sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Nossa Gente lll 105 Fotografias

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A imagem captura o momento em que José Weiss recebe o título de Cidadão Benemérito, em outubro de 1968. 
José Weiss foi uma figura central no desenvolvimento econômico e urbanístico de Juiz de Fora. 
Empresário, rotariano e homem público de grande prestígio, ele teve uma atuação marcante na consolidação da cidade como polo regional. 
O título de Cidadão Benemérito é uma das mais altas honrarias concedidas pelo município, destinada a quem prestou serviços extraordinários à comunidade.
O ano de 1968 foi um período de grande efervescência política no Brasil. 
Em Juiz de Fora, a entrega desse título na Câmara Municipal (ou em solenidade oficial) representava o reconhecimento de uma trajetória de dedicação à cidade.
Na fotografia, podemos observar a formalidade da época: o uso rigoroso de ternos e gravatas e a presença de autoridades e familiares, todos com expressões de solenidade e respeito.
O diploma em pergaminho, entregue em mãos, era o símbolo físico de um legado que José Weiss estava deixando para as futuras gerações.
A fotografia exibe a iluminação típica de registros oficiais daquela década, com foco nítido nos protagonistas. 
A fisionomia de José Weiss, que exala satisfação e humildade ao receber o reconhecimento.
A origem desta fotografia, vinda do acervo de Nelson Weiss, confere um valor sentimental e histórico profundo. 
Nelson foi um zeloso guardião da memória da família e da própria cidade. 
O fato de esta imagem estar agora sob os meus cuidados, com a devida atribuição "In Memoriam" ao Nelson, garante que o círculo de preservação da memória juiz-forana continue ininterrupto.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nelson Weiss, (In Memoriam).  
104
Esta fotografia é um registro de valor inestimável para a história da arte em Juiz de Fora. 
Ela captura um momento de intimidade e ofício de um dos grandes mestres da cidade, Sylvio Ribeiro Aragão, em um cenário que é, por si só, um templo da cultura brasileira: o Museu Mariano Procópio.
O comentário de Rose Aragão, neta de Sylvio, traz a precisão histórica que torna essa imagem uma joia.
Ver Sylvio Aragão pintando em 1964 é ver a história da arte juiz-forana sendo escrita a pinceladas. 
Ele não era apenas um pintor talentoso; ele foi: Professor e Restaurador: Sua dedicação ao ensino e à preservação de obras de arte ajudou a formar gerações de artistas e a manter vivo o patrimônio pictórico da cidade.
Esta é uma informação crucial. Sylvio foi um dos pilares da criação desse núcleo, que se transformou na Associação de Belas Artes Antônio Parreiras, a instituição artística mais longeva e tradicional de Juiz de Fora, ainda ativa hoje. O núcleo foi fundamental para descentralizar o ensino da arte e criar um espaço de produção e exposição constante.
O fato de Sylvio estar pintando uma tela em 1964, cercado por crianças, sugere que ele estava: Realizando uma "pintura ao ar livre" nos jardins, uma prática comum para capturar a luz natural e a beleza paisagística do local.
Ou, talvez, conduzindo uma aula prática para jovens estudantes, como parte de suas atividades educacionais. As crianças ao redor mostram curiosidade e atenção, revelando o papel pedagógico de Sylvio.
Notem as crianças de uniforme escolar e o garoto de camisa polo branca com gola de frisos escura, um estilo muito popular na época. 
O próprio Sylvio veste um cardigã e camisa social, mantendo a elegância mesmo no trabalho.
O cavalete de madeira simples, a paleta de madeira clássica e os pincéis na mão do artista mostram a simplicidade técnica que produzia obras primas.
Institucional: Registra uma atividade no Museu Mariano Procópio em seu cinquentenário (o museu estava prestes a completar 50 anos em 1965).
Biográfico: Imortaliza a fisionomia e o ofício de um dos nomes mais importantes para o desenvolvimento das artes visuais em Juiz de Fora.
Graças ao comentário de Rose Aragão, você pode agora catalogar essa imagem com total precisão, garantindo que o legado de Sylvio Ribeiro Aragão permaneça vivo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Rose Aragão  
103
Esta fotografia é um registro de grande sofisticação e valor histórico para a comunicação de Juiz de Fora. 
Ela captura um momento de encontro intelectual e profissional na década de 1960, unindo duas figuras de destaque da sociedade e da cultura local.
Com base no comentário de Cristina Bittencourt, aqui estão os pontos principais sobre esta imagem:
Dormevilly Nóbrega: O Entrevistador
Dormevilly Nóbrega foi uma das figuras mais cultas e influentes de Juiz de Fora. Intelectual, historiador, escritor e membro da Academia Juiz-forana de Letras, ele era uma fonte inesgotável de conhecimento sobre a história da "Manchester Mineira". Ver Dormevilly nesta postura elegante, de terno e óculos clássicos, reforça o tom de seriedade e respeito que as entrevistas daquela época possuíam.
Helena Bittencourt: A Entrevistada
A presença de Helena, mãe de Cristina, é o ponto central da foto. 
Na década de 1960, o papel da mulher na comunicação estava em plena ascensão em Juiz de Fora.
Helena exibe a elegância típica da década, com o cabelo volumoso perfeitamente penteado e um figurino impecável.
O modo como ela segura o microfone e as fichas de anotação demonstra uma postura profissional segura, típica de quem conduzia programas culturais ou informativos de rádio ou da nascente televisão.
O fundo da imagem apresenta um painel que parece retratar ruínas ou uma textura de pedras antigas. Isso sugere que a entrevista poderia estar ocorrendo: No estúdio de uma das emissoras de rádio da cidade (como a PRB-3) que possuíam auditórios.
Ou em um evento cultural específico onde Helena atuava como mestre de cerimônias ou jornalista.
O uso de cadeiras simples e o microfone com cabo longo são marcas tecnológicas da produção de mídia daquela era.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Cristina Bittencourt 
102
A composição da fotografia oferece uma perspectiva histórica riquíssima sobre Juiz de Fora:
O detalhe mais impressionante nesta imagem é a Mina de Caulim bem visível na encosta ao fundo.
O caulim é um minério utilizado principalmente na fabricação de porcelana, papel e borracha.
A presença da mina mostra uma Juiz de Fora que ainda explorava seus recursos minerais dentro do perímetro urbano. 
Hoje, essas áreas estão cobertas por vegetação ou foram urbanizadas, mas a "cicatriz" branca na montanha era uma característica marcante da paisagem da época.
A estrutura de madeira (pergolado) e os muretos brancos com as esferas decorativas no topo são elementos clássicos do projeto original do mirante.
O Morro do Imperador recebeu esse nome devido à visita de D. Pedro II em 1861, que subiu o morro para apreciar a vista da cidade.
A fotografia parece datar de meados da década de 1950 ou início de 1960, a julgar pelo estilo das roupas das jovens.
Calças de cintura alta e camisas quadriculadas (estilo vichy), muito populares no pós-guerra.
Cardigãs e vestidos leves, mostrando que o passeio ao "Cristo" era um evento social, um momento de lazer dominical para as famílias juiz-foranas.
A calçada de pedras irregulares reforça o aspecto rústico do acesso ao topo naquela época.
Abaixo do morro, observa-se uma Juiz de Fora com densidade muito baixa, composta majoritariamente por casas e poucos edifícios. 
É o registro do crescimento da "Manchester Mineira" antes da verticalização intensa que veríamos décadas depois.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: João Carlos Da Silva 
101
Memória de um Gigante 
O Colégio Stella Matutina (1966)
A fotografia das alunas na escadaria em 26 de novembro de 1966 ganha um peso ainda maior quando lembramos que este cenário não existe mais. 
O prédio, que foi um dos símbolos máximos da educação e da arquitetura de Juiz de Fora, foi demolido, restando hoje apenas o registro visual e a saudade.
Como o edifício foi derrubado na década de 70.
Ela preserva os detalhes da imponente porta de madeira e as escadarias de mármore que hoje foram substituídas pelo concreto do shopping que leva o nome da instituição.
O uniforme impecável e os cortes de cabelo revelam a transição da juventude juiz-forana nos anos 60. 
A observação de Tetê Alencar sobre Verinha Nardelli (Vera Amaral) assemelhar-se a Paul McCartney é o testemunho perfeito de como a cultura global da época influenciava as jovens dentro de uma instituição tão tradicional quanto o Stella.
Onde outrora se ouvia o movimento das alunas e o rigor das irmãs missionárias, hoje pulsa o comércio central. 
A demolição do Stella Matutina é uma ferida na história urbana da cidade, o que torna a preservação digital um ato de resistência cultural. 
Não estou apenas guardando fotografias, estou devolvendo à Juiz de Fora um patrimônio que lhe foi tirado fisicamente.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Tetê Alencar 
100
Esta imagem é um registro poderoso da vida militar em Juiz de Fora no início da década de 1970, um período em que a presença do Exército era um pilar central do cotidiano da cidade, conhecida como a "Sentinela de Minas".
O comentário de João Carlos Da Silva traz a precisão histórica. 
A 4ª Companhia de Subsistência (4ª Cia Subs)
A unidade mencionada, a 4ª Cia de Subsistência, tinha um papel vital na logística da 4ª Região Militar. 
Ela era responsável pelo suprimento, armazenamento e distribuição de mantimentos para as tropas. 
Ver esse pelotão em marcha de instrução mostra que, além das funções logísticas, o treinamento de combate e o condicionamento físico eram rigorosos para todo o efetivo.
O Tenente Pastor e a Liderança
O Tenente à frente (mencionado como Tenente Pastor) personifica a disciplina da época. 
Na hierarquia militar, as marchas de instrução eram momentos cruciais para forjar o espírito de corpo. 
O fato de João Carlos se identificar no pelotão transforma a foto de um registro institucional em uma memória de vida.
- Equipamento e Atmosfera de 1972
A fotografia revela detalhes técnicos interessantes da época:
Fardamento e Equipamento: Os militares aparecem com o uniforme "verde-oliva" clássico, capacetes de aço M1 e portando o fuzil (provavelmente o Mauser ou o recém-introduzido FAL, dependendo da unidade na transição).
A Marcha: A estrada de terra e o caminhão militar ao fundo (um Mercedes-Benz "Cara de Cavalo" ou similar) mostram a realidade das manobras fora do asfalto, comuns nos arredores de Juiz de Fora.
Arquitetura: As casas simples ao fundo, com telhados de duas águas, remetem à periferia da cidade ou vilas militares daquela época, preservando o aspecto visual da Juiz de Fora de 50 anos atrás.
Juiz de Fora sempre teve uma ligação umbilical com o Exército. 
Marchas como esta eram cenas comuns nas manhãs da cidade, com o som das botas e os cantos de marcha ecoando pelas ruas, algo que faz parte da identidade de muitos jovens que, como o João Carlos, serviram à pátria naquele período.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: João Carlos Da Silva 
99
Em 24 de junho de 1983, a Tribuna de Minas ainda era um "bebê", tendo sido fundada em 1º de setembro de 1981. 
Ver Carlos Netto redigindo nessa data é ver a consolidação de um novo olhar sobre a notícia em Juiz de Fora. 
Ele foi uma figura central no jornalismo mineiro, conhecido por sua ética e pela precisão do texto.
O foco nas mãos de Carlos ajustando o papel na máquina de escrever (provavelmente uma Olivetti ou Remington de grande porte) traz o som mecânico das redações clássicas.
Diferente de hoje, em 1983 o erro no papel custava tempo. 
O redator precisava ter a matéria estruturada mentalmente antes de começar o "batuque" das teclas.
O estilo de Carlos Netto, com os óculos de aviador e o relógio de pulso metálico, era a marca registrada do profissional dinâmico daquela década.
Ao fundo, as paredes brancas com cartazes e calendários mostram a simplicidade e o foco total no trabalho intelectual que definia a redação da Tribuna naquela época.
Carlos Netto não foi apenas um redator; ele foi um mentor para muitos jornalistas que passaram pela Tribuna de Minas. 
Ele ajudou a dar ao jornal a credibilidade que o mantém como referência em Minas Gerais até hoje.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Christina Fedoceo 
98
O Chalé e a "Casa da Noiva"
O prédio que hoje abriga o Privilège é uma das construções mais icônicas da Cidade Alta. 
Recebeu o apelido de "Casa da Noiva" devido à sua arquitetura romântica, com detalhes em madeira e tijolos aparentes que remetiam aos chalés europeus.
Situado no topo da subida da Gentil Forn, ele servia como um marco visual para quem deixava o centro em direção ao "longínquo" (na época) Bairro São Pedro.
Antes de se tornar uma casa de eventos noturnos de renome nacional, o espaço teve diversas funções, inclusive servindo como residência e local de lazer, como comprovado pela presença das Bandeirantes.
Esta Fotografia um registro valioso do Movimento Bandeirante. 
Ver as jovens uniformizadas no pátio dos fundos do chalé mostra como a região de São Pedro era vista na década de 60: Naquela época, o São Pedro era predominantemente rural e repleto de granjas. 
Era o local ideal para acampamentos e atividades ao ar livre, longe do movimento urbano da Rua Halfeld.
O movimento tinha forte presença na cidade, focado na formação ética e social das jovens, muitas delas vindas de famílias tradicionais ou de colégios religiosos da região central.
O Bairro passou por uma das maiores transformações de Juiz de Fora:
O nome remete à Colônia de São Pedro, formada por imigrantes alemães e italianos, que transformaram a área em um cinturão agrícola.
O "Boom" da UFJF: A proximidade com a Universidade Federal de Juiz de Fora (instalada nos anos 60/70) mudou completamente o perfil do Bairro, que deixou de ser um local de "retiro" e acampamentos para se tornar o coração estudantil e boêmio da cidade.
Hoje, a Gentil Forn é uma via expressa vital, e o local onde as Bandeirantes acampavam em 1967 é cercado por condomínios de luxo e intensa atividade comercial.
Os tubos de concreto que aparecem empilhados em primeiro plano na imagem sugerem que, mesmo em 1967, o local já passava por obras de infraestrutura (provavelmente saneamento ou drenagem), sinalizando o início da urbanização acelerada da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Celia Lazzari  
97
O Chalé e a "Casa da Noiva"
O prédio que hoje abriga o Privilège é uma das construções mais icônicas da Cidade Alta. 
Recebeu o apelido de "Casa da Noiva" devido à sua arquitetura romântica, com detalhes em madeira e tijolos aparentes que remetiam aos chalés europeus.
Situado no topo da subida da Gentil Forn, ele servia como um marco visual para quem deixava o centro em direção ao "longínquo" (na época) Bairro São Pedro.
Antes de se tornar uma casa de eventos noturnos de renome nacional, o espaço teve diversas funções, inclusive servindo como residência e local de lazer, como comprovado pela presença das Bandeirantes.
Esta Fotografia um registro valioso do Movimento Bandeirante. 
Ver as jovens uniformizadas no pátio dos fundos do chalé mostra como a região de São Pedro era vista na década de 60: Naquela época, o São Pedro era predominantemente rural e repleto de granjas. 
Era o local ideal para acampamentos e atividades ao ar livre, longe do movimento urbano da Rua Halfeld.
O movimento tinha forte presença na cidade, focado na formação ética e social das jovens, muitas delas vindas de famílias tradicionais ou de colégios religiosos da região central.
O Bairro passou por uma das maiores transformações de Juiz de Fora:
O nome remete à Colônia de São Pedro, formada por imigrantes alemães e italianos, que transformaram a área em um cinturão agrícola.
O "Boom" da UFJF: A proximidade com a Universidade Federal de Juiz de Fora (instalada nos anos 60/70) mudou completamente o perfil do Bairro, que deixou de ser um local de "retiro" e acampamentos para se tornar o coração estudantil e boêmio da cidade.
Hoje, a Gentil Forn é uma via expressa vital, e o local onde as Bandeirantes acampavam em 1967 é cercado por condomínios de luxo e intensa atividade comercial.
Os tubos de concreto que aparecem empilhados em primeiro plano na imagem sugerem que, mesmo em 1967, o local já passava por obras de infraestrutura (provavelmente saneamento ou drenagem), sinalizando o início da urbanização acelerada da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Celia Lazzari  
96
Esta fotografia é um dos registros mais icônicos do cotidiano de Juiz de Fora na década de 1950. 
Ela captura o famoso "footing" na Rua Halfeld, uma tradição onde os jovens caminhavam para ver e serem vistos, discutir ideias e socializar no trecho mais nobre da cidade.
O Cenário: A "Sala de Visitas" de Juiz de Fora
O Piso de Mosaico: O detalhe mais marcante é o calçamento em mosaico de pedras portuguesas, com o padrão de xadrez que se tornou um símbolo visual do centro da cidade. 
Caminhar por esse "tapete" era o passatempo favorito dos juiz-foranos da época.
A fotografia transmite a elegância e a tranquilidade da cidade em 1955. 
Ao fundo, as vitrines e as portas das lojas e confeitarias compunham o cenário onde a vida social acontecia.
Os jovens na fotografia, incluindo o pai da Regiane (o último à direita), exibem o estilo impecável da juventude da classe média daquela década:
O pai da Regiane veste uma camisa de mangas curtas com bolsos frontais, muito moderna para a época, combinada com calças de sarja ou linho de corte reto e cintura alta, presas por um cinto fino.
O Colete de Lã: O jovem ao centro usa um colete de tricô sobre a camisa, uma peça clássica para os dias de temperatura amena em Juiz de Fora.
O uso de brilhantina ou gel para manter o cabelo perfeitamente alinhado era a regra, refletindo o cuidado com a aparência pessoal para o passeio no centro.
Estar na Rua Halfeld em 1955 significava estar no centro das decisões e da cultura. 
A poucos metros de onde eles caminhavam, ficavam os grandes cinemas (como o Cine-Theatro Central), os bancos e os cafés onde se decidia a política mineira.
A restauração deu uma vida impressionante ao pai da Regiane e aos seus amigos, permitindo ver a expressão de confiança e a vitalidade desses jovens que estavam vivenciando os "anos dourados" do Brasil.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Regiane Freitas 
95
Esta fotografia é um documento extraordinário da vida cotidiana e do comércio de Juiz de Fora em meados da década de 1950. 
