sábado, 28 de fevereiro de 2026

Curiosidades ll Com 55 Fotografias

55
O Chalé e a "Casa da Noiva"
O prédio que hoje abriga o Privilège é uma das construções mais icônicas da Cidade Alta. 
Recebeu o apelido de "Casa da Noiva" devido à sua arquitetura romântica, com detalhes em madeira e tijolos aparentes que remetiam aos chalés europeus.
Situado no topo da subida da Gentil Forn, ele servia como um marco visual para quem deixava o centro em direção ao "longínquo" (na época) Bairro São Pedro.
Antes de se tornar uma casa de eventos noturnos de renome nacional, o espaço teve diversas funções, inclusive servindo como residência e local de lazer, como comprovado pela presença das Bandeirantes.
Esta Fotografia um registro valioso do Movimento Bandeirante. 
Ver as jovens uniformizadas no pátio dos fundos do chalé mostra como a região de São Pedro era vista na década de 60: Naquela época, o São Pedro era predominantemente rural e repleto de granjas. 
Era o local ideal para acampamentos e atividades ao ar livre, longe do movimento urbano da Rua Halfeld.
O movimento tinha forte presença na cidade, focado na formação ética e social das jovens, muitas delas vindas de famílias tradicionais ou de colégios religiosos da região central.
O Bairro passou por uma das maiores transformações de Juiz de Fora:
O nome remete à Colônia de São Pedro, formada por imigrantes alemães e italianos, que transformaram a área em um cinturão agrícola.
O "Boom" da UFJF: A proximidade com a Universidade Federal de Juiz de Fora (instalada nos anos 60/70) mudou completamente o perfil do Bairro, que deixou de ser um local de "retiro" e acampamentos para se tornar o coração estudantil e boêmio da cidade.
Hoje, a Gentil Forn é uma via expressa vital, e o local onde as Bandeirantes acampavam em 1967 é cercado por condomínios de luxo e intensa atividade comercial.
Os tubos de concreto que aparecem empilhados em primeiro plano na imagem sugerem que, mesmo em 1967, o local já passava por obras de infraestrutura (provavelmente saneamento ou drenagem), sinalizando o início da urbanização acelerada da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Celia Lazzari  
54
O Chalé e a "Casa da Noiva"
O prédio que hoje abriga o Privilège é uma das construções mais icônicas da Cidade Alta. 
Recebeu o apelido de "Casa da Noiva" devido à sua arquitetura romântica, com detalhes em madeira e tijolos aparentes que remetiam aos chalés europeus.
Situado no topo da subida da Gentil Forn, ele servia como um marco visual para quem deixava o centro em direção ao "longínquo" (na época) Bairro São Pedro.
Antes de se tornar uma casa de eventos noturnos de renome nacional, o espaço teve diversas funções, inclusive servindo como residência e local de lazer, como comprovado pela presença das Bandeirantes.
Esta Fotografia um registro valioso do Movimento Bandeirante. 
Ver as jovens uniformizadas no pátio dos fundos do chalé mostra como a região de São Pedro era vista na década de 60: Naquela época, o São Pedro era predominantemente rural e repleto de granjas. 
Era o local ideal para acampamentos e atividades ao ar livre, longe do movimento urbano da Rua Halfeld.
O movimento tinha forte presença na cidade, focado na formação ética e social das jovens, muitas delas vindas de famílias tradicionais ou de colégios religiosos da região central.
O Bairro passou por uma das maiores transformações de Juiz de Fora:
O nome remete à Colônia de São Pedro, formada por imigrantes alemães e italianos, que transformaram a área em um cinturão agrícola.
O "Boom" da UFJF: A proximidade com a Universidade Federal de Juiz de Fora (instalada nos anos 60/70) mudou completamente o perfil do Bairro, que deixou de ser um local de "retiro" e acampamentos para se tornar o coração estudantil e boêmio da cidade.
Hoje, a Gentil Forn é uma via expressa vital, e o local onde as Bandeirantes acampavam em 1967 é cercado por condomínios de luxo e intensa atividade comercial.
Os tubos de concreto que aparecem empilhados em primeiro plano na imagem sugerem que, mesmo em 1967, o local já passava por obras de infraestrutura (provavelmente saneamento ou drenagem), sinalizando o início da urbanização acelerada da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Celia Lazzari  
53
O Parque Halfeld e o Coreto
No coração da imagem, o Parque Halfeld aparece com seu paisagismo clássico e o icônico coreto. 
Naquela época, o parque não era apenas um espaço de passagem, mas o principal ponto de encontro social da elite e da população local, sendo palco de retretas musicais e manifestações culturais que definiam o ritmo da cidade.
A Biblioteca Municipal (Estilo Manuelino)
O detalhe mais nostálgico e historicamente relevante ao fundo é a Biblioteca Municipal. 
Construída em estilo manuelino (uma derivação ornamental do gótico português), ela era uma joia arquitetônica rara na região.
Sua substituição por construções modernas é frequentemente citada como uma das grandes perdas para o patrimônio histórico de Juiz de Fora. 
A avenida já se apresentava como a espinha dorsal da cidade. 
O que chama a atenção na restauração são: Os carros de passeio da década de 30, com seus estribos e linhas quadradas, reforçam o clima de "Belle Époque" tardia da Manchester Mineira.
As palmeiras imperiais, que ainda hoje são símbolos da via, já aparecem imponentes, emoldurando a transição entre o parque e o leito da avenida.
Nesta década, Juiz de Fora passava por uma transição econômica e urbana. Enquanto o café perdia espaço, a indústria e os serviços ganhavam força, refletindo-se em um mobiliário urbano mais sofisticado e no cuidado com os jardins públicos, como se vê no detalhamento dos canteiros do parque.
Década de 1930
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
52
O Hospital Militar e o Bairro Fábrica
Localizado em uma área estratégica de Juiz de Fora, o Bairro Fábrica, o Hospital Militar sempre foi uma referência na assistência à saúde dos militares e seus dependentes.
O Bairro Fábrica tem uma forte identidade ligada ao desenvolvimento industrial e militar da cidade. 
A presença do hospital e das unidades do Exército moldou a rotina das ruas ao entorno
A fachada preserva o estilo sóbrio e imponente das construções militares de meados do século XX, com janelas simétricas e a sacada central sobre a entrada principal, onde a bandeira do Brasil é orgulhosamente hasteada.
O depoimento de Simone Motta adiciona o fator humano que as estatísticas não mostram.
O Tenente-Coronel Dalmo de Oliveira Motta não foi apenas um diretor; ele foi o gestor que atravessou os anos 60 e 70 à frente da instituição, período em que a fotografia foi tirada.
Ser médico obstetra em um ambiente militar exige uma dedicação dupla. 
O Doutor Dalmo foi responsável por trazer ao mundo muitos filhos de militares da região, tornando-se uma figura central na comunidade. 
Sua saída em 1976 marca o fim de um ciclo de gestão duradoura e respeitada.
A imagem revela elementos que confirmam o período citado: O Automóvel: À esquerda, vemos um carro que remete às linhas dos veículos da época (como o Fusca ou um Opala), típicos do cenário urbano de Juiz de Fora naquela transição de décadas.
As pessoas na calçada, com vestidos e trajes sociais, refletem o rigor e a elegância que as visitas ao hospital militar exigiam naqueles tempos.
Notem a placa ao lado da porta principal; ela identificava a unidade para quem chegava pela rampa de acesso.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simone Motta 
51
Museu Mariano Procópio e o Bairro ao seu redor nas primeiras décadas do século XX.
O Bairro se desenvolveu em torno da antiga Villa Ferreira Lage. 
Em 1929, o Museu já estava consolidado como o primeiro museu histórico e artístico de Minas Gerais (fundado em 1915).
A proximidade com a Estrada de Ferro Central do Brasil e a influência da família Ferreira Lage trouxeram uma urbanização elegante, com casarões e uma arborização densa que se integrava ao parque do museu.
A vista parcial do lago em 1929 revela o conceito de "jardim inglês" ou pitoresco:
O detalhe em primeiro plano mostra a mureta ou ponte com acabamento rústico, imitando troncos ou pedras naturais. 
Esse estilo era muito comum no paisagismo da época para criar uma conexão orgânica com a natureza.
Ao fundo, no meio do lago, nota-se a pequena construção de madeira que servia de abrigo para as aves aquáticas e macacos que ali habitavam. 
Este é um elemento clássico que atravessou décadas no imaginário dos juiz-foranos.
As palmeiras imperiais ao fundo e a vegetação aquática (como as vitórias-régias e ninféias que eram famosas no local) reforçam a ideia de um santuário botânico no coração da cidade.
O Álbum de Juiz de Fora (1929)
Este álbum foi uma das publicações mais importantes da época para promover a "Manchester Mineira".
Juiz de Fora vivia o auge de sua potência industrial e cultural. 
O álbum servia para mostrar ao Brasil uma cidade moderna, limpa e com espaços de lazer de nível europeu.
As fotos originais deste álbum possuem uma composição artística muito apurada, focando em luz e sombra, o que permitiu que a nossa restauração trouxesse de volta as texturas das folhas e o reflexo límpido da água.
Em 1929, o Brasil estava às vésperas da Revolução de 30, e Juiz de Fora era um centro político efervescente. 
Enquanto a política fervia nas ruas, o Lago do Museu Mariano Procópio permanecia como um refúgio de contemplação e silêncio.
A colorização buscou resgatar o verde profundo da mata do entorno e o tom terroso característico das estruturas rústicas do parque, mantendo a atmosfera serena que o acervo do Museu sempre proporcionou.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
50
Abrigo de Passageiros da Avenida Rio Branco.
O Abrigo de Concreto (Arquitetura Modernista)
Diferente dos abrigos de ferro fundido do início do século, estas estruturas de concreto armado, com suas linhas curvas e "vão livre", foram instaladas para dar um ar de modernidade à cidade.
Eles serviam como pontos centrais de transbordo. 
Na fotografia, vemos o bonde parado exatamente sob a cobertura, protegendo os passageiros do sol e da chuva enquanto aguardavam a subida para bairros como o Alto dos Passos.
Situados no canteiro central da Rio Branco, esses abrigos organizavam o fluxo intenso de pedestres no coração da "Manchester Mineira".
Na década de 60, os bondes de Juiz de Fora já viviam seus últimos anos de glória antes da desativação em 10 de Abril de 1969.
Eram veículos robustos, muitas vezes operados com as laterais abertas (os famosos "estribos"), onde era comum ver passageiros viajando pendurados nos horários de pico.
Vemos o trilho do bonde dividindo o espaço com ícones da indústria automobilística brasileira, como o Fusca. Kombi e outros.
Nos anos 60, o crescimento da frota de carros e ônibus começou a tornar os bondes "obstáculos" ao trânsito rápido, o que levou à polêmica decisão de retirá-los das ruas no final daquela década.
Ao fundo, a silhueta dos prédios e as montanhas de Juiz de Fora mostram uma cidade que já verticalizava seu centro, mas ainda mantinha o charme dos paralelepípedos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Josete Masini Sampaio.
