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O texto recortado do jornal e as imagens restauradas resgatam um dos episódios mais singulares e carregados de simbolismo político da história de Juiz de Fora: as homenagens fúnebres a Dom Pedro II em dezembro de 1891, logo após seu falecimento no exílio em Paris.
Analisando o contexto histórico local e nacional, destacam-se os seguintes pontos sobre esse acontecimento:
O Sentimento Monarquista e a "Manchester Mineira"
A afirmação de que "Juiz de Fora sempre foi meio monarquista" possui fortes raízes históricas. Durante o Segundo Reinado, a cidade consolidou-se como o principal motor econômico de Minas Gerais devido ao café e à posterior industrialização. O próprio Dom Pedro II visitou a cidade em diversas ocasiões cruciais (como na inauguração da Rodovia União e Indústria em 1861 e da Estrada de Ferro Central do Brasil).
Essas visitas estreitaram laços entre a Coroa e a elite local. Mesmo após a Proclamação da República em 1889, o respeito e a nostalgia pela figura do imperador permaneceram vivos na sociedade juiz-forana, o que explica a audácia de se realizar um evento dessa magnitude apenas dois anos após a queda da monarquia.
A Cronologia de 1891: "Quando BH ainda não existia"
O texto destaca um fato cronológico importante: em 1891, Belo Horizonte de fato não existia (a atual capital mineira só seria inaugurada em 1897). Naquela época, a capital do estado ainda era Ouro Preto, mas Juiz de Fora exercia uma liderança econômica e cultural incontestável na região. Ser uma das poucas cidades brasileiras a realizar uma missa de exéquias solene demonstrou a autonomia de sua elite e a força de suas convicções confessionais e políticas frente ao novo regime republicano.
A imagem (presente nos arquivos originais, mostra o interior da antiga Igreja de Nosso Senhor dos Passos. A ornamentação para a missa de exéquias seguiu rigorosamente a tradição dos grandes funerais de Estado europeus e imperiais:
A transformação do altar com pesadas cortinas e planejamentos em tons de roxo (cor litúrgica do luto e da penitência) e preto, contrastando com os detalhes em ouro das colunas.
Grandes arranjos circulares brancos com longas fitas pendentes cobrindo as colunas do templo.
No coração da estrutura (o catafalco), foi posicionado um imponente retrato de Dom Pedro II com suas condecorações e trajes majestosos, servindo como ponto focal para as preces da comunidade juiz-forana.
Realizar tal demonstração em "plena implantação do regime republicano" era um ato de coragem silenciosa e de profunda devoção à biografia do antigo governante.
O trecho enfatiza o caráter e a integridade de Dom Pedro II. Ao ser deposto pelo golpe militar de 15 de novembro de 1889, o governo provisório republicano ofereceu uma vultosa soma em dinheiro (uma espécie de indenização ou "compensação") para que a família imperial se estabelecesse no exterior.
Fiel aos seus princípios de não onerar os cofres públicos do país que governou por meio século, o Ex-Imperador recusou terminantemente a ajuda financeira, partindo apenas com seus recursos pessoais. Ele passou seus últimos dois anos de vida de forma extremamente modesta em Paris, vindo a falecer no Hotel Belford, onde seu quarto tinha como uma das poucas relíquias um travesseiro preenchido com terra do Brasil.
A preservação desse registro visual deve-se a Newton Barbosa de Castro, um dos mais ferrenhos defensores da memória histórica e das tradições monárquicas na cidade. O fato de este documento ter sobrevivido ao tempo e chegado até os dias atuais permite compreender que a transição da Monarquia para a República no Brasil não foi um processo de apagamento imediato, mas sim um período de tensões, onde a saudade e o respeito pela figura de Pedro II deixaram marcas profundas na identidade cultural de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Newton Barbosa de Castro

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COMAP
Avenida Barão do Rio Branco com Rua Mister Moore, em pleno Centro de Juiz de Fora.
O Quiosque do Posto de Abastecimento Nº 1 da COMAP ficava posicionado estrategicamente nessa esquina para atender o fluxo de cidadãos e trabalhadores que cortavam o coração comercial da cidade.
A COMAP (Companhia Municipal de Abastecimento Popular) foi uma empresa de economia mista essencial para o cotidiano de Juiz de Fora em meados do século XX, atuando fortemente entre as décadas de 1950 e 1970.
Criada com o objetivo de intervir no mercado local para garantir o abastecimento de produtos de primeira necessidade a preços justos, a COMAP combatia a carestia e o chamado "fideicomisso" ou especulação.
Ela gerenciava desde armazéns de gêneros alimentícios (como arroz, feijão, açúcar e óleo) até postos de venda de combustíveis e lubrificantes.
Na imagem, vemos em destaque o charmoso quiosque de madeira do "Posto de Abastecimento Nº 1" da COMAP.
Esses postos urbanos eram pontos estratégicos de venda.
Note na tabela lateral do quiosque a listagem de preços e produtos, oferecendo transparência direta ao consumidor que passava a pé, de bicicleta ou de Bonde.
A fotografia revela uma Juiz de Fora de transição, onde os paralelepípedos e a arquitetura eclética imponente das residências vizinhas contrastavam com o movimento pacato de ciclistas e carroças de tração animal.
A fiação aérea robusta já denunciava a expansão da iluminação pública e dos serviços urbanos da época.
O trabalho de colorização trouxe um calor nostálgico incrível para a cena: o tom amadeirado do posto da COMAP, o telhado de barro colonial, o ocre da fachada histórica e o verde vivo da árvore dão uma clareza impressionante a esse fragmento do passado da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

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Francisco Batista de Oliveira e "A Barateza"
Estabelecido em Juiz de Fora a partir de 1882, o dinâmico comerciante Francisco Batista de Oliveira fez história na cidade com a sua famosa casa comercial A Barateza. Mais do que um comerciante de sucesso, ele compreendeu que o crescimento acelerado de Juiz de Fora, que na época se consolidava como a "Manchester Mineira" devido ao seu forte pioneirismo industrial, exigia uma mão de obra qualificada, profissionalizada e com forte base científica e administrativa.
Movido por essa visão de futuro, Francisco Batista de Oliveira foi o grande idealizador e principal fundador da Academia de Comércio de Juiz de Fora, inaugurada oficialmente em março de 1894 (com as aulas iniciando-se logo em seguida).
Formar de maneira sólida os novos comerciantes, contadores e administradores que gerenciariam o forte comércio e as indústrias em expansão na Zona da Mata e no Brasil.
A imagem ilustra com perfeição o nível de excelência e a abordagem prática da instituição.
Não se tratava apenas de um ensino teórico de escritório; os alunos tinham aulas de química, física e mercadologia (estudo técnico das mercadorias, análises de pureza, falsificações e conservação de produtos).
Na fotografia, vemos os estudantes/aprendizes concentrados manipulando balões de destilação, almofarizes, provetas e analisando fórmulas em livros, vestindo seus aventais e coletes típicos da virada do século.
A preservação deste registro, vinda do acervo de Radialistaleodeoliveira, é uma contribuição inestimável para a memória de Minas Gerais.
Guardar e digitalizar imagens com essa riqueza de detalhes permite que a história da educação e do comércio do nosso país não seja esquecida.
O trabalho de reconstrução visual na imagem resgatou perfeitamente as cores dos trajes da época, a textura da madeira das bancadas e o brilho dos vidros de laboratório, tornando palpável o cotidiano desses pioneiros da administração em Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Radialistaleodeoliveira