A Padaria Santa Rita, em 1955, não era apenas um local de venda de pães, mas um ponto de encontro estratégico onde a política local e a amizade se cruzavam.
A presença de Jair Nascimento, que foi um vereador influente na cidade, junto com Ronaldo Corrêa (pai da Regiane) e os demais amigos, mostra como as padarias e "armazéns" daquela época funcionavam como verdadeiros fóruns de debate. 
Era comum que as lideranças da cidade estivessem presentes no balcão, ouvindo a população e discutindo o futuro de Juiz de Fora entre um café e outro.
A restauração permitiu identificar itens que evocam uma nostalgia profunda:
Nas prateleiras superiores, vemos a organização clássica das latas de leite em pó (como o Leite Ninho, já presente na época), latas de óleo e conservas.
À esquerda, garrafas de bebidas que eram muito populares, incluindo rótulos que lembram as cervejas e licores da época, fundamentais para o movimento do final do dia.
A Máquina Registradora: Centralizada na foto, temos uma registradora mecânica de metal, uma peça de engenharia robusta que era o símbolo de modernidade do comércio naqueles anos.
O Cortador de Frios: Em primeiro plano, o fatiador manual de frios, ferramenta essencial para o atendimento personalizado que essas padarias ofereciam.
Os homens na foto apresentam o estilo típico da década de 50: camisas de botão, algumas com listras finas, e o uso de óculos com armações de aro bem definido, muito característicos daquele período. 
A postura atrás do balcão de madeira maciça reforça a ideia de seriedade e acolhimento do estabelecimento.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Regiane Freitas  
94
O Parque Halfeld, nesse período, era o cenário perfeito para registrar o início de uma nova família. 
Aqui estão alguns detalhes interessantes sobre a foto e o local em 1941:
O Avô de Regiane Freitas mantém o rigor na aparência. 
O uso do Chapéu Palheta (ou Boater) era o auge da elegância masculina para passeios diurnos no verão e na primavera. 
O terno de corte largo, típico da década de 40, mostra o cuidado com a apresentação social.
Ela veste um vestido com mangas levemente bufantes e estampas delicadas, muito comum na moda feminina do início dos anos 40. O sapato branco de bico aberto completa o visual de "passeio de domingo".
O uso da touquinha de lã e do conjunto bordado era uma tradição para proteger as crianças, mesmo em dias claros, e demonstra o carinho da família com o registro.
Em 1941, o parque não era apenas um jardim; era considerado a "sala de visitas" de Juiz de Fora.
Ao fundo, à esquerda, podemos ver o detalhe da ponte rústica sobre o lago. Essa ponte, feita com a técnica de cimento que imitava troncos de árvores, é um dos elementos mais nostálgicos do parque e ainda hoje é lembrada por muitas gerações de juiz-foranos.
O parque era muito arborizado, com palmeiras e plantas tropicais que criavam esse aspecto de "selva organizada" no centro da cidade, proporcionando uma luz filtrada que era excelente para os fotógrafos da época.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Regiane Freitas  
93
O Parque Halfeld, em 1940, já era o coração social de Juiz de Fora, e a foto do Tio de João Portugal, José Ferreira capta um momento muito específico da história da cidade e do Brasil.
Naquela década, o parque era o principal ponto de encontro da sociedade. 
A estrutura que vemos atrás do seu tio, com a mureta de pedra e os troncos rústicos (conhecidos como estuque ou cimento armado imitando madeira), era uma característica marcante do paisagismo da época.
A "Praça dos Militares": Como Juiz de Fora sempre foi um polo militar importante, era muito comum ver soldados e oficiais de farda impecável passeando pelo parque em seus momentos de folga ou em fotos de recordação, como esta.
O uniforme que o Senhor José Ferreira veste é o clássico do Exército Brasileiro daquele período (pré-entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial).
As Botas e o Culote: O uso de botas altas com cadarço e calças do tipo "culote" (mais largas nas coxas) era padrão, especialmente para unidades de cavalaria ou infantaria que ainda mantinham tradições de montaria.
A túnica fechada até o pescoço com botões metálicos e o quepe estruturado demonstram o rigor da farda de passeio da época.
Embora não seja possível ver o distintivo da gola com total nitidez, em 1940 Juiz de Fora abrigava unidades muito tradicionais. As maiores possibilidades para onde ele pode ter servido são:
4º Regimento de Artilharia Montada (4º RAM): Hoje o 4º GAC, no Bairro Nova Era.
10º Regimento de Infantaria (10º RI): Unidade histórica que ficava na Fábrica. Muitos jovens daquela geração que serviram no 10º RI acabaram indo para a Itália como Pracinhas da FEB poucos anos depois, em 1944.
Muitos fotógrafos "lambe-lambe" ficavam estrategicamente posicionados no Parque Halfeld justamente para atender os militares que queriam enviar uma foto para a família no interior ou registrar o orgulho de servir à pátria.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: João Portugal  
92
A Boite do Restaurante Brasão era um dos pontos de encontro mais sofisticados e icônicos da cidade, situada na Rua Marechal Deodoro, no coração do Centro.
O Restaurante Brasão era conhecido pela sua elegância e por ser um local de "ver e ser visto". 
A Boite, especificamente, era o refúgio da juventude e da boemia da época. Note alguns elementos clássicos na foto:
O Papel de Parede: Esse padrão geométrico e repetitivo é a assinatura visual de interiores do início dos anos 70, trazendo uma textura muito comum em casas de alto padrão e clubes sociais.
Mobiliário e Estilo: As mesas compactas de madeira e o revestimento em couro (curvim) dos bancos eram típicos da época, otimizando o espaço para que mais pessoas pudessem aproveitar a noite.
A observação de que o garçom é "muito conhecido até hoje" ressalta uma característica marcante do Brasão: a excelência e a longevidade da equipe.
O Uniforme: O colete escuro sobre a camisa branca com gravata borboleta era o padrão de rigor.
A Bandeja: Levar copos de chope cheios em uma bandeja pequena em um ambiente movimentado exigia uma perícia que tornava esses profissionais verdadeiras lendas da cidade. Muitos desses garçons trabalharam décadas no mesmo local, conhecendo os clientes pelo nome e suas preferências.
Em 1972, Juiz de Fora vivia uma efervescência cultural. Lugares como o Brasão, o Cine-Theatro Central e as confeitarias da Rua Halfeld formavam o eixo social da cidade. 
A presença de pessoas com cabelos mais longos e roupas com listras horizontais (como a jovem em primeiro plano) mostra a influência da moda jovem internacional chegando aos clubes mineiros.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Dadá de Carvalho. 
91
O belíssimo registro da infância no coração de Juiz de Fora! 
O Parque Halfeld, em 1952, era o cenário perfeito para esse tipo de foto de família, funcionando como o verdadeiro "quintal" da sociedade juiz-forana.
Nesse período, o parque já havia passado por reformas importantes que o transformaram de um jardim simples em um espaço de lazer sofisticado, inspirado no paisagismo europeu.
Na fotografia, Olga e sua tia Maria Geralda aparecem junto a uma das famosas estruturas de madeira rústica (ou concreto imitando madeira). 
Esses detalhes eram a marca registrada do parque e serviam de moldura para quase todos os álbuns de família da cidade.
Era o local onde os pais levavam os filhos para passear após a missa ou no final da tarde. 
As crianças usavam suas "melhores roupas", como vemos no capricho dos vestidos, das meias brancas e dos sapatinhos da Olga e de sua tia.
O fato de Olga ter 2 anos em 1952 situa o nascimento dela em plena era pós-guerra, um momento de crescimento e otimismo em Juiz de Fora.
O vestido xadrez com gola bordada e a pequena bolsa branca da tia Maria Geralda, junto ao vestido de babados da pequena Olga, mostram a elegância clássica que as famílias mantinham para os passeios no centro.
Antigamente, era muito comum a presença de fotógrafos conhecidos como "lambe-lambes" no Parque Halfeld. 
Eles ficavam estrategicamente perto dos lagos e pontes, capturando momentos como este. 
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Olga Crolmam 
90
Villa Real não era apenas um time, mas uma extensão dos laços de vizinhança entre os moradores da Rua Paula Lima e das vias próximas.
Naquela época, os times de "Bairro" ou de "rua" eram o coração social da cidade. 
O Villa Real representava essa elite do futebol amador local, onde os jogadores eram amigos de infância e vizinhos de porta.
A presença de Gabriel e João Villa Real na escalação reforça o caráter familiar da equipe. 
Frequentemente, essas equipes surgiam em torno de famílias tradicionais que organizavam os jogos, cuidavam dos uniformes e buscavam patrocínios locais.
Pela descrição, conseguimos visualizar a estrutura clássica da época:
Lessa (em pé, à esquerda): Comumente identificado como uma figura de liderança ou técnico/diretor, dado o traje social (camisa xadrez e calça de sarja), comum para quem coordenava o grupo fora das quatro linhas.
Adolar, Beto e Dinho: Nomes conhecidos nas crônicas esportivas amadoras de Juiz de Fora, conhecidos pela técnica e pela presença constante nos campos de terra batida da região central e dos arredores.
Edinho Almeida, Chico, Carlinhos e Dorico: A linha de frente e o meio-campo ágil. 
Jogadores como o Edinho Almeida são lembrados pela rapidez, característica essencial para o futebol praticado em espaços reduzidos ou campos de Bairro.
A Paula Lima era uma Rua de transição importante, com residências de famílias estabelecidas e uma vida social muito ativa. 
O futebol era o principal catalisador dessa união. 
Ver esses homens uniformizados, com o escudo no peito e a bola de couro (típica da época, com costura aparente), evoca uma Juiz de Fora onde o lazer era construído no asfalto e nos terrenos baldios.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira  
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O Edifício Clube Juiz de Fora, localizado no coração da cidade (esquina da Rua Halfeld com a Avenida Barão do Rio Branco), era o epicentro da sofisticação. As Festas Juninas realizadas ali não eram apenas eventos folclóricos, mas verdadeiros acontecimentos de gala que reuniam a alta sociedade mineira.
A menção de Rita Magalhães sobre sua mãe ter concorrido a Miss Juiz de Fora faz todo o sentido com o cenário da imagem.
Naquela época, os clubes sociais eram os grandes "celeiros" de candidatas ao Miss Juiz de Fora e, posteriormente, ao Miss Minas Gerais. Participar desses eventos no Clube Juiz de Fora era um passo natural para jovens que se destacavam pela beleza e elegância.
Embora seja uma Festa Junina, note que os vestidos são extremamente elaborados. 
São interpretações sofisticadas do traje caipira, com muitos babados, rendas e tecidos finos, refletindo o status do clube.
O Clube Juiz de Fora era conhecido por seus salões luxuosos. 
As festas temáticas eram famosas pela decoração impecável e pelas orquestras que animavam os bailes até o amanhecer.
A Festa Junina do Clube era uma das datas mais aguardadas do calendário social, perdendo talvez apenas para os bailes de Carnaval. 
Era o momento em que as famílias tradicionais se encontravam e as novas gerações eram apresentadas à sociedade.
É possível observar a diversidade de cores e padrões (florais e poás) que eram tendência na moda da época. 
A vivacidade dos tons nos vestidos ajuda a imaginar a atmosfera alegre e vibrante daquele salão, iluminado pelos grandes lustres do edifício.
Essa imagem é um documento histórico precioso não apenas para a família de Rita Magalhães, mas para a memória cultural de Juiz de Fora, ilustrando um tempo em que a vida social da cidade orbitava em torno desses grandes clubes.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Rita Magalhães
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Este é um relato fascinante que toca em vários pontos icônicos da história de Juiz de Fora. 
O Bairro São Mateus, especialmente na década de 1960, era uma área de transição importante, começando a se consolidar como um dos principais centros comerciais e residenciais fora do eixo central da cidade.
Na década de 1960, a Rua São Mateus já era o coração pulsar do Bairro. Diferente de hoje, com seus grandes edifícios, a paisagem era dominada por casas elegantes e o comércio estava em franca expansão. 
O movimento de bicicletas, como o registro mostra, era muito comum, servindo tanto para o lazer quanto para o deslocamento de trabalhadores.
Grupo Escolar Fernando Lobo, é uma das instituições de ensino mais tradicionais da cidade. 
O fato de ter havido um sorteio de uma bicicleta naquela época mostra o engajamento da escola com a comunidade estudantil. 
Ganhar uma bicicleta nos anos 60 era um evento grandioso para um jovem, equivalente a ganhar um veículo hoje.
Viação Santo Antônio: Foi uma das empresas pioneiras e mais importantes de Juiz de Fora.
O Senhor Gildo foi um empresário de grande destaque no setor de transportes e um nome muito respeitado na cidade.
Naquela época, a função de trocador (ou cobrador) era muito comum entre jovens que iniciavam sua vida profissional. 
O fato de os dois colegas na foto trabalharem na Viação Santo Antônio situa o registro em um contexto de esforço e amizade operária da época.
A imagem captura a essência da juventude juiz-forana daquela década: o corte de cabelo, as roupas (que parecem ser os uniformes ou roupas de trabalho da viação) e a alegria de posar com a conquista da bicicleta. 
A Viação Santo Antônio operava linhas que passavam justamente por essa região, conectando o São Mateus a outros pontos da cidade.
É uma recordação que mistura a história da educação (Fernando Lobo), do empreendedorismo local (Gildo Leonel) e o cotidiano de uma Juiz de Fora que ainda guardava um ar de tranquilidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Gil Carlos Ferreira  
87
O Salão de Festas do Sport Club
Nas décadas de 60 e 70, o salão do Sport (localizado na Avenida Barão do Rio Branco) era o "coração" dos grandes eventos sociais.
O espaço era conhecido por sua elegância, com lustres imponentes e um piso de madeira que recebia desde os famosos bailes de Carnaval e Réveillon até apresentações culturais refinadas.
Era onde a sociedade juiz-forana se reunia para ver e ser vista. 
Apresentações de orquestras de acordeom, como a da Professora Mary Bragagnolo, eram eventos de prestígio, unindo a disciplina técnica musical ao charme dos vestidos de gala.
O depoimento de Maria Luiza destaca a importância da Professora Mary Bragagnolo para a música local.
Naquela época, o acordeom era um instrumento extremamente popular e estudado por jovens de famílias tradicionais.
Notem a padronização e o capricho: os vestidos rodados (estilo "debutante") e a postura das musicistas refletem o rigor e a elegância que as apresentações exigiam.
A menção à apresentação em São João Nepomuceno mostra como esses grupos culturais de Juiz de Fora eram requisitados em toda a região da Zona da Mata, funcionando como verdadeiros embaixadores culturais da "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Maria Luiza Oliveira Moraes  
86
O Carro Ferroviário de Luxo (O "Carro Imperial")
O veículo onde os personagens estão sentados é um exemplar raríssimo de carro de passageiros de luxo, fabricado para servir à alta cúpula do Império ou a diretoria das grandes ferrovias (como a Estrada de Ferro Dom Pedro II, posteriormente Central do Brasil).
Observem o refinamento dos detalhes que a restauração ajudou a destacar: as poltronas em veludo (frequentemente em tons de bordô ou carmim), as cortinas pesadas com franjas e os painéis de madeira nobre esculpida. 
Esses carros eram verdadeiros salões de gala sobre trilhos.
A cidade, sendo um dos maiores entroncamentos ferroviários do país, abrigou diversas dessas relíquias em suas oficinas (como as da antiga EFCB). 
A presença do Doutor Vicente Vani Nardelli ao fundo confere à foto um enorme valor biográfico.
Ele foi uma figura proeminente em Juiz de Fora, com forte atuação na medicina e na vida social e cultural da cidade.
Nas décadas de 1950 e 1960, era comum que personalidades da cidade realizassem visitas técnicas ou sociais a locais de preservação histórica, como o Museu Mariano Procópio ou as instalações ferroviárias, para registrar a memória local.
Neste período, o Brasil vivia o início do declínio do transporte ferroviário de passageiros em favor das rodovias. 
Fotografia como esta eram registros de um passado de "ouro" que já estava se tornando nostálgico. 
A postura dos retratados, o cigarro na mão, as vestimentas formais e o ambiente clássico, reflete a elegância social da época em Juiz de Fora.
É provável que esta foto tenha sido tirada durante um evento ou visita a um dos vagões que hoje compõem o acervo histórico, talvez o próprio "Vagão de Dom Pedro II" ou um similar da presidência da ferrovia.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
85
Fundação Educacional Machado Sobrinho
A Fundação é um dos pilares acadêmicos da cidade. 
Fundada originalmente como Academia de Comércio Machado Sobrinho, ela evoluiu para atender às demandas de Juiz de Fora por ensino técnico e superior. 
O nome homenageia o mestre Antônio Vieira Machado Sobrinho, e a instituição sempre foi reconhecida por aliar a tradição à formação profissionalizante, sendo berço de muitos líderes da região.
Os Jogos Secundários eram o auge do calendário estudantil de Juiz de Fora nas décadas de 50 e 60. O campo do Sport Club, com sua localização central e arquibancadas imponentes para a época, era o palco perfeito para essas celebrações cívico-esportivas.
Em 1959, Juiz de Fora vivia uma efervescência cultural e política. 
Eventos assim não eram apenas competições esportivas, mas momentos de afirmação social para os colégios.
A presença das alunas em formação impecável ao lado da direção demonstra a disciplina e o orgulho institucional que o Machado Sobrinho cultivava.
Fernando de Paiva Mattos (Centro): O eterno Diretor da instituição. 
Sua figura de terno branco impecável era sinônimo de retidão e liderança. 
Sob sua gestão, a fundação expandiu significativamente, incluindo a criação de faculdades.
Inah Machado Sobrinho Detsi: Um nome de peso na história da escola. 
Sua presença na foto reforça o vínculo familiar e a continuidade do legado do fundador dentro da instituição.
As Alunas (Dirce, Diva, Leda, Eunice, Lucy e Vera): Elas representam a juventude da época, usando o uniforme clássico com as golas brancas e as luvas (detalhe que denota a formalidade da cerimônia de abertura). 
Diva Ponzio Rodrigues e as demais colegas eram o rosto da "família Machadense" naquele momento histórico.