49
A Avenida Raul Soares é um dos capítulos mais fascinantes e, ao mesmo tempo, melancólicos da história urbana de Juiz de Fora. 
Ela representou o auge de uma estética europeizada e de um planejamento que buscava colocar a "Manchester Mineira" no mesmo patamar de modernidade que o Rio de Janeiro.
Inaugurada na década de 1920 e consolidada nos anos 30, a Raul Soares não era apenas uma rua de passagem, mas um cartão-postal arquitetônico.
Como você pode ver na imagem que restauramos, os prédios possuíam fachadas ornamentadas, sacadas trabalhadas e uma harmonia visual que hoje é rara.
Ela abrigava estabelecimentos como o Grande Armazém de Tecidos e Modas e farmácias tradicionais, atendendo à elite e à classe média da época.
A avenida contava com arborização planejada e uma iluminação pública que realçava a beleza dos casarões à noite.
A mudança não foi apenas de nome, mas de função. Com o crescimento industrial e a necessidade de escoamento de tráfego, o perfil da cidade mudou drasticamente:
A Raul Soares foi absorvida pelo traçado da Avenida Brasil, que priorizou o fluxo de veículos e a conexão entre zonas da cidade, em detrimento do passeio público e da preservação arquitetônica.
Para alargar as vias e construir o novo eixo viário, a grande maioria dos casarões ecléticos mostrados na foto foi demolida ou teve suas fachadas simplificadas ao extremo.
Dizer que ela "não existe mais" é correto do ponto de vista estético e sentimental. 
Hoje, quem passa pela Avenida Brasil dificilmente consegue imaginar que ali existiu um corredor de prédios tão refinados.
A preservação de registros fotográficos, como este, é o que mantém viva a compreensão de que Juiz de Fora já teve uma identidade visual muito próxima das grandes capitais europeias.
A transformação da Raul Soares na atual Brasil também marcou a separação mais brusca entre o centro e a margem do rio, que antes tinham uma relação mais integrada e harmoniosa.
É um exercício de "arqueologia urbana" observar essas fotos e notar como a modernidade do asfalto, muitas vezes, apaga a beleza da pedra e do ornamento.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
48
A antiga Igreja da Glória antes do fatídico evento de 1923. 
O relato de Uilmara Machado de Melo é preciso e ajuda a contextualizar a importância dessa imagem para a memória da cidade.
A construção que vemos ao fundo era a igreja original dos missionários Redentoristas. 
Com um estilo arquitetônico mais simples e rústico se comparado à majestosa igreja atual, ela era o coração da comunidade na região da Rua Padre Mathias e arredores do Morro da Glória.
A imagem revela muito sobre a Juiz de Fora do início do século XX:
A Rua Padre Mathias: Ainda em terra batida, com cavalos e mulas estacionados, mostrando que o transporte animal era a força motriz da época.
As Crianças e o Religioso: A presença do padre junto às crianças sugere o papel central da igreja na educação e na vida social do bairro.
A Cervejaria Americana: O fato de o alarme do incêndio ter sido dado por um rondante da cervejaria (que ficava nas proximidades) reforça o caráter industrial que a região da Glória e de Mariano Procópio já possuía.
O Incêndio de 12 de Abril de 1923
Como bem mencionado, o incêndio foi um choque para a cidade. 
O detalhe de que a nova igreja já estava quase pronta foi o que permitiu que o culto continuasse e que a Paróquia da Glória se tornasse o complexo arquitetônico que conhecemos hoje. A destruição foi total, mas o salvamento das imagens permitiu que um pedaço daquela igreja antiga continuasse presente na nova construção.
A presença do prefeito Doutor José Mariano Procópio no local do incêndio demonstra a relevância do templo para a cidade. 
Juiz de Fora vivia seu auge como a "Manchester Mineira", e a perda de um patrimônio como esse era uma questão de estado.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Arquivo da Biblioteca Redentorista
47
Essa imagem é um registro histórico fascinante de um dos cartões-postais mais emblemáticos de Minas Gerais. 
A fotografia captura um momento de transição arquitetônica e tecnológica no Morro do Imperador, em Juiz de Fora, provavelmente em meados da década de 1960.
O que mais chama a atenção na foto é o diálogo visual entre duas eras: A Capela e o Cristo (1906): À direita, vemos o monumento ao Cristo Redentor, inaugurado décadas antes do famoso Cristo do Rio de Janeiro. 
Ele representa a fé e a tradição da virada do século, erguido em um ponto que já era histórico pela visita de D. Pedro II.
A Torre Helicoidal: À esquerda, a estrutura metálica em ascensão (ainda com andaimes ou em fase de finalização na foto original) representa a vanguarda técnica. 
Essa torre, com seu design em hélice, não foi apenas um marco visual, mas o motor da TV Industrial, permitindo que a cidade fosse pioneira na transmissão televisiva no interior do estado.
Situado a 923 metros de altitude, o local oferece o que muitos consideram a "moldura oficial" de Juiz de Fora. 
O Mirante Salles de Oliveira, consolidou o morro como o principal ponto de observação do crescimento urbano da Manchester Mineira ao longo do século XX.
A denominação "Morro do Imperador" é uma homenagem direta à hospitalidade juiz-forana e ao interesse de D. Pedro II pelas belezas naturais e pelo progresso da região, já que ele subiu a elevação para vislumbrar o traçado da cidade que florescia com a Estrada União e Indústria.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
46
Esta imagem é um documento histórico precioso para a memória de Juiz de Fora, carregada de um valor sentimental que transcende o registro comercial. Com as informações detalhadas por José Eduardo Araújo, o contexto da fotografia se torna muito mais rico e humano.
A presença do Senhor João Evangelista de Araújo na foto não é apenas a de um expositor, mas a de um elo comercial importante para a época. 
Como representante regional das Rações Santista (fabricadas em São Paulo), ele personifica o momento em que a agropecuária de Juiz de Fora começava a adotar insumos tecnológicos e industriais para aumentar a produtividade. 
A história de sua última propriedade rural, no final da Rua São Geraldo (onde hoje é o Bairro Araci), conecta a expansão urbana da cidade com o seu passado rural.
O cenário é o Pavilhão dos Expositores da Indústria e do Comércio, dentro do Parque de Exposições localizado no Bairro Jockey Club.
Nas décadas de 1940 e 1950, a "Exposição de Juiz de Fora" era um dos eventos mais importantes de Minas Gerais. 
Era o local onde o prestígio da elite agrária se encontrava com a modernidade industrial.
O teto alto, as janelas de ferro e o piso geométrico que vemos na foto são característicos da arquitetura funcional desses pavilhões, projetados para receber grandes multidões e exibir o que havia de mais moderno na economia local e nacional. 
As ilustrações ampliadas da cabeça do galo e do boi serviam para identificar rapidamente o público-alvo (avicultores e pecuaristas) em um ambiente de feira barulhento e movimentado.
Os sacos de juta abertos, exibindo a textura da ração, permitiam que o produtor rural tocasse e avaliasse a qualidade do produto, uma prática de venda essencial no período.
É possível notar ao fundo referências a Santos Dumont, cidade vizinha que mantinha fortes laços comerciais e agropecuários com Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
45
O Salão de Festas do Sport Club
Nas décadas de 60 e 70, o salão do Sport (localizado na Avenida Barão do Rio Branco) era o "coração" dos grandes eventos sociais.
O espaço era conhecido por sua elegância, com lustres imponentes e um piso de madeira que recebia desde os famosos bailes de Carnaval e Réveillon até apresentações culturais refinadas.
Era onde a sociedade juiz-forana se reunia para ver e ser vista. 
Apresentações de orquestras de acordeom, como a da Professora Mary Bragagnolo, eram eventos de prestígio, unindo a disciplina técnica musical ao charme dos vestidos de gala.
O depoimento de Maria Luiza destaca a importância da Professora Mary Bragagnolo para a música local.
Naquela época, o acordeom era um instrumento extremamente popular e estudado por jovens de famílias tradicionais.
Notem a padronização e o capricho: os vestidos rodados (estilo "debutante") e a postura das musicistas refletem o rigor e a elegância que as apresentações exigiam.
A menção à apresentação em São João Nepomuceno mostra como esses grupos culturais de Juiz de Fora eram requisitados em toda a região da Zona da Mata, funcionando como verdadeiros embaixadores culturais da "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Maria Luiza Oliveira Moraes  
44
O Carro Ferroviário de Luxo (O "Carro Imperial")
O veículo onde os personagens estão sentados é um exemplar raríssimo de carro de passageiros de luxo, fabricado para servir à alta cúpula do Império ou a diretoria das grandes ferrovias (como a Estrada de Ferro Dom Pedro II, posteriormente Central do Brasil).
Observem o refinamento dos detalhes que a restauração ajudou a destacar: as poltronas em veludo (frequentemente em tons de bordô ou carmim), as cortinas pesadas com franjas e os painéis de madeira nobre esculpida. 
Esses carros eram verdadeiros salões de gala sobre trilhos.
A cidade, sendo um dos maiores entroncamentos ferroviários do país, abrigou diversas dessas relíquias em suas oficinas (como as da antiga EFCB). 
A presença do Doutor Vicente Vani Nardelli ao fundo confere à foto um enorme valor biográfico.
Ele foi uma figura proeminente em Juiz de Fora, com forte atuação na medicina e na vida social e cultural da cidade.
Nas décadas de 1950 e 1960, era comum que personalidades da cidade realizassem visitas técnicas ou sociais a locais de preservação histórica, como o Museu Mariano Procópio ou as instalações ferroviárias, para registrar a memória local.
Neste período, o Brasil vivia o início do declínio do transporte ferroviário de passageiros em favor das rodovias. 
Fotografia como esta eram registros de um passado de "ouro" que já estava se tornando nostálgico. 
A postura dos retratados, o cigarro na mão, as vestimentas formais e o ambiente clássico, reflete a elegância social da época em Juiz de Fora.
É provável que esta foto tenha sido tirada durante um evento ou visita a um dos vagões que hoje compõem o acervo histórico, talvez o próprio "Vagão de Dom Pedro II" ou um similar da presidência da ferrovia.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
43
A Represa Doutor João Penido foi um divisor de águas para o desenvolvimento da cidade na primeira metade do século XX.
Em 1936, a represa ainda era uma obra relativamente recente e um símbolo de modernidade tecnológica. 
Inaugurada oficialmente em 1934 (embora o projeto e a construção tenham atravessado o início da década de 30), ela foi projetada para resolver o crônico problema de abastecimento de água que a "Manchester Mineira" enfrentava devido ao seu rápido crescimento industrial.
O nome homenageia o médico e político João Penido, figura central na história da saúde pública e da política local.
A fotografia destaca a imponente barragem de terra e concreto. 
Na época, foi considerada uma das maiores obras de engenharia sanitária do estado de Minas Gerais.
É possível ver na imagem a torre de captação original, que se tornou o elemento visual mais icônico dos cartões-postais da região.
Projetada para garantir décadas de autonomia, ela represou as águas do Ribeirão do Meio, criando um espelho d'água que mudou a geografia do bairro Remonta e arredores.
Cartões-postais como este eram comuns na época para exaltar o progresso urbano. Eles mostravam que Juiz de Fora não era apenas uma potência fabril, mas também uma cidade que investia em saneamento e planejamento de longo prazo.
Hoje, a Represa João Penido continua sendo o principal manancial de abastecimento da cidade, sendo responsável por cerca de 50% da água consumida pelos juiz-foranos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
42
Estádio Doutor José Procópio Teixeira, popularmente conhecido como o Estádio do Sport, localizado na Avenida Barão do Rio Branco, em Juiz de Fora.
A fotografia destaca a imponente arquibancada coberta, um marco da arquitetura esportiva mineira. 
Abaixo, detalho os pontos históricos mais relevantes sobre este local e o cenário que vemos na foto:
O Sport Club Juiz de Fora foi o primeiro clube de Minas Gerais a possuir uma arquibancada coberta. 
A estrutura original foi inaugurada ainda em 1916, mas a versão monumental que vemos na foto, com sua cobertura em balanço (sem pilares frontais para não obstruir a visão), foi um projeto arrojado do renomado arquiteto Arthur Arcuri.
Devido ao seu valor histórico e técnico, a arquibancada e a sede social (estilo Art Déco) são tombadas pelo patrimônio municipal. 
Elas representam a era de ouro da "Manchester Mineira".
O Estádio José Procópio Teixeira
Embora atualmente tenha capacidade para cerca de 6.500 pessoas, nos anos 40 e 50 houve um projeto ambicioso para transformá-lo em um estádio para 50 mil torcedores, o que o tornaria o maior do Brasil na época (antes da construção do Maracanã).
O "Gigante da Avenida": O estádio recebeu esse apelido por sua localização privilegiada no coração da cidade. Durante décadas, foi o principal palco dos clássicos "Tu-Tu" (Tupi vs. Tupynambás) e dos jogos do próprio Sport (o "Verdão da Avenida").
Embora a data exata da foto não tenha sido informada, o estilo do veículo (uma Kombi ou furgão de transmissão/serviço) e o vestuário do público sugerem que a imagem pertença ao período entre as décadas de 1950 e 1970.
O estádio costumava lotar em finais de campeonatos citadinos e em jogos contra grandes equipes de Belo Horizonte ou do Rio de Janeiro.
Por estar no centro, o estádio também era palco de desfiles cívicos, missas campais e comemorações importantes, como o Centenário de Juiz de Fora em 1950. 
Observe que, além da arquibancada, há pessoas ocupando cada espaço disponível até o alambrado, o que indica um evento de enorme apelo popular.
O nome do estádio homenageia o ex-presidente do clube, José Procópio Teixeira Filho, que foi uma figura fundamental na expansão patrimonial do Sport.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
41
2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) conhecido como o "Dois de Ouro"
A Hospedaria de Imigrantes (Horto Barbosa)
Antes de se tornar um quartel, o local funcionava como a Hospedaria de Imigrantes, sob a administração do antigo Horto Barbosa.
Construída no final do século XIX/ início do XX, servia como ponto de recepção e triagem para imigrantes (principalmente italianos) que chegavam para trabalhar nas lavouras de café e nas indústrias têxteis de Juiz de Fora.
O prédio imponente, que você vê na sua foto original, segue um estilo eclético típico das construções oficiais da época, com pé-direito alto e janelas simétricas que facilitavam a ventilação de grandes grupos de pessoas.
A ocupação militar do espaço consolidou a segurança na região leste da cidade. 
O 2º BPM é uma das unidades mais tradicionais de Minas Gerais.
Esse período marca uma fase de transição e modernização do policiamento em Minas. Como você notou na foto das Chevrolet Veraneio, a identidade visual cinza e branca era o padrão da época.
A escolha do local foi estratégica, permitindo o rápido deslocamento para o centro e para as saídas da cidade, além de ocupar um espaço físico que já possuía infraestrutura de alojamento e grandes pátios (herança da hospedaria).
Historicamente operário e militar, o bairro se desenvolveu muito devido à proximidade com a linha férrea e o Rio Paraibuna.
Na fotografia de 1988, é comum ver essas Veraneios com o prefixo "RP" (Rádio Patrulha) nos para-choques, simbolizando a agilidade que a corporação buscava implementar naquele final de década.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Foto doada ao Blog Mauricio Resgatando o Passado a Historia de Juiz de Fora pelo 2º Batalhão de Polícia Militar Dois de Ouro
40
Menelick de Carvalho foi uma figura central na modernização administrativa e cultural de Juiz de Fora durante a década de 1930. 
O evento, em 3 de outubro de 1934, marca um momento significativo de sua gestão: a valorização do patrimônio intelectual da Cidade.
A Biblioteca Municipal de Juiz de Fora (que hoje leva o nome de Murilo Mendes em sua fundação atual, mas que teve diversas sedes) funcionou por um período em um prédio de estilo eclético localizado no Parque Halfeld.
A Reinauguração: Naquela data, Menelick de Carvalho entregava à população um espaço renovado. O discurso de um prefeito com formação em Direito e trânsito na elite intelectual mineira costumava enfatizar o progresso, a educação e a "civilidade" da Manchester Mineira.
Como notamos na imagem, a presença daquele suporte circular (um microfone de suspensão elástica da época) sugere que o discurso foi transmitido ou registrado, possivelmente pela PRB-3 Rádio Sociedade de Juiz de Fora, que já operava na década de 30 e cobria os grandes atos da prefeitura.
Menelick de Carvalho como Gestor
Ele assumiu a prefeitura em um período de transição após a Revolução de 1930. Sua trajetória revela um perfil de "técnico-político":
Prefeito Construtor: Além da área cultural, sua gestão foi marcada por obras de infraestrutura e pelo saneamento das contas públicas.
Como diretor da Companhia Mineira de Eletricidade, ele compreendia a importância da tecnologia e da energia para o desenvolvimento urbano, o que se refletia na modernização dos próprios prédios públicos.
Menelick era conhecido por sua oratória articulada. 
Em 1934, o Brasil vivia o processo de redemocratização após a Assembleia Constituinte, e as prefeituras buscavam reafirmar sua autonomia e importância cultural. 
Reinaugurar uma biblioteca no coração geográfico e social da cidade (o Parque Halfeld) era um gesto político poderoso para mostrar que a cidade estava na vanguarda de Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
39
Esta fotografia do interior do Museu Mariano Procópio em 1920 revela a riqueza do primeiro museu surgido em Minas Gerais, fundado por Alfredo Ferreira Lage. 
A imagem captura uma das salas da Villa Ferreira Lage, o prédio histórico que constitui o coração do museu.
O prédio foi projetado e construído pelo engenheiro alemão Carlos Augusto Gambs em 1861.
A arquitetura segue o estilo renascimento italiano, caracterizado pela elegância das proporções e pelo uso de elementos clássicos.
Antes de se tornar museu, a Villa foi a residência de Mariano Procópio Ferreira Lage, o idealizador da Estrada União e Indústria.
A imagem de 1920 mostra a sala preparada para a função museológica, destacando-se:
Acervo Imperial: É possível notar quadros e bustos que remetem à história do Império do Brasil, uma vez que o museu possui uma das mais importantes coleções desse período no país.
Mobiliário e Decoração: O mobiliário refinado e os detalhes no teto e nas molduras dos espelhos reforçam o ambiente luxuoso da elite brasileira do século XIX.
No centro, a bandeira imperial ou estandartes reforçam a conexão da família Ferreira Lage com a monarquia, especialmente considerando as visitas da Família Imperial à residência.
O museu dá nome ao Bairro, que se desenvolveu ao redor da antiga propriedade da família Lage.
O Bairro foi o ponto de partida para a modernização da cidade com a Estrada União e Indústria e, posteriormente, com a chegada da ferrovia.
Além do museu e seu parque, o Bairro preserva a memória da transição entre o período colonial e a industrialização de Juiz de Fora.
Esta sala, restaurada e colorizada, permite visualizar a opulência e o cuidado com a preservação histórica que Alfredo Ferreira Lage dedicou ao criar este espaço de memória em 1915 (aberto ao público oficialmente em 1921).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Esta fotografia é um registro excepcional da verticalização e da modernização do Centro de Juiz de Fora, capturada de um dos pontos de observação mais privilegiados da época.
O Edifício Banco Mineiro da Produção (O Ponto de Observação)
Como bem observado por Fransérgio Delgado, a fotografia foi tirada do topo deste edifício, localizado na Rua Halfeld, 414.
O edifício é um marco do estilo moderno na cidade, com suas linhas sóbrias.
Estar posicionado na Rua Halfeld permitia essa visão panorâmica voltada para o Parque Halfeld e para a região da Rua Marechal Deodoro. 
Abaixo dele, como mencionado, fica o icônico Banco de Crédito Real, outro baluarte da história bancária mineira.
À direita da imagem, destaca-se a estrutura em concreto armado do que viria a ser o Fórum Benjamin Colucci.
A construção do Fórum começou em meados da década de 1950 e ele foi inaugurado em 1963. 
Ver o prédio ainda "no esqueleto" confirma que a foto é, de fato, do final dos anos 50.
Na época, ele se destacava como uma das maiores estruturas da região, alterando definitivamente a silhueta do entorno do Parque Halfeld.
A foto funciona como um mapa tridimensional da cidade naquele período:
A Igreja Metodista, Visível à direita (Rua Marechal Deodoro), com sua arquitetura característica que permanece preservada até hoje.
Cine Teatro Central: Aparece à esquerda.
Final da Década de 1950
Este foi um período de grande efervescência para Juiz de Fora. 
A cidade deixava para trás a predominância dos casarões baixos do século XIX e início do XX para abraçar os prédios de escritórios e residenciais multifamiliares. 
O grupo de senhores em trajes formais (terno e gravata) no parapeito sugere uma visita técnica ou uma inauguração, prática comum para celebrar o progresso da "Manchester Mineira".
Essa imagem é um documento precioso para entender como o centro que conhecemos hoje foi moldado há cerca de 70 anos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
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Título de eleitor de Hugo de Andrade Santos, datado de 4 de dezembro de 1933 (conforme o registro de expedição), representa o início de uma nova era na democracia brasileira.
Embora o documento mencione a inscrição iniciada em 1930, o modelo que vemos na imagem é fruto do Código Eleitoral de 1932, criado após a Revolução de 1930.
Foi este modelo que introduziu o voto secreto e o voto feminino no Brasil.
Notem a assinatura de "Juiz Eleitoral" no documento. 
A própria Justiça Eleitoral foi criada em 1932 para garantir a lisura do processo, combatendo as fraudes da República Velha.
O Titular: Doutor Hugo de Andrade Santos
O documento traz detalhes biográficos preciosos:
Naturalidade: Juiz-forano, nascido em 9 de abril de 1883.
Atuar como Juiz de Direito em sua própria terra natal reforça sua relevância na estrutura social e jurídica da cidade na época.
Como mencionado por Beatriz Paiva, ele viveu em um casarão histórico na Avenida Barão do Rio Branco, 1883. 
A localização, ao lado do antigo Cine Excelsior, coloca sua moradia no coração do desenvolvimento urbano da Juiz de Fora antiga.
Zona Eleitoral: 57ª Zona de Juiz de Fora.
O número "1" no campo de ordem da inscrição sugere que ele foi um dos primeiros (ou o primeiro daquela série/seção) a se regularizar sob as novas leis da época.
A presença da fotografia, da impressão digital ("Polegar direito") e da "Fórmula dactiloscópica" eram inovações para evitar que uma pessoa votasse no lugar de outra, um problema comum no período anterior.
Este registro é um elo entre a história pública de Juiz de Fora e a história privada de uma das famílias ilustres. 
É fascinante notar que ele nasceu em 1883 e o número de sua residência na Avenida também era 1883 — uma coincidência numérica curiosa.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Beatriz Paiva 
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O Dia em que as Águas Pararam Juiz de Fora 
A Enchente de 1906
A história de Juiz de Fora é marcada por ciclos de progresso, mas também por desafios impostos pela natureza. 
Um dos registros mais impactantes da nossa memória visual é a enchente de 16 de janeiro de 1906. 
Esta fotografia, extraída da obra Industrialização de Juiz de Fora 1850/1930, revela a força das águas em um dos pontos neurálgicos da cidade na época.
No centro da imagem, vemos a imponente estrutura da Tecelagem Bernardo Mascarenhas, símbolo da vanguarda industrial mineira. 
Inaugurada no final do século XIX, a fábrica não era apenas um centro de produção têxtil, mas o coração de uma região que começava a ditar o ritmo econômico do estado. 
Naquele janeiro de 1906, porém, o cenário de produtividade deu lugar ao isolamento provocado pelo transbordamento das águas.
O que hoje conhecemos como a movimentada Avenida Presidente Getúlio Vargas, na época chamava-se Avenida Quinze de Novembro. 
A fotografia original captura com precisão o estado da via: a rua não estava completamente submersa, mas apresentava-se parcialmente alagada e tomada por muita lama, dificultando o trânsito de pessoas, carroças e o escoamento da produção.
Imagens como esta são fundamentais para compreendermos a evolução urbana de Juiz de Fora. 
Elas nos mostram que, por trás do asfalto e dos prédios modernos, reside uma história de resiliência. 
Através de processos de restauração e colorização, conseguimos dar nova vida a esses momentos, permitindo que as gerações atuais visualizem com nitidez os detalhes da arquitetura e o impacto desses eventos climáticos no passado.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Domingos Giroletti
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Um momento crucial da vida democrática de Juiz de Fora
Avenida Barão do Rio Branco
A "espinha dorsal" de Juiz de Fora. 
Em 1958, a avenida já era o centro nervoso da cidade, mas com uma estética bem diferente da atual: Era marcada por casarões históricos e os icônicos oitis (árvores) que formavam um túnel verde.
O tráfego era compartilhado entre os primeiros automóveis modernos da indústria nacional e os bondes, que ainda eram um símbolo do transporte público local.
Era o local do " footing", onde as famílias e jovens passeavam entre o Parque Halfeld e a Catedral.
O coração social e político da cidade. No contexto da sua foto: O parque não era apenas um jardim, mas a "ágora" juiz-forana. 
Era onde as discussões políticas aconteciam fervorosamente.
O Placar Eleitoral no Parque Halfeld 
Antes da era digital, a apuração era um evento social.
A estrutura de madeira que vemos na foto servia para exibir a contagem dos votos em tempo real (ou conforme os boletins de urna chegavam).
Note o nome de Olavo Costa em destaque. 
Ele foi uma figura central na política local. 
Também aparecem referências ao Diário Mercantil e à Rádio PRB-3, que eram os grandes veículos de comunicação responsáveis por atualizar esses placares.
É possível ver siglas como PSD, UDN e PTB, os pilares do sistema partidário brasileiro antes do bipartidarismo de 1964.
Aquelas foram eleições gerais para renovação do Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Governos Estaduais.
O Brasil vivia os "anos de ouro" do governo Juscelino Kubitschek.
Em Juiz de Fora, a briga era acirrada entre as frentes lideradas pela UDN e pelo PSD/PTB. 
Nomes como Olavo Costa e Itamar Franco (que começava a despontar na vida pública/acadêmica naqueles anos) estavam no radar da cidade.
A apuração era manual e levava dias. 
Por isso, estruturas como esse placar no Parque Halfeld permaneciam montadas por muito tempo, atraindo multidões que aguardavam ansiosas cada nova atualização pintada à mão.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
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Essa é uma imagem fascinante que captura um momento de transição urbana crucial para Juiz de Fora. 
Estamos em 1968, o primeiro mandato de Itamar Franco, uma época em que a cidade começava a "rasgar" novas vias para se modernizar.
O registro do acervo de Vanderlei Dornelas Tomaz é um documento histórico precioso. 
Analisando a foto e a restauração, podemos destacar pontos impressionantes:
A Revolução da Avenida Brasil e do Rio Paraibuna
O Rio "Domado": É impactante ver o Rio Paraibuna tão limpo e com as margens claramente definidas pela dragagem. 
Naquela época, a retificação do rio era o grande símbolo de modernidade e combate às enchentes.
Notem como ela ainda parece uma "cicatriz" nova no terreno, uma via expressa que estava mudando o eixo de crescimento da cidade.
Trevo da B.D. (Becton Dickinson): A ausência do viaduto Augusto Franco (que só viria bem depois) mostra como o trânsito era resolvido em nível. 
O cruzamento com a linha férrea era direto, algo impensável para o volume de carga e veículos de hoje.
Rua Coronel Vidal: A foto mostra a importância histórica dessa via como conexão principal da Zona Norte antes das grandes intervenções estruturais.
Vejam como a ocupação ao redor do trevo ainda era rarefeita, com muitas áreas verdes e terrenos subutilizados que hoje estão totalmente tomados por galpões industriais e comércio.
A Presença da Ferrovia: A linha do trem aparece com destaque absoluto, lembrando que Juiz de Fora nasceu e cresceu "nos trilhos".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Vanderlei Dornelas Tomaz
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Castelinho e Bolívar Caramuru
A casa é indissociável da figura de Bolívar Caramuru de Oliveira, que foi um conhecido empresário e figura de destaque na sociedade juiz-forana.
O estilo é o ecletismo, com forte influência de elementos europeus que remetem a pequenos castelos ou "châteaux". Destacam-se a torre oitavada central, as sacadas com balaustradas e a rica ornamentação em torno das janelas e portas.
Graças ao cuidado de seus proprietários ao longo das décadas, o imóvel manteve grande parte de sua integridade arquitetônica original, contrastando com os edifícios modernos que começaram a cercar a área a partir dos anos 70.
Durante os anos 70, o Bairro Santa Helena vivia um momento de transformação peculiar: Foi a década em que o Bairro começou a deixar de ser estritamente de casarões para receber os primeiros grandes edifícios de apartamentos, acompanhando o crescimento da classe média alta da cidade.
Na esquina da Tiradentes com a Floriano Peixoto, o Castelinho ainda reinava com uma vista mais desimpedida. 
A fotografia mostra como a luz incidia na fachada, destacando os detalhes que a colorização agora ajuda a visualizar, como os tons de ocre e os detalhes em madeira das esquadrias.
A imagem captura a tranquilidade da calçada e a arborização típica do Bairro, que sempre foi conhecido por ser um refúgio arborizado e nobre, logo acima do burburinho comercial do centro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
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Automobilismo em Juiz de Fora 
A Vitória sob Chuva 
Este registro histórico documenta uma das eras mais emocionantes do desporto em Juiz de Fora: as competições de automobilismo de Rua. 
A imagem ganha uma profundidade única com o relato do piloto Nelson Weiss, que identificou esta prova como a sua vitória memorável em 1968.
Nelson Weiss triunfou nesta prova conduzindo uma Berlineta Interlagos. Mesmo com pista molhada e enfrentando carros mais potentes, a perícia do piloto garantiu o primeiro lugar no pódio.
A corrida decorre na Avenida Barão do Rio Branco, no cruzamento com a atual Avenida Presidente Itamar Franco. 
Na época, o traçado urbano ainda contava com os trilhos dos bondes, que seriam removidos apenas no ano seguinte.
À direita da imagem, destaca-se a arquitetura imponente do Colégio Stella Matutina, um marco da cidade que foi posteriormente demolido, tornando esta fotografia um documento raro da paisagem urbana da década de 1960.
As competições automobilísticas eram grandes eventos sociais em Juiz de Fora. 
A imagem mostra o público aglomerado nas calçadas, evidenciando a proximidade perigosa e emocionante entre os espectadores e os veículos (como o Fusca visível na pista), característica marcante das provas de Rua daquele período.
Nelson Weiss, além de piloto de destaque, era figura conhecida pela ligação à tradicional Cervejaria José Weiss, unindo a história do desporto à história empresarial da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nelson Weiss, (In Memoriam).
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Paraibuna Embalagens operava exatamente na região que hoje abriga o Mercado BH (na Avenida Brasil/JK, próximo ao Bairro São Dimas).
Naquela época, essa área era o epicentro da indústria de papel da cidade. A fábrica ficava estrategicamente próxima à linha férrea e ao Rio Paraibuna, facilitando a logística e o suprimento de água para a produção.
A empresa foi fundada em 1963 por Heitor Villela. 
Antes de se tornar a grande potência atual no Distrito Industrial, ela começou com foco em cartonagem e reciclagem de papel nessa região mais centralizada.
Durante os anos 70, a fábrica viveu um período de grande expansão tecnológica e produtiva: A Paraibuna foi uma das precursoras no uso de aparas de papel (reciclagem) para fabricar papelão ondulado em larga escala na região. 
Era comum ver grandes pilhas de papel reciclável nos arredores da fábrica.
O foco principal era a fabricação de chapas e caixas de papelão ondulado, atendendo à crescente demanda das outras indústrias que se instalavam em Juiz de Fora e precisavam de embalagens para transporte.
Foi a partir do sucesso e do crescimento iniciado nessa unidade próxima ao São Dimas que a empresa planejou e executou sua mudança para o Distrito Industrial, onde as instalações são muito mais amplas e modernas.
As fotos da época mostram uma paisagem industrial robusta, com chaminés e galpões de zinco que contrastavam com o Rio Paraibuna antes das grandes obras de retificação e urbanização da Avenida Brasil.
A área do atual Mercado BH guarda os alicerces de uma das empresas mais resilientes de Juiz de Fora, que sobreviveu às crises econômicas que fecharam outras tecelagens e fábricas vizinhas.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo  
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A imagem restaurada nos transporta para um cenário nostálgico e emblemático de Juiz de Fora: o Parque Halfeld em sua efervescência social durante a década de 1970.
O Posto Telefônico
O grande destaque da foto é o Posto de Telefonia Pública. 
Antes da popularização dos "orelhões" de fibra de vidro (os icônicos modelos de Chu Ming Silveira), Juiz de Fora contava com essas estruturas mais robustas.
Notem o telhado em balanço com linhas onduladas, uma estética que remete ao modernismo tardio.
O logotipo da CTMG (Companhia Telefônica de Minas Gerais) ou da TELEMAR/TELEMIG (dependendo do ano exato) era o símbolo de conexão em uma época onde ter um telefone fixo em casa era um luxo para poucos.
A restauração revela a moda da época: calças boca de sino, saias curtas e camisas de gola pontuda. 
O parque sempre foi o "termômetro" da cidade:
Grupos de jovens e senhores dividindo os bancos de madeira e ripas de ferro, sob a sombra das árvores que até hoje guardam a história do centro.
A presença marcante das palmeiras e eucaliptos, que conferiam (e ainda conferem) ao Parque Halfeld esse microclima tão particular no meio do asfalto da Rua Halfeld e da Avenida Barão do Rio Branco.
Nos anos 70, o centro de Juiz de Fora vivia o auge do movimento comercial. 
Ir ao "posto telefônico" do parque era um ritual: esperar na fila, comprar fichas e, muitas vezes, fazer chamadas interurbanas assistidas por telefonistas que operavam nas centrais próximas.
Esta imagem, agora colorizada, destaca a textura dos tijolinhos aparentes do posto e o contraste do verde do parque com a urbanidade da época. 
É uma peça fundamental para entender como o espaço público era ocupado antes da era digital.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo  
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Diplomacia e Memória 
O Cônsul João Borges de Mattos
Este registro histórico, com a chancela da icônica Carriço Filmes, nos transporta para um momento de solenidade na antiga Avenida Presidente Getúlio Vargas, 890. 
A imagem preserva a elegância e o rigor protocolar que marcavam os encontros oficiais em Juiz de Fora.
Graças ao precioso relato de sua neta, Helenir Borges De Mattos Zacarias, podemos identificar o Senhor João Borges de Mattos. 
Ele aparece como a segunda figura da esquerda para a direita, segurando com distinção seu chapéu e um documento, posição que condiz com sua função de Cônsul de Portugal à época.
A existência de um consulado português em Juiz de Fora reafirma a importância econômica da cidade e os fortes laços da numerosa colônia lusa com a "Manchester Mineira".
A fotografia carrega a qualidade técnica de João Carriço, mestre em capturar a nitidez das expressões e o caimento impecável dos ternos e chapéus que definiam o traje social masculino das décadas de 1930 e 1940.
O número 890 da Avenida Presidente Getúlio Vargas era um ponto de referência para a comunidade portuguesa, servindo como elo administrativo e cultural entre os imigrantes e sua terra natal.
Uma imagem que imortaliza não apenas uma autoridade, mas o orgulho de uma linhagem familiar profundamente enraizada na história da nossa cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Eduardo Silva Gonçalves 
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Pioneiros do Pedal 
A Prova de Outubro de 1913
Este registro histórico nos leva a outubro de 1913, capturando a pose oficial de um grupo de atletas antes ou depois de uma corrida de bicicletas em Juiz de Fora. 
Na virada do século, o ciclismo era um dos esportes mais prestigiosos e modernos, atraindo multidões e movimentando a vida social da cidade.
Notem a padronização dos uniformes, blusas de lã listradas e boinas (ou quepes) coordenadas, que identificavam as equipes ou clubes de ciclistas. A postura austera e os braços cruzados eram a marca das fotografias oficiais de equipes esportivas do período.
As bicicletas, com seus quadros altos e guidões curvados, eram máquinas de precisão para a época. Destaque para as bandeiras fixadas nos guidões, possivelmente ostentando as cores do clube ou da competição.
A fotografia foi tirada em frente a um estabelecimento comercial (notem os dizeres "Qualquer Concerto" ao fundo), sobre o clássico calçamento de pedras irregulares, tão comum nas vias centrais de Juiz de Fora.
Esta imagem é um testemunho da longa tradição esportiva da Manchester Mineira e da paixão dos juiz-foranos pela velocidade e pelo associativismo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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História e Realeza no Museu Mariano Procópio
Este registro histórico, provavelmente da década de 1920, captura um encontro de alto nível nas dependências do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. 
A imagem é um testemunho da relevância da cidade como centro político e cultural do Brasil na época.
Ao centro, destaca-se a figura do Conde d’Eu (Gastão de Orléans), viúvo da Princesa Isabel. 
Sua presença em Juiz de Fora era recorrente, dada a estreita ligação da família imperial com Alfredo Ferreira Lage, o fundador do museu.
Oficiais com uniformes de gala e condecorações, representando a força e a influência das instituições militares no período republicano.
Homens em elegantes trajes de época (casacas e chapéus palheta) e damas com os chapéus característicos da moda dos anos 20.
Em primeiro plano, uma criança com vestes claras, simbolizando a continuidade das linhagens que frequentavam os jardins e salões do museu.
A fotografia foi tirada na entrada de um dos edifícios do complexo, onde o trabalho de alvenaria em tijolos vermelhos serve como moldura para este "quem é quem" da sociedade brasileira do início do século XX.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Eduardo Silva Gonçalves
26
O Palacete do Ex-Vice Cônsul Italiano em Festa 
Esta fotografia, datada de 20 de setembro de 1913, captura um momento de intensa efervescência social em Juiz de Fora. 
O cenário é o palacete do então ex-Vice Cônsul da Itália, ornamentado com o rigor e a elegância das celebrações da época para marcar o aniversário da Guerra dos Farrapos (Revolução Farroupilha).
O casarão, com sua característica arquitetura de influência europeia e lambrequins detalhados, aparece "vestido" para a ocasião. 
É possível observar arcos de folhagens (palmeiras e arranjos vegetais) e o uso profuso de bandeiras e flâmulas que cruzam a fachada, simbolizando a união e o respeito entre as nações e as causas celebradas.
A influência da colônia italiana em Juiz de Fora era monumental neste período. 
O brasão visível na sacada reafirma o papel diplomático e social da residência, que servia como um ponto de encontro para a elite e para a comunidade imigrante.
A composição da foto revela a hierarquia social da época: no andar superior, as figuras de autoridade e famílias de destaque; no térreo, uma impressionante quantidade de crianças e jovens, muitos deles possivelmente alunos de escolas locais ou filhos de imigrantes, todos vestidos com seus trajes de gala, chapéus e uniformes.
A celebração da Revolução Farroupilha em solo mineiro, dentro de uma propriedade ligada ao consulado italiano, demonstra como Juiz de Fora era um caldeirão de ideais republicanos e tradições cruzadas. 
Em 1913, a cidade estava no auge de seu desenvolvimento industrial, e eventos como este reforçavam os laços de fraternidade entre os diferentes grupos que construíam a identidade juiz-forana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Harmonia e Elegância no Salão do Banco do Brasil
Este registro, datado entre o final da década de 1950 e o início de 1960, captura uma belíssima apresentação das alunas do Conservatório Estadual de Música de Juiz de Fora.
O cenário é o imponente salão do Banco do Brasil, localizado na Avenida Presidente Getúlio Vargas. 
Na imagem, as jovens musicistas posam com seus acordeons, trajando vestidos de gala brancos que eram o padrão das grandes audições da época.
A foto ganha um valor ainda mais pessoal com o relato de Silvio Pensando JF, que identificou sua irmã como a quarta integrante da esquerda para a direita na fila.
O acordeon (ou sanfona) teve um papel central na educação musical mineira desse período, sendo instrumento de destaque em festividades e eventos oficiais da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
24
Memórias da BCG 
O Posto da Rua Roberto de Barros 
Este registro fotográfico nos transporta para a década de 1960, revelando a edificação que ocupava a esquina da Rua Roberto de Barros com a Rua Francisco Bernardino (próximo à Avenida Barão do Rio Branco). 
O local, hoje ocupado por um edifício moderno, era um ponto de passagem obrigatório para os cidadãos Juiz-Foranos.
O prédio abrigava o serviço de Abreu Radiografias e Abreugrafias, além de ser o centro de aplicação da vacina BCG. 
Como recorda com precisão Vicente De Paulo Clemente, a visita ao local era indissociável da obtenção da Carteira de Trabalho.
O método de aplicação da época, dois pequenos riscos feitos com um instrumento semelhante a uma pena de caneta, é uma lembrança viva para muitos. 
A reação vacinal, que inflamava e deixava uma cicatriz característica no braço, tornou-se uma marca de identidade de toda uma geração.
A construção apresentava uma estética industrial e funcional, com tijolos aparentes e telhado cerâmico, típica de anexos de serviços públicos ou ferroviários daquela região central. 
Além da vacinação, o exame de Abreugrafia (inventado pelo brasileiro Manuel de Abreu para o diagnóstico rápido da tuberculose) era o outro pilar do atendimento realizado no local, reforçando o papel histórico de Juiz de Fora na vanguarda da saúde pública mineira.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
23
Este é um registro histórico.
A imagem captura a sede do Círculo Militar de Juiz de Fora em sua plenitude arquitetônica, antes das reformas que alteraram suas linhas originais na Avenida Barão do Rio Branco.
Diferente da configuração atual, a edificação exibia detalhes do ecletismo arquitetônico, com destaque para a imponente cúpula em domo e as colunas clássicas que conferiam ao prédio uma presença singular na paisagem urbana.
Mais do que um marco arquitetônico, o Círculo Militar foi o palco de momentos inesquecíveis da vida social Juiz-Forana. 
Durante o final dos anos 60 e início dos 70, o local era o destino favorito da juventude e da elite militar e civil para eventos festivos.
Como recorda Enio Seabra Dos Santos, o clube era famoso pelas "grandes horas dançantes do Diretório da Economia na época de 1969, 1970 e 1971". Eram tempos em que as escadarias e o terraço, visíveis na imagem, serviam de cenário para encontros que marcaram gerações.
A fotografia é um documento importante por mostrar a fachada ainda não descaracterizada. 
Através dela, podemos observar o cuidado com os ornamentos, o gradil trabalhado e a integração do prédio com a arborização da avenida. 
É um testemunho da época em que a Rio Branco consolidava sua identidade como o principal eixo cultural e social da "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
22
O Exterior da Estamparia Costa & Fagundes 
A sede da Estamparia Juiz de Fora, localizada na Avenida Rio Branco, 2.784, destacava-se não apenas pela sua capacidade produtiva, mas pelo seu rigor estético. 
Em 1925, o edifício de dois pavimentos personificava o prestígio da firma Costa & Fagundes, unindo a funcionalidade de uma fábrica à elegância urbana da principal via da cidade.
O prédio apresentava elementos marcantes que o diferenciavam das construções fabris comuns: A fachada era adornada com padrões geométricos e azulejaria (ou pintura ornamentada) em tons ocres e azulados, que conferiam um aspecto artístico ao imóvel.
As janelas em arco pleno e as sacadas com gradis trabalhados demonstram a influência do ecletismo arquitetônico, comum nas grandes metrópoles brasileiras do início do século XX.
A presença de jardins e árvores ao redor da estrutura sugere um planejamento que valorizava o paisagismo, integrando a indústria ao cenário residencial e comercial da Avenida Rio Branco.
Enquanto o interior da fábrica fervilhava com a produção de latas para mantimentos e "artísticos trabalhos sobre folha de Flandres", o exterior funcionava como o "cartão de visitas" da empresa. 
Ser um grande importador de matéria-prima exigia uma sede que transmitisse solidez e modernidade aos parceiros comerciais e à sociedade Juiz-Forana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
21
A Estamparia Juiz de Fora 
O cenário industrial de Juiz de Fora, a "Manchester Mineira", era impulsionado por estabelecimentos como a Estamparia Juiz de Fora, de propriedade da firma Costa & Fagundes. 
Localizada na então Avenida Rio Branco, número 2.784, a fábrica era um exemplo da modernidade tecnológica da época.
A imagem revela o interior da estamparia, onde máquinas robustas de precisão transformavam a folha de flandres (aço revestido de estanho) em objetos utilitários e artísticos. O ambiente, marcado por engrenagens e correias, era o local de nascimento de embalagens que circulavam por todo o Brasil.
A Costa & Fagundes não apenas fabricava, mas também figurava como uma importante importadora de matéria-prima. 
A versatilidade da produção atendia aos mais diversos setores da economia: Latas para banha, manteiga, biscoitos (grafados na época como biscoitos) e conservas.
Além da funcionalidade, havia um cuidado estético com a litografia e o acabamento das peças.
O endereço na Avenida Rio Branco, 2.784, situa a estamparia em um eixo que, naquela década, consolidava o crescimento urbano e industrial da cidade, conectando Juiz de Fora aos grandes centros consumidores através da exportação de seus produtos industrializados.
"Estamparia Juiz de Fora", Costa & Fagundes. Artísticos trabalhos sobre folha de Flandres. Importadores de folhas de Flandres, latas de diversos formatos para banha, manteiga, biscoitos, conservas, etc. Avenida Rio Branco, 2.784. Registro de 1925.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
20
A Capela da Fazenda Floresta
Diferente das igrejas imponentes do centro, esta capela possui uma arquitetura que remete ao estilo das construções de montanha ou de vilas coloniais mais modernas, com seu telhado em "V" invertido e as paredes com acabamento rústico (fulget ou chapiscado), típicos das construções institucionais de meados do século XX.
A porta em arco ogival de madeira e o telhado inclinado conferem à capela um charme único, diferenciando-a das paróquias tradicionais. 
A cerquinha branca de madeira (estilo picket fence) reforça a atmosfera de acolhimento e cuidado da vizinhança.
Observe o piso de pedras irregulares (pé de moleque ou paralelepípedo bruto) à frente. 
Em 1978, Juiz de Fora ainda possuía muitas vias secundárias com esse tipo de pavimentação, que ajudava na drenagem e mantinha a temperatura mais baixa.
À direita, vemos a construção anexa com seus arcos e varandas, que servia para atividades sociais e catequese, mostrando que a Igreja era o principal ponto de encontro de uma comunidade que crescia longe do burburinho da Avenida Rio Branco.
O entorno densamente arborizado ao fundo é uma marca registrada do bairro Floresta, que sempre teve uma topografia acidentada e uma vegetação exuberante, características que ainda hoje definem a região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
19
Este cartão-postal captura o Largo do Riachuelo em uma era de extrema elegância, provavelmente entre as duas primeiras décadas do século XX (c. 1910-1920). 
Antes de se tornar o nó viário que conhecemos hoje, o Largo era um jardim contemplativo de refinamento europeu, servindo como uma extensão nobre da região central de Juiz de Fora.
Observe as vestimentas dos transeuntes, os homens com chapéus e ternos escuros e as mulheres com vestidos longos e chapéus de abas largas. 
Esse figurino era o padrão da elite e da classe média alta juiz-forana da Belle Époque.
O traçado dos caminhos em saibro, os bancos de madeira com pés de ferro fundido e o cercamento baixo de proteção dos canteiros seguem o modelo dos jardins parisienses, muito em voga no Brasil durante a transição do Império para a República.
As palmeiras e as árvores frondosas (que parecem ser exemplares de ligustros ou similares) criavam um "túnel" verde que contrastava com o céu aberto da cidade, que ainda não possuía prédios altos.
O poste de ferro trabalhado visível à direita indica o investimento da cidade em infraestrutura moderna para a época, permitindo o uso do espaço também ao anoitecer.
Este cartão-postal é um testemunho de uma Juiz de Fora que se via como a "Manchester Mineira", mas que também buscava a sofisticação cultural e estética das grandes capitais mundiais. 
Hoje, o Largo do Riachuelo foi profundamente transformado pelo tráfego intenso e pela verticalização, tornando este registro uma janela essencial para o passado.
Curiosidade: o Monumento aos Heróis da Batalha de Riachuelo. 
Inaugurado para celebrar a vitória naval brasileira na Guerra do Paraguai, o monumento ostenta um busto em bronze sobre um imponente obelisco.
O busto que coroa o monumento é de autoria do renomado artista italiano radicado no Brasil, Angelo Bigi (1848–1912).
Observe o rigor das vestimentas dos transeuntes e o detalhamento dos bancos de ferro fundido, marcas de uma Juiz de Fora que pulsava como a "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
18
Parque Halfeld 
O Jardim da Elite e do Povo
Em meados dos anos 20, o Parque Halfeld não era apenas um espaço verde; era o palco das principais manifestações políticas, culturais e religiosas da cidade. A imagem reflete a elegância da época, com a arborização densa e os elementos de infraestrutura que simbolizavam o progresso da "Manchester Mineira".
No canto esquerdo, o bonde (provavelmente da frota da Companhia Mineira de Eletricidade) é o símbolo máximo da modernidade urbana de Juiz de Fora. 
Em 1925, os bondes eram o principal meio de transporte, conectando o centro aos bairros operários e residenciais.
Notem a presença das palmeiras imperiais, que até hoje são sentinelas do parque, e os canteiros baixos que permitiam a visualização da movimentação social.
A riqueza de detalhes nos postes de iluminação e na fiação elétrica de época destaca o papel pioneiro de Juiz de Fora na eletrificação urbana da América Latina.
A inclinação da via e a disposição das árvores sugerem uma vista voltada para a Rua Halfeld ou para a Avenida Barão do Rio Branco, onde os casarões imponentes ainda dominavam o horizonte antes da verticalização dos anos 40 e 50.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
17
Momento solene de inauguração do Pavilhão Américo Repetto, dedicado à prática da Educação Física. 
Situada na década de 1940, a imagem reflete o auge da disciplina e do civismo que caracterizavam a Escola Normal oficial de Juiz de Fora (atual Instituto de Educação).
A década de 1940 foi um período em que a Educação Física ganhou um status de "formação do caráter e do corpo", muito influenciada pelas políticas educacionais da época. 
O diretor Américo Repetto, figura central na imagem, foi um dos grandes entusiastas da modernização pedagógica na cidade.
No centro da composição, vemos o Diretor Américo Repetto acompanhado pela professora Maria da Glória Carvalho. 
A presença da professora é significativa, representando a profissionalização feminina no ensino de atividades esportivas e rítmicas.
Dispostas em formação geométrica impecável no pátio, as alunas utilizam o uniforme de Educação Física da época (saias ou bermudas escuras e blusas brancas). 
O uso de bandeirolas e a formação em "V" ou corredor sugerem uma demonstração de ginástica rítmica ou uma saudação oficial, práticas comuns em inaugurações.
Ao fundo, a arquitetura do pavilhão, com suas colunas clássicas e telhado de telhas cerâmicas, exemplifica as instalações escolares de alto padrão que Juiz de Fora possuía, reafirmando sua posição como centro irradiador de ensino.
O pátio revestido com blocos sextavados (ou paralelepípedos dispostos de forma decorativa) era o cenário de rigorosos treinamentos e celebrações que moldaram gerações de professoras na cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
16
O Relógio da Drogaria Americana 
O "Ponto de Encontro"
Muito antes dos celulares e do GPS, o relógio suspenso da Drogaria Americana era a bússola social da cidade.
Dizer "nos vemos no relógio da Americana" era o código universal para encontros românticos, reuniões de negócios ou o simples "fazer hora" antes do cinema.
Os marcadores vermelhos no mostrador branco não eram apenas detalhes estéticos; eram marcos visuais que se destacavam na arquitetura sóbria do Centro, permitindo que qualquer pessoa, de longe, soubesse se estava atrasada para o compromisso.
A presença do caminhão de entregas na imagem revela a dinâmica comercial da época. 
Naqueles anos, a Coca-Cola consolidava sua presença em Minas Gerais, e as entregas eram um espetáculo à parte.
O som característico das garrafas de vidro batendo nos engradados de madeira era a trilha sonora das manhãs no Centro.
Notem o uniforme dos funcionários (que recuperamos em tons de azul); era um trabalho pesado, feito no braço, descarregando as caixas diretamente nas calçadas estreitas antes da Halfeld se tornar o calçadão que conhecemos hoje.
A década de 1960 foi o auge da elegância urbana. 
Homens de paletó (como o senhor à direita na foto), o burburinho do comércio e a silhueta do Morro do Imperador ao fundo formam a moldura perfeita do que era o coração econômico da "Manchester Mineira".
Essa fotografia é um registro raro porque captura a transição, a cidade que crescia verticalmente (os prédios ao fundo) convivendo com o ritmo ainda manual e humano do comércio de rua.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
15
Civismo e Mobilização na Rua Halfeld
O registro captura a monumental Inauguração da Liga Mineira pelos Aliados em Juiz de Fora, no ano de 1917. 
Em meio ao cenário da Grande Guerra, a "Manchester Mineira" demonstrava sua força política e social através de uma mobilização sem precedentes no coração da cidade.
A imagem revela a Rua Halfeld tomada por uma multidão diversificada, representando os pilares da sociedade da época:
A presença de colégios tradicionais e das Linhas de Tiro reforça o caráter educativo e preparatório do evento.
O Clube de Ginástica da cidade, com seus representantes, destaca a importância que a saúde e a disciplina física tinham no ideal de progresso daquele período.
O mar de chapéus e vestes claras indica uma solenidade que uniu desde a alta cúpula política até o cidadão comum e dos aliados.
No lado direito da fotografia, a Pharmacia e Drogaria Americana surge em destaque. 
Seu prédio, com elegantes arcadas e letreiros imponentes, era um ponto de referência central no comércio da Rua Halfeld. 
A preservação visual deste estabelecimento nesta fotografia permite observar não apenas a arquitetura, mas o cotidiano da publicidade e do consumo no início do século XX.
Ao fundo, o Morro do Imperador observa silencioso a agitação urbana, enquanto as bandeiras e flâmulas dos aliados tremulam, simbolizando o apoio de Minas Gerais à causa internacional e o orgulho local pelas obras e instituições que ali se inauguravam.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
14
O Triunfo da Modernidade e a Gestão José Procópio Teixeira
A cena registrada na esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld transcende a simples inauguração de um edifício. 
Trata-se de uma grande homenagem pública ao Doutor José Procópio Teixeira, que em 1917 completava seu segundo ano de administração à frente da Prefeitura de Juiz de Fora.
A multidão que se comprime sob sombrinhas e chapéus, ocupando o leito da avenida, testemunha a consolidação de Juiz de Fora como um polo regional de progresso. 
O evento marcava não apenas a inauguração da primeira fase do novo Prédio da Prefeitura (Paço Municipal), mas também a entrega de um conjunto de diversas obras públicas que modernizaram a infraestrutura e o saneamento da cidade.
Ao fundo, a imponência da arquitetura eclética de Rafael Arcuri. 
O prédio simbolizava a solidez das instituições locais e o desejo de transformar Juiz de Fora em uma "metrópole" mineira.
O registro mostra uma sociedade vibrante e engajada. 
Homens em seus ternos e chapéus, mulheres com sombrinhas para se proteger do sol, todos reunidos para saudar o administrador que dava novos contornos ao centro urbano.
As bandeiras e a organização espacial sugerem a pompa das grandes celebrações da "Belle Époque". 
A presença massiva de populares confirma o prestígio de José Procópio Teixeira e o impacto de suas reformas no cotidiano dos juiz-foranos.
Este momento em 1917 é um divisor de águas. 
Sob a gestão de Procópio Teixeira, a cidade não apenas cresceu fisicamente, mas reafirmou sua identidade como a "Manchester Mineira", equilibrando o desenvolvimento industrial com um urbanismo planejado e elegante que ainda hoje é visível no traçado do Parque Halfeld e seus arredores.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
13
O Marco Zero da Modernidade 
A esquina da Avenida Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld sempre foi o coração pulsante de Juiz de Fora. 
Em 1917, essa interseção tornou-se o palco de um dos eventos mais aguardados da década: a inauguração da primeira fase do novo Prédio da Prefeitura (o Paço Municipal).
O prédio, projetado pelo arquiteto Rafael Arcuri, destaca-se pelo estilo eclético. Na imagem, a cúpula em tom de chumbo/prata coroa a torre do relógio, um símbolo de precisão e progresso que dialogava com a estética das grandes capitais mundiais da época.
Embora a cidade já estivesse em plena expansão industrial, o transporte de gala para a inauguração ainda era dominado pelas carruagens e cavalos. 
A fileira de veículos estacionados ao longo da Avenida Barão do Rio Branco revela a importância das autoridades e famílias presentes no evento.
A imagem mostra uma Rio Branco ainda sem o asfalto moderno, mas já devidamente arborizada e com a presença das luminárias e fiação elétrica, denunciando que a "Manchester Mineira" estava na vanguarda tecnológica do país.
A conclusão desta primeira fase da prefeitura não foi apenas uma entrega de obra pública; foi a consolidação do Parque Halfeld como o centro cívico e social da cidade. 
A presença dos populares e a elegância dos trajes reforçam que o juiz-forano de 1917 via no novo prédio um motivo de orgulho e um símbolo de uma cidade que "não podia parar".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
12
O Despertar da Modernidade 
O movimento registrado nas proximidades do Parque Halfeld não era casual. 
Em 1917, Juiz de Fora vivia um dia de gala: a inauguração da primeira fase do Paço Municipal (o prédio da Prefeitura). 
A presença de populares chegando em carruagens, o "transporte de luxo" da época, sublinha a solenidade do evento e o perfil da elite e da população que frequentava o coração da cidade.
Nesse período, a Avenida Barão do Rio Branco já se afirmava como o principal eixo de circulação e status. 
Estar perto do Parque Halfeld significava estar no centro das decisões. 
A vegetação densa que aparece ao fundo da imagem remete à arborização característica do parque, que servia de moldura para a vida social juiz-forana.
A predominância das carruagens puxadas a cavalos revela uma cidade que, embora industrializada e moderna para os padrões brasileiros, ainda mantinha fortes laços com os costumes do século XIX, pouco antes da popularização massiva dos automóveis a combustão.
A construção do Paço Municipal foi um marco de afirmação da autonomia e do poder civil da cidade. 
Ver a população se deslocando para sua inauguração mostra o engajamento da sociedade com os novos símbolos de progresso.
A vestimenta dos populares (chapéus, paletós claros para o clima tropical e sombrinhas) compõe o retrato fiel de uma Juiz de Fora elegante, que buscava espelhar o urbanismo europeu em solo mineiro.
Este registro é uma peça fundamental para entender como o centro histórico de Juiz de Fora se moldou ao redor do poder público e do convívio social.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
11
O Brilho da Rua Halfeld 
Este registro da década de 1950 nos transporta para o interior de uma das lojas mais emblemáticas do setor de iluminação em Juiz de Fora: A Luminosa, situada na icônica Rua Halfeld. 
A fotografia revela a riqueza de detalhes e a variedade de produtos que iluminavam os lares da elite e da classe média juiz-forana.
A loja foi fundada pelo Senhor Ventura, consolidando-se como um marco comercial. 
Posteriormente, passou para a administração de Higino Cortes e, por fim, chegou às mãos de Pedro Halfeld, figura muito querida e lembrada como um "amigo iluminado" por seus contemporâneos.
Ao contrário da Scio (que operava em um espaço mais largo na Rua Marechal Deodoro), A Luminosa mantinha sua identidade própria na Halfeld, focada na curadoria de peças que eram verdadeiras obras de arte.
A imagem impressiona pela quantidade de lustres, globos, arandelas e componentes elétricos pendentes do teto e organizados nas prateleiras de madeira maciça.
No centro, vemos o atendimento especializado, onde proprietários e funcionários discutiam as inovações técnicas da época, como os motores e componentes expostos no chão, essenciais para a "cidade industrial".
O trabalho de cor permite distinguir a variedade de materiais, como o latão, o vidro opalino e os cristais dos lustres, devolvendo a "luz" e o calor que o ambiente original possuía. 
Esta imagem é um documento social. 
Ela não registra apenas mercadorias, mas o modo de vida e a sofisticação do atendimento no coração comercial de Juiz de Fora durante os anos dourados.
"Mais do que vender lâmpadas e lustres, A Luminosa ajudou a moldar a estética noturna e o conforto dos interiores juiz-foranos por décadas."
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
10
O Luxo sobre Rodas: A Garagem de João Carriço
Este registro de 1919 revela o interior da luxuosa garagem de João Carriço, um espaço que simbolizava a elegância e o status social da Juiz de Fora da época. Muito antes do domínio dos automóveis a combustão, as carruagens eram o ápice do transporte refinado.
A frota de Carriço não atendia apenas ao deslocamento cotidiano. 
Suas carruagens eram as protagonistas em eventos que marcavam a vida dos juiz-foranos, desde o glamour dos casamentos e a tradição dos batizados até viagens mais longas para as fazendas da região.
Na imagem, destacam-se as tesouras de madeira no telhado, uma técnica construtiva robusta da época, e o alinhamento impecável das carruagens, equipadas com lanternas de latão e estofamentos finos.
O trabalho de colorização permite observar melhor a distinção entre as rodas reforçadas e a pintura escura e brilhante das caixas das carruagens, características de veículos de alto padrão.
Embora o nome Carriço seja hoje sinônimo de preservação cinematográfica, esta fotografia nos lembra que ele foi um pilar fundamental na infraestrutura de serviços de Juiz de Fora. 
Sua garagem era um modelo de organização e um ponto de referência para a elite local.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
09
A Memória Viva do Congo em Juiz de Fora
Esta fotografia, capturada em 1910 pelo fotógrafo Brun, é muito mais do que um retrato; é um documento raro da transição entre dois séculos e da força da diáspora africana em Minas Gerais. 
Margarida era originária do Congo, trazida ao Brasil pelo tráfico negreiro. 
Em 1910, os registros e relatos da época indicavam que ela possuía a impressionante idade de 125 anos. 
Se essa data for precisa, Margarida teria nascido por volta de 1785, atravessando o período colonial, o Império e chegando à República.
O registro foi feito na Fazenda Boa Esperança, em Juiz de Fora. A cidade, que no século XIX foi um dos grandes polos cafeeiros e dependeu fortemente da mão de obra escravizada, tem em Margarida um elo direto com esse passado.
O Fotógrafo: Brun conseguiu captar uma expressão de serenidade e altivez. Sentada com sua bengala, as vestes claras e o lenço na cabeça, Margarida personifica a sabedoria e a sobrevivência de quem viu o mundo mudar radicalmente.
Esta imagem é fundamental. 
Ela humaniza os números da escravidão e coloca um rosto, e um nome. em uma história que muitas vezes é contada de forma abstrata. 
Margarida não foi apenas uma sobrevivente; ela foi guardiã de memórias que atravessaram o oceano e o tempo.
"O olhar de Margarida é um convite à reflexão sobre as raízes de Juiz de Fora e a herança africana que construiu os pilares da nossa sociedade."
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
08
O Imperador na Terra do Progresso: Juiz de Fora, 1861
Esta fotografia captura um momento de transição e adaptação durante a visita da Família Imperial a Juiz de Fora para a inauguração da Rodovia União e Indústria, a primeira estrada macadamizada da América Latina.
Embora o "Castelo" (o atual prédio principal do Museu Mariano Procópio) estivesse sendo construído por Mariano Procópio Ferreira Lage especificamente para receber o Monarca, a obra não ficou pronta a tempo. 
A Família Imperial acomodou-se, então, na antiga casa da fazenda de Mariano, que aparece nesta foto.
A casa que vemos na imagem teve um destino efêmero mas importante. 
Anos mais tarde, Frederico Ferreira Lage, filho de Mariano, demoliu a estrutura original para dar lugar à construção que hoje abriga o Quartel do Exército, nas proximidades do museu.
O "castelo" que não ficou pronto para D. Pedro II tornou-se, décadas depois, o primeiro museu de Minas Gerais, doado por Alfredo Ferreira Lage ao município, perpetuando o vínculo entre a cidade e a memória do Império.
Vê-se na imagem Familiares, em uma postura que mistura a formalidade do protocolo imperial com a rusticidade elegante das fazendas mineiras da época.
A restauração e colorização desta imagem ajudam a perceber o contraste entre as vestimentas escuras e pesadas da corte, em estilo europeu, e a claridade das paredes da sede da fazenda, trazendo vida a um momento que aconteceu há mais de 160 anos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Fotografia enviada: Francisco Barroso 
07
Essa Fotografia é uma relíquia. 
A imagem nos transporta diretamente para a década de 1940, um período em que o Bairro Benfica consolidava sua importância como polo industrial e logístico da Zona Norte.
Esta fotografia de 1942 captura um momento cotidiano em frente ao antigo Posto de Fiscalização, localizado estrategicamente diante da Estação de Trem de Benfica. 
Mais do que um registro geográfico, a imagem eterniza rostos que fizeram parte da história viva do Bairro: ao centro, a jovem Zizi Garcia, acompanhada pelo rapaz Zé Miranda.
Naquele ano, enquanto o mundo vivia os sobressaltos da Segunda Guerra Mundial, Benfica pulsava ao ritmo da Estrada de Ferro Central do Brasil e do crescimento das vilas operárias. 
O Posto de Fiscalização era um ponto nevrálgico, por onde passavam mercadorias e pessoas que ajudaram a transformar o antigo distrito em um dos pulmões econômicos de Juiz de Fora.
A arquitetura simples do posto e a proximidade com a linha férrea reforçam a identidade Rodoviária e Ferroviária do bairro.
A presença de Zizi Garcia e Zé Miranda confere nome e humanidade à paisagem urbana de 84 anos atrás.
O vestuário e a atmosfera da foto são testemunhos fiéis do cotidiano juiz-forano na década de 1940.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Marcelo Cruz, (In Memoriam).
06
Um registro fascinante da sede social e do campo de futebol do Sport Club Juiz de Fora, capturada apenas alguns dias após as grandes celebrações do Centenário de Juiz de Fora em 1950. 
O Estádio Doutor José Procópio Teixeira é, até hoje, um dos marcos mais importantes da Avenida Rio Branco.
O edifício que vemos ao fundo é um belo exemplo da arquitetura da época, com suas linhas sóbrias e colunas imponentes na entrada principal.
Em 1950, o Sport não era apenas um clube de futebol, mas o epicentro da vida social da elite e da classe média juiz-forana. 
Bailes, reuniões e eventos esportivos de diversas modalidades aconteciam justamente nessa estrutura.
É interessante notar como a fachada principal se manteve reconhecível ao longo das décadas, tornando-se um símbolo de resistência do patrimônio histórico-esportivo da cidade.
Ver o campo em 18 de setembro de 1950 nos faz pensar na efervescência do futebol local naqueles anos pós-Copa do Mundo (realizada no Brasil naquele mesmo ano). O Sport sempre teve um dos gramados mais bem cuidados da região.
É provável que o clube ainda estivesse em clima de festa pelas comemorações dos 100 anos da cidade. 
O Sport teve um papel protagonista nessas festividades.
Situado na Avenida Barão do Rio Branco, o estádio e sua sede ajudaram a consolidar a avenida como o eixo principal da cidade. 
O Sport representava o lazer, a saúde e o convívio social.
Notem a tranquilidade da cena. 
Hoje, o som constante do tráfego da Rio Branco e dos ônibus que passam em frente ao clube contrasta fortemente com a paz que essa imagem de 1950 transmite, com o campo aberto e a sede imponente sob o céu de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
05
A Avenida Barão do Rio Branco sempre foi o coração geográfico e social de Juiz de Fora. Em 1971, ela já estava cercada pelos "paredões" de edifícios que criavam um efeito de corredor, o que tornava qualquer voo rasante não apenas perigoso, mas acusticamente ensurdecedor e visualmente dramático. O contraste entre os prédios modernos da época e os Fairchild PT-19 (monoplanos de instrução de origem americana) criava uma cena digna de cinema.
O Aeroclube de Juiz de Fora (ACJF) sempre foi uma instituição de elite técnica e paixão pela aviação. 
A "indisciplina" de Newton Loreto e João Francisco Valle reflete o espírito romântico da aviação daquela época.
Voar abaixo da altura dos edifícios na Rio Branco exigia uma precisão absurda, especialmente considerando as correntes de ar entre os prédios e a fiação elétrica.
A punição imposta pelo Ministério da Aeronáutica marcou o fim de uma era. 
O que era tradição tornou-se um risco inaceitável para os padrões de segurança que começavam a se tornar mais rígidos na década de 1970.
O fato de esse evento ter sido documentado e agora restaurado é fundamental para a memória da cidade. 
Na época, a imprensa local e nacional deu destaque ao ocorrido exatamente pela prova documental (as fotos).
Para a população, era o ápice do desfile.
Para as autoridades, era uma prova de crime aeronáutico.
Hoje, essa imagem permite que as novas gerações de juiz-foranos entendam por que os mais velhos olham para o céu com nostalgia durante os desfiles de 7 de setembro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Roberto Dornellas
04
Equipe de futebol do Colégio Granbery em 1909, um período em que a instituição já estava consolidada como o grande berço do "football" em Minas Gerais e um dos principais do Brasil.
As pesquisas do Doutor Helgiuson Toledo e do professor Ernesto Giudice Filho, são cruciais porque antecipam a prática do futebol no Brasil para março de 1893. 
Isso coloca o Granbery em Juiz de Fora na vanguarda, ocorrendo quase dois anos antes da famosa partida de Charles Miller em São Paulo (1895). 
O embate entre "Gregos e Troianos" no "Field Day" é o marco zero do futebol mineiro.
A descoberta do livro "Child Life in Our Mission Fields", das autoras Daisy Lambuth e Kate Harlan (Universidade de Iowa), é um achado bibliográfico extraordinário.
O registro na página 118 confirma que, em 1896, o futebol já era uma realidade institucionalizada no colégio, sendo documentado por missionários americanos. 
Isso reforça a tese de que o futebol chegou ao Granbery via John McPherson Lander, influenciado por suas passagens pela Inglaterra.
Notem as faixas horizontais nas mangas e o escudo "G" no peito.
A bola de couro (marrom) e as botas de cano alto, típicas da época, mostram a transição de um esporte recreativo para uma prática mais organizada e competitiva.
O jogador ajoelhado com uniforme escuro e detalhes verdes destaca-se como o guardião da meta, uma posição que já exigia vestimenta diferenciada.
O Granbery não apenas ensinou o jogo aos seus alunos; ele exportou a paixão pelo futebol para a cidade. 
Muitos dos fundadores e primeiros jogadores dos grandes clubes locais, como o Tupi, o Tupynambás e o próprio Sport Club, passaram pelos bancos e pelo campo do Granbery.
Documentação visual da maturidade do futebol na instituição que introduziu o esporte em Minas Gerais (1893), conforme comprovado pelos registros de John Lander e pelo livro de 1896.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Moisés Cunha
03
O Gigante da Avenida
Localizado no coração de Juiz de Fora, na Avenida Barão do Rio Branco, 1303, o estádio do Sport Club Juiz de Fora é um dos marcos mais importantes da arquitetura esportiva de Minas Gerais, fruto da visão de grandes líderes esmeraldinos.
A história da sede-arquibancada começa oficialmente em 1º de maio de 1921, data de sua inauguração. 
A execução desta primeira fase foi liderada por José Procópio Teixeira, figura central na história do clube e que, por seu legado, hoje dá nome ao estádio. Desde o início, a localização estratégica na principal via da cidade já o colocava como um centro de referência social e esportiva.
Anos mais tarde, o estádio passou por uma transformação radical que lhe conferiu a imponência atual. 
Sob a presidência de Francisco Queiroz Caputo, o clube executou obras de ampliação que se tornaram um marco da engenharia mineira:
Inauguração das Novas Obras (1947): A nova estrutura consolidou o estádio como um dos mais modernos do Brasil na época.
Com o projeto de ampliação, o Sport Club entregou a primeira arquibancada de concreto coberta do estado.
O destaque técnico é a sua cobertura em balanço (sem pilares frontais), garantindo visibilidade total ao torcedor — uma ousadia arquitetônica para o período.
A imagem de 13 de outubro de 1946, documentam a transição para o estilo modernista/Art Déco. 
Com suas linhas retas e janelões amplos, a sede-arquibancada do Sport tornou-se um cartão-postal da "Manchester Mineira", refletindo o progresso e a força do associativismo juiz-forano.
Avenida Barão do Rio Branco, 1303, Juiz de Fora, MG.
José Procópio Teixeira (1921) a Francisco Queiroz Caputo (1947).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
02
Estádio Doutor José Procópio Teixeira em uma de suas fases mais emblemáticas, logo após a grande reforma que deu ao Sport Club Juiz de Fora uma das fachadas mais modernas e imponentes da época na cidade.
Na década de 1940, o Sport Club passou por uma transformação radical sob a presidência de figuras como o próprio José Procópio Teixeira. 
A fachada que vemos na foto, com linhas retas e o letreiro marcante, refletia o desejo de progresso da "Manchester Mineira".
Situado na Avenida Barão do Rio Branco, o estádio não era apenas um campo de futebol, mas um centro de convivência social e esportiva no coração da principal artéria de Juiz de Fora.
Observe a estrutura de concreto armado e as grandes janelas de vidro, que abrigavam as áreas administrativas e sociais. O design era funcional e imponente para os padrões da época.
A presença das bandeiras no topo e o nome "Sport Club" em destaque serviam como um marco visual para quem subia ou descia a Rio Branco.
Notem o movimento de pessoas na calçada (com roupas típicas do pós-guerra) e os postes de iluminação antigos. 
Isso mostra como o clube era integrado ao cotidiano do juiz-forano.
O estádio foi palco de grandes clássicos contra o Tupi e o Tupynambás (o famoso Tupi-Sport ou o Tupynambás), além de receber delegações de grandes clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo que passavam pela cidade.
O nome homenageia o Doutor José Procópio Teixeira, figura central na história do clube e da política local, que foi um dos grandes entusiastas da construção dessa sede.
É fascinante ver como a restauração trouxe vida às cores da época, especialmente o contraste entre o branco da estrutura e o azul dos detalhes, cores tradicionais do "Verdão da Avenida" (embora o verde seja a cor oficial, o azul e branco apareciam frequentemente em detalhes administrativos e uniformes históricos).
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel

01
Essa imagem (ou a lembrança dela) é um dos registros mais poderosos da fé e da mobilização social na história de Juiz de Fora. 
Estamos falando de um momento em que a cidade não apenas comemorava seu centenário, mas se tornava o epicentro católico da região com o Congresso Eucarístico.
Naquela época, o estádio do Sport Club Juiz de Fora era o principal espaço para grandes eventos na cidade (o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio só viria décadas depois).
O estádio foi transformado. O gramado deu lugar a uma multidão compacta, e as arquibancadas serviram de moldura para o que ficou conhecido como a Praça do Congresso.
O destaque absoluto foi a construção do Cruzeiro do Centenário (a grande cruz branca que aparece ao fundo). Ela não era apenas decorativa; era o marco visual da consagração da cidade.
O Evento: 31 de Maio de 1950
Este dia foi o ápice das comemorações dos 100 anos de Juiz de Fora.
Juiz de Fora vivia o auge de sua influência industrial e política em Minas Gerais. 
O Congresso Eucarístico foi planejado para coincidir com o aniversário da cidade, unindo o fervor religioso ao orgulho cívico.
A "Praça do Congresso": O termo não se referia a uma praça permanente no mapa urbano, mas sim ao espaço sagrado temporário criado dentro do estádio do Sport para receber os milhares de fiéis e as autoridades.
A missa foi o ponto alto, e a figura de Dom Justino é central aqui.
Primeiro bispo (e depois arcebispo) da Diocese de Juiz de Fora, ele foi o grande mentor por trás da vinda do Congresso Eucarístico.
Imagine o desafio logístico de 1950: sem sistemas de som modernos, a presença do Bispo no altar monumental, cercado por dezenas de padres e seminaristas, trazia uma solenidade que parou a cidade. 
As fotos desse dia mostram um mar de pessoas, muitas mulheres de véu e homens de terno, sob o sol de maio.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel