradas pela UDN e pelo PSD/PTB. 
Nomes como Olavo Costa e Itamar Franco (que começava a despontar na vida pública/acadêmica naqueles anos) estavam no radar da cidade.
A apuração era manual e levava dias. 
Por isso, estruturas como esse placar no Parque Halfeld permaneciam montadas por muito tempo, atraindo multidões que aguardavam ansiosas cada nova atualização pintada à mão.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
34
Essa é uma imagem fascinante que captura um momento de transição urbana crucial para Juiz de Fora. 
Estamos em 1968, o primeiro mandato de Itamar Franco, uma época em que a cidade começava a "rasgar" novas vias para se modernizar.
O registro do acervo de Vanderlei Dornelas Tomaz é um documento histórico precioso. 
Analisando a foto e a restauração, podemos destacar pontos impressionantes:
A Revolução da Avenida Brasil e do Rio Paraibuna
O Rio "Domado": É impactante ver o Rio Paraibuna tão limpo e com as margens claramente definidas pela dragagem. 
Naquela época, a retificação do rio era o grande símbolo de modernidade e combate às enchentes.
Notem como ela ainda parece uma "cicatriz" nova no terreno, uma via expressa que estava mudando o eixo de crescimento da cidade.
Trevo da B.D. (Becton Dickinson): A ausência do viaduto Augusto Franco (que só viria bem depois) mostra como o trânsito era resolvido em nível. 
O cruzamento com a linha férrea era direto, algo impensável para o volume de carga e veículos de hoje.
Rua Coronel Vidal: A foto mostra a importância histórica dessa via como conexão principal da Zona Norte antes das grandes intervenções estruturais.
Vejam como a ocupação ao redor do trevo ainda era rarefeita, com muitas áreas verdes e terrenos subutilizados que hoje estão totalmente tomados por galpões industriais e comércio.
A Presença da Ferrovia: A linha do trem aparece com destaque absoluto, lembrando que Juiz de Fora nasceu e cresceu "nos trilhos".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Vanderlei Dornelas Tomaz
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Castelinho e Bolívar Caramuru
A casa é indissociável da figura de Bolívar Caramuru de Oliveira, que foi um conhecido empresário e figura de destaque na sociedade juiz-forana.
O estilo é o ecletismo, com forte influência de elementos europeus que remetem a pequenos castelos ou "châteaux". Destacam-se a torre oitavada central, as sacadas com balaustradas e a rica ornamentação em torno das janelas e portas.
Graças ao cuidado de seus proprietários ao longo das décadas, o imóvel manteve grande parte de sua integridade arquitetônica original, contrastando com os edifícios modernos que começaram a cercar a área a partir dos anos 70.
Durante os anos 70, o Bairro Santa Helena vivia um momento de transformação peculiar: Foi a década em que o Bairro começou a deixar de ser estritamente de casarões para receber os primeiros grandes edifícios de apartamentos, acompanhando o crescimento da classe média alta da cidade.
Na esquina da Tiradentes com a Floriano Peixoto, o Castelinho ainda reinava com uma vista mais desimpedida. 
A fotografia mostra como a luz incidia na fachada, destacando os detalhes que a colorização agora ajuda a visualizar, como os tons de ocre e os detalhes em madeira das esquadrias.
A imagem captura a tranquilidade da calçada e a arborização típica do Bairro, que sempre foi conhecido por ser um refúgio arborizado e nobre, logo acima do burburinho comercial do centro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
32
Automobilismo em Juiz de Fora 
A Vitória sob Chuva 
Este registro histórico documenta uma das eras mais emocionantes do desporto em Juiz de Fora: as competições de automobilismo de Rua. 
A imagem ganha uma profundidade única com o relato do piloto Nelson Weiss, que identificou esta prova como a sua vitória memorável em 1968.
Nelson Weiss triunfou nesta prova conduzindo uma Berlineta Interlagos. Mesmo com pista molhada e enfrentando carros mais potentes, a perícia do piloto garantiu o primeiro lugar no pódio.
A corrida decorre na Avenida Barão do Rio Branco, no cruzamento com a atual Avenida Presidente Itamar Franco. 
Na época, o traçado urbano ainda contava com os trilhos dos bondes, que seriam removidos apenas no ano seguinte.
À direita da imagem, destaca-se a arquitetura imponente do Colégio Stella Matutina, um marco da cidade que foi posteriormente demolido, tornando esta fotografia um documento raro da paisagem urbana da década de 1960.
As competições automobilísticas eram grandes eventos sociais em Juiz de Fora. 
A imagem mostra o público aglomerado nas calçadas, evidenciando a proximidade perigosa e emocionante entre os espectadores e os veículos (como o Fusca visível na pista), característica marcante das provas de Rua daquele período.
Nelson Weiss, além de piloto de destaque, era figura conhecida pela ligação à tradicional Cervejaria José Weiss, unindo a história do desporto à história empresarial da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nelson Weiss, (In Memoriam).
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Paraibuna Embalagens operava exatamente na região que hoje abriga o Mercado BH (na Avenida Brasil/JK, próximo ao Bairro São Dimas).
Naquela época, essa área era o epicentro da indústria de papel da cidade. A fábrica ficava estrategicamente próxima à linha férrea e ao Rio Paraibuna, facilitando a logística e o suprimento de água para a produção.
A empresa foi fundada em 1963 por Heitor Villela. 
Antes de se tornar a grande potência atual no Distrito Industrial, ela começou com foco em cartonagem e reciclagem de papel nessa região mais centralizada.
Durante os anos 70, a fábrica viveu um período de grande expansão tecnológica e produtiva: A Paraibuna foi uma das precursoras no uso de aparas de papel (reciclagem) para fabricar papelão ondulado em larga escala na região. 
Era comum ver grandes pilhas de papel reciclável nos arredores da fábrica.
O foco principal era a fabricação de chapas e caixas de papelão ondulado, atendendo à crescente demanda das outras indústrias que se instalavam em Juiz de Fora e precisavam de embalagens para transporte.
Foi a partir do sucesso e do crescimento iniciado nessa unidade próxima ao São Dimas que a empresa planejou e executou sua mudança para o Distrito Industrial, onde as instalações são muito mais amplas e modernas.
As fotos da época mostram uma paisagem industrial robusta, com chaminés e galpões de zinco que contrastavam com o Rio Paraibuna antes das grandes obras de retificação e urbanização da Avenida Brasil.