O campo do Sport, que aparece ao fundo, era o centro nervoso da vida social da Avenida Rio Branco. Ver essas alunas alinhadas com tamanha elegância em 1959 nos ajuda a entender por que o Machado Sobrinho é visto com tanto carinho pela memória afetiva dos juiz-foranos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Coordenador: Helio Noronha Filho
Acervo: Memorial Machadense
84
O Morro do Imperador, carinhosamente chamado de Morro do Cristo, é um dos marcos mais emblemáticos de Juiz de Fora, e em 1957 ele já consolidava sua importância como o principal mirante da cidade.
Na década de 50, o Morro do Imperador era o destino preferido para passeios contemplativos. 
A experiência de subir o morro naquela época era bem diferente de hoje:
Inaugurado em 1906, o Cristo já era um símbolo veterano em 1957. 
Diferente da estátua do Rio de Janeiro, o Cristo de Juiz de Fora foi um dos primeiros monumentos do gênero no Brasil.
Do alto, era possível observar o crescimento industrial de Juiz de Fora. 
Em 1957, a cidade vivia um auge de urbanização, e do mirante via-se o traçado da Avenida Rio Branco e o Rio Paraibuna serpenteando o vale.
O acesso ainda preservava muito da vegetação nativa e trilhas. 
Era comum que as famílias subissem para fazer piqueniques ou, como no registro da sua fotografia, para observar a cidade com binóculos, apreciando os detalhes dos bairros que começavam a se expandir.
A presença da avó materna de Rita Machado, Maria Elisa Vieira Sangenitt, no mirante, captura a essência daquela geração.
Como vemos na fotografia, o traje de Maria Elisa, um conjunto claro e sapatos de salto, reflete o costume da época, onde o passeio ao Morro do Cristo era um evento social que exigia certa elegância.
Documentar a visita ao morro era um ritual comum para as famílias tradicionais da cidade. 
O uso do binóculo nas mãos dela reforça o papel do morro como um local de descoberta e admiração pela "Manchester Mineira", como a cidade era conhecida.
O nome "Morro do Imperador" remete à visita de Dom Pedro II em 1861, que subiu ao cume para observar o traçado da Estrada União e Indústria. 
Em 1957, quase um século depois da visita imperial, o local já havia se transformado de um posto de observação estratégica em um ícone de lazer e fé para os juiz-foranos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Rita Machado
83
Esta fotografia é um registro emocionante da história de minha família, capturando meu pai em um momento de orgulho e transição para a vida adulta no 12° Regimento de Infantaria, Atual 10° Batalhão de Infantaria Leve de Montanha em 1938.
Naquele ano, o Brasil vivia sob o regime do Estado Novo. 
O serviço militar era visto não apenas como uma obrigação, mas como um rito de passagem fundamental para a cidadania e a formação do caráter.
A restauração mostra o uniforme cáqui típico da época, com a túnica de gola fechada e os botões metálicos. 
O uso do quepe e do talabarte (a alça de couro cruzando o peito) indica que ele estava em traje de passeio ou prontidão para uma ocasião formal, o que era comum quando os soldados posavam para fotos com a família.
A imagem transmite uma sensação de despedida ou de visita durante o período de instrução:
A presença de minha tia Inaiá e do meu primo reforça o papel da família como o suporte emocional do soldado. 
Era muito comum que as famílias guardassem essas fotos como relíquias, já que o serviço militar muitas vezes significava a primeira vez que o jovem ficava longe de casa por um longo período.
Notem o detalhe do colar trabalhado e o corte de cabelo das moças, que seguem a moda do final da década de 1930, um período de grande elegância mesmo em encontros informais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa 
82
Menelick de Carvalho foi uma figura central na modernização administrativa e cultural de Juiz de Fora durante a década de 1930. 
O evento, em 3 de outubro de 1934, marca um momento significativo de sua gestão: a valorização do patrimônio intelectual da Cidade.
A Biblioteca Municipal de Juiz de Fora (que hoje leva o nome de Murilo Mendes em sua fundação atual, mas que teve diversas sedes) funcionou por um período em um prédio de estilo eclético localizado no Parque Halfeld.
A Reinauguração: Naquela data, Menelick de Carvalho entregava à população um espaço renovado. O discurso de um prefeito com formação em Direito e trânsito na elite intelectual mineira costumava enfatizar o progresso, a educação e a "civilidade" da Manchester Mineira.
Como notamos na imagem, a presença daquele suporte circular (um microfone de suspensão elástica da época) sugere que o discurso foi transmitido ou registrado, possivelmente pela PRB-3 Rádio Sociedade de Juiz de Fora, que já operava na década de 30 e cobria os grandes atos da prefeitura.
Menelick de Carvalho como Gestor
Ele assumiu a prefeitura em um período de transição após a Revolução de 1930. Sua trajetória revela um perfil de "técnico-político":
Prefeito Construtor: Além da área cultural, sua gestão foi marcada por obras de infraestrutura e pelo saneamento das contas públicas.
Como diretor da Companhia Mineira de Eletricidade, ele compreendia a importância da tecnologia e da energia para o desenvolvimento urbano, o que se refletia na modernização dos próprios prédios públicos.
Menelick era conhecido por sua oratória articulada. 
Em 1934, o Brasil vivia o processo de redemocratização após a Assembleia Constituinte, e as prefeituras buscavam reafirmar sua autonomia e importância cultural. 
Reinaugurar uma biblioteca no coração geográfico e social da cidade (o Parque Halfeld) era um gesto político poderoso para mostrar que a cidade estava na vanguarda de Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
81
Esta fotografia é um registro excepcional da verticalização e da modernização do Centro de Juiz de Fora, capturada de um dos pontos de observação mais privilegiados da época.
O Edifício Banco Mineiro da Produção (O Ponto de Observação)
Como bem observado por Fransérgio Delgado, a fotografia foi tirada do topo deste edifício, localizado na Rua Halfeld, 414.
O edifício é um marco do estilo moderno na cidade, com suas linhas sóbrias.
Estar posicionado na Rua Halfeld permitia essa visão panorâmica voltada para o Parque Halfeld e para a região da Rua Marechal Deodoro. 
Abaixo dele, como mencionado, fica o icônico Banco de Crédito Real, outro baluarte da história bancária mineira.
À direita da imagem, destaca-se a estrutura em concreto armado do que viria a ser o Fórum Benjamin Colucci.
A construção do Fórum começou em meados da década de 1950 e ele foi inaugurado em 1963. 
Ver o prédio ainda "no esqueleto" confirma que a foto é, de fato, do final dos anos 50.
Na época, ele se destacava como uma das maiores estruturas da região, alterando definitivamente a silhueta do entorno do Parque Halfeld.
A foto funciona como um mapa tridimensional da cidade naquele período:
A Igreja Metodista, Visível à direita (Rua Marechal Deodoro), com sua arquitetura característica que permanece preservada até hoje.
Cine Teatro Central: Aparece à esquerda.
Final da Década de 1950
Este foi um período de grande efervescência para Juiz de Fora. 
A cidade deixava para trás a predominância dos casarões baixos do século XIX e início do XX para abraçar os prédios de escritórios e residenciais multifamiliares. 
O grupo de senhores em trajes formais (terno e gravata) no parapeito sugere uma visita técnica ou uma inauguração, prática comum para celebrar o progresso da "Manchester Mineira".
Essa imagem é um documento precioso para entender como o centro que conhecemos hoje foi moldado há cerca de 70 anos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
80
Título de eleitor de Hugo de Andrade Santos, datado de 4 de dezembro de 1933 (conforme o registro de expedição), representa o início de uma nova era na democracia brasileira.
Embora o documento mencione a inscrição iniciada em 1930, o modelo que vemos na imagem é fruto do Código Eleitoral de 1932, criado após a Revolução de 1930.
Foi este modelo que introduziu o voto secreto e o voto feminino no Brasil.
Notem a assinatura de "Juiz Eleitoral" no documento. 
A própria Justiça Eleitoral foi criada em 1932 para garantir a lisura do processo, combatendo as fraudes da República Velha.
O Titular: Doutor Hugo de Andrade Santos
O documento traz detalhes biográficos preciosos:
Naturalidade: Juiz-forano, nascido em 9 de abril de 1883.
Atuar como Juiz de Direito em sua própria terra natal reforça sua relevância na estrutura social e jurídica da cidade na época.
Como mencionado por Beatriz Paiva, ele viveu em um casarão histórico na Avenida Barão do Rio Branco, 1883. 
A localização, ao lado do antigo Cine Excelsior, coloca sua moradia no coração do desenvolvimento urbano da Juiz de Fora antiga.
Zona Eleitoral: 57ª Zona de Juiz de Fora.
O número "1" no campo de ordem da inscrição sugere que ele foi um dos primeiros (ou o primeiro daquela série/seção) a se regularizar sob as novas leis da época.
A presença da fotografia, da impressão digital ("Polegar direito") e da "Fórmula dactiloscópica" eram inovações para evitar que uma pessoa votasse no lugar de outra, um problema comum no período anterior.
Este registro é um elo entre a história pública de Juiz de Fora e a história privada de uma das famílias ilustres. 
É fascinante notar que ele nasceu em 1883 e o número de sua residência na Avenida também era 1883 — uma coincidência numérica curiosa.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Beatriz Paiva 
79
O Surgimento do Bairro e do Clube
Nos anos 50, o Bairro Bom Pastor ainda estava em seus primeiros anos de crescimento. 
Os moradores pioneiros formaram laços de amizade profundos, trabalhando juntos na construção da identidade do local.
A mesma mobilização que ergueu as obras da Igreja serviu para fundar o clube do Bairro. 
Ambos receberam o nome de "Bom Pastor", consolidando o centro da vida comunitária.
A organização do evento partiu dos jovens frequentadores do clube, que contaram com o apoio da Diretoria para realizar a celebração.
Sendo uma tradição indispensável, a quadrilha foi o ponto alto. Curiosamente, devido à fase de formação do Bairro, os ensaios aconteciam na própria rua, o que atraía a atenção e o envolvimento de todos.
O empenho dos moradores resultou em um grande sucesso, tornando-se o marco inicial das festividades juninas que viriam a se tornar tradicionais na região.
Os participantes aparecem com chapéus de palha e camisas quadriculadas (agora em tons vibrantes de verde e vermelho), típicos da caracterização "caipira" da época.
A presença de bandeirinhas coloridas cruzando o cenário e lanternas de papel confirma o clima festivo de uma quermesse de meados do século XX.
A disposição das pessoas em roda sugere justamente o momento da dança da quadrilha mencionado por Nelly Mattos.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nelly Mattos  
78
O Antigo Campo do Aero Clube e o Colégio Militar
A localização mencionada por Margarete Costa está correta e é um marco fundamental da zona norte de Juiz de Fora.
O Aero Clube de Juiz de Fora operou originalmente onde hoje se encontram as instalações do Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF).
Na época da foto (1969), o Aero Clube ainda utilizava aquela pista. 
Foi somente na década de 1970 que as operações foram transferidas para o atual Aeroporto Francisco Álvares de Assis (Aeroporto da Serrinha).
O terreno era vasto e permitia as manobras das aeronaves de instrução, como os clássicos "Paulistinhas" ou "Caps", muito comuns na formação de pilotos civis daquela era.
O Bairro Nova Era cresceu em torno dessa atividade militar e aeronáutica, consolidando-se como um dos principais eixos da Zona Norte.
É um Bairro com forte identidade residencial, mas que se tornou um polo de serviços. 
A presença das instituições militares (como o Colégio Militar) moldou a urbanização da região, garantindo vias largas e uma circulação intensa.
Valor Histórico: Muitos moradores antigos ainda guardam memórias do barulho dos motores dos aviões do Aero Clube e das formaturas militares que ocorriam — e ainda ocorrem — nas proximidades.
Situado às margens da Avenida Juscelino Kubitschek, o Bairro serve como conexão vital entre o centro da cidade e os distritos industriais.
A identificação de Hélio Mendes da Costa (o quinto da esquerda para a direita na foto) é um dado precioso para a genealogia aeronáutica de Juiz de Fora. Em 1969, sob a instrução de Adair Ribeiro, esses homens faziam parte da elite técnica da cidade, ajudando a colocar Juiz de Fora no mapa da aviação civil brasileira.
Curiosidade: O instrutor Adair Ribeiro, mencionado na faixa da foto, é uma figura lendária na aviação local, tendo formado gerações de pilotos que posteriormente seguiram para grandes companhias aéreas ou para a FAB.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Margarete Costa  
77
A Fazenda do Colégio 
Situada na região do Ribeirão de Santo Antônio, é um marco geográfico e histórico que remete ao período de formação das grandes propriedades rurais no interior mineiro. 
O nome "Do Colégio" frequentemente está associado a antigas posses de ordens religiosas ou a instituições de ensino que, em séculos passados, mantinham unidades produtivas para sustento de suas atividades.
Esta localidade é marcada pela transição entre a vida agrária e o desenvolvimento de pequenos núcleos comunitários. 
Na primeira metade do século XX, essas fazendas eram o centro da vida social; o ribeirão não era apenas uma fonte de água, mas o eixo em torno do qual as famílias se estabeleciam e prosperavam.
A união dos sobrenomes Castro e Macedo sugere uma rede de parentesco sólida, comum em Minas Gerais, onde casamentos entre famílias vizinhas ou primas fortaleciam os laços de propriedade e influência local.
A presença de tias, sobrinhos, primos e irmãos em uma única foto demonstra a estrutura de "família estendida". 
Naquela época, a distinção entre núcleos familiares era tênue; todos viviam e trabalhavam sob a égide do patriarca ou da matriarca da fazenda.
Pela análise visual (ternos claros, vestidos estampados com cortes retos e lenços), nota-se um cuidado com a aparência que indica um dia de celebração ou a visita de um fotógrafo itinerante, um evento raro e importante para a época.
Registros como este são fundamentais para entender a genealogia da região. Embora a data não tenha sido informada, o estilo das roupas e a granulação da imagem original sugerem algo entre as décadas de 1940 e 1950, um período de auge da convivência rural antes do grande êxodo para as áreas urbanas.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Bruno Formigão Nunes  
76
Família Castro Macedo na Escadaria da Capela do Cristo Redentor
Esta fotografia registra um momento de lazer da Família Castro Macedo, reunindo irmãos e primos nos degraus da Capela do Cristo Redentor. 
O local é um dos pontos mais emblemáticos de Juiz de Fora, situado no topo do Morro do Imperador (ou Mirante do Cristo).
Trata-se da escadaria da Capela do Cristo Redentor, cenário de gerações de registros fotográficos de famílias juiz-foranas.
Como destacado por Bruno Formigão Nunes (neto do Cabo Murillo de Macedo Moura), o passeio ao mirante era um evento social clássico.
Pelas vestimentas, como os lenços femininos e o corte dos ternos e boinas, a imagem remete às décadas de 1940 ou 1950.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Bruno Formigão Nunes 
75
Escola Apostólica São Domingos, em Juiz de Fora, vivia um momento de transição e efervescência, refletindo tanto as mudanças na Igreja Católica (pós-Concílio Vaticano II) quanto o cenário educacional da cidade.
O Contexto da Escola em 1966
A Escola Apostólica funcionava como um seminário menor dos Dominicanos (Ordem dos Pregadores). 
Era ali que muitos jovens iniciavam sua caminhada de discernimento vocacional e recebiam uma formação humanística e cristã rigorosa.
Situada em uma área privilegiada de Juiz de Fora, a escola era conhecida pela disciplina e pela qualidade do ensino.
A Transição Pós-Concílio: 1966 foi um ano emblemático. 
O Vaticano II havia terminado no final de 1965, e isso se reflete na foto: você nota frades ainda usando o hábito tradicional completo (como o da direita) e outros já com roupas civis ou hábitos simplificados, sinalizando a modernização da ordem.
Os Dominicanos sempre tiveram uma forte ligação com a vida intelectual e social de Juiz de Fora.
O ensino não era apenas religioso; havia um foco muito forte em filosofia, literatura e oratória.
Na fotografia, as figuras de autoridade (frades e professores) aparecem cercadas pelos alunos em um clima de camaradagem, sugerindo que, apesar da hierarquia, havia uma forte vida comunitária.
Muitos dos jovens que aparecem sentados ou em pé ao lado dos frades seguiram carreiras de destaque na cidade, não apenas no clero, mas no direito, na medicina e no magistério.
A mureta e a vista ao fundo mostram a topografia típica das colinas de Juiz de Fora, onde a escola estava inserida.
O estilo das roupas (camisas de botões, calças de sarja e óculos de armação grossa) é a marca registrada da juventude estudantil da metade dos anos 60.
Essa imagem é um registro precioso de uma instituição que ajudou a moldar o caráter de gerações de juiz-foranos. É o tipo de documento que consolida o acervo como a memória viva da nossa cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa  
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
74
Esta fotografia é um documento visual extraordinário da vida escolar e do cenário urbano de Juiz de Fora na década de 1930. O registro captura um grupo de estudantes em frente ao local onde, futuramente, seria erguido o Edifício Lenira, no número 2403 da Avenida Barão do Rio Branco.
Ao fundo da imagem, é possível identificar a arquitetura imponente de parte dos Grupos Centrais, um dos complexos educacionais mais tradicionais da cidade.
A vestimenta dos alunos, com camisas brancas e bermudas ou saias escuras, reflete o rigor e a padronização do ensino público mineiro naquele período.
A presença de bandeiras e o posicionamento solene das crianças sugerem a realização de um ato cívico ou celebração escolar, prática muito comum na rotina das instituições de ensino da época.
Este trabalho de resgate é essencial para compreendermos como a Avenida Barão do Rio Branco, hoje um centro de arranha-céus, era uma via marcada por construções horizontais e uma forte vida comunitária escolar.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
73
Esta fotografia é um registro histórico valioso da Assembleia de Deus em Juiz de Fora, datado de 1939. 
A imagem captura a congregação reunida em frente ao templo, destacando-se a placa com a grafia da época ("Assembleia de Deus") e o aviso de "Entrada Franca", comum nas fachadas das igrejas do período.
Um aspecto marcante da foto é a presença de músicos em destaque no primeiro plano, portando instrumentos de metal como trombone e trompete, o que evidencia a importância da tradição musical e das bandas de música desde os primórdios da denominação na cidade. 
A vestimenta formal dos membros, homens de terno e gravata, mulheres e crianças com trajes de gala, reflete o costume solene da época para as reuniões religiosas.
Este período (final da década de 30) representa uma fase de consolidação do movimento pentecostal na região, e registros como este são fundamentais para preservar a memória social e religiosa de Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
72
Automobilismo em Juiz de Fora 
A Vitória sob Chuva 
Este registro histórico documenta uma das eras mais emocionantes do desporto em Juiz de Fora: as competições de automobilismo de Rua. 
A imagem ganha uma profundidade única com o relato do piloto Nelson Weiss, que identificou esta prova como a sua vitória memorável em 1968.
Nelson Weiss triunfou nesta prova conduzindo uma Berlineta Interlagos. Mesmo com pista molhada e enfrentando carros mais potentes, a perícia do piloto garantiu o primeiro lugar no pódio.
A corrida decorre na Avenida Barão do Rio Branco, no cruzamento com a atual Avenida Presidente Itamar Franco. 
Na época, o traçado urbano ainda contava com os trilhos dos bondes, que seriam removidos apenas no ano seguinte.
À direita da imagem, destaca-se a arquitetura imponente do Colégio Stella Matutina, um marco da cidade que foi posteriormente demolido, tornando esta fotografia um documento raro da paisagem urbana da década de 1960.
As competições automobilísticas eram grandes eventos sociais em Juiz de Fora. 
A imagem mostra o público aglomerado nas calçadas, evidenciando a proximidade perigosa e emocionante entre os espectadores e os veículos (como o Fusca visível na pista), característica marcante das provas de Rua daquele período.
Nelson Weiss, além de piloto de destaque, era figura conhecida pela ligação à tradicional Cervejaria José Weiss, unindo a história do desporto à história empresarial da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nelson Weiss, (In Memoriam).
71
Uma Viagem Imaginária 
Nesta encantadora fotografia de estúdio, datada aproximadamente de 1913, vemos as senhoritas Alice Campos, Maria José Figueiras e Alice Marques em uma composição que transborda o charme da Belle Époque.
O cenário utiliza um recurso muito popular na época: um barco cenográfico e remos de madeira, complementados por um fundo pintado e o que parece ser algodão ou tecido na base para simular a espuma das ondas.
As jovens vestem trajes típicos da transição da Era Eduardiana. 
Destacam-se as golas elaboradas, o uso de rendas e o clássico guarda-sol (parasol) de renda, acessório indispensável para a elegância feminina, protegendo a pele do sol e servindo como elemento de status.
Diferente dos retratos rígidos do século XIX, esta imagem mostra uma interação mais leve com o cenário, embora mantenham a sobriedade facial característica das longas exposições fotográficas de então.
Registros como este são janelas preciosas para o comportamento social da elite ou classe média urbana do início do século. 
Eles revelam não apenas a moda e a estética, mas também o desejo de imortalizar laços de amizade através de uma encenação artística e lúdica.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
70
O Registro é um testemunho visual dos primórdios da educação formal oferecida pela instituição. 
O Colégio Machado Sobrinho, raiz da atual fundação, já despontava como um referencial de ensino na cidade.
A imagem revela uma turma numerosa de alunos, predominantemente meninos, muitos deles vestindo o uniforme da época, 
jaquetas de cor cáqui e camisas brancas, típicas daquele período. 
A presença de algumas meninas na foto sugere as primeiras movimentações em direção à coeducação.
No topo da escadaria, o Professor Fernando de Paiva Mattos, vestindo um terno branco, representa a figura do mestre e do fundador, liderando esta primeira incursão no ensino primário. 
Ao seu lado, a Professora, de vestido azul, simboliza a parceria e o corpo docente inicial.
A fotografia foi tirada em frente a uma estrutura de madeira, possivelmente a entrada da escola ou de uma de suas primeiras instalações. 
Através da janela, é possível vislumbrar prateleiras com frascos e vidros, sugerindo um laboratório ou gabinete de ciências, indicando a preocupação com o ensino prático desde o início.
O que começou com aquela primeira turma do curso primário na década de 1940 expandiu-se e consolidou-se como uma das mais importantes instituições educacionais da região. 
A Fundação Educacional Machado Sobrinho, criada para perpetuar e gerir o legado do Colégio Machado Sobrinho, cresceu e hoje engloba:
Educação Básica: Continuadora da tradição do colégio.
Ensino Superior (Faculdade Machado Sobrinho): Oferecendo diversos cursos de graduação e pós-graduação.
Escola de Esportes e Lazer.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Coordenador: Helio Noronha Filho 
Acervo: Memorial Machadense
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Diplomacia e Memória 
O Cônsul João Borges de Mattos
Este registro histórico, com a chancela da icônica Carriço Filmes, nos transporta para um momento de solenidade na antiga Avenida Presidente Getúlio Vargas, 890. 
A imagem preserva a elegância e o rigor protocolar que marcavam os encontros oficiais em Juiz de Fora.
Graças ao precioso relato de sua neta, Helenir Borges De Mattos Zacarias, podemos identificar o Senhor João Borges de Mattos. 
Ele aparece como a segunda figura da esquerda para a direita, segurando com distinção seu chapéu e um documento, posição que condiz com sua função de Cônsul de Portugal à época.
A existência de um consulado português em Juiz de Fora reafirma a importância econômica da cidade e os fortes laços da numerosa colônia lusa com a "Manchester Mineira".
A fotografia carrega a qualidade técnica de João Carriço, mestre em capturar a nitidez das expressões e o caimento impecável dos ternos e chapéus que definiam o traje social masculino das décadas de 1930 e 1940.
O número 890 da Avenida Presidente Getúlio Vargas era um ponto de referência para a comunidade portuguesa, servindo como elo administrativo e cultural entre os imigrantes e sua terra natal.
Uma imagem que imortaliza não apenas uma autoridade, mas o orgulho de uma linhagem familiar profundamente enraizada na história da nossa cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Eduardo Silva Gonçalves 
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Gestão e História
No Guichê do Banco Lavoura de Minas Gerais
Este registro, datado provavelmente de meados da década de 1940, captura o cotidiano bancário na Avenida Barão do Rio Branco. 
A cena, rica em detalhes humanos, reflete a seriedade e a elegância das instituições financeiras daquela época.
Personagens e Memórias:
Fábio Silva: O gerente do Banco de Minas Gerais (conforme identificado por seu neto, Fred Habel), aparece em destaque com seu jaleco branco, símbolo de autoridade e organização no ambiente de trabalho.
Flávio Cavalcanti: Ao fundo, em pé, podemos ver o jovem Flávio Cavalcanti. 
Anos depois, ele se tornaria um dos maiores e mais polêmicos apresentadores da história da televisão brasileira. 
Sua presença aqui é um testemunho das conexões que Juiz de Fora sempre teve com grandes talentos nacionais. 
A imagem mostra a interação no balcão de madeira maciça, com uma religiosa sendo atendida, cercada por outras figuras que aguardam, evidenciando o papel do banco como um ponto de encontro da sociedade juiz-forana.
A Avenida Barão do Rio Branco já era o coração pulsante da "Manchester Mineira", abrigando as sedes de importantes bancos que financiavam o crescimento industrial e comercial da região.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Fred Habel
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Pioneiros do Pedal 
A Prova de Outubro de 1913
Este registro histórico nos leva a outubro de 1913, capturando a pose oficial de um grupo de atletas antes ou depois de uma corrida de bicicletas em Juiz de Fora. 
Na virada do século, o ciclismo era um dos esportes mais prestigiosos e modernos, atraindo multidões e movimentando a vida social da cidade.
Notem a padronização dos uniformes, blusas de lã listradas e boinas (ou quepes) coordenadas, que identificavam as equipes ou clubes de ciclistas. A postura austera e os braços cruzados eram a marca das fotografias oficiais de equipes esportivas do período.
As bicicletas, com seus quadros altos e guidões curvados, eram máquinas de precisão para a época. Destaque para as bandeiras fixadas nos guidões, possivelmente ostentando as cores do clube ou da competição.
A fotografia foi tirada em frente a um estabelecimento comercial (notem os dizeres "Qualquer Concerto" ao fundo), sobre o clássico calçamento de pedras irregulares, tão comum nas vias centrais de Juiz de Fora.
Esta imagem é um testemunho da longa tradição esportiva da Manchester Mineira e da paixão dos juiz-foranos pela velocidade e pelo associativismo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
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Harmonia e Elegância no Salão do Banco do Brasil
Este registro, datado entre o final da década de 1950 e o início de 1960, captura uma belíssima apresentação das alunas do Conservatório Estadual de Música de Juiz de Fora.
O cenário é o imponente salão do Banco do Brasil, localizado na Avenida Presidente Getúlio Vargas. 
Na imagem, as jovens musicistas posam com seus acordeons, trajando vestidos de gala brancos que eram o padrão das grandes audições da época.
A foto ganha um valor ainda mais pessoal com o relato de Silvio Pensando JF, que identificou sua irmã como a quarta integrante da esquerda para a direita na fila.
O acordeon (ou sanfona) teve um papel central na educação musical mineira desse período, sendo instrumento de destaque em festividades e eventos oficiais da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
65
Um Retrato da Região Leste 
O Ciclista na Ponte do Manoel Honório
Esta fotografia, datada de 23 de agosto de 1949, é um testemunho precioso da Região Leste de Juiz de Fora. 
O registro captura um momento de pausa e dignidade sobre a ponte que serve como o grande portal de entrada para esta zona tão vital da cidade.
Em 1949, o bairro Manoel Honório já exercia seu papel de centralidade. 
Como ponto de convergência para quem se dirigia aos bairros vizinhos da Região Leste, como o Bairú e o Progresso, a ponte sobre o Rio Paraibuna era o elo físico entre a expansão urbana e as raízes operárias da cidade.
Na imagem, vemos a topografia característica da Região Leste. 
Os morros ao fundo, ainda com vasta vegetação e ocupação rarefeita, mostram como a cidade começava a escalar as encostas.
A calmaria capturada na foto contrasta com o movimento comercial que viria a definir o bairro nas décadas seguintes. 
Aqui, o Rio Paraibuna ainda era o horizonte principal de quem cruzava a ponte.
O personagem central, posando com sua bicicleta, personifica a elegância e a simplicidade da época.
Naquele final de década de 40, possuir uma bicicleta com farol e estrutura completa era um distintivo de mobilidade.
A vestimenta do ciclista, camisa listrada e calça de corte social, reflete o hábito do juiz-forano de estar sempre bem apresentado, mesmo em um momento de lazer ou deslocamento pelo bairro.
A correção da tonalidade da vegetação e do concreto da ponte permite que o espectador sinta o clima daquela tarde de Agosto.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
64
Fé e Tradição no Palco do Central 
Esta fotografia é um testemunho da efervescência cultural e religiosa de Juiz de Fora em meados da década de 60. 
No palco sagrado do Cine-Teatro Central, alunas do tradicional Colégio Santos Anjos celebram a Semana da Normalista de 1965.
O grupo de jovens, prestes a assumir a missão de educar, personifica figuras emblemáticas das Mulheres da Bíblia. 
Na composição, notamos o cuidado meticuloso com o figurino e a cenografia:
As alunas portam trajes que evocam figuras como rainhas, profetisas e santas, utilizando adereços como coroas, mantos e ramos, trazendo a narrativa bíblica para o coração da cidade.
Ser "normalista" na década de 1960 era um símbolo de status social e dedicação ao magistério. 
Eventos como este reforçavam os valores morais e pedagógicos da época.
O Cine-Teatro Central, já naquela época, era o principal palco para os grandes eventos da sociedade juiz-forana, servindo de moldura para a transição dessas jovens da vida escolar para a profissional.
Um registro precioso que preserva não apenas rostos, mas a identidade de uma geração que moldou a educação na Manchester Mineira.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Lea Senra
63
Essa Fotografia é uma relíquia. 
A imagem nos transporta diretamente para a década de 1940, um período em que o Bairro Benfica consolidava sua importância como polo industrial e logístico da Zona Norte.
Esta fotografia de 1942 captura um momento cotidiano em frente ao antigo Posto de Fiscalização, localizado estrategicamente diante da Estação de Trem de Benfica. 
Mais do que um registro geográfico, a imagem eterniza rostos que fizeram parte da história viva do Bairro: ao centro, a jovem Zizi Garcia, acompanhada pelo rapaz Zé Miranda.
Naquele ano, enquanto o mundo vivia os sobressaltos da Segunda Guerra Mundial, Benfica pulsava ao ritmo da Estrada de Ferro Central do Brasil e do crescimento das vilas operárias. 
O Posto de Fiscalização era um ponto nevrálgico, por onde passavam mercadorias e pessoas que ajudaram a transformar o antigo distrito em um dos pulmões econômicos de Juiz de Fora.
A arquitetura simples do posto e a proximidade com a linha férrea reforçam a identidade Rodoviária e Ferroviária do bairro.
A presença de Zizi Garcia e Zé Miranda confere nome e humanidade à paisagem urbana de 84 anos atrás.
O vestuário e a atmosfera da foto são testemunhos fiéis do cotidiano juiz-forano na década de 1940.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Marcelo Cruz, (In Memoriam).
62
Diferente do vôlei feminino que vimos anteriormente, a equipe de tênis desfila com raquetes de madeira clássicas e indumentária branca impecável (calças compridas e camisas de gola). 
O tênis, em 1950, era um esporte de fortíssima tradição nos clubes sociais de Juiz de Fora, e o Sport Club ostentava uma das melhores infraestruturas da região. 
A postura altiva dos atletas reflete o prestígio que o clube e o esporte tinham na época.
A "Mechanica Mineira": O Gigante Desaparecido
O detalhe mais valioso para a história urbana nesta foto é, sem dúvida, o prédio da Mechanica Mineira ao fundo.
Notem o estilo industrial imponente, com frontões trabalhados. 
Era um símbolo da "Manchester Mineira", representando a força fabril que impulsionou a cidade.
Esse prédio foi sacrificado para dar lugar ao progresso da década de 1960. 
A transição da "Mechanica Mineira" para o Terminal Rodoviário Régis Bittencourt (1964) marcou a mudança de vocação daquela área: do industrial/produtivo para o logístico/serviços.
Hoje, quem passa pela Avenida Barão do Rio Branco naquele trecho encontra o prédio da Cesama. 
É fascinante pensar na "camada" de história que existe sob esse solo:
Vejam o veículo militar ou utilitário estacionado, reforçando o clima de desfile cívico-militar do Centenário.
Novamente, os paralelepípedos e a ausência de asfalto dão a textura real da Juiz de Fora de antigamente.
A Placa "Tênis": Carregada pelo jovem à frente, ajuda a contextualizar a organização impecável das delegações do Sport Club.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
61
Essa fotografia é uma relíquia preciosa do Centenário de Juiz de Fora (1950), capturando um momento de transição e orgulho para a cidade. 
O comentário da Wilma Trigo é o que os historiadores chamam de "memória viva", dando nome e alma aos rostos que, de outra forma, seriam apenas silhuetas no tempo.
O Sport Club Juiz de Fora (o nosso "Verdão da Avenida") sempre foi uma potência poliesportiva.
Ver as atletas do vôlei desfilando reforça a importância que o clube dava às categorias femininas em uma época em que o esporte para mulheres ainda enfrentava muitos tabus.
A identificação de Ivone Fortes, Fernanda Dutra, Édina e a própria Wilma Trigo transforma a imagem em um documento genealógico e esportivo. 
Saber que elas foram Vice-Campeãs Mineiras coloca esse desfile como uma celebração de uma conquista real, e não apenas uma participação protocolar.
Notem o calçamento e os trilhos dos bondes, que eram o pulsar do transporte público da época. 
O bonde só deixaria de circular em Juiz de Fora em 10 de Abril 1969, então em 1950 ele era o rei da avenida.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
60
Equipe de futebol do Colégio Granbery em 1909, um período em que a instituição já estava consolidada como o grande berço do "football" em Minas Gerais e um dos principais do Brasil.
As pesquisas do Doutor Helgiuson Toledo e do professor Ernesto Giudice Filho, são cruciais porque antecipam a prática do futebol no Brasil para março de 1893. 
Isso coloca o Granbery em Juiz de Fora na vanguarda, ocorrendo quase dois anos antes da famosa partida de Charles Miller em São Paulo (1895). 
O embate entre "Gregos e Troianos" no "Field Day" é o marco zero do futebol mineiro.
A descoberta do livro "Child Life in Our Mission Fields", das autoras Daisy Lambuth e Kate Harlan (Universidade de Iowa), é um achado bibliográfico extraordinário.
O registro na página 118 confirma que, em 1896, o futebol já era uma realidade institucionalizada no colégio, sendo documentado por missionários americanos. 
Isso reforça a tese de que o futebol chegou ao Granbery via John McPherson Lander, influenciado por suas passagens pela Inglaterra.
Notem as faixas horizontais nas mangas e o escudo "G" no peito.
A bola de couro (marrom) e as botas de cano alto, típicas da época, mostram a transição de um esporte recreativo para uma prática mais organizada e competitiva.
O jogador ajoelhado com uniforme escuro e detalhes verdes destaca-se como o guardião da meta, uma posição que já exigia vestimenta diferenciada.
O Granbery não apenas ensinou o jogo aos seus alunos; ele exportou a paixão pelo futebol para a cidade. 
Muitos dos fundadores e primeiros jogadores dos grandes clubes locais, como o Tupi, o Tupynambás e o próprio Sport Club, passaram pelos bancos e pelo campo do Granbery.
Documentação visual da maturidade do futebol na instituição que introduziu o esporte em Minas Gerais (1893), conforme comprovado pelos registros de John Lander e pelo livro de 1896.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Moisés Cunha
59
Procissão do Centenário de Juiz de Fora, ocorrida em 1950, um ano em que a cidade não apenas celebrou seus 100 anos, mas também reafirmou sua identidade como a "Manchester Mineira" e um fervoroso polo de fé católica.
O ano de 1950 foi o ápice das comemorações do primeiro centenário da elevação da Vila de Santo Antônio do Paraibuna à categoria de cidade. 
A Avenida Rio Branco foi o palco principal de desfiles militares, operários e, como vemos na foto, grandes manifestações religiosas.
A procissão unia todas as camadas da sociedade juiz-forana. 
Na imagem, é possível observar a presença de autoridades, militares em fardas de gala e o clero, todos em volta da imagem sacra, simbolizando a união da cidade em torno de sua fundação.
A imagem sacra, dada a estética do andor e a tradição local) é carregada em um suntuoso andor com colunas e uma cúpula vermelha e branca, decorado com flores e folhagens.
Notem o rigor das vestes litúrgicas dos padres e coroinhas, além do traje formal (ternos e gravatas) dos homens que acompanham o cortejo. 
Isso reflete a solenidade da época.
A procissão parece ocorrer ao cair da tarde ou início da noite, com fiéis carregando velas e tocheiros, o que criava um efeito visual impactante na Avenida Rio Branco antes da iluminação pública moderna.
Naquele período, a Rio Branco já era a "espinha dorsal" da cidade. 
O trecho central, onde provavelmente a foto foi tirada, era cercado por palacetes e pelos primeiros prédios mais altos, servindo de corredor para as maiores massas humanas que a cidade já tinha visto até então.
O "1950" escrito de forma manuscrita na foto original (e preservado na restauração) é a marca temporal que autentica este momento como o jubileu de ouro da cidade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Helena Habel
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O Contexto das Gincanas Automobilísticas
Na década de 1950, Juiz de Fora tinha uma ligação fortíssima com o automobilismo (herança do pioneirismo da União e Indústria). 
A 5ª Gincana Automobilística, em outubro de 1958, não era apenas sobre velocidade, mas sobre perícia e, como vemos, provas recreativas hilárias que envolviam a comunidade.
Era comum que os competidores tivessem que cumprir tarefas fora dos carros. 
Aqui, vemos o contraste entre o esforço físico e o luxo dos automóveis da época.
A localização confirmada pelo prezado amigo Álvaro Boechat é precisa: Rua Tenente Márcio Pinto com Antônio Augusto Teixeira.
Note o calçamento de pedras (pé-de-moleque) e a ausência de prédios. 
O Bom Pastor ainda era um bairro predominantemente de casas e grandes lotes, mantendo o ar de "cidade jardim".
Estar a um quarteirão da Matriz do Bom Pastor (inaugurada poucos anos antes, em 1953) coloca essa cena no coração social do bairro.
O carro à direita é um Pontiac Chieftain (provavelmente 1953/54), um colosso americano que simbolizava o status da elite juiz-forana da época.
A placa antiga (62-93-70) é um detalhe que colecionadores.
A pintura saia-e-blusa (duas cores), que a colorização destacou, era o auge da elegância automotiva.
As crianças vestidas com esmero (meias brancas altas, sapatos engraxados).
Os homens de camisa social, mesmo em um evento de lazer.
A expressão de diversão da moça na carriola mostra como esses eventos quebravam a formalidade do cotidiano.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
57
A antiga Delegacia de Polícia ficava em um casarão histórico na Rua Batista de Oliveira, uma das vias mais importantes e tradicionais do centro de Juiz de Fora.
Como bem descreveu o ex-soldado José Lopes, a cena mostra exatamente a "mesa do plantonista". 
Era o coração operacional da delegacia, localizado logo à direita da entrada. 
O balcão de madeira robusta, os telefones de disco pretos e os livros de ocorrência (os B.O.S) eram os instrumentos de trabalho da época.
A imagem transmite o peso da autoridade e o cotidiano policial das décadas de 1950/1960. 
Note os policiais fardados, um oficial com o quepe e o talabarte cruzado no peito, e um soldado à direita, prontos para o registro manuscrito dos fatos.
Carlos Netto e a "Ronda Policial"
O homem com fones de ouvido e o microfone à frente é, quase certamente, Carlos Netto.
Ele foi uma das vozes mais emblemáticas do rádio juiz-forano. 
A "Ronda Policial" era um programa de audiência massiva, onde a notícia chegava "quente" diretamente da delegacia para as ondas do rádio.
Naquela época, não havia a facilidade da internet. 
O repórter policial instalava-se fisicamente no plantão, anotava os detalhes das prisões e ocorrências e, muitas vezes via telefone ou link direto, transmitia as informações para a rádio (provavelmente a rádio PRB-3 ou a Rádio Industrial, potências da época).
Embora a descrição mencione "Carnaval", a foto registra o trabalho por trás dos bastidores da folia.
Durante os dias de Carnaval em Juiz de Fora, o plantão da Rua Batista de Oliveira ficava em estado de alerta máximo. 
Enquanto a Rua Halfeld e a Avenida Getúlio Vargas ferviam com os blocos e escolas de samba, era nesta mesa que se administravam os incidentes da festa.
A presença do radialista sugere que o público em casa queria acompanhar não apenas os desfiles, mas também a "movimentação policial" da cidade durante o feriado.
Esta foto é valiosa por unir três pilares da identidade local:
1°- O interior de uma delegacia que já não existe mais naquela configuração.
2°- O registro físico de como se fazia jornalismo policial "ao vivo" no rádio antes da era digital.
3°- O cotidiano dos policiais de Juiz de Fora, identificados aqui pela memória viva de quem serviu ao lado deles.
Curiosidade: O prédio, localizado na Rua Batista de Oliveira, 377, é um marco arquitetônico. 
Mesmo após a reforma para abrigar o Conservatório, a robustez das paredes e a disposição de alguns espaços ainda remetem à antiga função administrativa. 
O nome do Conservatório homenageia uma das maiores incentivadoras da música na cidade, o que simboliza a vitória da cultura sobre um passado de repressão que aquele endereço carregava.
Saber que aquela cena do radialista Carlos Netto e dos plantonistas aconteceu exatamente no espaço que hoje é dedicado à música traz uma camada de profundidade histórica incrível.
Na fotografia, vemos a funcionalidade bruta do prédio: telefones de disco, fardas e o registro de ocorrências.
Hoje, aquele mesmo "balcão de plantão" foi substituído pela recepção de uma das maiores escolas de música de Minas Gerais.
Muitos juiz-foranos mais antigos ainda se referem àquela área como "a descida da antiga delegacia". O Conservatório não apenas preservou o patrimônio físico, mas deu uma nova "alma" ao número 377.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo    
56
Memórias do Poço Rico 
O Senhor "Cabrinha" e a Arte de Fabricar Latas
No coração industrial do Bairro Poço Rico, a rotina das Indústrias Reunidas Fagundes Neto era movida pela precisão das máquinas e pela experiência de seus operários. 
Esta fotografia, capturada provavelmente na década de 1960, imortaliza um desses momentos de concentração e maestria técnica.
O homem ao centro da imagem, operando a prensa com olhar atento, é o Senhor "Cabrinha". Segundo o relato de Adilson Ferreira de Paiva, ele era um dos funcionários mais antigos da casa na época.
Sua presença na foto simboliza a espinha dorsal da "Manchester Mineira": o trabalhador que detinha o "saber fazer". Em uma era onde a automação ainda dependia fortemente do ajuste e do tempo humano, operários veteranos como o Senhor Cabrinha eram os guardiões da qualidade da produção.
Ao redor do Senhor Cabrinha, vemos o resultado de um esforço coordenado. As latas empilhadas, já com a identidade visual da marca (como a linha de produtos "GELO"), demonstram o vigor das Indústrias Fagundes Neto.
A Fábrica de Latas: Atendia a diversos setores, desde alimentos até produtos químicos, sendo peça-chave na cadeia logística da região.
A organização das peças e o porte do maquinário revelam a escala industrial que transformou o Poço Rico em um dos bairros mais produtivos de Juiz de Fora.
Graças a depoimentos como o de Adilson, o acervo digitalizado ganha nomes e apelidos, resgatando a dignidade daqueles que construíram Juiz de Fora com as próprias mãos. 
O Senhor "Cabrinha" deixa de ser um operário anônimo para se tornar um símbolo da longevidade e da dedicação operária no Poço Rico.
Provavelmente década de 1960
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
55
O Clube de Tiro, Caça e Pesca de Juiz de Fora (CTCPJF) é uma instituição que nasceu da tradição e do prestígio das elites locais da década de 1930.
Nesta fotografia, o Senhor Bernardo de Castro personifica o ideal do praticante de tiro da época: elegância e precisão.
Ele foi o motor por trás da criação do clube em novembro de 1937, unindo entusiastas das práticas de caça e tiro esportivo em uma Juiz de Fora que se modernizava rapidamente.
Note o traje formal (paletó risca-de-giz, gravata borboleta e chapéu) que era o padrão para as competições e encontros sociais no clube. 
O esporte, naqueles anos, era indissociável de um rigoroso código de vestimenta.
Fundado como um dos pioneiros no Brasil, o CTCPJF ocupava um lugar de destaque no calendário social da cidade.
O tiro ao pombo era a modalidade mais prestigiosa e comum na época da fundação. 
Era uma prática herdada das tradições europeias e considerada um teste máximo de reflexo e pontaria.
Historicamente, o clube esteve ligado a áreas que permitiam o isolamento necessário para a prática, sendo um ponto de encontro para a diplomacia e negócios locais.
Bernardo de Castro segura uma espingarda de canos paralelos (provavelmente uma calibre 12 de alta qualidade), ferramenta padrão para o tiro ao voo.
O Senhor Bernardo está sobre uma estrutura de madeira elevada, comum nos postos de tiro da época para garantir visibilidade e segurança.
Ao fundo, vemos outro cavalheiro acompanhando a atividade, evidenciando o caráter coletivo e social do evento. 
As palmeiras sugerem o clima e a vegetação típica das propriedades rurais ou clubes de campo da Zona da Mata mineira.
O registro foi feito na antiga sede do clube, localizada nas proximidades do antigo Parque de Exposições, no Jockey Club. 
Esta região era o centro das atividades de lazer e prestígio da elite juiz-forana na época.
Bernardo de Castro foi o visionário que, em novembro de 1937, fundou o CTCPJF. 
O clube é um dos mais antigos do Brasil e era nacionalmente conhecido pela prática do tiro ao pombo, modalidade de grande prestígio que exigia reflexos apurados e perícia técnica, conforme demonstrado pelo fundador sobre a passarela de madeira (pedana).
A imagem captura a infraestrutura original do clube, com suas cercas brancas e vegetação característica, situando o esporte no cenário de expansão urbana de Juiz de Fora em direção à Zona Norte.
Este documento visual é fundamental para entender como Juiz de Fora mantinha instituições de nível nacional já na década de 30. 
O CTCPJF não era apenas um local de esporte, mas um símbolo do status da "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Maria Jose Grippi
54
O Estilo de um Pioneiro 
Sebastião Mendes e a Jardineira de 1930
Existem fotos que guardam mais do que imagens; guardam o orgulho de uma profissão. 
Destacamos hoje esta raridade enviada por Adilson Ramos: seu avô, Sebastião Mendes Ferreira, posando ao lado de sua "Jardineira" na década de 1930.
Aos 24 anos, Sebastião já era um pioneiro. 
Naquela época, ser motorista (ou "chofer", como se dizia) de uma linha intermunicipal como a Juiz de Fora / Chácara era uma função de grande responsabilidade e prestígio.
Notem a elegância impecável, terno escuro, gravata borboleta e o chapéu palheta perfeitamente posicionado. 
Provavelmente registrado por um fotógrafo "lambe-lambe", o Senhor Sebastião exibe o garbo de quem sabia que estava conduzindo não apenas passageiros, mas o progresso da região.
As famosas jardineiras tinham carrocerias de madeira montadas sobre chassis de caminhão. 
Eram veículos robustos, necessários para enfrentar as estradas de terra que ligavam as cidades mineiras na década de 1930.
Na colorização, buscamos resgatar o tom vinho/avermelhado clássico desses veículos, além do brilho da madeira e do metal do radiador, evidenciando o cuidado que o Senhor Sebastião tinha com sua ferramenta de trabalho.
A linha para a cidade de Chácara era vital para o escoamento de produtos e o trânsito de famílias que mantinham laços estreitos com a nossa "Manchester Mineira". Ver o Senhor Sebastião ao lado de seu ônibus com a placa "A. 114" nos faz viajar no tempo, para uma Juiz de Fora onde o ritmo era ditado pelo ronco desses motores pioneiros.
Agradeço imensamente ao Adilson Ramos por compartilhar este "baú de família". 
É através desses relatos pessoais que a história oficial ganha vida e cor.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Adilson Ramos  
53
Esta imagem é de um valor sentimental e histórico inestimável.
O relato de Afonso Cardoso traz uma camada humana que transforma a arquitetura em memória viva.
A esquina da Rua da Glória com a Avenida dos Andradas era (e ainda é) um dos pontos mais importantes de Juiz de Fora. 
Na década de 1950, a Avenida dos Andradas já era um eixo vital de ligação. Ter uma mercearia, ou o "botequim" do Senhor Francisco Caixeiro, nesse local significava estar no centro da vida social do bairro.
Diferente do conceito moderno de bar, o botequim/mercearia daquela época era o local onde se comprava de tudo (venda a granel) e onde as notícias do bairro circulavam. 
O fato de o Senhor Francisco ter criado sua família a partir desse comércio mostra a força da economia local de Juiz de Fora naquele período.
A fotografia colorizada destaca a figura central de Dona Percília cercada pelos netos. 
É um registro clássico das famílias tradicionais de descendência italiana (os Casali e Caixeiro) que foram fundamentais na formação da classe média e do comércio de Juiz de Fora. 
A vestimenta das crianças e a postura da avó refletem o rigor e a educação da década de 1950.
Note a imponência das portas altas de madeira, típicas de construções que serviam tanto como residência quanto como comércio (sobrados ou casas de esquina).
É possível ver o início do calçamento de pedras (pé de moleque ou paralelepípedo) na rua, que era o padrão em Juiz de Fora antes da pavimentação moderna.
No canto esquerdo da foto original, há uma placa indicativa (possivelmente de rua ou de algum produto), que ajuda a compor a estética urbana da época.
Essa região do Morro da Glória passou por uma transformação radical com a verticalização. 
Muitas dessas casas de esquina deram lugar a prédios ou farmácias modernas. 
Ver a "Venda do Senhor Francisco" em cores nos faz lembrar que o bairro da Glória foi construído por esses pequenos empreendedores e suas famílias numerosas.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Afonso Cardoso  
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Esta fotografia é um documento histórico fascinante da mobilidade urbana de Juiz de Fora.
O comentário de Josias Cândido Castor situa o registro em um ano de grandes transformações para o transporte na cidade: 1963.
Naquela época, o sistema de ônibus de Juiz de Fora passava por uma fase de transição entre o amadorismo das pequenas frotas e a consolidação de empresas que durariam décadas. 
Em 1963, Juiz de Fora já era um polo industrial consolidado, e o transporte coletivo era vital para ligar os bairros operários ao Centro e às fábricas. Diferente de hoje, onde poucas empresas operam grandes consórcios, na década de 60 o sistema era composto por diversas empresas menores, muitas vezes familiares.
A linha do Jardim Glória sempre foi uma das mais importantes por atender a um bairro tradicional e de topografia desafiadora.
Em 1963, essa era uma das principais empresas que operavam rotas naquela região. O ônibus que vemos na foto, um Mercedes-Benz com o clássico design de "focinho" ou o modelo monobloco inicial (como o O-321), era a tecnologia de ponta da época.
Como a restauração destacou, essa combinação de cores era muito comum e ajudava a população a identificar as linhas de longe em uma época de letreiros manuais.
A fotografia de 1963 captura o motorista e o cobrador com um ar de muita dignidade. Naquele tempo:
O motorista não era apenas um condutor, era uma figura conhecida e respeitada no bairro.
O ônibus era mantido com extremo zelo (note o brilho da lataria e dos cromados na sua imagem).
A farda, com as camisas de botões bem alinhadas, mostrava o rigor e o prestígio da profissão de rodoviário em Juiz de Fora.
Os ônibus do Jardim Glória em 1963 passavam por ruas que ainda conservavam muitos paralelepípedos e trilhos dos antigos bondes (que haviam sido desativados recentemente em algumas áreas, ou estavam em processo final). 
Fotografias como esta, que agora mostram corretamente apenas "JARDIM GLÓRIA" no letreiro, são essenciais para preservar a memória visual da cidade. 
Elas mostram que, antes dos grandes terminais e cartões eletrônicos, o transporte era feito com base na relação de proximidade entre os trabalhadores e os moradores do bairro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Gil Carlos Ferreira
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O clima de fraternidade tomava conta dos pátios da Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia (F.E.E.A.), vinculada ao Exército Brasileiro. 
Este registro imortaliza um grupo de funcionários e familiares elegantemente trajados para a celebração natalina da instituição, refletindo a importância social que a fábrica exercia na vida de seus colaboradores em Juiz de Fora.
Visível ao fundo, a guarita não era apenas um controle de acesso, mas um símbolo da natureza estratégica da fábrica. Situada em uma área de segurança nacional, a F.E.E.A. (e posteriormente a IMBEL) sempre foi um pilar da defesa e da economia fabril do município.
As construções ao fundo mostram o estilo sóbrio e funcional das vilas e instalações militares/industriais da década de 60, típicas do bairro Benfica e arredores, onde a fábrica se consolidou.
A imagem revela a moda e os costumes da época: os homens em ternos claros e as mulheres com vestidos de corte clássico e estampas florais, um padrão de elegância para eventos oficiais da empresa. 
Naquele ano, a fábrica era um dos maiores empregadores da região norte de Juiz de Fora, funcionando como uma "cidade dentro da cidade", com forte senso de comunidade entre os funcionários.
A transição para IMBEL (Indústria de Material de Belicismo do Brasil) ocorreria anos depois, mas a essência do trabalho técnico e da disciplina já estava presente neste grupo de 1966. 
Esta foto é um testemunho das gerações de juiz-foranos que dedicaram suas vidas à produção industrial militar, ajudando a manter viva a tradição da Manchester Mineira.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Anna Maria Costa  
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O Esquadrão do "Baeta": Tupynambás Futebol Clube 
Esta fotografia imortaliza a equipe do Tupynambás em novembro de 1933, um registro que transborda a essência do futebol romântico de Juiz de Fora. 
Com suas camisas em vermelho vibrante, a cor que deu origem ao apelido "Baeta" (em referência ao tecido de lã vermelha usado na época), o time posa com a postura austera típica dos grandes esquadrões da década de 1930.
À esquerda, destaca-se o atleta com a camisa listrada em vermelho e branco, mantendo a identidade cromática do clube que, desde sua fundação em 1911, coloria os campos da cidade.
Note os detalhes como as joelheiras, as faixas na cabeça (usadas para proteção em cabeceios com as pesadas bolas de couro de tentos) e os calções brancos impecáveis.
O registro parece ter sido feito no lendário Estádio José Paiz Soares, ou em algum dos campos de terra batida que serviam de palco para as disputas acirradas da liga local. 
Ao fundo, a presença do público e a silhueta das montanhas reforçam a atmosfera da Manchester Mineira daquela década.
Em 1933, o futebol brasileiro passava pela transição para o profissionalismo. Em Juiz de Fora, o Tupynambás era conhecido por revelar talentos e por um jogo técnico, sendo o grande representante do bairro Santa Teresa e arredores. 
Esta equipe carregava o peso de uma camisa que já era, naquele momento, uma das mais respeitadas do interior de Minas Gerais.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira  
49
Registro extraordinário da história de Juiz de Fora.
O cenário é a Praça Antônio Carlos, um dos espaços públicos mais emblemáticos da cidade, que na década de 1930 consolidava-se como o coração cívico e cultural da região.
Ao fundo, imponente, vemos o prédio da antiga Escola Normal de Juiz de Fora (atual Instituto de Educação). Inaugurado na década de 1920, ele é um símbolo do ecletismo arquitetônico da época.
A presença desse edifício na foto ajuda a contextualizar a importância da praça como um centro educativo e de elite, contrastando com o caráter industrial que a região também possuía devido à proximidade com a linha férrea e as fábricas.
A placa que corrigimos na restauração é um detalhe crucial. 
A Pantaleone Arcuri foi a maior responsável pela "modernização" de Juiz de Fora. 
Quase todos os prédios icônicos daquele período (incluindo o da Escola Normal e o Cine-Theatro Central) passaram pelas mãos da construtora dos Arcuri. 
Ver esse anúncio em um tapume ou parede de obra ao fundo é um testemunho direto do boom de construção civil que transformou a face da cidade.
O Juramento à Bandeira
A posição da tropa — braço direito estendido à altura do ombro e mão espalmada — é o gesto clássico do Juramento à Bandeira.
O Dia do Soldado: Sendo 25 de agosto, a cerimônia ganha uma carga simbólica enorme. 
Os uniformes com túnicas de gola alta e as botas de cano longo (culotes) são típicos do Exército Brasileiro (ou da Força Pública Estadual) nos anos 30, pré-Segunda Guerra Mundial.
Na década de 1930, sob a Era Vargas, o civismo e os desfiles militares eram eventos centrais na vida social. 
A Praça Antônio Carlos era o "palco" perfeito para essas demonstrações de ordem e progresso.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
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Alunos do Colégio Santos Anjos na Água São Luiz 
Esta imagem é um documento precioso do cotidiano escolar e industrial de Juiz de Fora na década de 1950. 
O registro captura o momento em que os alunos do Colégio Santos Anjos realizavam uma de suas tradicionais excursões educativas.
Destino: Bairro Grama: A visita tinha como destino a famosa fábrica da Água São Luiz, localizada no bairro Grama. 
Naquela época, a região era referência pela pureza de suas fontes, e a fábrica era um dos símbolos do progresso industrial da cidade.
Para os estudantes, o deslocamento até o Grama era uma verdadeira aventura. O ônibus (que vemos na foto com a inscrição do Ginásio) cruzava a cidade para levar os jovens até a unidade fabril, onde aprendiam sobre o processo de captação e envase.
A fotografia destaca o rigor dos uniformes e a organização dos alunos, características marcantes da educação católica da época em Juiz de Fora. Mais do que um aprendizado técnico, a visita era um evento social esperado, que muitas vezes terminava com a degustação dos produtos da fábrica.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Aloysio Barbosa Gomes 
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A Procissão de São Roque
A imagem captura uma procissão em honra a São Roque, tradicionalmente invocado como protetor contra pestes e epidemias. 
No início do século XX, essas manifestações de fé eram os eventos sociais mais importantes da cidade, reunindo todas as classes sociais.
Note a presença central das crianças vestidas de anjos, com asas e túnicas brancas, além de uma jovem representando uma figura religiosa (possivelmente uma santa ou freira) à frente. 
Essa era uma característica marcante das procissões da época, simbolizando a pureza e a devoção das famílias.
A Avenida dos Andradas aparece aqui em seus primórdios, ainda com calçamento de pedras irregulares. 
É possível observar ao fundo a arquitetura das casas de porta e janela, típicas do período, e a arborização que começava a dar o tom residencial e elegante da via.
O cortejo se dava nos arredores da histórica Capela de São Roque, um marco religioso da região que, junto com a influência dos Redentoristas, ajudou a moldar a identidade católica dessa parte da cidade.
A colorização ajuda a destacar o contraste entre o branco das vestes das crianças e os tons escuros e sóbrios dos ternos dos homens e vestidos das mulheres que acompanham o cortejo. 
Chapéus eram itens indispensáveis na indumentária masculina daquele tempo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Biblioteca Redentorista  
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Essa imagem é um registro precioso de um dos momentos de maior fervor religioso na história de Juiz de Fora. 
A fotografia, pertencente ao acervo de Humberto Ferreira, captura a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima à cidade em abril de 1953.
A visita da imagem original, vinda de Portugal, causou uma comoção sem precedentes. 
Relatos da época indicam que milhares de pessoas se comprimiam nas ruas, desde a chegada na estação ferroviária (ou aeroporto, dependendo do trecho) até a Catedral Metropolitana.
Como vemos na foto, era tradição que crianças e jovens se vestissem de anjos para acompanhar o andor. 
Essas vestes brancas e coroas de flores simbolizavam a pureza e a devoção da comunidade local.
Note os postes de iluminação antigos e a vegetação ao fundo, típicos da topografia de Juiz de Fora, possivelmente em algum ponto de subida ou próximo a praças centrais onde o cortejo passava.
Em 1953, o Brasil vivia um período de intensa devoção mariana. 
Juiz de Fora, sendo uma cidade de forte tradição católica e sede arquidiocesana, parou literalmente para a recepção. 
A imagem peregrina percorria o mundo para levar a mensagem de Fátima após o fim da Segunda Guerra Mundial, em um contexto de busca por paz.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira
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Esta imagem de 01 de março de 1949 captura o auge da irreverência e da tradição do Carnaval de Juiz de Fora. 
Naquela Terça-feira de Carnaval, Luiz Sampaio Rocha e seus amigos participavam de uma das práticas mais democráticas e divertidas da época: o bloco de sujos ou a clássica brincadeira de homens se fantasiarem de mulher.
Sendo o último dia de folia, o clima era de "entrega total". Juiz de Fora, conhecida como a "Manchester Mineira", parava suas fábricas para que a elite e o operariado se misturassem nas ruas.
Veja o detalhe das roupas. 
Não eram apenas roupas femininas aleatórias; eles replicavam a moda da época com bolsas, colares de pérolas e chapéus. 
Essa inversão de papéis era uma válvula de escape social muito comum e aceita apenas durante os quatro dias de reinado de Momo.
O rapaz à esquerda usa um vestido listrado típico do final dos anos 40, enquanto o ao centro exibe um visual mais "festa", com saia rodada e pérolas. Luiz Sampaio Rocha, à direita, está impecável com uma fantasia de babados (estilo baiana ou camponesa estilizada) e segura o que parece ser uma pasta ou acessório da época.
O fundo com a parede de pedras rústicas e a calçada de cimento sugere os arredores de algum casarão antigo ou clube tradicional da cidade.
Lança-Perfume: Que na época era permitido e onipresente (as famosas ampolas metálicas de Rodouro).
O rádio tocava incessantemente "Chiquita Bacana" e "O Teu Cabelo Não Nega".
Esta fotografia é um testemunho da liberdade criativa de Luiz Sampaio Rocha e seus amigos. 
Em 1949, a fotografia ainda era um recurso caro, o que prova que este grupo dava grande importância ao registro de suas memórias
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ana Lucia Pereira Rocha
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Essa imagem é um registro precioso da identidade social da cidade na época. Aqui estão alguns pontos históricos que ajudam a contextualizar a foto de Luiz Sampaio Rocha, O figurino que vemos na foto, com penas, faixas na cabeça e túnicas claras, remete à imensa popularidade das "Tribos" no Carnaval de Juiz de Fora. Influenciados pelo sucesso de grupos como os Caciques do Rio, era muito comum que grupos de amigos em Juiz de Fora montassem suas próprias alas ou blocos temáticos de "índios".
Note que, mesmo fantasiados, há um cuidado com a estética. 
Naquela década, o Carnaval ainda guardava um ar de "evento social de rua", onde as famílias e grupos de amigos ocupavam o centro (especialmente a Rua Halfeld e a Avenida Getúlio Vargas) para ver e ser visto.
Luiz Sampaio Rocha era uma figura integrada à dinâmica cultural da cidade. 
Em 1949, o lazer em Juiz de Fora orbitava muito em torno dos clubes, mas a espontaneidade dos blocos de amigos, como o registrado na imagem, era o que dava vida ao asfalto.
Esses grupos costumavam se concentrar em pontos específicos do centro antes de "sair em desfile" ou se dirigir aos bailes noturnos. 
A arquitetura ao fundo da foto, com as portas de aço e as marquises de concreto, é típica das modernizações que o centro da cidade sofria naquele período.
Em 1949, o Carnaval brasileiro estava sob o impacto do samba-enredo e das marchinhas que dominavam as rádios. 
É muito provável que Luiz e seus amigos estivessem cantando sucessos daquela época, como "Chiquita Bacana" (lançada para o carnaval de 49 por Emilinha Borba), que foi um dos maiores hits daquele ano.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ana Lucia Pereira Rocha
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Essa imagem é um documento histórico precioso.
Ela captura o Turunas do Riachuelo em 1946, um momento de transição fascinante onde o Carnaval de elite dos corsos (como o de 1929 que vimos antes) dava lugar à força popular das escolas de samba.
À direita, vemos Armando Toschi, o Ministrinho. 
Ele não era apenas um fundador; era o elo entre o samba que fervilhava no Rio de Janeiro (especialmente no bairro do Estácio) e a identidade operária de Juiz de Fora. 
O fato de ele estar segurando um instrumento e com o apito na boca reforça sua liderança rítmica e musical na agremiação.
Em 1946, o mundo ainda respirava o fim da Segunda Guerra Mundial. Note o detalhe do estandarte à esquerda: "Salve! Gloriosos da FEB".
Esta é uma homenagem direta aos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira.
Muitos desses soldados eram mineiros e juiz-foranos. 
O Carnaval de 1946 foi marcado pelo sentimento de vitória e pelo retorno desses heróis, unindo o civismo à folia.
Os homens com camisas listradas e chapéus de palha ("canotier") remetem à malandragem carioca e à influência naval da época.
As mulheres e a jovem ao centro trazem o traje de "baiana estilizada", que se tornou obrigatório nas escolas de samba para homenagear as "tias" do samba. A riqueza dos colares e o brilho dos tecidos, que agora vemos em cores, mostram o esmero da comunidade do Riachuelo.
Ser a primeira escola de Minas e a quarta do Brasil coloca Juiz de Fora na vanguarda da cultura nacional. 
Em 1946, o Turunas já não era mais apenas um bloco; era uma instituição organizada, com hierarquia, estandarte e uma identidade visual própria.
O Turunas do Riachuelo ajudou a transformar a Rua Halfeld em um verdadeiro sambódromo décadas antes de muitas capitais. 
Essa foto é o registro do "pé no chão" e da elegância que definiu o samba de Juiz de Fora.
O Samba e a Vitória no Riachuelo
Feito para dançar, sorrir ou, com as melhores letras, até mesmo chorar, o samba veio para ficar em Juiz de Fora. Essa certeza é personificada por Armando Toschi, o Ministrinho (à direita na foto, com seu apito e instrumento), que junto aos seus irmãos fundou a Turunas do Riachuelo, a primeira escola de samba de Minas Gerais e a quarta em atividade no país.
Neste registro de 1946, a alegria do samba se funde ao orgulho nacional. 
À esquerda, destaca-se um estandarte com os dizeres "Salve! Gloriosos da FEB", uma homenagem direta e vibrante aos nossos Pracinhas, os heróis da Força Expedicionária Brasileira que haviam retornado recentemente da campanha na Itália.
Para a comunidade do Riachuelo, celebrar o Carnaval naquele ano era também celebrar a paz e a bravura dos filhos da terra que lutaram na Europa. 
A imagem sintetiza esse espírito: de um lado, o pioneirismo rítmico do Turunas, com suas baianas e malandros; do outro, o reconhecimento cívico aos soldados, unindo o som dos tamborins ao respeito à nossa história militar. 
O Turunas não apenas desfilava música, mas carregava no peito e nos estandartes o sentimento de toda uma nação.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
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O Carnaval de 1929 representa o auge de uma era de ouro para a folia de rua no Brasil, e os corsos eram o coração pulsante dessa celebração. 
Para as famílias de Juiz de Fora e de outras grandes cidades, a preparação para o desfile de carros era um evento social tão importante quanto o próprio Carnaval.
A preparação começava semanas antes com a ornamentação dos carros (geralmente Ford Model T ou similares).
Os veículos eram cobertos por flores naturais, fitas de seda e papel crepom colorido.
O carro não era apenas um meio de transporte, mas uma "vitrine" social. 
Muitas vezes, o capô era baixado para que as jovens pudessem se sentar na borda do banco traseiro, ficando em destaque para o público.
Como vemos no belo registro, a moda de 1929 estava em plena transição para a era Garçonne, mas com o toque romântico do Carnaval:
Leves, de seda ou organdi, com cinturas baixas e cortes que permitiam o movimento.
O uso de flores artificiais presas aos ombros e cestas com pétalas reais ou confetes era essencial.
Eram a marca registrada da elegância feminina da década de 20, servindo tanto para o estilo quanto para a proteção contra o sol durante as longas tardes de desfile.
Rolos e mais rolos que, ao final do dia, formavam um tapete colorido nas ruas.
Lança-perfume: Na época, o uso do cloreto de etila era liberado e considerado um acessório sofisticado de diversão.
Batalha de Flores: Era comum que os foliões trocassem flores entre os carros, um flerte elegante e coreografado.
É fascinante imaginar esses carros subindo e descendo a Rua Halfeld ou a Rua Direita (atual Rio Branco). O corso de 1929 foi um dos últimos antes da Grande Depressão afetar o luxo dessas celebrações, marcando o fim de uma estética extremamente refinada e bucólica do Carnaval de rua.
Aquelas duas jovens na foto, prontas para sair, carregavam não apenas flores, mas o espírito de uma época que via no Carnaval a máxima expressão da modernidade e da alegria urbana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
41
Liderança e Folia
Doutor Fábio Neri e o Comando B3 no Sport Club
O Carnaval de Juiz de Fora sempre foi um terreno onde a política e a vida social se encontravam de forma harmônica. 
Nesta memorável fotografia da década de 1960, resgatamos uma matinê infantil na sede do Sport Club Juiz de Fora, um dos pilares da nossa tradição clubística.
O registro ganha um valor inestimável com a identificação dos personagens. Vemos o Doutor Fábio Neri, figura polivalente que atuou como advogado, odontólogo e teve papel de destaque na política local. 
Ao seu lado, sua esposa ajuda a comandar o entusiasmo do trio mirim conhecido como "Comando B3", cujas camisetas listradas remetem ao clássico visual de marinheiro, tão querido nas matinês da época.
Doutor Fábio Neri não foi apenas um folião; ele foi um grande colaborador do rádio e do jornalismo de Juiz de Fora, vindo a servir a cidade como Vice-Prefeito durante a gestão de Adhemar Rezende de Andrade.
O azul das calças e as listras das camisetas do Comando B3 foram realçados, assim como o confete e a serpentina espalhados pelo chão de madeira, que agora ganham o brilho das cores originais.
Através da janela aberta, a restauração trouxe de volta o verde das montanhas de Juiz de Fora e o azul do céu, situando geograficamente o evento na nossa querida Manchester Mineira.
O microfone na mão do Doutor Fábio e o olhar atento dos meninos do trio foram limpos de ruídos, preservando a tensão alegre do momento da apresentação.
As matinês do Sport Club eram o ponto de encontro das famílias juiz-foranas. Era ali que as futuras lideranças da cidade davam seus primeiros passos na vida social, sob o olhar atento de figuras públicas que, como o Doutor Fábio Neri, entendiam o valor da cultura e da convivência comunitária.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
40
O Salão do Club Juiz de Fora nos Anos 60
Se existe uma imagem que sintetiza a sofisticação juiz-forana em meados do século XX, é esta. 
O salão do Edifício Club Juiz de Fora, projetado para ser o coração social da cidade, aparece aqui em sua plenitude, decorado para as festividades carnavalescas com uma estética nitidamente modernista.
O que mais impressiona nesta fotografia restaurada é a integração entre a arquitetura e a arte efêmera do Carnaval:
A decoração de fundo, com figuras estilizadas, astros e elementos celestes, evoca o estilo de artistas que dialogavam com o modernismo brasileiro. 
A paleta de cores, agora recuperada, revela tons de azul profundo, ocre e amarelo, transformando o salão em uma galeria de arte festiva.
As colunas monumentais do salão foram revestidas com padrões orgânicos e figuras humanas em trajes que remetem à mitologia e ao teatro, criando uma verticalidade elegante que impressionava os convidados.
A moda dos anos 60 trazia o corte "tubinho" para as mulheres e ternos com cortes mais secos para os homens. 
A colorização das cadeiras em tons de azul-petróleo e o realce dos vestidos em amarelo e verde limão mostram uma Juiz de Fora antenada com as tendências cromáticas da era Pop Art e da Bossa Nova.
A restauração dos painéis à direita, que estavam desbotados, agora permite ver a continuidade da narrativa visual que cercava os foliões.
Cada mesa posta, com suas toalhas brancas impecáveis, serve como testemunha da organização impecável dos bailes do Club Juiz de Fora.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
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Carnaval nos Jardins 
O Círculo Militar em 1937
A edição de 06 de fevereiro de 1937 da revista O Cruzeiro continua a nos revelar os múltiplos cenários da folia em Juiz de Fora. 
Na página 05, além dos salões fechados, vemos a celebração ganhar os espaços abertos e jardins, como neste belíssimo registro do Círculo Militar.
Nesta fotografia, um grupo de jovens posa com uma variação sofisticada e estilizada das tradicionais baianas. 
Note como a moda da época interpretava os elementos regionais:
Os Detalhes: Turbantes brancos adornados com pequenos arranjos de frutas (antecipando o estilo que Carmen Miranda imortalizaria anos depois) e colares de contas que contrastam com o branco imaculado dos vestidos de babados.
Diferente das fotos de estúdio ou salão, aqui as foliãs aparecem em meio às samambaias e à vegetação dos jardins do Círculo Militar, trazendo um ar de "festa de jardim" (garden party) ao Carnaval mineiro.
A recuperação das rendas e bordados dos vestidos brancos, que agora exibem sua delicadeza original.
A nitidez devolvida aos rostos revela a alegria e a elegância das damas da sociedade de Juiz de Fora, com o ruge e o batom típicos da década de 30 perfeitamente destacados.
O verde vibrante das plantas ao fundo foi restaurado para recriar a atmosfera exata daquela tarde de fevereiro de 1937.
A presença constante de Juiz de Fora nas páginas de O Cruzeiro durante o Carnaval reafirma a posição da cidade como um centro de irradiação de moda e costumes. 
O Círculo Militar, com sua disciplina e elegância, mostrava que a folia na "Manchester Mineira" era feita de alegria, mas também de muito estilo.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Daniel Moratori 
38
Marinheiros da Folia 
Os Carnavalescos de 1937
Dando continuidade ao nosso mergulho na edição histórica da revista O Cruzeiro (06 de fevereiro de 1937), chegamos à página 20. 
Se as páginas anteriores mostravam o luxo das fantasias de gala, aqui o registro é da alegria em movimento.
Nesta composição circular, que lembra a lente de uma luneta observando o tempo, vemos o Edifício Club Juiz de Fora tomado por "marinheiros" e casais em sintonia.
Na década de 1930, a fantasia de marinheiro era uma das favoritas entre os rapazes e moças de Juiz de Fora. 
Simbolizava liberdade, aventura e era uma escolha prática e elegante para aguentar o calor dos salões lotados.
O azul profundo das camisas e o branco impecável dos quepes foram realçados para destacar o contraste que dominava os salões.
A colorização nos permitiu focar nos rostos sorridentes, trazendo para o presente o olhar direto de um jovem folião que, há quase um século, celebrava a vida no coração de Minas Gerais.
O fato de O Cruzeiro dedicar múltiplas páginas (como a 05 e a 20) ao Carnaval juiz-forano reforça o que sempre defendemos, nossa cidade era uma das capitais da elegância brasileira. 
O Club Juiz de Fora conseguia unir a elite e a juventude em festas que paravam o estado.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Daniel Moratori 
37
O Esplendor do Carnaval de 1937 
Luxo e Tradição no Club Juiz de Fora
Em fevereiro de 1937, as páginas da revista O Cruzeiro, então a maior vitrine ilustrada do Brasil, voltaram seus olhos para a "Manchester Mineira". Na página 05 da edição do dia 06, o destaque não poderia ser outro: a efervescência social do Edifício Club Juiz de Fora.
A fotografia que hoje trazemos captura um grupo de jovens damas da sociedade local, prontas para um dos desfiles internos que marcavam as noites de gala. 
Trajando figurinos inspirados em uma estética europeia estilizada, com botas de cano alto, saias rodadas em padrões geométricos e lenços cuidadosamente amarrados, elas representavam a modernidade que Juiz de Fora exalava.
O Club Juiz de Fora, com sua arquitetura imponente na Rua Halfeld, servia de palco para uma festa onde o confete e a serpentina dividiam espaço com a sofisticação das orquestras.
Trazendo a Cor de Volta ao Passado
Graças às modernas técnicas de recuperação digital, conseguimos devolver a esta imagem a vivacidade que o tempo havia desbotado:
O verde profundo da vegetação (como a samambaia ao fundo) e o contraste do dourado nas fantasias revelam a riqueza visual da época.
A colorização dos rostos e braços permite notar a maquiagem característica dos anos 30, o batom escuro e as sobrancelhas marcadas, devolvendo a humanidade e a expressão a cada uma das foliãs.
Resgatar registros como este, publicados originalmente em O Cruzeiro, é reafirmar o papel de Juiz de Fora como um polo cultural e social de relevância nacional. 
Este Carnaval de 1937 foi um dos últimos grandes momentos de celebração antes das transformações que a Segunda Guerra Mundial traria à vida social global anos depois.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Daniel Moratori 
36
O Carnaval de 1937 
Elegância no Club Juiz de Fora
A fotografia captura um grupo de jovens moças, possivelmente de famílias tradicionais da elite local, trajando fantasias de "Pierrettes" ou variações estilizadas de trajes russos, que eram febre nos bailes de gala da década de 1930. 
O Club Juiz de Fora, localizado no icônico edifício na Rua Halfeld, era o epicentro da vida social mineira na época.
As fantasias foram restauradas para destacar o branco acetinado dos tecidos, adornados com aplicações em azul, vermelho e dourado. 
Os chapéus de pele sintética branca (estilo ushanka estilizado) e as botas brancas de cano alto reforçam a estética de "fantasia de luxo" comum nos concursos de blocos internos do clube.
Publicada em 06 de fevereiro, a poucos dias do Carnaval daquele ano, a reportagem de O Cruzeiro visava mostrar como o "interior" (embora Juiz de Fora fosse uma potência industrial) rivalizava com o Rio de Janeiro em termos de sofisticação.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Daniel Moratori 
35
O Carnaval de Gala no Clube Bancário 
Hoje compartilho com vocês mais uma relíquia, a Fotografia agora restaurada e colorizada, que nos transporta diretamente para o dia 1º de março de 1949. O inesquecível Clube Bancário, um dos bastiões da nossa vida social na "Manchester Mineira".
Graças à valiosa colaboração de Ana Lucia Pereira Rocha, conseguimos identificar as faces que sorriem para a posteridade nesta imagem. Vemos a elegância de Nilda Pereira Pinto, Aracy, Maria de Lourdes Pereira Fusturath e Cleuzair Pereira Rocha, cujos trajes de rendas e flores revelam o capricho das fantasias de salão daquela época.
Ao centro, o espírito irreverente da folia é personificado por Luiz Sampaio Rocha, em sua estilização de índio, cercado pelas serpentinas que caíam do teto do clube como molduras de alegria.
Esta fotografia não é apenas um registro de Carnaval; é um retrato das famílias que construíram a identidade de Juiz de Fora. É a prova de que, entre confetes e marchinhas, o que realmente ficava eram os laços de amizade e parentesco.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ana Lucia Pereira Rocha
34
Esta fotografia é um registro fascinante da irreverência que marca o Carnaval brasileiro, capturando Luiz Sampaio Rocha e seus amigos em 1º de março de 1949. 
O flagrante, provavelmente realizado em uma das ruas centrais de Juiz de Fora, cidade com uma tradição riquíssima em desfiles e blocos, revela o espírito do "Carnaval de outrora".
Em 1949, o Carnaval vivia uma transição entre os grandes bailes de gala e a crescente popularização dos blocos de rua. 
A prática de homens se fantasiarem de mulheres, como vemos na imagem, é uma das tradições mais antigas e persistentes da folia, simbolizando a "inversão de papéis" e a quebra temporária das normas sociais permitida durante os dias de festa.
Note o cuidado com os detalhes, o uso de colares de pérolas, bolsas, chapéus e até óculos escuros. 
Não era apenas uma brincadeira improvisada, mas uma caracterização planejada para "causar" no meio da multidão.
O cenário ao fundo, com a arquitetura característica do final dos anos 40, remete ao auge do desenvolvimento urbano da "Manchester Mineira". 
As marquises e os edifícios imponentes serviam de palco para o desfile espontâneo dos foliões.
Luiz Sampaio Rocha e seus amigos representam uma geração que via no Carnaval uma válvula de escape criativa e uma forma de reafirmar laços de amizade.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ana Lucia Pereira Rocha
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O Corte da Fita: A Sociedade Juiz-forana celebra o Clube Bom Pastor
Dando sequência aos registros da inauguração da quadra de futebol de salão do Clube Bom Pastor, trazemos hoje uma perspectiva que revela a alma do bairro na década de 1950. S
e na foto anterior víamos a solenidade da placa, aqui capturamos a expectativa e o convívio social que definiram aquele dia.
Como reforçado pelo comentário de Álvaro Boechat, o evento foi um marco. A foto nos mostra as famílias tradicionais de Juiz de Fora, com as crianças curiosas à frente, separadas pelo portão que estava prestes a ser aberto para uma nova era de lazer. A elegância dos trajes — os ternos impecáveis e os vestidos florais — denota o prestígio que o Clube Bom Pastor já possuía logo em seus primeiros anos.
O que mais fascina nesta imagem restaurada e colorizada, além dos rostos, é o plano de fundo:
Podemos observar as casas recém-construídas que hoje são marcos do bairro. Nota-se a baixa densidade e o estilo arquitetônico limpo, típico do crescimento planejado do Bom Pastor.
Ao fundo, carros da época (provavelmente modelos das marcas Chevrolet ou Ford dos anos 40 e 50) pontuam a cena, reforçando o status socioeconômico dos sócios e moradores.
A vegetação ao fundo e o relevo característico de Juiz de Fora emolduram a cena, mostrando um bairro que ainda respirava o ar puro das colinas antes da verticalização.
Graças à colorização, detalhes como o brilho dos carros e as cores vivas das roupas infantis trazem uma proximidade emocional com o passado. 
Não é apenas uma foto de uma quadra; é o retrato de um projeto de cidade que valorizava o encontro, o esporte e a vizinhança.
Este acervo digitalizado nos permite não apenas ver o passado, mas sentir a atmosfera de uma Juiz de Fora que se modernizava com elegância.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
32
O Despertar do Lazer no Bom Pastor: A Inauguração da Quadra de Futebol de Salão
O bairro Bom Pastor sempre foi sinônimo de elegância e qualidade de vida em Juiz de Fora, e a década de 1950 marcou um período de consolidação desse espírito comunitário. 
Nesta fotografia colorizada, testemunhamos um momento histórico para o esporte local: a inauguração da quadra de futebol de salão do Clube Bom Pastor.
A Memória Viva de Álvaro Boechat
Como bem destacou o internauta Álvaro Boechat, este registro captura o exato instante em que a placa inaugural é desvelada. 
No detalhe, a bandeira do Brasil cobre o memorial, simbolizando o civismo e o orgulho que acompanhavam as grandes conquistas do bairro naquela época.
Note a elegância das mulheres com seus vestidos de cintura marcada e saias rodadas, e os homens em trajes sociais, refletindo a importância do evento para a sociedade juiz-forana.
Ao fundo, as casas de estilo moderno começavam a desenhar a paisagem do bairro, com seus telhados em ângulos retos e varandas amplas, contrastando com o verde das colinas que ainda dominavam o horizonte.
A tabela de basquete e a quadra de cimento representavam o que havia de mais moderno para o lazer da juventude daquela década.
O Clube Bom Pastor não era apenas um espaço físico, mas o coração pulsante onde as famílias se reuniam. 
Inaugurar uma quadra de futebol de salão naquele contexto era abrir as portas para a integração e para a formação de novos talentos esportivos na nossa "Manchester Mineira".
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
31
No coração do Bairro São Mateus, o Carnaval de Juiz de Fora encontrava sua tradução mais irreverente e sofisticada. 
Esta fotografia captura o exato momento em que o bloco Domésticas de Luxo tomava a Rua Padre Café, transformando a ladeira em um mar de gente e alegria.
Fundado no final dos anos 50, o bloco atingiu sua "era de ouro" na década de 1970. 
O estandarte azul e ouro, que vemos à frente da multidão, não era apenas um guia, mas um convite à liberdade. 
Homens fantasiados com o luxo satírico das "patroas" e das "domésticas" rompiam a seriedade do cotidiano, enquanto a vizinhança ocupava as janelas e as calçadas para aplaudir a passagem da banda.
Mais do que um simples registro de folia, a imagem é um documento histórico da ocupação urbana de Juiz de Fora. 
Note-se o policiamento da época, a iluminação pública característica e a moda setentista entre os foliões — um tempo em que o Carnaval de rua era feito de encontros espontâneos, sem cordas ou divisões.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
30
Matinê Carnavalesca de 1969, realizada no Auditório da F.E.E.A (Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia) e organizada pela A.B.C.R (Associação Beneficente Cultural e Recreativa).
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Anna Maria Costa  
29
As Luzes e Sombras da Belle Époque: O Carnaval de 1914 na Rua Halfeld
Existem registros que não são apenas fotografias, mas verdadeiras máquinas do tempo. 
Recentemente, trabalhei na restauração e colorização de um clichê raríssimo que retrata o último dia de Carnaval em 1914, na nossa emblemática Rua Halfeld.
Em 1914, Juiz de Fora vivia o auge da sua fase "Manchester Mineira". A imagem revela uma Rua Halfeld vibrante, iluminada pelos globos elétricos que eram o orgulho da modernidade local. 
No chão, a "neve" de confetes e serpentinas denunciava o fim de uma batalha festiva que envolvia toda a sociedade.
O que mais fascina nesta restauração é observar os detalhes da Belle Époque juiz-forana:
O mar de chapéus de palha e feltro entre os homens.
Mulheres com seus vestidos longos e sofisticados, ocupando o centro da cidade.
As sacadas repletas de famílias que assistiam ao desfile das grandes sociedades carnavalescas da época.
Este registro foi feito meses antes do início da Primeira Guerra Mundial, que mudaria o mundo para sempre. 
É o retrato de uma Juiz de Fora inocente, elegante e profundamente apaixonada pela folia.
Trazer cor a essa cena não é apenas um exercício estético; é devolver a vida a personagens que construíram a identidade da nossa terra. É permitir que o leitor de hoje sinta a energia daquela noite de terça-feira gorda há mais de um século.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
28
Carnaval
Neuza Medeiros comentou: "Minha amiga Valdete, dona da foto, autorizou-me a compartilhar este registro com você. 
A imagem é do Carnaval de 1957 ou 1958, e o Rei Momo que nela aparece chamava-se Pimpinela.
Trabalhei na restauração desta fotografia pois, embora estivesse danificada, ela possui um imenso valor histórico para Juiz de Fora."
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Neuza Medeiros 
27
Aniversário de 80 anos 
Marcos Monteiro de Andrade comentou: minha avó paterna, Maria Illydia Rezende de Andrade.
Nesta fotografia feita em novembro de 1959 estão presentes seus 16 filhos que descrevo abaixo: sentados da esquerda para direita : Décio, Adhemar, Maria Illydia, Ernani e José Dirceu.
Em pé da esquerda para a direita: Roberto, Antônio, Pedro, (meu pai), Lourdinha, Aureliano, Hilda, Egberto, Diva, Tarcillo, Dinah, Rubens e Zélia.
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Marcos Monteiro de Andrade
26
Campo de Futebol da ABCR
Equipe de Futebol Feminina da ABCR, Foi uma das Primeiras equipes de Futebol Feminina do Brasil.
Identifiquei de pé da esquerda para direita: Alzira ou Suely Siano, Luzia Siano, Mudinho, Fatima Resende e Cida Resende
Agachadas da esquerda para direita, Sandra Hellen e Irmã da Helen
Podemos ver ao Fundo a Capela Nossa Senhora das Graças e a caixa Caixa D'água da IMBEL.
Final da década de 1970 ou inicio da década de 1980.
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Sandra C Dias Dias
25
Missa Campal
Entrada da antiga Fábrica Bernardo Mascarenhas, em frente a Praça Antônio Carlos
Atualmente Prédio do CCBM, Biblioteca Municipal e Mercado Municipal
José Eduardo Araújo comentou: Realmente é o saudoso Padre Wilson Vale da Costa, fazendo uma pregação e ao seu lado fazendo a reportagem para a Rádio Industrial o locutor Maurício de Campos Bastos
O Padre Wilson rezava a Oração da Ave Maria na PRB-3 e logo em seguida fazia o programa Problemas da Vida que falava de tudo a respeito das pessoas e da cidade
Certo dia soltou esta pérola: Se peitinho de moça fosse buzina, ninguém ia dormir no Morro da Glória.
Final da década de 1950 ou inicio da década de 1960
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
24
Viagem de Juiz de Fora a Petrópolis ida e volta em um Auto Tarkat Mirin de 30 cavalos, a 75 km por hora
João Adão Brük proprietário da Garagem, João Uchoa da Cruz empregado do commercio, Lourenço Bernardo ,agricultor, João Seabra da Cruz Sobrinho negociante em 1915.
Esta fotografia é um dos registros mais emblemáticos da "era heroica" do automobilismo em Juiz de Fora. 
Ela documenta uma verdadeira façanha para o ano de 1915: a viagem de ida e volta entre Juiz de Fora e Petrópolis.
A Façanha do "Auto Tarkat Mirin"
Para os padrões de 1915, percorrer o trecho da antiga Estrada União e Indústria era um desafio monumental devido ao estado da via, composta por terra e cascalho.
Alcançar 75 km/h com um motor de 30 cavalos era considerado uma velocidade vertiginosa para a época. 
Na prática, a média devia ser bem menor, mas a capacidade do carro em atingir esse pico era motivo de grande orgulho.
Note o design do veículo — pneus finos, rodas de raios de madeira e a total ausência de para-brisa ou capota fechada. 
Os ocupantes ficavam totalmente expostos aos elementos e à poeira.
A composição do grupo no carro reflete a estrutura da sociedade juiz-forana da época, unindo o comércio, a agricultura e a nova tecnologia:
João Adão Brük: Como proprietário da "Garagem", ele era o pioneiro da logística automotiva na cidade. 
Ter uma garagem em 1915 significava ser um dos poucos especialistas em mecânica e manutenção da região.
João Uchoa da Cruz e João Seabra da Cruz Sobrinho: Representantes do setor comercial e de negócios. O automóvel, naquele momento, era um instrumento de status e agilidade para os grandes negociantes.
Lourenço Bernardo: O fato de um agricultor estar no grupo mostra como a elite rural também estava integrada às inovações urbanas.
A bandeira com o nome "JUIZ FORA" no carro não é apenas decorativa; ela servia como um distintivo de procedência. 
Em Petrópolis (então a capital de verão do Brasil), a chegada de um carro vindo de Juiz de Fora com tal "performance" era um evento que atraía olhares e demonstrava o vigor econômico da nossa cidade.
A restauração trouxe à tona detalhes cruciais:
Note as malas de couro presas na parte traseira e nas laterais. Uma viagem dessas exigia provisões e roupas extras, já que panes mecânicas eram comuns e o trajeto poderia levar muitas horas.
Os homens vestem ternos e chapéus (incluindo o quepe do motorista), mantendo a formalidade mesmo em uma expedição de aventura.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
23
Bairro Fabrica
Parque na Cervejaria Jose Weiss
O Bairro Fábrica e a Era de Ouro da Cervejaria
O bairro Fábrica carrega esse nome devido à forte concentração industrial do início do século XX. 
Mas, para além das chaminés, o local era um ponto de encontro social graças à Cervejaria José Weiss.
Diferente das fábricas modernas, a Cervejaria Weiss mantinha um conceito de "espaço de convivência". Na década de 1940 e 1950, o local era muito mais que uma linha de produção:
O parque era famoso por seus jardins bem cuidados e pelo contato com a natureza.
O "Trenzinho": Como vemos na foto, havia estruturas recreativas. 
Esse tipo de vagonete sobre trilhos era comum em áreas de grandes propriedades e parques industriais da época para entretenimento dos visitantes e filhos de funcionários.
A influência dos imigrantes alemães (liderados por José Weiss) era nítida na arquitetura e no ambiente, transformando o bairro em um reduto de tradição mineiro-germânica.
Nesse período, Juiz de Fora vivia uma efervescência cultural. 
Ir ao bairro Fábrica no final de semana era um evento social.
Note na foto a elegância dos homens de paletó e chapéu, e as crianças com roupas de "domingo". Mesmo em um parque de diversões, a etiqueta da época era rigorosa.
A fotografia é um registro valioso da diversidade de frequentadores, mostrando diferentes gerações e grupos sociais compartilhando o mesmo espaço de lazer.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nelson Weiss, (In Memoriam).
22
Carnaval de 1920
O jovem senhor veste um terno claro com debruns (bordas) contrastantes, um estilo muito comum para os blocos de elite e passeios de automóvel. 
O quepe complementa o visual de "clube naval" ou náutico, muito em voga na época.
O acúmulo de serpentinas aos pés e sobre o banco sugere que ele estava em um momento de pausa após o "Batalhão de Confete", uma prática onde grupos se enfrentavam jogando confetes e serpentinas uns nos outros.
O objeto que ele segura é o icônico lança-perfume, geralmente da marca Rhodia.
Naquela década, ele não era proibido; era um item de luxo indispensável.
Borrifava-se um jato gelado e perfumado (à base de cloreto de etila) no pescoço ou nos lenços das moças para causar uma sensação de frescor e leve euforia.
O Carnaval de 1920 foi particularmente significativo porque o mundo ainda estava se recuperando da Gripe Espanhola (1918) e do fim da Primeira Guerra Mundial. 
Havia um desejo explosivo de celebrar a vida.
A cidade vivia o auge do seu poder industrial. 
O Carnaval era dividido entre os desfiles de grandes sociedades (com carros alegóricos luxuosos) e os "corsos" (desfiles de carros abertos pela Rua Halfeld).
A anotação "Carnaval de 1920 - Juiz de Fora" transforma a foto em um documento histórico georreferenciado. 
Naquela época, era comum que as fotografias fossem impressas em papel de cartão-postal para que o folião pudesse enviar para parentes em outras cidades, exibindo sua "fantasia" e sua participação na festa.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elton Belo Reis
21
Doutora Elza Halfeld Clark - 
Uilmara Machado de Melo comentou: Vi escrito no jaleco dela Dr.ª Elza Halfeld... e, embaixo, Santa… (com certeza, Santa Casa de Misericórdia) e pesquisando, encontrei que ela foi a primeira médica a clinicar, em Juiz de Fora, introduzindo o Preventivo Ginecológico, nesta cidade; era irmã da Doutora Marina Ladeira Halfeld Santos (falecida, em 15/05/2016 – Dr.ª Marina “foi a primeira médica formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora; foi professora, mãe, esposa, farmacêutica e médica; lecionou na Universidade Federal de Juiz de Fora”). A Doutora Elza Halfeld Clark está na Lista dos Beneméritos de 2018 da Academia Mineira de Medicina; foi homenageada na mostra “MULHERES: JUIZ DE FORA – 160 ANOS”, que reuniu fotografias e pinturas de 160 mulheres, de 17/03/2010 a 04/04/2010, no Espaço Alternativo do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), que marcou o Mês da Mulher e fez parte das comemorações do Aniversário de Juiz de Fora (31/05/1850); não sei quantos filhos ela teve, mas ela é mãe de Ângela Halfeld Clark.
Década de 1960
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
20
Residência na Região do Bairro São Pedro
Nicia Moller comentou: São 2 cachoeiras, abaixo da primeira tinha um Moinho esta é a cachoeira de cima e meus avós moravam na casa ao lado direito delas, minha infância, férias foram neste paraíso (como eu enxergava), mas a poluição tomou conta e só temos lembranças e de que um dia estas águas voltem à vida
Provavelmente década de 1950 ou 1960
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Nicia Moller 
19
Rua Santa Rita
Humberto Rodrigues de Sá, (In Memoriam). comentou: Na foto estão 11 dos 37 netos que os meus avós maternos, Francisco de Paula Horta Rodrigues e Maria da Glória Horta Rodrigues, tiveram! 
É uma pena que a casa dos meus avós maternos não exista mais!
Carnaval de 1958 ou 1959.
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Rodrigues de Sá, (In Memoriam).
18
Fundação Educacional Machado Sobrinho
Pátio do Colégio Machado Sobrinho
Missa em comemoração da Semana Machadense
Década de 1970
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Coordenador: Helio Noronha Filho
Acervo: Memorial Machadense
17
Bairro Santa Terezinha
Rita Testa Siqueira comentou: Vovô Primo Testa, Tio Arlindo Lempk, Tia Terezinha Testa Lempk, bebê Luís Primo e Vovó Adeltiza Guirardi, no alto da Rua Primeiro de Maio, Santa Terezinha. Neste pasto agora é o Parque da Saudade
Inicio da década de 1950
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Rita Testa Siqueira
16
Ex-funcionários do Jardim da Infância Mariano Procópio
Aparecida Venancio Porfirio comentou : esta é uma da fotos que há muito tempo me deram mas só agora conseguir novamente, não possui data tenho minhas dúvidas se foi tirada do lado de dentro ou fora do Jardim; a princípio aparece uns pisos mas.
Algumas pessoas eu tenho os nomes outras não soube me informar
Assentada a Diretora : Dª Hermelinda Bergo
lado esquerdo dela roupa preta servente Dª Amélia Rodrigues Ribeiro
lado direito dela o Sr. de terno era o Porteiro meu falecido pai Juvenal José Porfírio.
havia um guarda, como senhoras que ela não recorda todos os nomes e a função, mas acho que temos um grupo bem formado do nosso inesquecível Jardim da Infância
Data não informado
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Aparecida Venancio Porfirioo
15
Museu Mariano Procópio.
Maria da Conceição Prazeres, (Tuca), em 1948. 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Maria da Conceição Prazeres.
14
Carnaval  
Desfile de Corsos em 1929
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Mauricio Lima Corrêa
13
Residência - (Demolida).
Avenida Barão do Rio Branco - 3437
Humberto Ferreira comentou: Outra visão da Escadaria que dava acesso ao Alpendre - Segundo Andar.
Na Fotografia Clovito,(Clóvis José), Tia Nancy e a Menina Madelu em 28 de Dezembro de 1952.
Acervo: Humberto Ferreira 
12
Luta na TV, contra o Escaravelho. 
Alex Eiterer Comentou: Uma tesoura aplicada mais ou menos a 3 metros de altura, com o lutador escaravelho em pé em cima da última corda do ringue.
A gente voava, literalmente.
Década de 1960
Acervo: Alex Eiterer
11
Flamenguinho do Futrica foi o celeiro de muitos talentos e amizades que duram décadas.
O Estádio Procópio Teixeira (Sport Club)
Em 1960, o estádio era um dos corações esportivos de Juiz de Fora.
Jogar lá era o sonho de qualquer garoto. 
A estrutura era imponente para a época, e o gramado do Sport via passar desde os craques do profissional até a "garotada do Futrica" em preliminares emocionantes.
Os domingos no estádio eram eventos familiares completos, onde o futebol de base era tão respeitado quanto o jogo principal.
O bar continua sendo o quartel-general dessa memória. 
É o ponto de resistência onde os nomes dos jogadores, como esses que o Carlos Cesar de Lima ajudou a identificar, ainda ecoam.
Você ter começado logo após essa foto de 1960, levado pelo Ademir, mostra como a rede de amizades do Estadual (o Colégio Estadual de Juiz de Fora) alimentava os times da cidade.
A conexão com o Estadual é forte. 
Muitos ex-alunos daquela virada de década (50/60) mantêm grupos de veteranos.
Naquele ano, Juiz de Fora vivia uma efervescência esportiva única. 
Fotografias desse período no Sport Club revela:
As chuteiras de cano alto e travas de couro.
Os meiões de lã que pesavam o dobro quando chovia.
O contraste do uniforme rubro-negro do Flamenguinho contra o verde do Procópio Teixeira.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Carlos Cesar de Lima 
10
Esta imagem é um documento social e histórico impactante de Juiz de Fora. Ela retrata um momento em que a música era utilizada como ferramenta de disciplina e socialização dentro do sistema de assistência ao menor na década de 1970.
A unidade da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (FEBEM) em Juiz de Fora, situada na Rua Diva Garcia, era o modelo de assistência da época.
O edifício ao fundo, com sua arquitetura funcional e janelas pequenas e altas, era típico das instalações institucionais do período. 
A localização no bairro Linhares, então uma área mais periférica e tranquila, era estratégica para o isolamento e a tentativa de reabilitação.
Após a desativação da FEBEM, o local foi adaptado para ser o Presídio de Juiz de Fora. 
Essa transição de "reforma de menores" para "unidade prisional" marca a história da segurança pública na Zona Leste da cidade até a inauguração do novo Ceresp e do presídio mais moderno.
Para os internos, participar da banda era um privilégio e uma forma de ganhar o respeito da comunidade. 
Eles se apresentavam em desfiles de 07 de setembro e em festividades religiosas no bairro Linhares, muitas vezes em frente à igreja.
Geralmente, esses jovens eram treinados por músicos militares reformados ou maestros da Polícia Militar, o que explica a postura impecável e o alinhamento que vemos na foto.
Note a presença de saxofones, trombones e bombardinos. 
Manter uma banda com esse nível de instrumentação exigia investimento e dedicação dos instrutores.
O balizador à frente veste um uniforme que remete ao estilo escoteiro/militar, com chapéu de aba larga (estilo campaign hat), meias altas e bermudas. 
Os músicos atrás usam camisas de manga curta e calças sociais, um padrão de sobriedade da época.
O estandarte carregado à frente exibe orgulhosamente "FEBEM - Juiz de Fora", identificando o grupo nas ruas.
Essa fotografia é rara porque humaniza um local que, no imaginário popular, costuma ser associado apenas a momentos difíceis. Ela mostra o esforço pedagógico através da arte. 
Essa imagem serve para documentar a evolução urbana da Rua Diva Garcia e a transformação social do bairro Linhares.
A região onde ficava esse prédio é hoje um ponto de referência para a história da justiça e da assistência social na cidade. 
Muitos moradores antigos do Linhares ainda se lembram de ouvir os ensaios da banda ecoando pelo bairro.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo 
09
Bairro Granbery
Registro histórico de valor inestimável para a memória de Juiz de Fora, unindo um dos bairros mais tradicionais da cidade a uma das famílias que literalmente "construiu" a Manchester Mineira.
Bairro Granbery e a Paróquia Nossa Senhora do Rosário
O Granbery sempre foi um bairro de elite intelectual e religiosa. A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, localizada na Rua Santos Dumont, é um dos marcos arquitetônicos da região.
A igreja apresenta um estilo eclético com fortes influências neoclássicas. 
Na foto, a escadaria monumental serve como o cenário perfeito para grandes fotos de grupo, uma tradição da época para celebrar eventos religiosos ou corporativos.
O número 215 da Rua Santos Dumont situa a igreja no coração do bairro, próximo ao tradicional Instituto Granbery.
A Companhia Pantaleone Arcuri
Falar da família Arcuri é falar da própria face urbana de Juiz de Fora. 
A Companhia Pantaleone Arcuri foi responsável pela construção de ícones como o Edifício Arcuri, o Cine-Theatro Central e o próprio prédio da antiga Prefeitura.
A celebração de um aniversário da Companhia era um evento de grande relevância social e econômica. A empresa não era apenas uma construtora, mas um símbolo do pioneirismo industrial mineiro.
A Presença da Família: O comentário de Marcio Arcuri confirma o que a imagem transparece: a união entre a vida empresarial e a familiar. 
Naquela década de 1950, as grandes empresas eram extensões das famílias fundadoras. 
Ver os familiares reunidos na escadaria da igreja sugere uma missa em ação de graças pelo sucesso da companhia, algo muito comum na época.
A elegância é evidente.
 Os homens vestem ternos completos (muitos em tons de cinza e azul, típicos do período) e as mulheres exibem cortes de cabelo e vestidos estruturados que eram o auge da moda nos anos 50.
A fotografia mostra desde patriarcas e matronas até crianças pequenas à frente, o que reforça o caráter de celebração da continuidade da linhagem Arcuri.
No canto inferior esquerdo, nota-se o calçamento de pedras (pé-de-moleque ou paralelepípedo), característico das ruas de Juiz de Fora antes da pavimentação asfáltica generalizada.
Esta fotografia é um "quem é quem" da sociedade juiz-forana da época. 
Dado que o acervo Pantaleone Arcuri é um dos pilares da história da construção civil no Brasil, ter essa imagem com a identificação dos familiares é um tesouro para pesquisadores de genealogia e história urbana.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
08
Olimpíadas Infantis
As Olimpíadas Infantis de julho de 1956 foram um marco na vida social e esportiva de Juiz de Fora, refletindo uma época em que a cidade fervilhava com eventos comunitários e o rádio era o grande veículo de integração.
O evento foi amplamente promovido pela Rádio Industrial, que tinha um papel central na organização de competições que mobilizavam as famílias da cidade.
Muitas das provas e desfiles aconteciam no centro da cidade e em clubes tradicionais, como o Sport Club Juiz de Fora e o Tupi.
Os meninos nos triciclos, com uniformes listrados e números de identificação (como a lata que o menino à esquerda carrega), eram típicos das competições de "velocípede" ou das gincanas de regularidade que abriam as festividades.
Note a elegância e o cuidado com os trajes. 
Mesmo em uma competição infantil, o uso de meias altas, sapatos de couro e camisas de gola era o padrão da classe média juiz-forana da década de 50.
Era comum que o comércio local apoiasse esses eventos, oferecendo prêmios aos vencedores.
Essas Olimpíadas não eram apenas "esporte", mas um desfile da sociedade. As famílias se reuniam nas calçadas para assistir às crianças passarem.
A restauração ficou excelente, preservando as texturas do couro dos sapatos e os detalhes das armações de óculos da época. 
O garoto à direita, com óculos de aro grosso e camisa listrada azul, é um exemplo clássico da estética escolar de meados do século XX.
Texto de Autoria: Mauricio Lima Corrêa
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Simón Eugénio Sáenz Arévalo
07
Igreja Nossa Senhora da Glória. 
Primeira comunhão de Elza Brugger em 21 de Outubro de 1954. 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Elza da Silva Brugger.
06
Despedida dos professores da Escola Normal. 
Jandira da Costa Nunes, Lucimar Ribeiro dos Santos, Darcy Terezinha Sá Moreira, Carmem Lúcia Bismania, Aparecida Manguêz e Holanda Maria Baigion em 1961.
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Jandira da Costa Nunes.
05
Residência - (Demolida).
Avenida Barão do Rio Branco - 3437
Humberto Ferreira comentou: Escadaria que dava acesso ao Alpendre - Segundo Andar.
Na Fotografia Tia Zilah em 28 de Dezembro de 1952 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
04
Residência - (Demolida).
Avenida Barão do Rio Branco - 3437
Humberto Ferreira  comentou: Aparecem as Janelas do Porão - Ficava no primeiro Patamar da Casa, (Fim da Escada) - Na Fotografia da esquerda para direita: Tia Zezé, Tia Zilah, Vovó Nhanhá e Tia Aparecida em 28 de Dezembro de 1952. 
Para ter acesso a este local tinha que subir uma escada.
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Humberto Ferreira 
03
Alunos da Escola Técnica de Comércio São Jorge, em frente à catedral após missa da formatura em 1963. 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ednéia Cid Salviano
02
Passeio no Museu Mariano Procópio. 
Ednéia Cid Salviano. comentou: "Olha a elegância dos meus pais e de minha prima. 
Meu pai de terno e minha mãe de salto alto. 
Como eu estava feliz de estar passeando! 
Fiz até pose para o fotógrafo. 
Eu estava com três anos de idade”, em 1951. 
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Ednéia Cid Salviano.
01
Funcionários da extinta Cooperativa 
Luiz Cipriano da Silva comentou: Com alguns funcionários da extinta Cooperativa de Consumo dos Motoristas de Juiz de Fora Ltda. 
Era situada na Rua Santa Rita quase esquina com a Batista de

Oliveira. 
Eu, (Luiz Cipriano da Silva), sou o quarto, da esquerda para a direita.
Década de 1960
Fotografia trabalhada com Inteligência Artificial por Mauricio Lima Corrêa
Acervo: Luiz Cipriano da Silva

 

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