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A Casa da América, em 1917, era muito mais do que um simples comércio; era um verdadeiro templo da modernidade e do dinamismo econômico que rendeu a Juiz de Fora o título de "Manchester Mineira".
Cruzar a sua porta de entrada na efervescente Rua Halfeld significava testemunhar o ápice do progresso urbano da época.
O registro fotográfico original de 1917, preservado no precioso acervo de Elton Belo Reis, nos permite fazer uma viagem no tempo e reconstruir visual e sensorialmente o interior desse emblemático estabelecimento:
O que mais chamava a atenção no desenho interior da loja era a sofisticação logística. Para otimizar o transporte e a organização das mercadorias pesadas de ferragens, a Casa da América contava com um sistema inovador de trilhos no piso.
Por esses trilhos deslizavam peças brutas e caixas, agilizando o atendimento e demonstrando que a automação industrial da cidade também moldava o varejo.
Esse cenário criava um contraste fascinante entre a rusticidade do metal e a sofisticação do ambiente de vendas.
A seção de vendas era um espetáculo de opulência e ordem.
As paredes laterais eram tomadas por imponentes e altas prateleiras de madeira, que iam do chão ao teto, densamente povoadas por uma impressionante variedade de produtos:
Peças essenciais para a construção civil e para a pujante indústria local, que crescia a passos largos.
Artigos importados e nacionais que atendiam ao gosto refinado da crescente elite cafeeira e industrial da cidade, além de peças utilitárias para o cotidiano.
O balcão central, longo e robusto, servia como ponto de encontro entre os atendentes e os clientes, sempre movimentado pelo fluxo constante de compradores.
Apesar da natureza robusta dos produtos comercializados (ferragens), a Casa da América não abria mão da elegância.
Além da óbvia função funcional de iluminar o vasto corredor de vendas, essas peças eram símbolos de status, típicos da estética da Belle Époque que influenciava a arquitetura e a decoração de Juiz de Fora no início do século XX.
Por trás de toda essa engrenagem de sucesso estava a visão do comerciante Pedro Resende.
Sua capacidade de gerenciar um negócio desse porte na Rua Halfeld foi o trampolim para outras grandes marcas na história da cidade, como sua posterior ligação à renomada Sul América e seu papel fundamental como um dos fundadores do Rotary Club de Juiz de Fora, consolidando seu nome tanto no desenvolvimento econômico quanto no filantrópico e social da comunidade juiz-forana.
Graças à sensibilidade de fotógrafos da época e à guarda cuidadosa do acervo de Elton Belo Reis, o interior da Casa da América permanece vivo como um retrato fiel de uma Juiz de Fora que se orgulhava de sua modernidade e de sua vocação para o progresso.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis

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A fotografia capturada por M. Santos em 1905 é um documento histórico precioso que retrata os primórdios do ensino técnico e da engenharia em Minas Gerais, registrando os estudantes de engenharia em exercícios de medição no Rio Paraibuna.
O Contexto da Engenharia e da "Manchester Mineira"
Em 1905, Juiz de Fora vivia o auge de sua expansão industrial e urbana.
Para sustentar esse crescimento, que exigia a construção de usinas hidrelétricas, ferrovias, saneamento básico e pontes, a formação de profissionais técnicos locais era uma necessidade urgente.
A presença desses estudantes realizando trabalhos de campo (topografia, agrimensura e hidrometria) reflete o espírito prático e científico da época, preparando a mão de obra que consolidaria a infraestrutura da região.
A cena detalha com precisão um dia de aula prática de topografia e estudos hidráulicos: Na margem (Beirada): Os estudantes utilizam um teodolito (ou nível de luneta) montado sobre um tripé de madeira.
Um dos futuros engenheiros aparece concentrado, anotando as coordenadas e leituras em sua caderneta de campo, enquanto outros operam e alinham os instrumentos.
Para medir a profundidade, a vazão ou fazer o nivelamento geométrico em relação à outra margem, um grupo utiliza uma pequena embarcação.
Um dos auxiliares ou estudantes segura uma mira topográfica (a régua graduada vertical) dentro d'água, permitindo que a equipe na margem faça a leitura óptica através do teodolito.
O cenário é o Rio Paraibuna, a grande artéria natural que corta Juiz de Fora.
Na imagem, a coloração marrom e densa da água retrata com fidelidade o aspecto barrento do rio, característico de cursos d'água que carregam sedimentos de suas margens e cabeceiras, especialmente em regiões de relevo acidentado e movimentado como o da Zona da Mata mineira.
O Paraibuna não era apenas um elemento geográfico, mas a força motriz que gerava energia para as fábricas e que exigia constante monitoramento e engenharia para as pontes que uniam a cidade.
O fotógrafo M. Santos registrou o momento com a solenidade típica do início do século XX.
Um detalhe marcante é o contraste entre a atividade rústica de campo e o rigor do vestuário dos estudantes: mesmo sob o sol e na beira do rio, eles trajam ternos completos, gravatas e chapéus (como os chapéus de feltro ou de palha estilo boater/palheta).
Essa vestimenta era o padrão de dignidade e status associado aos acadêmicos e profissionais da época, reforçando a importância social da profissão que ajudava a desenhar o futuro de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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Residência do industrial, o coronel Severino José Costa (1910)
Diretor-proprietário da Costa, Irmão & C. e da Fábrica Mineira de Banha e Produtos Suínos em Conservas, o contexto daquela imponente residência e da foto de circa 1910 ganha novos contornos: O Império da Banha e dos Embutidos
Nas primeiras décadas do século XX, antes da popularização dos óleos vegetais, a banha de porco era a principal gordura utilizada para cozinhar no Brasil.
Juiz de Fora, estrategicamente posicionada entre as zonas produtoras de Minas Gerais e o mercado consumidor do Rio de Janeiro (então capital federal), tornou-se um polo gigante desse setor.
A Fábrica Mineira de Banha, sob o comando do Coronel Severino, não era apenas um abatedouro local, mas uma indústria complexa de conservas que abastecia o país, competindo com grandes marcas nacionais e exigindo um alto nível de mecanização e higiene para a época.
Saber que a fortuna do Coronel Severino vinha do setor de alimentos e conservas ajuda a entender a opulência da casa.
Na República Velha, os industriais de alimentos formavam uma nova e poderosa burguesia urbana.
A escolha de uma arquitetura eclética tão refinada, com o marcante torreão europeu e os afrescos que a restauração revelou, era a forma que esse "capitão de indústria" tinha de mostrar à sociedade juiz-forana que o seu negócio de produtos suínos era tão moderno, limpo, próspero e civilizado quanto as fábricas de tecido ou as comitivas do café.
A Fotografia de 1910 como Registro de Sucesso
Aquela reunião de família na varanda, com todos em trajes de gala da Belle Époque, assume o papel de um retrato de triunfo empresarial.
O Coronel Severino José Costa ali posa não apenas como patriarca, mas como o homem que transformou a firma Costa, Irmão & C. em um sinônimo de progresso industrial para a cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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O fragmento histórico contextualiza com perfeição um dos capítulos mais ricos e complexos da formação de Juiz de Fora.
O Bairro da Glória (ou Morro da Glória) é, na verdade, um microcosmo do choque cultural, econômico e religioso que transformou a antiga Vila de Santo Antônio do Paraibuna na "Manchester Mineira".
A fotografia, extraída do emblemático Álbum do Município de Juiz de Fora (1915), de Albino Esteves, registra justamente o período em que essa transição rural-urbana estava se consolidando.
O Morro da Gratidão (Glória) e as áreas adjacentes viraram o cenário de uma divisão clara:
De um lado, a colônia germânica: Majoritariamente protestante (luterana), ligada ao trabalho técnico e livre na Companhia União e Indústria.
De outro, a matriz luso-brasileira: Católica, estabelecida no centro histórico da cidade, que olhava com certa desconfiança para a forte influência cultural e religiosa daqueles imigrantes "estrangeiros".
Essa dualidade começou a mudar de eixo em 1894, com a chegada dos Padres Redentoristas holandeses.
Para fincar a bandeira do catolicismo naquela região de forte presença protestante, eles iniciaram a construção da imponente Igreja da Glória (concluída em 1924), o que acabou rebatizando o morro e o Bairro definitivamente.
O Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage foi o grande catalisador daquela região.
Ao inaugurar a primeira estrada de rodagem macadamizada do país (ligando Petrópolis a Juiz de Fora) em 1861, ele transformou o entorno da atual Rua Bernardo Mascarenhas no coração pulsante da cidade.
A engrenagem contava com oficinas, armazéns e a posterior Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil (então Pedro II).
A Chácara do Comendador (onde ele hospedou a Família Real) tornou-se o embrião do Museu Mariano Procópio, o primeiro museu surgido em Minas Gerais.
Com a crise e subsequente liquidação da Companhia União e Indústria no final da década de 1870, o engenheiro e arquiteto francês Miguel Lallemand (figura chave na cartografia e urbanismo da Juiz de Fora oitocentista) foi o responsável por desenhar o arruamento e o loteamento das terras.
O nome Marianópolis foi uma clara homenagem ao comendador, mas a força da devoção popular e a presença marcante dos Redentoristas fizeram com que "Glória" ganhasse a preferência dos moradores ao longo do século XX. Os colonos alemães e seus descendentes, que antes eram apenas funcionários, tornaram-se proprietários de terra, transformando o perfil do Bairro de uma colônia agrícola/industrial para um reduto residencial e comercial de classe média alta.
A fotografia de Albino Esteves captura o Bairro em um momento bucólico, com as encostas do morro ainda dominadas por pastos, pequenas lavouras de subsistência e casas esparsas, uma realidade que contrasta dramaticamente com a densidade vertical e o tráfego intenso que cortam a Avenida dos Andradas e o Morro da Glória nos dias de hoje.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Correa

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Álbum do Município de Juiz de Fora de 1915, de Albino Esteves, sintetizam com perfeição o impacto da ferrovia na transição da Juiz de Fora agrária para a "Manchester Mineira". A evolução arquitetônica da estação reflete diretamente o crescimento econômico e o status que a cidade alcançou na virada do século XIX para o século XX.
A Transição da Madeira para o Ecletismo Rebuscado.
A primeira parada de 1875 era provisória e rudimentar, reflexo de uma linha que recém-chegava para escoar o café.
Porém, à medida que Juiz de Fora se tornou o principal polo industrial de Minas Gerais, a precariedade de madeira já não representava a opulência local.
O imponente edifício inaugurado em 1902 (o mesmo que vemos na fotografia) abraçou a linguagem do ecletismo arquitetônico.
A substituição dos beirais de madeira aparentes por uma platibanda trabalhada e a introdução da cúpula metálica com três pórticos de entrada transformaram o prédio em um cartão-postal de modernidade e sofisticação urbana.
A torre com o relógio central, visível em destaque na imagem, tinha um papel que ia muito além da estética:
A Disciplina do Tempo Industrial: No século XIX e início do XX, o relógio da estação ditava o ritmo da cidade.
Ele sincronizava o comércio, a saída dos operários rumo às fábricas têxteis e a circulação de mercadorias.
A torre estabeleceu uma nova referência vertical na paisagem da Praça da Estação, competindo em importância com as torres das igrejas e simbolizando o triunfo da engenharia e do progresso sobre o tempo rural.
A fotografia preservada por Albino Esteves em 1915 capta um momento de transição fascinante nas ruas de Juiz de Fora.
Embora o trem trouxesse a modernidade sobre os trilhos e a arquitetura seguisse os padrões europeus, o transporte urbano local ainda dependia da tração animal.
A aglomeração de carruagens e carroças de tração animal enfileiradas aguardando os passageiros do trem da Estrada de Ferro Central do Brasil ilustra o movimentado "vaivém" de uma cidade vibrante, que funcionava como a principal porta de entrada e saída do estado de Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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A Sociedade Alemã de Beneficência (frequentemente associada à colônia alemã em Minas Gerais, com forte presença histórica em Juiz de Fora devido ao fluxo migratório iniciado na década de 1850 para a construção da Estrada União e Indústria) desempenhou um papel fundamental no amparo e na preservação da identidade cultural dos imigrantes germânicos.
Fundada em 1872, a sociedade nasceu em um período em que os imigrantes alemães já estavam estabelecidos na região há cerca de duas décadas.
Como o Estado brasileiro da época não oferecia uma rede de proteção social estruturada para os recém-chegados, a comunidade organizava-se em associações de auxílio mútuo.
Essas sociedades beneficentes funcionavam como uma espécie de cooperativa ou seguro social pioneiro.
Os membros pagavam contribuições regulares e, em troca, recebiam assistência médica, auxílio-doença, amparo financeiro para viúvas e órfãos, e serviços funerários dignos.
A lista de nomes que compunha a diretoria em 1910 reflete o prestígio e o envolvimento de famílias tradicionais da colônia alemã local.
Sobrenomes como Scoralick, Dilly, Lenz, Mitterhofer, Hanser, Kelmer, Berg e Dose são de extrema relevância histórica, muitos deles ligados diretamente aos primeiros colonos alemães que chegaram à região e que se destacaram no comércio, na indústria manufatureira, na agricultura e no desenvolvimento urbano.
A presença de nomes como J. Abreu na mesma diretoria também exemplifica a gradual integração e os laços estabelecidos entre os descendentes de alemães e a sociedade brasileira luso-descendente.
O estandarte imponente exibido na fotografia traz as datas marcantes de 1892 e 1906, que possivelmente remetem a marcos importantes da sociedade, como reformas estatutárias, inaugurações de sedes ou celebrações de aniversários específicos. A presença de símbolos como a cruz (referência à assistência e filantropia) e os trajes formais com faixas cerimoniais dos diretores demonstram o alto grau de organização, solenidade e respeitabilidade que a instituição gozava perante a comunidade no início do século XX.
Essas associações foram o coração da vida social da colônia, servindo não apenas para a caridade, mas também como pontos de encontro para manter vivos o idioma, as tradições e a coesão social do grupo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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A imagem nos transporta para os bastidores de uma das indústrias mais tradicionais da história de Juiz de Fora: a linha de engarrafamento da Água Mineral Natural São Luiz (atualmente a conhecida marca Xua), localizada no Bairro Grama.
O registro, datado de 1955, capta uma comitiva de importantes figuras públicas, políticos e empresários locais inspecionando a modernização e a pureza do processo fabril na região outrora chamada de Munçunge.
A Fonte Dona Cabrela e a Água São Luiz (Atual Xua)
O local onde as fontes brotavam na região do Bairro Grama era historicamente conhecido como Munçunge. Foi ali que se estabeleceu a exploração da Fonte Dona Cabrela, cujas propriedades medicinais e pureza da água mineral deram origem à famosa marca São Luiz.
Décadas mais tarde, essa mesma fonte e estrutura industrial passariam a produzir e envasar a Água Mineral Xua, que até os dias de hoje é uma das marcas mais consumidas e queridas de Juiz de Fora e de toda a Zona da Mata, mantendo viva a vocação hidromineral daquela área de Grama.
Na imagem, vemos os operários (incluindo o trabalhador retinto focado no centro, operando o maquinário com caixas marcadas "BOTELHAS") no processo de lavagem, inspeção visual contra a luz e enchimento das garrafas de vidro escuras (verdes e âmbar), típicas da metade do século XX.
A comitiva de terno e gravata que acompanha a produção revela o peso político e social que a fábrica representava para o Município de Juiz de Fora em 1955: O Primeiro à Esquerda (Gattás Bara): O renomado empresário e político Gattás-Bara aparece em primeiro plano, à esquerda, observando atentamente a esteira. Ele foi uma figura central no desenvolvimento comercial de Juiz de Fora e viria a ser prefeito da cidade poucos anos depois, no final daquela década.
Dilermando Cruz: Também presente entre as primeiras figuras da esquerda (de óculos escuros), o influente político e jornalista juiz-forano, que dá nome a uma das principais avenidas da cidade.
O Centro da Fotografia (Vereador Ignácio Halfeld): Como destacado, o senhor que se posiciona exatamente ao centro da imagem, vestindo paletó escuro e gravata estampada, é o saudoso vereador Ignácio Halfeld, membro de uma das famílias mais tradicionais e historicamente ligadas ao desenvolvimento urbano de Juiz de Fora.
O Último à Direita (Dr. Godofredo Botelho): Posicionado na extremidade direita da comitiva, de terno cinza, está o médico e importante figura local, Dr. Godofredo Botelho.
A presença de tantas autoridades da política e da medicina local (como o Dr. Godofredo) em uma fábrica de água mineral reforça a importância que se dava à saúde pública e ao progresso industrial nos anos 1950.
Era o momento em que Juiz de Fora unia o prestígio de suas lideranças tradicionais ao avanço técnico que colocaria o Bairro Grama definitivamente no mapa econômico da região.
Essa fotografia é mais um resgate fundamental que preserva a identidade operária e política da nossa cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Aloysio Barbosa

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Esta belíssima imagem resgata o Jardim do Largo do Riachuelo, um dos espaços públicos mais dinâmicos e carregados de história de Juiz de Fora.
O registro captura o local em sua "fase dourada" de praça ajardinada, antes de se transformar no movimentado nó urbano que conhecemos hoje.
O Largo do Riachuelo, originalmente conhecido como Largo do Jacaré no século XIX devido à topografia e proximidade com as várzeas do Rio Paraibuna, mudou de nome para homenagear a célebre Batalha Naval do Riachuelo (1865), um dos episódios mais marcantes da Guerra do Paraguai.
Por estar localizado estrategicamente no encontro da Rua Principal (atual Avenida Barão do Rio Branco) com as vias que davam acesso à antiga Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, o Largo tornou-se o principal portal de entrada de viajantes, mercadorias e novidades na cidade.
O jardim foi construído sob a administração do engenheiro e agente executivo (cargo equivalente ao de prefeito na época) Doutor Oscar Vidal Barbosa Lage.
A gestão de Oscar Vidal foi profundamente marcada por ideais de modernização urbana, saneamento e embelezamento público.
Inspirado pelas reformas urbanas do Rio de Janeiro, ele buscou transformar antigos "largos" de terra batida em jardins europeus.
A fotografia revela esse esforço de arborização.
Destaca-se em primeiro plano uma imponente Árvore-do-viajante (Ravenala madagascariensis), planta exótica que virou febre no paisagismo brasileiro da Belle Époque por seu formato de leque.
Vê-se também as mudas de árvores protegidas por gradis de madeira ao longo do passeio, demonstrando uma praça recém-implantada e bem cuidada, onde a elite e o povo conviviam.
Esta fotografia integra o icônico "Álbum do Município de Juiz de Fora", publicado em 1915 por Albino de Oliveira Esteves.
O álbum eternizou o Largo do Riachuelo no auge de sua função social como área de lazer, passeio e contemplação.
Na imagem, as vestimentas das pessoas (chapéus, ternos claros, longos vestidos) e as ruas ainda de terra ou calçamento primário refletem o cotidiano e a atmosfera pacata, mas elegante, da Juiz de Fora de mais de um século atrás.
Com o passar das décadas e o avanço galopante do tráfego urbano no século XX, o perfil do Largo do Riachuelo mudou drasticamente:
O Monumento ao Centenário (1950): O pacato jardim deu lugar a intervenções para melhorar o fluxo de veículos.
Apesar de descaracterizado em sua função original de "jardim de contemplação", o Largo do Riachuelo permanece vivo na memória coletiva de Juiz de Fora como o termômetro histórico do crescimento e da aceleração da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Correa

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A imagem registra um dos marcos mais importantes da infraestrutura industrial e ferroviária de Juiz de Fora no início do século XX: a Usina de Creosotagem e Dormentes da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), localizada no atual Bairro Francisco Bernardino.
Inaugurada em 3 de julho de 1906, a estação e o complexo ferroviário receberam inicialmente o nome de Estação de Creosotagem.
A escolha do local não foi por acaso: o pátio ferroviário de Juiz de Fora funcionava como um ponto estratégico na "Linha do Centro" da antiga E.F. Dom Pedro II (rebatizada em 1889 como Central do Brasil).
A creosotagem consiste no tratamento químico da madeira por meio da aplicação de creosoto (um destilado do alcatrão de hulha) sob alta pressão. Esse processo impermeabilizava e protegia os dormentes de madeira contra a umidade, fungos e cupins.
Sem esse tratamento, os dormentes apodreciam rapidamente sob o peso dos trens e a exposição ao tempo.
A usina de Juiz de Fora era uma das poucas instalações desse tipo no território nacional, sendo responsável por preparar a base de sustentação dos trilhos que expandiram o sistema ferroviário brasileiro em direção ao interior de Minas Gerais e outros estados.
De "Creosotagem" a Francisco Bernardino
Posteriormente, a estação e o pátio ferroviário foram rebatizados para homenagear o importante político mineiro Francisco Bernardino Rodrigues Silva (1853–1912).
O Bairro que cresceu ao redor do complexo industrial acabou herdando o mesmo nome.
Ao longo das décadas de ouro da ferrovia, o pátio funcionou intensamente como área de manutenção, tratamento de dormentes e movimentação de cargas, consolidando a vocação da "Manchester Mineira" para a vanguarda industrial e logística.
A fotografia original, capturada cerca de nove anos após a fundação da usina, ilustra com precisão o maquinário e os galpões de beneficiamento com suas estruturas de madeira e ferro.
Ela faz parte do célebre "Álbum do Município de Juiz de Fora", organizado por Albino de Oliveira Esteves e publicado em 1915 pela Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais.
Considerada pelos historiadores locais como a "Bíblia" do passado juiz-forano, a obra de Albino Esteves foi o mais completo inventário visual, social e econômico do apogeu do desenvolvimento da cidade na República Velha.
Hoje, a antiga Usina de Creosotagem encontra-se desativada e o pátio ferroviário reflete os impactos do abandono que atingiu grande parte da malha ferroviária nacional a partir do final do século XX.
No entanto, o valor histórico e arquitetônico desse conjunto, que inclui os galpões anexos, a própria estação e as linhas de resguardo, é amplamente reconhecido.
A área integra o patrimônio ferroviário de Juiz de Fora e é objeto recorrente de estudos acadêmicos e projetos que buscam sua revitalização e reabilitação cultural, visando transformar as ruínas industriais em espaços de memória para a comunidade local.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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A Cachoeira de Marmelos e a Usina Zero
A escolha da Cachoeira de Marmelos por Bernardo Mascarenhas não foi por acaso.
A força das águas do Paraibuna naquele imenso declive natural oferecia o potencial hidráulico perfeito.
Quando a usina começou a funcionar em 5 de setembro de 1889 (apenas dois meses antes da Proclamação da República), a iluminação pública de Juiz de Fora impressionou o país.
Ver as lâmpadas incandescentes brilhando nas ruas centrais substituiu os antigos lampiões a gás e consolidou a vanguarda tecnológica da cidade.
A incorporação pela CEMIG em 1980 e a posterior transformação da Usina Zero em Museu, tombado pelo patrimônio histórico, garantiram que a memória desse berço da engenharia elétrica sul-americana fosse preservada para as próximas gerações.
A Estrada de Ferro D. Pedro II (Depois Central do Brasil)
A ferrovia foi o grande motor de escoamento e conexão com a Corte no Rio de Janeiro.
O primeiro trecho da linha chegou a Juiz de Fora em 1875.
Antes disso, as sacas de café que viajavam pela Rodovia União Indústria precisavam ser transferidas para as estações fluminenses.
Com os trilhos cortando a Zona da Mata, o tempo de viagem e o custo do frete despencaram.
Além de escoar o café, a EF D. Pedro II permitiu a chegada de pesadas máquinas importadas da Europa e dos Estados Unidos, fundamentais para que as indústrias têxteis (como a própria Companhia Mineira de Fiação e Tecelagem de Mascarenhas) ganhassem escala.
O Caminho Novo abre as portas da região no século XVIII, transformando o Morro da Boiada (Santo Antônio) e o Rancho do Juiz de Fora em pontos vitais de pouso.
O Café gera a riqueza acumulada que financia a infraestrutura.
A Rodovia União Indústria (1861) traz os imigrantes alemães e a expertise técnica.
A Ferrovia e a Hidrelétrica (1889) fecham o ciclo, transformando a antiga parada de tropeiros no maior polo industrial do interior do país na época.
Esse trabalho de resgate do acervo é fundamental.
Essas imagens faz com que a história de Juiz de Fora permaneça viva, palpável e visualmente impressionante para todos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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O Tupi Fantasma do Mineirão" protagonizou em 1966 uma das páginas mais gloriosas e românticas do futebol de Juiz de Fora e de todo o interior de Minas Gerais.
Tudo começou logo após o Tupi conquistar o título do campeonato de Juiz de Fora (o Citadino) de 1965.
Para comemorar e garantir uma boa renda para premiar os atletas, a diretoria do Galo Carijó decidiu convidar o poderoso Cruzeiro (então campeão da capital e que contava com craques como Tostão e Dirceu Lopes) para um amistoso de entrega das faixas.
No dia 6 de março de 1966, em Santa Terezinha (no Estádio Salles Oliveira), o Tupi surpreendeu o país ao vencer a Raposa por 3 a 2. Mordido, o Atlético-MG chamou o Tupi para jogar em Belo Horizonte e tentar vingar o rival; o Carijó foi até a capital e bateu o Galo de BH pelo mesmo placar: 3 a 2.
Na sequência, o América-MG também quis desafiar os juiz-foranos e perdeu por 2 a 1.
Para fechar a série assombrosa, o Cruzeiro pediu uma revanche no Mineirão e acabou derrotado novamente por 2 a 1.
Após essa sequência implacável de quatro vitórias contra os gigantes da capital, o icônico jornalista Osvaldo Faria, da Rádio Itatiaia, cunhou o apelido que imortalizou aquele elenco: O Fantasma do Mineirão.
O sucesso foi tão estrondoso que aquela equipe base serviu até de teste para a Seleção Brasileira que se preparava para a Copa do Mundo de 1966.
Sob o comando tático do lendário treinador Geraldo Magela Tavares, o time base que assombrou Minas Gerais jogava com:
Goleiro: Valdir
Defensores: Manoel, Murilo, Dário (Dario Mendes) e Walter
Meio-campistas: França (Francinha) e Mauro
Atacantes: João Pires, Toledo (Toledinho), Vicente e Eurico
A imagem traz exatamente o registro desse período de ouro no gigante da Pampulha. Olhando para a foto colorizada, a identificação dos heróis é a seguinte:
Em pé (da esquerda para a direita): Geraldo Magela (Técnico), Manoel, Mauro, Walter, Valdir (o goleiro, com a camisa cinza), Murilo, Dario e Prof. Ítalo (Preparador Físico).
Agachados (da esquerda para a direita): João Pires, Toledo, Joel, Francinha e Eurico.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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Associação dos Cegos de Juiz de Fora
A fotografia retrata a histórica sede da Associação dos Cegos, localizada na Avenida dos Andradas, nº 455, no Centro de Juiz de Fora.
O registro, pertencente ao acervo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), imortaliza a arquitetura e a presença institucional de uma das entidades filantrópicas mais importantes e tradicionais da região.
O casarão se destaca por suas linhas arquitetônicas ecléticas, típicas das construções nobres de Juiz de Fora do final do século XIX e início do século XX.
Apresenta três imponentes janelas em arco pleno com venezianas de madeira, emolduradas por ornamentos em relevo e pilastras decoradas nas extremidades.
O topo da fachada exibe um frontão ornamentado com detalhes esculpidos e pináculos (ornamentos pontiagudos) que coroam a platibanda, conferindo elegância e verticalidade à edificação.
Uma charmosa varanda lateral com colunas de ferro e guarda-corpo trabalhado acompanha a subida da escadaria de acesso, uma solução arquitetônica comum para terrenos elevados em relação ao nível da rua.
Na entrada, destaca-se a icônica placa emoldurada com os dizeres "ASSOCIAÇÃO DOS CEGOS", que por décadas serviu como ponto de referência visual e afetivo na Avenida dos Andradas.
Fundada na primeira metade do século XX, a Associação dos Cegos nasceu com a missão nobre de promover a inclusão, a reabilitação, o ensino (notadamente através do método Braille) e o amparo social às pessoas com deficiência visual em Juiz de Fora e em toda a Zona da Mata mineira.
A escolha da Avenida dos Andradas para sediar a instituição foi estratégica, visto que a via sempre foi um dos principais eixos de conexão e desenvolvimento da cidade, facilitando o acesso dos assistidos que vinham de diferentes bairros e municípios vizinhos.
O registro do IBGE preserva a memória da fase inicial/intermediária da instituição naquele endereço, antes das modernizações e ampliações que o complexo sofreu ao longo dos anos para dar conta da crescente demanda de atendimentos médicos e pedagógicos.
Fonte: IBGE
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

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O Último Apagar de Luzes nos Trilhos da História
O entardecer em Juiz de Fora sempre teve uma poesia própria.
Naquela quinta-feira, 10 de abril de 1969, a despedida do sol trouxe consigo o fim de uma era que pulsava no ritmo dos trilhos e no estalar dos cabos elétricos aéreos.
O crepúsculo daquele dia não marcava apenas a chegada da noite, mas o recolhimento definitivo dos Bondes da Manchester Mineira, engolidos pelo progresso inevitável dos motores a diesel.
A atmosfera na cidade era uma mistura de nostalgia, comoção popular e uma inesperada euforia juvenil.
O icônico Bonde verde e amarelo, com suas laterais abertas que por tantas décadas ditaram o vai e vem dos juiz-foranos, fazia o seu trajeto derradeiro carregado de passageiros que queriam guardar na memória aquele último vento no rosto.
A Invasão da Avenida: Juventude e Festa na Rio Branco
Ao atingir o coração da cidade, na Avenida Barão do Rio Branco, o clima de despedida ganhou contornos de festa e celebração histórica.
Rompendo o protocolo e a solenidade do momento, um grupo de jovens — Letícia Fortini, Ângela Polini, Vilma Pimentel, Rosangela Souza e Cláudia Pereira, invadiu a pista da avenida principal.
Com a energia e a irreverência típicas da juventude do final dos anos 60, elas transformaram o momento que poderia ser puramente melancólico em uma ode à vida e à história local:
A Parada Espontânea: O bonde reduziu a marcha e parou em meio ao burburinho da avenida.
As jovens subiram as estribeiras laterais, misturando-se aos passageiros, trocando sorrisos, acenos e festejando com quem estava a bordo.
Esse instante de pura espontaneidade urbana quebrou a rigidez do adeus, mostrando que a cidade, embora mudasse de pele, mantinha sua alma vibrante.
Se hoje podemos fechar os olhos e visualizar o entardecer daquele 10 de abril, com o reflexo dourado do sol poente nos prédios da Rio Branco e o contraste do bonde aberto tomado pela multidão, devemos à sensibilidade de Arnaldo Parpinelli.
O registro documental desse momento, é um tesouro iconográfico de Juiz de Fora.
Parpinelli não capturou apenas o meio de transporte que partia; ele eternizou o comportamento, o sentimento coletivo e o calor humano que marcaram o exato minuto em que o Bonde virou saudade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Arnaldo Parpinelli

11
Essa imagem do acervo do Humberto Ferreira nos transporta diretamente para as páginas de Baú de Ossos, o monumental livro de memórias de Pedro Nava, e nos ajuda a visualizar o cenário da infância do escritor em Juiz de Fora.
Aqui estão os principais pontos que destacam a importância histórica e arquitetônica desse sobrado em 1911: O Cenário de Baú de Ossos e a Conexão Familiar
Este sobrado na antiga Rua Direita (atual Avenida Barão do Rio Branco), no número 179, era a residência de Dona Maria Luísa de Oliveira Halfeld (sua avó materna).
Ela foi a terceira esposa do Engenheiro Henrique Halfeld, uma das figuras mais importantes na formação e planejamento urbano de Juiz de Fora.
No universo de Pedro Nava, essa casa não era apenas um endereço, mas o quartel-general de suas memórias de infância, repleto de tias, primos, rituais familiares e a atmosfera da Juiz de Fora do início do século XX.
Nava descreve detalhadamente a vida que orbitava em torno desse trecho da Rua Direita.
O casarão ficava na parte mais baixa e central da Rua Direita, nas proximidades do Largo Riachuelo.
Essa região era um polo vibrante: Ficava perto da Mecânica Mineira (importante fundição e oficina da época).
Anos mais tarde, a região abrigaria a antiga Estação Rodoviária Régis Bittencourt (cujo prédio de linhas modernistas hoje sedia a Cesama).
O fato de os fundos das propriedades de sua avó darem para a Rua Santo Antônio mostra a grande extensão territorial desses lotes centrais, típicos das famílias abastadas daquele período.
Análise Arquitetônica do Sobrado (1911)
A fotografia revela uma arquitetura eclética refinada e cheia de peculiaridades: A Varanda e o Afresco: O elemento mais impressionante da fachada superior é a grande varanda colunada.
Ao fundo dela, nota-se uma parede pintada com um afresco de paisagem (com palmeiras e montanhas), um recurso decorativo muito usado na época para dar profundidade e sofisticação aos espaços de convivência.
As colunas e pilastras da fachada exibem medalhões e molduras decorativas em relevo, possivelmente com detalhes em azulejos ou estuque trabalhado, ressaltados lindamente na colorização.
No andar térreo, com suas belas janelas em arco pleno, vemos figuras masculinas de terno posicionadas na calçada, conversando ou posando junto à janela, além de um menino.
Na varanda de cima, outras pessoas observam. Isso mostra o costume da época de registrar a família integrada à própria arquitetura da casa.
À esquerda, o muro baixo com portão de madeira e o jardim lateral com palmeiras e trepadeiras subindo pela fachada trazem o aspecto residencial e acolhedor que a Avenida Rio Branco possuía antes da verticalização comercial.
Essa restauração e contextualização são um verdadeiro presente para os estudiosos da literatura brasileira e para a preservação da memória de Juiz de Fora, materializando o "baú de ossos" de um dos nossos maiores cronistas!
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
10
Essa imagem é um documento histórico valiosíssimo para entender o gigantismo que foi a Companhia Construtora Pantaleone Arcuri & Spinelli (posteriormente Pantaleone Arcuri & Cia.) no desenvolvimento urbanístico e industrial de Juiz de Fora.
Depósito da "Casa Pantaleone"
O imenso galpão que vemos na foto funcionava como o Depósito de Materiais da empresa, localizado na Rua Paulo Frontin.
A escolha do local não foi por acaso: a via ficava colada à linha férrea (como os trilhos em primeiro plano explicitam).
Esse ramal ferroviário particular (o "desvio") entrava diretamente no portal da empresa, permitindo que a construtora recebesse insumos pesados, como cimento importado, ferro e maquinários, e despachasse a produção de suas fábricas anexas diretamente pelos vagões da Estrada de Ferro Central do Brasil.
No frontão do arco de entrada, lê-se claramente: "Desvio da C.ª T.ª e C.ª Casa Pantaleone".
A imagem revela a assinatura marcante das construções da empresa na virada do século XIX para o século XX:
Tijolos Maciços Aparentes: A própria construtora possuía grandes olarias e cerâmicas que produziam esses tijolos de alta resistência. O ritmo das janelas em arco pleno na fachada lateral é um clássico da arquitetura industrial da época.
A extensão do galpão impressiona e mostra a capacidade de armazenamento necessária para abastecer os canteiros de obras de dezenas de palacetes, igrejas e indústrias que a firma erguia simultaneamente na região.
Embora a fotografia original não traga a data, elementos visuais e históricos ajudam a situá-la:
A inscrição cita "Casa Pantaleone" e as extensões da Construtora.
A firma individual de Pantaleone Arcuri começou a se expandir fortemente a partir de 1895 (com a dissociação de Spinelli).
O auge desse complexo industrial na região da linha férrea/Rua Paulo Frontin consolidou-se nas primeiras duas décadas do século XX (entre 1900 e 1920). A julgar pelo estado dos trilhos e pelo entorno ainda descampado com vegetação rasteira, a foto provavelmente data desse período de consolidação.
A Pantaleone Arcuri não era apenas uma construtora; ela funcionava de forma verticalizada.
No mesmo complexo ou em terrenos muito próximos, o grupo mantinha serraria a vapor, oficinas de marcenaria artística, fábrica de mosaicos e ladrilhos hidráulicos, fundição e cantaria.
Esse depósito na Paulo Frontin era o coração logístico que permitiu a Juiz de Fora erguer cartões-postais como o Cine-Theatro Central, o Prédio dos Grupos Centrais.
Um resgate fantástico para a preservação da memória operária e industrial da Manchester Mineira!
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

09
Esta belíssima fotografia retrata o coração político e administrativo de Juiz de Fora em uma de suas eras mais elegantes.
Trata-se do imponente Paço Municipal, prédio histórico que abrigou a Prefeitura Municipal de Juiz de Fora por décadas, localizado na emblemática esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld.
Projetado pelo renomado arquiteto Rafael Arcuri, o núcleo original da construção foi inaugurado em 1918.
O edifício é uma das grandes obras-primas da arquitetura eclética na cidade, destacando-se pelos ricos detalhes ornamentais da fachada, colunas imponentes e a famosa cúpula com relógio no topo chanfrado, símbolos da opulência do período.
A cúpula metálica em tom de chumbo/prata mantém a fidelidade histórica e contrasta perfeitamente com a pintura das paredes externas, respeitando as características originais do palacete.
Em primeiro plano, vemos o tradicional bonde da Companhia Mineira de Eletricidade (CME) trafegando pelos trilhos da Avenida Rio Branco.
Suas cores clássicas, verde com detalhes em amarelo, marcaram gerações de juiz-foranos até a desativação do sistema, em 10 de Abril de 1969.
O veículo de cor clara com capota escura (modelo característico da virada dos anos 1920 para os anos 1930) ilustra a modernização da mobilidade urbana, dividindo o espaço de paralelepípedos com o transporte coletivo e com as tradicionais carroças de tração animal.
Os pedestres vestindo ternos e chapéus típicos da década de 1930 dão o tom da elegância que ditava o movimento no centro da cidade, com o Morro do Imperador moldando a paisagem ao fundo.
Registros como este, preservados através do Acervo de Humberto Ferreira, são verdadeiros tesouros documentais que nos permitem compreender a evolução urbana, o tombamento e a valorização do patrimônio histórico de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

08
Esta fotografia é um documento histórico de valor inestimável para Juiz de Fora, registrando o exato momento de uma das maiores transformações de infraestrutura urbana da cidade na década de 1920: a construção da histórica Ponte Artur Bernardes, localizada na parte baixa da Rua Halfeld.
O registro, generosamente doado por Humberto Ferreira, revela a transição da engenharia civil local e a própria evolução do Rio Paraibuna.
A construção desta ponte ocorreu em um período de grande expansão e modernização de Juiz de Fora, consolidando o eixo central da Rua Halfeld em direção à região leste e à ferrovia.
O nome da estrutura homenageia Artur Bernardes, importante político mineiro que foi Presidente do Estado de Minas Gerais (1918–1922) e Presidente da República (1922–1926), situando a obra cronologicamente na década de 1920.
Mais tarde, com as mudanças políticas e históricas da cidade, a estrutura passou a ser popularmente conhecida como Ponte da Rua Halfeld, antes das grandes reformas e do desvio do leito do rio nas décadas seguintes.
A fotografia capta a engenharia da época "em carne e osso" (ou melhor, em madeira e pedra):
Em primeiro plano, destaca-se o impressionante e complexo escoramento de vigas de madeira robustas.
Essas estruturas serviam de suporte (fôrmas e escoras) para a fundação e para o derramamento do concreto ou assentamento das estruturas definitivas sobre as águas barrentas do Rio Paraibuna.
A imagem mostra o rio em seu leito original, muito antes das obras de retificação, alargamento e canalização que ocorreram na década de 1970.
A água barrenta e o leito pedregoso exposto nas margens revelam o caráter natural e desafiador do rio na época.
Um dos maiores destaques da fotografia é a visão nítida da icônica Estação Ferroviária de Juiz de Fora, com sua imponente torre do relógio perfeitamente visível.
A proximidade com a estação reforça o papel estratégico da ponte: conectar o vibrante centro comercial da cidade diretamente ao principal saguão de passageiros e cargas do país.
Casario da Época (À Esquerda): O imponente casario de estilo colonial/eclético com janelas em arco, situado bem à margem do rio, ilustra como a cidade crescia colada às águas do Paraibuna, uma configuração urbana que mudaria drasticamente com as futuras avenidas de fundo de vale (como a Avenida Brasil).
À direita, na passarela provisória de madeira, observa-se pedestres e operários acompanhando a obra.
Destaca-se um homem elegantemente trajado de terno claro e chapéu, figura típica da elite ou da fiscalização de engenharia daquela efervescente Juiz de Fora dos anos 20.
Ela ajuda a compreender como Juiz de Fora moldou sua geografia urbana para vencer a barreira natural do Rio Paraibuna, integrando o comércio da Halfeld com a modernidade que chegava pelos trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

07
O Dispensário Eduardo de Menezes é um marco fundamental, e infelizmente desaparecido, da história da saúde pública e da filantropia em Juiz de Fora.
A imagem do seu laboratório, eternizada no icônico Álbum do Município de Juiz de Fora (publicado em 1915 por Albino de Oliveira Esteves), revela a modernidade e o rigor científico com que a instituição operava já no início do século XX.
Fundado em uma época em que a tuberculose e outras doenças infecciosas eram grandes flagelos urbanos, o dispensário foi criado para oferecer atendimento médico, exames e medicamentos à população mais carente.
O nome homenageia o Doutor Eduardo de Menezes, médico de grande relevância e espírito humanitário na região.
Diferente de um hospital de internação tradicional, o dispensário funcionava como um centro de triagem, prevenção, diagnóstico rápido e distribuição de fórmulas terapêuticas.
A fotografia do acervo revela detalhes preciosos sobre a infraestrutura científica da Juiz de Fora da "Manchester Mineira":
O chão decorado com ladrilhos hidráulicos em padrões geométricos era o padrão de alta qualidade da época, unindo estética à facilidade de higienização necessária para um ambiente de saúde.
Observam-se balanças de precisão protegidas por caixas de vidro e madeira (essenciais para a pesagem exata de componentes químicos), frascos de farmácia de manipulação (em tons de âmbar, verde e azul para proteger os reagentes da luz), tubos de ensaio, funis de filtragem e bicos de Bunsen.
Ao fundo, destaca-se uma grande coifa metálica piramidal, instalada sobre a bancada de manipulação para exaurir gases tóxicos ou vapores gerados durante o preparo dos medicamentos e análise de amostras.
Mesas e bancadas robustas de madeira e ferro fundido dão suporte aos experimentos, mostrando um ambiente planejado e altamente funcional para os padrões da década de 1910.
O dispensário ficava estrategicamente localizado na região central, nas proximidades de onde hoje se encontra o Palácio da Saúde (na Avenida dos Andradas). Aquela área já se desenhava, desde o início do século passado, como um polo de assistência e administração sanitária para o município.
Com as reformas urbanas e a modernização da rede de saúde nas décadas seguintes, o prédio original acabou sendo demolido.
A existência de registros como este, preservados e resgatados, é o que impede que a memória do pioneirismo médico de Juiz de Fora seja apagada. Esse laboratório não era apenas uma sala de testes; era a linha de frente no combate às epidemias que ameaçavam a cidade em crescimento.
Foto Extraída do Álbum do Município de Juiz de Fora de Albino de Oliveira Esteves de 1915.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Correa

06
Esta fotografia é um dos registros mais importantes e raros da infraestrutura urbana de Juiz de Fora no início do século XX, extraída do icônico Álbum do Município de Juiz de Fora, publicado pelo fotógrafo e editor Albino de Oliveira Esteves em 1915.
A imagem registra a antiga Ponte da Rua Halfeld sobre o Rio Paraibuna, ladeada pelo imponente conjunto arquitetônico.
O Álbum do Município de Juiz de Fora de 1915 é considerado a certidão de nascimento visual da modernização da cidade.
Albino Esteves documentou com precisão cirúrgica o apogeu industrial, os casarões coloniais e ecléticos, e as grandes obras públicas que transformavam Juiz de Fora na principal potência econômica de Minas Gerais.
Esta página específica do álbum celebrava o saneamento, a engenharia e a interligação dos Bairros.
A Ponte da Rua Halfeld e a Engenharia da Época!
A Rua Halfeld, o grande eixo político, social e comercial da cidade, precisava transpor o Rio Paraibuna para conectar o centro comercial dinâmico às regiões em expansão e à linha férrea:
No canto inferior esquerdo, destaca-se a belíssima estrutura em arcos de volta inteira (plenos) que sustentava o pontilhão ou as vias de acesso.
Esse tipo de cantaria de pedra com galerias era típico das grandes obras ferroviárias e viárias do século XIX e início do século XX na cidade.
Na época do registro, o rio ainda corria em seu leito natural, cercado por vegetação densa e curvas acentuadas, muito antes das grandes obras de retificação, canalização e construção da Avenida Brasil que aconteceriam nas décadas seguintes.
À direita, ergue-se um imponente conjunto de prédios com telhados coloniais de quatro águas, varandas protegidas por gradis ornamentados e janelas em estilo guilhotina.
Essa área concentrava escritórios de grandes companhias, repartições e residências de figuras ilustres ligadas ao desenvolvimento industrial da região.
Ao fundo, a encosta imensa e imponente, com suas pastagens, caminhos de terra e árvores isoladas, mostra o relevo acidentado característico de Juiz de Fora, revelando como a cidade crescia espremida entre o vale do rio e as montanhas.
Essa imagem recuperada é um testemunho fascinante de um tempo em que a Rua Halfeld encontrava o Paraibuna em um cenário quase bucólico, mas já profundamente marcado pela força do progresso que Albino Esteves tão bem soube eternizar.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

05
A construção e transformação da Avenida Barão do Rio Branco, especialmente o marco de 1905, representam o ápice da transição de Juiz de Fora de uma vila cafeeira para a "Manchester Mineira".
Da Estrada do Paraibuna à Rua Direita
A gênese da avenida está na Estrada do Paraibuna, projetada pelo engenheiro alemão Henrique Halfeld em 1836.
Seu objetivo era criar uma alternativa ao Caminho Novo, conectando Vila Rica ao Rio de Janeiro.
Esse traçado foi o "divisor de águas" para a cidade, pois deslocou o centro econômico da antiga fazenda do Juiz de Fora para onde hoje pulsa o coração do município.
Em 1853, a instalação da Câmara Municipal em terras adquiridas de Halfeld consolidou a região como o centro administrativo.
Já em 1860, com a via batizada de Rua Direita, houve uma preocupação formal com o urbanismo, A Câmara encomendou planos para ordenar as construções futuras.
Determinou-se que as ruas perpendiculares deveriam subir em direção ao Morro do Imperador.
Embora a fotografia mostre um cenário de canteiro de obras e terra batida (característico de grandes reformas de infraestrutura), o ano de 1905 é simbólico.
Foi nessa época que a via recebeu o nome de Avenida Barão do Rio Branco, em homenagem ao diplomata brasileiro.
Nota-se a instalação de postes de energia/telefonia e tubulações (possivelmente para o sistema de águas e esgotos que avançava na época).
Os casarões visíveis, demonstram a riqueza da elite industrial e cafeeira, com fachadas ornamentadas que seguiam padrões europeus.
O acúmulo de terra no centro da via indica as grandes escavações para a canalização, transformando a antiga estrada em uma avenida moderna e higienizada para os padrões do início do século XX.
O trabalho de preservação é fundamental para entender essa escala de mudança. A fotografia, (originalmente de Domingos Giroletti) documenta o exato momento em que a cidade deixava para trás o aspecto colonial para abraçar a urbanidade industrial.
A Avenida Rio Branco não é apenas uma via de tráfego; é o eixo histórico que permitiu que Juiz de Fora se organizasse e crescesse de forma linear e progressista.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa

04
Esta imagem, é um registro histórico de grande valor para a preservação da memória da imigração em Juiz de Fora.
Ela retrata a arquitetura e o cotidiano da Colônia D. Pedro II, estabelecida a partir de 1858.
Bairro São Pedro: O atual Bairro originou-se da antiga colônia agrícola composta majoritariamente por imigrantes alemães contratados pela Companhia União e Indústria.
A edificação apresenta as características das moradias rurais da época: construção em tijolos aparentes, telhado de barro em duas águas e estrutura funcional simplificada, adaptada ao clima e aos recursos locais.
A residência pertenceu à família Brendel, um dos sobrenomes tradicionais que ajudaram a moldar a identidade cultural e econômica da região de São Pedro.
Origem do Registro
Publicação: Esta fotografia foi extraída de um panfleto da Gazeta Germânica, datado de 02 de agosto de 1998.
Fontes de Pesquisa: A preservação desta informação conta com o suporte do Instituto Teuto-Brasileiro William Dilly, instituição fundamental no estudo da herança alemã em Minas Gerais.
O item integra o acervo de Humberto Ferreira, pesquisador dedicado à história local.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fonte: Instituto Teuto-Brasileiro William Dilly
Acervo: Humberto Ferreira

03
Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora e o antigo Sanatório Villaça em seus primórdios.
A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora é uma instituição privada de caráter filantrópico, considerado hospital de referência na região da Zona da Mata Mineira, e a terceira instituição mais antiga de Juiz de Fora, só ficando atrás da fundação da Vila de Santo Antônio do Paraibuna, em 1850, e da instalação da Câmara Municipal, em 1853.
Abaixo, os detalhes sobre essas instituições por volta de 1900:
Santa Casa de Misericórdia e a Capela
A Santa Casa já era a principal instituição de saúde da região, fundada para atender a população carente, mantendo uma forte ligação com a caridade católica.
Na fotografia, observa-se a imponente Capela do Senhor dos Passos à esquerda, com suas duas torres sineiras e estilo colonial/eclético, que servia de apoio espiritual aos enfermos e à comunidade local.
Em 1900, a área ao redor da Santa Casa ainda era marcada por grandes espaços abertos e vegetação, como mostram as encostas ao fundo da imagem, evidenciando o crescimento da cidade em direção aos morros.
O prédio central e a ala à direita na imagem correspondem ao que seria o Sanatório Villaça, idealizado pelo médico Doutor Villaça.
Com o tempo, as estruturas do Sanatório foram integradas e expandidas pela Santa Casa, formando o grande complexo hospitalar que conhecemos hoje na Avenida Rio Branco.
A imagem, ajuda a distinguir a brancura da capela em contraste com os tons terrosos e tijolos aparentes das alas hospitalares, uma estética comum nas obras de saúde da virada do século.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira

02
O Palacete Fellet, é um dos exemplares mais icônicos da arquitetura eclética em Juiz de Fora.
A construção datada de 1918
Localizado estrategicamente na Rua Espírito Santo, 764, esquina com a atual Avenida Presidente Itamar Franco, o imóvel é um marco visual da transição urbana da cidade.
A construção destaca-se pelo refinamento ornamental, com forte influência europeia, característica das residências da elite cafeeira e industrial do início do século XX.
O elemento mais marcante é o seu torreão central com telhado em formato de pirâmide truncada, decorado com telhas coloridas que formam desenhos geométricos, como visto na restauração digital.
A fachada possui uma imponente escadaria simétrica que conduz à entrada principal, conferindo um ar de grandiosidade e nobreza à residência.
O palacete pertenceu à tradicional família Fellet, que teve papel relevante no desenvolvimento de Juiz de Fora.
Sua localização na esquina com a antiga Avenida Independência (hoje Avenida Presidente Itamar Franco) coloca-o em um dos eixos viários mais importantes da cidade, servindo como testemunha ocular das mudanças urbanísticas ao longo das décadas.
O registro fotográfico original faz parte de importantes acervos dedicados a resgatar o passado da cidade, sendo essencial para o estudo da evolução arquitetônica local.
O trabalho realizado na imagem, ajuda a visualizar o brilho original das cores e detalhes que o tempo e o desgaste da fotografia em preto e branco muitas vezes escondem.
A construção do Palacete Fellet é atribuída ao construtor e arquiteto italiano Pantaleone Arcuri.
Através da sua renomada empresa, a Companhia Pantaleone Arcuri & Villani, ele foi o responsável por erguer esta e diversas outras obras emblemáticas que definiram a paisagem urbana e o estilo eclético de Juiz de Fora no início do século XX.
A residência foi encomendada pela família Fellet, que desejava uma moradia que refletisse o prestígio e a sofisticação da época.
Infelizmente, o estado atual do Palacete Fellet é de ruínas e abandono absoluto.
O imóvel tornou-se um dos casos mais emblemáticos de descaso com o patrimônio histórico em Juiz de Fora, marcado por uma disputa judicial que já dura mais de três décadas.
O prédio encontra-se em ruínas, com a vegetação tomando conta da estrutura remanescente. Em 2016, a fachada e a varanda foram alvo de destruição deliberada por marretadas, o que levou a uma investigação do Ministério Público.
Desde 1994, existe um processo judicial para tentar preservar o local.
Embora tenha sido tombado pela Prefeitura em 2013, o proprietário acumulou diversas multas sem realizar medidas de conservação.
Uma decisão transitada em julgado determinou que os responsáveis devem reconstruir o imóvel ou, caso seja impossível, transformar o local em uma área de lazer e cultura sob orientação da Funalfa, mantendo o gabarito limitado a apenas um pavimento.
Em maio de 2025, foi marcada uma audiência de conciliação para tentar resolver o destino do terreno, após episódios de violência no local (como o encontro de um corpo nas dependências).
O proprietário apresentou uma proposta para construir um novo imóvel no terreno, mantendo um memorial histórico em parte da área.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Tribuna de Minas
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Este registro, é uma peça fundamental para compreender a evolução urbana e industrial de Juiz de Fora. A fotografia, permite apreciar a arquitetura da primeira sede da renomada construtora Pantaleone Arcuri & Spinelli. A imagem retrata a primeira sede da empresa, evidenciando o estilo eclético que marcou as construções da firma na virada do século XX. A Pantaleone Arcuri foi responsável por edificar ícones da cidade, e sua própria sede servia como um cartão de visitas de sua competência técnica e estética. Cronologia do Cartão Postal: O exemplar original circulou de Juiz de Fora para Petrópolis em 04 de fevereiro de 1914. Este detalhe cronológico confirma que a estrutura já estava plenamente estabelecida e era motivo de orgulho local a ponto de estampar correspondências oficiais da época. Fundada por imigrantes italianos, a sociedade entre Pantaleone Arcuri e Pedro Spinelli transformou o cenário mineiro, introduzindo novas técnicas construtivas e materiais, como o uso pioneiro do concreto armado na região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: David Tavares Ladeir