A área do atual Mercado BH guarda os alicerces de uma das empresas mais resilientes de Juiz de Fora, que sobreviveu às crises econômicas que fecharam outras tecelagens e fábricas vizinhas.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo  
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A imagem restaurada nos transporta para um cenário nostálgico e emblemático de Juiz de Fora: o Parque Halfeld em sua efervescência social durante a década de 1970.
O Posto Telefônico
O grande destaque da foto é o Posto de Telefonia Pública. 
Antes da popularização dos "orelhões" de fibra de vidro (os icônicos modelos de Chu Ming Silveira), Juiz de Fora contava com essas estruturas mais robustas.
Notem o telhado em balanço com linhas onduladas, uma estética que remete ao modernismo tardio.
O logotipo da CTMG (Companhia Telefônica de Minas Gerais) ou da TELEMAR/TELEMIG (dependendo do ano exato) era o símbolo de conexão em uma época onde ter um telefone fixo em casa era um luxo para poucos.
A restauração revela a moda da época: calças boca de sino, saias curtas e camisas de gola pontuda. 
O parque sempre foi o "termômetro" da cidade:
Grupos de jovens e senhores dividindo os bancos de madeira e ripas de ferro, sob a sombra das árvores que até hoje guardam a história do centro.
A presença marcante das palmeiras e eucaliptos, que conferiam (e ainda conferem) ao Parque Halfeld esse microclima tão particular no meio do asfalto da Rua Halfeld e da Avenida Barão do Rio Branco.
Nos anos 70, o centro de Juiz de Fora vivia o auge do movimento comercial. 
Ir ao "posto telefônico" do parque era um ritual: esperar na fila, comprar fichas e, muitas vezes, fazer chamadas interurbanas assistidas por telefonistas que operavam nas centrais próximas.
Esta imagem, agora colorizada, destaca a textura dos tijolinhos aparentes do posto e o contraste do verde do parque com a urbanidade da época. 
É uma peça fundamental para entender como o espaço público era ocupado antes da era digital.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo  
29
Diplomacia e Memória 
O Cônsul João Borges de Mattos
Este registro histórico, com a chancela da icônica Carriço Filmes, nos transporta para um momento de solenidade na antiga Avenida Presidente Getúlio Vargas, 890. 
A imagem preserva a elegância e o rigor protocolar que marcavam os encontros oficiais em Juiz de Fora.
Graças ao precioso relato de sua neta, Helenir Borges De Mattos Zacarias, podemos identificar o Senhor João Borges de Mattos. 
Ele aparece como a segunda figura da esquerda para a direita, segurando com distinção seu chapéu e um documento, posição que condiz com sua função de Cônsul de Portugal à época.
A existência de um consulado português em Juiz de Fora reafirma a importância econômica da cidade e os fortes laços da numerosa colônia lusa com a "Manchester Mineira".
A fotografia carrega a qualidade técnica de João Carriço, mestre em capturar a nitidez das expressões e o caimento impecável dos ternos e chapéus que definiam o traje social masculino das décadas de 1930 e 1940.
O número 890 da Avenida Presidente Getúlio Vargas era um ponto de referência para a comunidade portuguesa, servindo como elo administrativo e cultural entre os imigrantes e sua terra natal.
Uma imagem que imortaliza não apenas uma autoridade, mas o orgulho de uma linhagem familiar profundamente enraizada na história da nossa cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Eduardo Silva Gonçalves 
28
Pioneiros do Pedal 
A Prova de Outubro de 1913
Este registro histórico nos leva a outubro de 1913, capturando a pose oficial de um grupo de atletas antes ou depois de uma corrida de bicicletas em Juiz de Fora. 
Na virada do século, o ciclismo era um dos esportes mais prestigiosos e modernos, atraindo multidões e movimentando a vida social da cidade.
Notem a padronização dos uniformes, blusas de lã listradas e boinas (ou quepes) coordenadas, que identificavam as equipes ou clubes de ciclistas. A postura austera e os braços cruzados eram a marca das fotografias oficiais de equipes esportivas do período.
As bicicletas, com seus quadros altos e guidões curvados, eram máquinas de precisão para a época. Destaque para as bandeiras fixadas nos guidões, possivelmente ostentando as cores do clube ou da competição.
A fotografia foi tirada em frente a um estabelecimento comercial (notem os dizeres "Qualquer Concerto" ao fundo), sobre o clássico calçamento de pedras irregulares, tão comum nas vias centrais de Juiz de Fora.
Esta imagem é um testemunho da longa tradição esportiva da Manchester Mineira e da paixão dos juiz-foranos pela velocidade e pelo associativismo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
27
História e Realeza no Museu Mariano Procópio
Este registro histórico, provavelmente da década de 1920, captura um encontro de alto nível nas dependências do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. 
A imagem é um testemunho da relevância da cidade como centro político e cultural do Brasil na época.
Ao centro, destaca-se a figura do Conde d’Eu (Gastão de Orléans), viúvo da Princesa Isabel. 
Sua presença em Juiz de Fora era recorrente, dada a estreita ligação da família imperial com Alfredo Ferreira Lage, o fundador do museu.
Oficiais com uniformes de gala e condecorações, representando a força e a influência das instituições militares no período republicano.
Homens em elegantes trajes de época (casacas e chapéus palheta) e damas com os chapéus característicos da moda dos anos 20.
Em primeiro plano, uma criança com vestes claras, simbolizando a continuidade das linhagens que frequentavam os jardins e salões do museu.
A fotografia foi tirada na entrada de um dos edifícios do complexo, onde o trabalho de alvenaria em tijolos vermelhos serve como moldura para este "quem é quem" da sociedade brasileira do início do século XX.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Eduardo Silva Gonçalves
26
O Palacete do Ex-Vice Cônsul Italiano em Festa 
Esta fotografia, datada de 20 de setembro de 1913, captura um momento de intensa efervescência social em Juiz de Fora. 
O cenário é o palacete do então ex-Vice Cônsul da Itália, ornamentado com o rigor e a elegância das celebrações da época para marcar o aniversário da Guerra dos Farrapos (Revolução Farroupilha).
O casarão, com sua característica arquitetura de influência europeia e lambrequins detalhados, aparece "vestido" para a ocasião. 
É possível observar arcos de folhagens (palmeiras e arranjos vegetais) e o uso profuso de bandeiras e flâmulas que cruzam a fachada, simbolizando a união e o respeito entre as nações e as causas celebradas.
A influência da colônia italiana em Juiz de Fora era monumental neste período. 
O brasão visível na sacada reafirma o papel diplomático e social da residência, que servia como um ponto de encontro para a elite e para a comunidade imigrante.
A composição da foto revela a hierarquia social da época: no andar superior, as figuras de autoridade e famílias de destaque; no térreo, uma impressionante quantidade de crianças e jovens, muitos deles possivelmente alunos de escolas locais ou filhos de imigrantes, todos vestidos com seus trajes de gala, chapéus e uniformes.
A celebração da Revolução Farroupilha em solo mineiro, dentro de uma propriedade ligada ao consulado italiano, demonstra como Juiz de Fora era um caldeirão de ideais republicanos e tradições cruzadas. 
Em 1913, a cidade estava no auge de seu desenvolvimento industrial, e eventos como este reforçavam os laços de fraternidade entre os diferentes grupos que construíam a identidade juiz-forana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
25
Harmonia e Elegância no Salão do Banco do Brasil
Este registro, datado entre o final da década de 1950 e o início de 1960, captura uma belíssima apresentação das alunas do Conservatório Estadual de Música de Juiz de Fora.
O cenário é o imponente salão do Banco do Brasil, localizado na Avenida Presidente Getúlio Vargas. 
Na imagem, as jovens musicistas posam com seus acordeons, trajando vestidos de gala brancos que eram o padrão das grandes audições da época.
A foto ganha um valor ainda mais pessoal com o relato de Silvio Pensando JF, que identificou sua irmã como a quarta integrante da esquerda para a direita na fila.
O acordeon (ou sanfona) teve um papel central na educação musical mineira desse período, sendo instrumento de destaque em festividades e eventos oficiais da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
24
Memórias da BCG 
O Posto da Rua Roberto de Barros 
Este registro fotográfico nos transporta para a década de 1960, revelando a edificação que ocupava a esquina da Rua Roberto de Barros com a Rua Francisco Bernardino (próximo à Avenida Barão do Rio Branco). 
O local, hoje ocupado por um edifício moderno, era um ponto de passagem obrigatório para os cidadãos Juiz-Foranos.
O prédio abrigava o serviço de Abreu Radiografias e Abreugrafias, além de ser o centro de aplicação da vacina BCG. 
Como recorda com precisão Vicente De Paulo Clemente, a visita ao local era indissociável da obtenção da Carteira de Trabalho.
O método de aplicação da época, dois pequenos riscos feitos com um instrumento semelhante a uma pena de caneta, é uma lembrança viva para muitos. 
A reação vacinal, que inflamava e deixava uma cicatriz característica no braço, tornou-se uma marca de identidade de toda uma geração.
A construção apresentava uma estética industrial e funcional, com tijolos aparentes e telhado cerâmico, típica de anexos de serviços públicos ou ferroviários daquela região central. 
Além da vacinação, o exame de Abreugrafia (inventado pelo brasileiro Manuel de Abreu para o diagnóstico rápido da tuberculose) era o outro pilar do atendimento realizado no local, reforçando o papel histórico de Juiz de Fora na vanguarda da saúde pública mineira.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
23
Este é um registro histórico.
A imagem captura a sede do Círculo Militar de Juiz de Fora em sua plenitude arquitetônica, antes das reformas que alteraram suas linhas originais na Avenida Barão do Rio Branco.
Diferente da configuração atual, a edificação exibia detalhes do ecletismo arquitetônico, com destaque para a imponente cúpula em domo e as colunas clássicas que conferiam ao prédio uma presença singular na paisagem urbana.
Mais do que um marco arquitetônico, o Círculo Militar foi o palco de momentos inesquecíveis da vida social Juiz-Forana. 
Durante o final dos anos 60 e início dos 70, o local era o destino favorito da juventude e da elite militar e civil para eventos festivos.
Como recorda Enio Seabra Dos Santos, o clube era famoso pelas "grandes horas dançantes do Diretório da Economia na época de 1969, 1970 e 1971". Eram tempos em que as escadarias e o terraço, visíveis na imagem, serviam de cenário para encontros que marcaram gerações.
A fotografia é um documento importante por mostrar a fachada ainda não descaracterizada. 
Através dela, podemos observar o cuidado com os ornamentos, o gradil trabalhado e a integração do prédio com a arborização da avenida. 
É um testemunho da época em que a Rio Branco consolidava sua identidade como o principal eixo cultural e social da "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
22
O Exterior da Estamparia Costa & Fagundes 
A sede da Estamparia Juiz de Fora, localizada na Avenida Rio Branco, 2.784, destacava-se não apenas pela sua capacidade produtiva, mas pelo seu rigor estético. 
Em 1925, o edifício de dois pavimentos personificava o prestígio da firma Costa & Fagundes, unindo a funcionalidade de uma fábrica à elegância urbana da principal via da cidade.
O prédio apresentava elementos marcantes que o diferenciavam das construções fabris comuns: A fachada era adornada com padrões geométricos e azulejaria (ou pintura ornamentada) em tons ocres e azulados, que conferiam um aspecto artístico ao imóvel.
As janelas em arco pleno e as sacadas com gradis trabalhados demonstram a influência do ecletismo arquitetônico, comum nas grandes metrópoles brasileiras do início do século XX.
A presença de jardins e árvores ao redor da estrutura sugere um planejamento que valorizava o paisagismo, integrando a indústria ao cenário residencial e comercial da Avenida Rio Branco.
Enquanto o interior da fábrica fervilhava com a produção de latas para mantimentos e "artísticos trabalhos sobre folha de Flandres", o exterior funcionava como o "cartão de visitas" da empresa. 
Ser um grande importador de matéria-prima exigia uma sede que transmitisse solidez e modernidade aos parceiros comerciais e à sociedade Juiz-Forana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
21
A Estamparia Juiz de Fora 
O cenário industrial de Juiz de Fora, a "Manchester Mineira", era impulsionado por estabelecimentos como a Estamparia Juiz de Fora, de propriedade da firma Costa & Fagundes. 
Localizada na então Avenida Rio Branco, número 2.784, a fábrica era um exemplo da modernidade tecnológica da época.
A imagem revela o interior da estamparia, onde máquinas robustas de precisão transformavam a folha de flandres (aço revestido de estanho) em objetos utilitários e artísticos. O ambiente, marcado por engrenagens e correias, era o local de nascimento de embalagens que circulavam por todo o Brasil.
A Costa & Fagundes não apenas fabricava, mas também figurava como uma importante importadora de matéria-prima. 
A versatilidade da produção atendia aos mais diversos setores da economia: Latas para banha, manteiga, biscoitos (grafados na época como biscoitos) e conservas.
Além da funcionalidade, havia um cuidado estético com a litografia e o acabamento das peças.
O endereço na Avenida Rio Branco, 2.784, situa a estamparia em um eixo que, naquela década, consolidava o crescimento urbano e industrial da cidade, conectando Juiz de Fora aos grandes centros consumidores através da exportação de seus produtos industrializados.
"Estamparia Juiz de Fora", Costa & Fagundes. Artísticos trabalhos sobre folha de Flandres. Importadores de folhas de Flandres, latas de diversos formatos para banha, manteiga, biscoitos, conservas, etc. Avenida Rio Branco, 2.784. Registro de 1925.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
20
A Capela da Fazenda Floresta
Diferente das igrejas imponentes do centro, esta capela possui uma arquitetura que remete ao estilo das construções de montanha ou de vilas coloniais mais modernas, com seu telhado em "V" invertido e as paredes com acabamento rústico (fulget ou chapiscado), típicos das construções institucionais de meados do século XX.
A porta em arco ogival de madeira e o telhado inclinado conferem à capela um charme único, diferenciando-a das paróquias tradicionais. 
A cerquinha branca de madeira (estilo picket fence) reforça a atmosfera de acolhimento e cuidado da vizinhança.
Observe o piso de pedras irregulares (pé de moleque ou paralelepípedo bruto) à frente. 
Em 1978, Juiz de Fora ainda possuía muitas vias secundárias com esse tipo de pavimentação, que ajudava na drenagem e mantinha a temperatura mais baixa.
À direita, vemos a construção anexa com seus arcos e varandas, que servia para atividades sociais e catequese, mostrando que a Igreja era o principal ponto de encontro de uma comunidade que crescia longe do burburinho da Avenida Rio Branco.
O entorno densamente arborizado ao fundo é uma marca registrada do bairro Floresta, que sempre teve uma topografia acidentada e uma vegetação exuberante, características que ainda hoje definem a região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
19
Este cartão-postal captura o Largo do Riachuelo em uma era de extrema elegância, provavelmente entre as duas primeiras décadas do século XX (c. 1910-1920). 
Antes de se tornar o nó viário que conhecemos hoje, o Largo era um jardim contemplativo de refinamento europeu, servindo como uma extensão nobre da região central de Juiz de Fora.
Observe as vestimentas dos transeuntes, os homens com chapéus e ternos escuros e as mulheres com vestidos longos e chapéus de abas largas. 
Esse figurino era o padrão da elite e da classe média alta juiz-forana da Belle Époque.
O traçado dos caminhos em saibro, os bancos de madeira com pés de ferro fundido e o cercamento baixo de proteção dos canteiros seguem o modelo dos jardins parisienses, muito em voga no Brasil durante a transição do Império para a República.
As palmeiras e as árvores frondosas (que parecem ser exemplares de ligustros ou similares) criavam um "túnel" verde que contrastava com o céu aberto da cidade, que ainda não possuía prédios altos.
O poste de ferro trabalhado visível à direita indica o investimento da cidade em infraestrutura moderna para a época, permitindo o uso do espaço também ao anoitecer.
Este cartão-postal é um testemunho de uma Juiz de Fora que se via como a "Manchester Mineira", mas que também buscava a sofisticação cultural e estética das grandes capitais mundiais. 
Hoje, o Largo do Riachuelo foi profundamente transformado pelo tráfego intenso e pela verticalização, tornando este registro uma janela essencial para o passado.
Curiosidade: o Monumento aos Heróis da Batalha de Riachuelo. 
Inaugurado para celebrar a vitória naval brasileira na Guerra do Paraguai, o monumento ostenta um busto em bronze sobre um imponente obelisco.
O busto que coroa o monumento é de autoria do renomado artista italiano radicado no Brasil, Angelo Bigi (1848–1912).
Observe o rigor das vestimentas dos transeuntes e o detalhamento dos bancos de ferro fundido, marcas de uma Juiz de Fora que pulsava como a "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
18
Parque Halfeld 
O Jardim da Elite e do Povo
Em meados dos anos 20, o Parque Halfeld não era apenas um espaço verde; era o palco das principais manifestações políticas, culturais e religiosas da cidade. A imagem reflete a elegância da época, com a arborização densa e os elementos de infraestrutura que simbolizavam o progresso da "Manchester Mineira".
No canto esquerdo, o bonde (provavelmente da frota da Companhia Mineira de Eletricidade) é o símbolo máximo da modernidade urbana de Juiz de Fora. 
Em 1925, os bondes eram o principal meio de transporte, conectando o centro aos bairros operários e residenciais.
Notem a presença das palmeiras imperiais, que até hoje são sentinelas do parque, e os canteiros baixos que permitiam a visualização da movimentação social.
A riqueza de detalhes nos postes de iluminação e na fiação elétrica de época destaca o papel pioneiro de Juiz de Fora na eletrificação urbana da América Latina.
A inclinação da via e a disposição das árvores sugerem uma vista voltada para a Rua Halfeld ou para a Avenida Barão do Rio Branco, onde os casarões imponentes ainda dominavam o horizonte antes da verticalização dos anos 40 e 50.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
17
Momento solene de inauguração do Pavilhão Américo Repetto, dedicado à prática da Educação Física. 
Situada na década de 1940, a imagem reflete o auge da disciplina e do civismo que caracterizavam a Escola Normal oficial de Juiz de Fora (atual Instituto de Educação).
A década de 1940 foi um período em que a Educação Física ganhou um status de "formação do caráter e do corpo", muito influenciada pelas políticas educacionais da época. 
O diretor Américo Repetto, figura central na imagem, foi um dos grandes entusiastas da modernização pedagógica na cidade.
No centro da composição, vemos o Diretor Américo Repetto acompanhado pela professora Maria da Glória Carvalho. 
A presença da professora é significativa, representando a profissionalização feminina no ensino de atividades esportivas e rítmicas.
Dispostas em formação geométrica impecável no pátio, as alunas utilizam o uniforme de Educação Física da época (saias ou bermudas escuras e blusas brancas). 
O uso de bandeirolas e a formação em "V" ou corredor sugerem uma demonstração de ginástica rítmica ou uma saudação oficial, práticas comuns em inaugurações.
Ao fundo, a arquitetura do pavilhão, com suas colunas clássicas e telhado de telhas cerâmicas, exemplifica as instalações escolares de alto padrão que Juiz de Fora possuía, reafirmando sua posição como centro irradiador de ensino.
O pátio revestido com blocos sextavados (ou paralelepípedos dispostos de forma decorativa) era o cenário de rigorosos treinamentos e celebrações que moldaram gerações de professoras na cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
16
O Relógio da Drogaria Americana 
O "Ponto de Encontro"
Muito antes dos celulares e do GPS, o relógio suspenso da Drogaria Americana era a bússola social da cidade.
Dizer "nos vemos no relógio da Americana" era o código universal para encontros românticos, reuniões de negócios ou o simples "fazer hora" antes do cinema.
Os marcadores vermelhos no mostrador branco não eram apenas detalhes estéticos; eram marcos visuais que se destacavam na arquitetura sóbria do Centro, permitindo que qualquer pessoa, de longe, soubesse se estava atrasada para o compromisso.
A presença do caminhão de entregas na imagem revela a dinâmica comercial da época. 
Naqueles anos, a Coca-Cola consolidava sua presença em Minas Gerais, e as entregas eram um espetáculo à parte.
O som característico das garrafas de vidro batendo nos engradados de madeira era a trilha sonora das manhãs no Centro.
Notem o uniforme dos funcionários (que recuperamos em tons de azul); era um trabalho pesado, feito no braço, descarregando as caixas diretamente nas calçadas estreitas antes da Halfeld se tornar o calçadão que conhecemos hoje.
A década de 1960 foi o auge da elegância urbana. 
Homens de paletó (como o senhor à direita na foto), o burburinho do comércio e a silhueta do Morro do Imperador ao fundo formam a moldura perfeita do que era o coração econômico da "Manchester Mineira".
Essa fotografia é um registro raro porque captura a transição, a cidade que crescia verticalmente (os prédios ao fundo) convivendo com o ritmo ainda manual e humano do comércio de rua.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
15
Civismo e Mobilização na Rua Halfeld
O registro captura a monumental Inauguração da Liga Mineira pelos Aliados em Juiz de Fora, no ano de 1917. 
Em meio ao cenário da Grande Guerra, a "Manchester Mineira" demonstrava sua força política e social através de uma mobilização sem precedentes no coração da cidade.
A imagem revela a Rua Halfeld tomada por uma multidão diversificada, representando os pilares da sociedade da época:
A presença de colégios tradicionais e das Linhas de Tiro reforça o caráter educativo e preparatório do evento.
O Clube de Ginástica da cidade, com seus representantes, destaca a importância que a saúde e a disciplina física tinham no ideal de progresso daquele período.
O mar de chapéus e vestes claras indica uma solenidade que uniu desde a alta cúpula política até o cidadão comum e dos aliados.
No lado direito da fotografia, a Pharmacia e Drogaria Americana surge em destaque. 
Seu prédio, com elegantes arcadas e letreiros imponentes, era um ponto de referência central no comércio da Rua Halfeld. 
A preservação visual deste estabelecimento nesta fotografia permite observar não apenas a arquitetura, mas o cotidiano da publicidade e do consumo no início do século XX.
Ao fundo, o Morro do Imperador observa silencioso a agitação urbana, enquanto as bandeiras e flâmulas dos aliados tremulam, simbolizando o apoio de Minas Gerais à causa internacional e o orgulho local pelas obras e instituições que ali se inauguravam.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
14
O Triunfo da Modernidade e a Gestão José Procópio Teixeira
A cena registrada na esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld transcende a simples inauguração de um edifício. 
Trata-se de uma grande homenagem pública ao Doutor José Procópio Teixeira, que em 1917 completava seu segundo ano de administração à frente da Prefeitura de Juiz de Fora.
A multidão que se comprime sob sombrinhas e chapéus, ocupando o leito da avenida, testemunha a consolidação de Juiz de Fora como um polo regional de progresso. 
O evento marcava não apenas a inauguração da primeira fase do novo Prédio da Prefeitura (Paço Municipal), mas também a entrega de um conjunto de diversas obras públicas que modernizaram a infraestrutura e o saneamento da cidade.
Ao fundo, a imponência da arquitetura eclética de Rafael Arcuri. 
O prédio simbolizava a solidez das instituições locais e o desejo de transformar Juiz de Fora em uma "metrópole" mineira.
O registro mostra uma sociedade vibrante e engajada. 
Homens em seus ternos e chapéus, mulheres com sombrinhas para se proteger do sol, todos reunidos para saudar o administrador que dava novos contornos ao centro urbano.
As bandeiras e a organização espacial sugerem a pompa das grandes celebrações da "Belle Époque". 
A presença massiva de populares confirma o prestígio de José Procópio Teixeira e o impacto de suas reformas no cotidiano dos juiz-foranos.
Este momento em 1917 é um divisor de águas. 
Sob a gestão de Procópio Teixeira, a cidade não apenas cresceu fisicamente, mas reafirmou sua identidade como a "Manchester Mineira", equilibrando o desenvolvimento industrial com um urbanismo planejado e elegante que ainda hoje é visível no traçado do Parque Halfeld e seus arredores.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
13
O Marco Zero da Modernidade 
A esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld sempre foi o coração pulsante de Juiz de Fora. 
Em 1917, essa interseção tornou-se o palco de um dos eventos mais aguardados da década: a inauguração da primeira fase do novo Prédio da Prefeitura (o Paço Municipal).
O prédio, projetado pelo arquiteto Rafael Arcuri, destaca-se pelo estilo eclético. Na imagem, a cúpula em tom de chumbo/prata coroa a torre do relógio, um símbolo de precisão e progresso que dialogava com a estética das grandes capitais mundiais da época.
Embora a cidade já estivesse em plena expansão industrial, o transporte de gala para a inauguração ainda era dominado pelas carruagens e cavalos. 
A fileira de veículos estacionados ao longo da Avenida Barão do Rio Branco revela a importância das autoridades e famílias presentes no evento.
A imagem mostra uma Rio Branco ainda sem o asfalto moderno, mas já devidamente arborizada e com a presença das luminárias e fiação elétrica, denunciando que a "Manchester Mineira" estava na vanguarda tecnológica do país.
A conclusão desta primeira fase da prefeitura não foi apenas uma entrega de obra pública; foi a consolidação do Parque Halfeld como o centro cívico e social da cidade. 
A presença dos populares e a elegância dos trajes reforçam que o juiz-forano de 1917 via no novo prédio um motivo de orgulho e um símbolo de uma cidade que "não podia parar".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
12
O Despertar da Modernidade 
O movimento registrado nas proximidades do Parque Halfeld não era casual. 
Em 1917, Juiz de Fora vivia um dia de gala: a inauguração da primeira fase do Paço Municipal (o prédio da Prefeitura). 
A presença de populares chegando em carruagens, o "transporte de luxo" da época, sublinha a solenidade do evento e o perfil da elite e da população que frequentava o coração da cidade.
Nesse período, a Avenida Barão do Rio Branco já se afirmava como o principal eixo de circulação e status. 
Estar perto do Parque Halfeld significava estar no centro das decisões. 
A vegetação densa que aparece ao fundo da imagem remete à arborização característica do parque, que servia de moldura para a vida social juiz-forana.
A predominância das carruagens puxadas a cavalos revela uma cidade que, embora industrializada e moderna para os padrões brasileiros, ainda mantinha fortes laços com os costumes do século XIX, pouco antes da popularização massiva dos automóveis a combustão.
A construção do Paço Municipal foi um marco de afirmação da autonomia e do poder civil da cidade. 
Ver a população se deslocando para sua inauguração mostra o engajamento da sociedade com os novos símbolos de progresso.
A vestimenta dos populares (chapéus, paletós claros para o clima tropical e sombrinhas) compõe o retrato fiel de uma Juiz de Fora elegante, que buscava espelhar o urbanismo europeu em solo mineiro.
Este registro é uma peça fundamental para entender como o centro histórico de Juiz de Fora se moldou ao redor do poder público e do convívio social.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
11
O Brilho da Rua Halfeld 
Este registro da década de 1950 nos transporta para o interior de uma das lojas mais emblemáticas do setor de iluminação em Juiz de Fora: A Luminosa, situada na icônica Rua Halfeld. 
A fotografia revela a riqueza de detalhes e a variedade de produtos que iluminavam os lares da elite e da classe média juiz-forana.
A loja foi fundada pelo Senhor Ventura, consolidando-se como um marco comercial. 
Posteriormente, passou para a administração de Higino Cortes e, por fim, chegou às mãos de Pedro Halfeld, figura muito querida e lembrada como um "amigo iluminado" por seus contemporâneos.
Ao contrário da Scio (que operava em um espaço mais largo na Rua Marechal Deodoro), A Luminosa mantinha sua identidade própria na Halfeld, focada na curadoria de peças que eram verdadeiras obras de arte.
A imagem impressiona pela quantidade de lustres, globos, arandelas e componentes elétricos pendentes do teto e organizados nas prateleiras de madeira maciça.
No centro, vemos o atendimento especializado, onde proprietários e funcionários discutiam as inovações técnicas da época, como os motores e componentes expostos no chão, essenciais para a "cidade industrial".
O trabalho de cor permite distinguir a variedade de materiais, como o latão, o vidro opalino e os cristais dos lustres, devolvendo a "luz" e o calor que o ambiente original possuía. 
Esta imagem é um documento social. 
Ela não registra apenas mercadorias, mas o modo de vida e a sofisticação do atendimento no coração comercial de Juiz de Fora durante os anos dourados.
"Mais do que vender lâmpadas e lustres, A Luminosa ajudou a moldar a estética noturna e o conforto dos interiores juiz-foranos por décadas."
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
10
O Luxo sobre Rodas: A Garagem de João Carriço
Este registro de 1919 revela o interior da luxuosa garagem de João Carriço, um espaço que simbolizava a elegância e o status social da Juiz de Fora da época. Muito antes do domínio dos automóveis a combustão, as carruagens eram o ápice do transporte refinado.
A frota de Carriço não atendia apenas ao deslocamento cotidiano. 
Suas carruagens eram as protagonistas em eventos que marcavam a vida dos juiz-foranos, desde o glamour dos casamentos e a tradição dos batizados até viagens mais longas para as fazendas da região.
Na imagem, destacam-se as tesouras de madeira no telhado, uma técnica construtiva robusta da época, e o alinhamento impecável das carruagens, equipadas com lanternas de latão e estofamentos finos.
O trabalho de colorização permite observar melhor a distinção entre as rodas reforçadas e a pintura escura e brilhante das caixas das carruagens, características de veículos de alto padrão.
Embora o nome Carriço seja hoje sinônimo de preservação cinematográfica, esta fotografia nos lembra que ele foi um pilar fundamental na infraestrutura de serviços de Juiz de Fora. 
Sua garagem era um modelo de organização e um ponto de referência para a elite local.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
09
A Memória Viva do Congo em Juiz de Fora
Esta fotografia, capturada em 1910 pelo fotógrafo Brun, é muito mais do que um retrato; é um documento raro da transição entre dois séculos e da força da diáspora africana em Minas Gerais. 
Margarida era originária do Congo, trazida ao Brasil pelo tráfico negreiro. 
Em 1910, os registros e relatos da época indicavam que ela possuía a impressionante idade de 125 anos. 
Se essa data for precisa, Margarida teria nascido por volta de 1785, atravessando o período colonial, o Império e chegando à República.
O registro foi feito na Fazenda Boa Esperança, em Juiz de Fora. A cidade, que no século XIX foi um dos grandes polos cafeeiros e dependeu fortemente da mão de obra escravizada, tem em Margarida um elo direto com esse passado.
O Fotógrafo: Brun conseguiu captar uma expressão de serenidade e altivez. Sentada com sua bengala, as vestes claras e o lenço na cabeça, Margarida personifica a sabedoria e a sobrevivência de quem viu o mundo mudar radicalmente.
Esta imagem é fundamental. 
Ela humaniza os números da escravidão e coloca um rosto, e um nome. em uma história que muitas vezes é contada de forma abstrata. 
Margarida não foi apenas uma sobrevivente; ela foi guardiã de memórias que atravessaram o oceano e o tempo.
"O olhar de Margarida é um convite à reflexão sobre as raízes de Juiz de Fora e a herança africana que construiu os pilares da nossa sociedade."
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
08
O Imperador na Terra do Progresso: Juiz de Fora, 1861
Esta fotografia captura um momento de transição e adaptação durante a visita da Família Imperial a Juiz de Fora para a inauguração da Rodovia União e Indústria, a primeira estrada macadamizada da América Latina.
Embora o "Castelo" (o atual prédio principal do Museu Mariano Procópio) estivesse sendo construído por Mariano Procópio Ferreira Lage especificamente para receber o Monarca, a obra não ficou pronta a tempo. 
A Família Imperial acomodou-se, então, na antiga casa da fazenda de Mariano, que aparece nesta foto.
A casa que vemos na imagem teve um destino efêmero mas importante. 
Anos mais tarde, Frederico Ferreira Lage, filho de Mariano, demoliu a estrutura original para dar lugar à construção que hoje abriga o Quartel do Exército, nas proximidades do museu.
O "castelo" que não ficou pronto para D. Pedro II tornou-se, décadas depois, o primeiro museu de Minas Gerais, doado por Alfredo Ferreira Lage ao município, perpetuando o vínculo entre a cidade e a memória do Império.
Vê-se na imagem Familiares, em uma postura que mistura a formalidade do protocolo imperial com a rusticidade elegante das fazendas mineiras da época.
A restauração e colorização desta imagem ajudam a perceber o contraste entre as vestimentas escuras e pesadas da corte, em estilo europeu, e a claridade das paredes da sede da fazenda, trazendo vida a um momento que aconteceu há mais de 160 anos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fotografia enviada: Francisco Barroso 
07
Essa Fotografia é uma relíquia. 
A imagem nos transporta diretamente para a década de 1940, um período em que o Bairro Benfica consolidava sua importância como polo industrial e logístico da Zona Norte.
Esta fotografia de 1942 captura um momento cotidiano em frente ao antigo Posto de Fiscalização, localizado estrategicamente diante da Estação de Trem de Benfica. 
Mais do que um registro geográfico, a imagem eterniza rostos que fizeram parte da história viva do Bairro: ao centro, a jovem Zizi Garcia, acompanhada pelo rapaz Zé Miranda.
Naquele ano, enquanto o mundo vivia os sobressaltos da Segunda Guerra Mundial, Benfica pulsava ao ritmo da Estrada de Ferro Central do Brasil e do crescimento das vilas operárias. 
O Posto de Fiscalização era um ponto nevrálgico, por onde passavam mercadorias e pessoas que ajudaram a transformar o antigo distrito em um dos pulmões econômicos de Juiz de Fora.
A arquitetura simples do posto e a proximidade com a linha férrea reforçam a identidade Rodoviária e Ferroviária do bairro.
A presença de Zizi Garcia e Zé Miranda confere nome e humanidade à paisagem urbana de 84 anos atrás.
O vestuário e a atmosfera da foto são testemunhos fiéis do cotidiano juiz-forano na década de 1940.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Marcelo Cruz, (In Memoriam).
06
Um registro fascinante da sede social e do campo de futebol do Sport Club Juiz de Fora, capturada apenas alguns dias após as grandes celebrações do Centenário de Juiz de Fora em 1950. 
O Estádio Doutor José Procópio Teixeira é, até hoje, um dos marcos mais importantes da Avenida Rio Branco.
O edifício que vemos ao fundo é um belo exemplo da arquitetura da época, com suas linhas sóbrias e colunas imponentes na entrada principal.
Em 1950, o Sport não era apenas um clube de futebol, mas o epicentro da vida social da elite e da classe média juiz-forana. 
Bailes, reuniões e eventos esportivos de diversas modalidades aconteciam justamente nessa estrutura.
É interessante notar como a fachada principal se manteve reconhecível ao longo das décadas, tornando-se um símbolo de resistência do patrimônio histórico-esportivo da cidade.
Ver o campo em 18 de setembro de 1950 nos faz pensar na efervescência do futebol local naqueles anos pós-Copa do Mundo (realizada no Brasil naquele mesmo ano). O Sport sempre teve um dos gramados mais bem cuidados da região.
É provável que o clube ainda estivesse em clima de festa pelas comemorações dos 100 anos da cidade. 
O Sport teve um papel protagonista nessas festividades.
Situado na Avenida Barão do Rio Branco, o estádio e sua sede ajudaram a consolidar a avenida como o eixo principal da cidade. 
O Sport representava o lazer, a saúde e o convívio social.
Notem a tranquilidade da cena. 
Hoje, o som constante do tráfego da Rio Branco e dos ônibus que passam em frente ao clube contrasta fortemente com a paz que essa imagem de 1950 transmite, com o campo aberto e a sede imponente sob o céu de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
05
A Avenida Barão do Rio Branco sempre foi o coração geográfico e social de Juiz de Fora. Em 1971, ela já estava cercada pelos "paredões" de edifícios que criavam um efeito de corredor, o que tornava qualquer voo rasante não apenas perigoso, mas acusticamente ensurdecedor e visualmente dramático. O contraste entre os prédios modernos da época e os Fairchild PT-19 (monoplanos de instrução de origem americana) criava uma cena digna de cinema.
O Aeroclube de Juiz de Fora (ACJF) sempre foi uma instituição de elite técnica e paixão pela aviação. 
A "indisciplina" de Newton Loreto e João Francisco Valle reflete o espírito romântico da aviação daquela época.
Voar abaixo da altura dos edifícios na Rio Branco exigia uma precisão absurda, especialmente considerando as correntes de ar entre os prédios e a fiação elétrica.
A punição imposta pelo Ministério da Aeronáutica marcou o fim de uma era. 
O que era tradição tornou-se um risco inaceitável para os padrões de segurança que começavam a se tornar mais rígidos na década de 1970.
O fato de esse evento ter sido documentado e agora restaurado é fundamental para a memória da cidade. 
Na época, a imprensa local e nacional deu destaque ao ocorrido exatamente pela prova documental (as fotos).
Para a população, era o ápice do desfile.
Para as autoridades, era uma prova de crime aeronáutico.
Hoje, essa imagem permite que as novas gerações de juiz-foranos entendam por que os mais velhos olham para o céu com nostalgia durante os desfiles de 7 de setembro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Roberto Dornellas
04
Equipe de futebol do Colégio Granbery em 1909, um período em que a instituição já estava consolidada como o grande berço do "football" em Minas Gerais e um dos principais do Brasil.
As pesquisas do Doutor Helgiuson Toledo e do professor Ernesto Giudice Filho, são cruciais porque antecipam a prática do futebol no Brasil para março de 1893. 
Isso coloca o Granbery em Juiz de Fora na vanguarda, ocorrendo quase dois anos antes da famosa partida de Charles Miller em São Paulo (1895). 
O embate entre "Gregos e Troianos" no "Field Day" é o marco zero do futebol mineiro.
A descoberta do livro "Child Life in Our Mission Fields", das autoras Daisy Lambuth e Kate Harlan (Universidade de Iowa), é um achado bibliográfico extraordinário.
O registro na página 118 confirma que, em 1896, o futebol já era uma realidade institucionalizada no colégio, sendo documentado por missionários americanos. 
Isso reforça a tese de que o futebol chegou ao Granbery via John McPherson Lander, influenciado por suas passagens pela Inglaterra.
Notem as faixas horizontais nas mangas e o escudo "G" no peito.
A bola de couro (marrom) e as botas de cano alto, típicas da época, mostram a transição de um esporte recreativo para uma prática mais organizada e competitiva.
O jogador ajoelhado com uniforme escuro e detalhes verdes destaca-se como o guardião da meta, uma posição que já exigia vestimenta diferenciada.
O Granbery não apenas ensinou o jogo aos seus alunos; ele exportou a paixão pelo futebol para a cidade. 
Muitos dos fundadores e primeiros jogadores dos grandes clubes locais, como o Tupi, o Tupynambás e o próprio Sport Club, passaram pelos bancos e pelo campo do Granbery.
Documentação visual da maturidade do futebol na instituição que introduziu o esporte em Minas Gerais (1893), conforme comprovado pelos registros de John Lander e pelo livro de 1896.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Moisés Cunha
03
O Gigante da Avenida
Localizado no coração de Juiz de Fora, na Avenida Barão do Rio Branco, 1303, o estádio do Sport Club Juiz de Fora é um dos marcos mais importantes da arquitetura esportiva de Minas Gerais, fruto da visão de grandes líderes esmeraldinos.
A história da sede-arquibancada começa oficialmente em 1º de maio de 1921, data de sua inauguração. 
A execução desta primeira fase foi liderada por José Procópio Teixeira, figura central na história do clube e que, por seu legado, hoje dá nome ao estádio. Desde o início, a localização estratégica na principal via da cidade já o colocava como um centro de referência social e esportiva.
Anos mais tarde, o estádio passou por uma transformação radical que lhe conferiu a imponência atual. 
Sob a presidência de Francisco Queiroz Caputo, o clube executou obras de ampliação que se tornaram um marco da engenharia mineira:
Inauguração das Novas Obras (1947): A nova estrutura consolidou o estádio como um dos mais modernos do Brasil na época.
Com o projeto de ampliação, o Sport Club entregou a primeira arquibancada de concreto coberta do estado.
O destaque técnico é a sua cobertura em balanço (sem pilares frontais), garantindo visibilidade total ao torcedor — uma ousadia arquitetônica para o período.
A imagem de 13 de outubro de 1946, documentam a transição para o estilo modernista/Art Déco. 
Com suas linhas retas e janelões amplos, a sede-arquibancada do Sport tornou-se um cartão-postal da "Manchester Mineira", refletindo o progresso e a força do associativismo juiz-forano.
Avenida Barão do Rio Branco, 1303, Juiz de Fora, MG.
José Procópio Teixeira (1921) a Francisco Queiroz Caputo (1947).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
02
Estádio Doutor José Procópio Teixeira em uma de suas fases mais emblemáticas, logo após a grande reforma que deu ao Sport Club Juiz de Fora uma das fachadas mais modernas e imponentes da época na cidade.
Na década de 1940, o Sport Club passou por uma transformação radical sob a presidência de figuras como o próprio José Procópio Teixeira. 
A fachada que vemos na foto, com linhas retas e o letreiro marcante, refletia o desejo de progresso da "Manchester Mineira".
Situado na Avenida Barão do Rio Branco, o estádio não era apenas um campo de futebol, mas um centro de convivência social e esportiva no coração da principal artéria de Juiz de Fora.
Observe a estrutura de concreto armado e as grandes janelas de vidro, que abrigavam as áreas administrativas e sociais. O design era funcional e imponente para os padrões da época.
A presença das bandeiras no topo e o nome "Sport Club" em destaque serviam como um marco visual para quem subia ou descia a Rio Branco.
Notem o movimento de pessoas na calçada (com roupas típicas do pós-guerra) e os postes de iluminação antigos. 
Isso mostra como o clube era integrado ao cotidiano do juiz-forano.
O estádio foi palco de grandes clássicos contra o Tupi e o Tupynambás (o famoso Tupi-Sport ou o Tupynambás), além de receber delegações de grandes clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo que passavam pela cidade.
O nome homenageia o Doutor José Procópio Teixeira, figura central na história do clube e da política local, que foi um dos grandes entusiastas da construção dessa sede.
É fascinante ver como a restauração trouxe vida às cores da época, especialmente o contraste entre o branco da estrutura e o azul dos detalhes, cores tradicionais do "Verdão da Avenida" (embora o verde seja a cor oficial, o azul e branco apareciam frequentemente em detalhes administrativos e uniformes históricos).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel

01
Essa imagem (ou a lembrança dela) é um dos registros mais poderosos da fé e da mobilização social na história de Juiz de Fora. 
Estamos falando de um momento em que a cidade não apenas comemorava seu centenário, mas se tornava o epicentro católico da região com o Congresso Eucarístico.
Naquela época, o estádio do Sport Club Juiz de Fora era o principal espaço para grandes eventos na cidade (o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio só viria décadas depois).
O estádio foi transformado. O gramado deu lugar a uma multidão compacta, e as arquibancadas serviram de moldura para o que ficou conhecido como a Praça do Congresso.
O destaque absoluto foi a construção do Cruzeiro do Centenário (a grande cruz branca que aparece ao fundo). Ela não era apenas decorativa; era o marco visual da consagração da cidade.
O Evento: 31 de Maio de 1950
Este dia foi o ápice das comemorações dos 100 anos de Juiz de Fora.
Juiz de Fora vivia o auge de sua influência industrial e política em Minas Gerais. 
O Congresso Eucarístico foi planejado para coincidir com o aniversário da cidade, unindo o fervor religioso ao orgulho cívico.
A "Praça do Congresso": O termo não se referia a uma praça permanente no mapa urbano, mas sim ao espaço sagrado temporário criado dentro do estádio do Sport para receber os milhares de fiéis e as autoridades.
A missa foi o ponto alto, e a figura de Dom Justino é central aqui.
Primeiro bispo (e depois arcebispo) da Diocese de Juiz de Fora, ele foi o grande mentor por trás da vinda do Congresso Eucarístico.
Imagine o desafio logístico de 1950: sem sistemas de som modernos, a presença do Bispo no altar monumental, cercado por dezenas de padres e seminaristas, trazia uma solenidade que parou a cidade. 
As fotos desse dia mostram um mar de pessoas, muitas mulheres de véu e homens de terno, sob o sol de maio.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel